Reviravolta na Lei de Bases da Saúde: BE volta às negociações e ‘tira’ PPP da lei

(David Dinis, In Expresso, 09/06/20199

(Mas que grande jogada da Catarina. Agora o PS que mostre afinal de que lado está: se está com as ideias para a saúde de António Arnaut ou se está com o jeito para as negociatas na saúde com os privados, mais ou menos subterrâneas, de Maria de Belém. 

Se, como se fartou de dizer António Costa no último debate quinzenal na Assembleia da República, o essencial na nova Lei de Bases da Saúde não são as PPP, então aprove-se o essencial e deixem-se as PPP para melhor análise e posterior debate. 

Agora é que se vai ver se as PPP são ou não “essenciais” para o PS.

Comentário da Estátua de Sal, 09/06/2019)


A dias da votação final, depois de terem ficado bloqueados com o recuo do Governo, Catarina Martins propõe a António Costa solução para aprovar Lei de Bases à esquerda… e PPP à direita.


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António Costa usa Tsipras contra o Bloco

(In Expresso Diário, 23/05/2019)

(Costa estrebucha. Já percebeu que a maioria absoluta é um sonho lindo e não passa disso. À sua direita o regresso de Passos foi mais um tiro no pé de Rio e Costa facturou mais uma vez com inépcia da direita. Rangel continua a dizer que Costa é Sócrates mas como Costa não usa fatos Armani nem faz jogging, ninguém acredita e só os fanáticos da direita é que o levam a sério. 

Cristas e Melo continuam com o Sócrates e com as “esquerdas encostadas” mas as sondagens dizem que os portugueses adoram os “encostos” da esquerda. 

Resta Santa Marisa e São Jerónimo, sobretudo a primeira que soma e segue.

A candidata que mais se esforçou por discutir a Europa e para onde esta caminha, (ou não caminha). A candidata que se adivinha que mais votos irá roubar ao PS.

Os portugueses gostaram da experiência da Geringonça e dos resultados conseguidos por este Governo.

Se o PS tivesse governado sem os apoios à esquerda, e tivesse tomado exactamente as mesmas medidas que este Governo tomou, fazendo-o por sua livre iniciativa e sem o fazer contrariado, meus caros, teria a maioria absoluta mais expressiva da história da democracia portuguesa.

Mas não. Não fora o PCP e o BE e grande parte das medidas deste Governo que agradaram aos portugueses, não teriam sido tomadas pelo PS, e os portugueses sabem disso e portanto não podem deixar de premiar eleitoralmente esses dois partidos. Costa também sabe tudo isso e, na primeira oportunidade não se coibiu de atacar os seus parceiros à esquerda. Não havia necessidade. (Abade dos Remédios, dixit… )

Comentário da Estátua, 23/05/2019)


O líder socialista recordou, em resposta ao Bloco de Esquerda, que até o primeiro-ministro grego apoia o PS. Mas foi Augusto Santos Silva quem roubou o palco: “A extrema-direita não será derrotada com [outros] extremismos”.


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O elogio de Lage

(Martim Silva, in Expresso Diário, 20/05/2019)

Bruno Lage

(Ganhou no relvado, não sei se justa ou injustamente. Deixo tal debate para a miríade de especialistas que abundam no espaço público e que dão preleções detalhadas sobre as tácticas e as minudências técnicas do jogo.

Mas com justiça ganhou na palavra para os adeptos e no fair-play para com os adversários na hora da vitória.

Comentário da Estátua, 21/05/2019)


Depois de conquistar o título de campeão nacional de futebol, com uma inédita recuperação de um clube que a meio do campeonato levava sete pontos de atraso para o então líder, não é difícil encontrar adjetivos para realçar o trabalho de Bruno Lage, até ao início do ano um ilustre desconhecido, à frente do Benfica.

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O jovem treinador mudou o esquema tático, mudou alguns dos principais jogadores da equipa, não hesitou em promover e dar destaque a jovens promessas ainda virgens na primeira equipa e, sobretudo, conseguiu imprimir uma alegria de jogo e uma capacidade ofensiva que Rui Vitória já não lograva.

Isto é a parte do futebol.

Mas o elogio a Lage deve ir muito além do futebol ou das quatro linhas. Num futebol feito de casos e questiúnculas, de polémicas e ataques, de ameaças e crispação, as suas palavras no sábado à noite merecem ser muitas vezes sublinhadas.

Claro que o exemplo dado demora a dar frutos e a criar raízes. O treinador do Benfica bem pediu aos adeptos que deixassem o Marquês de Pombal como o encontraram, mas as suas palavras – “Malta, é só para avisar que ninguém vai para casa sem deixar a praça limpa” – caíram em saco roto e no dia seguinte os serviços de higiene urbana da Câmara de Lisboa tiveram de fazer horas extraordinárias.

Da mesma forma que o ódio gera ódio e o ressentimento fomenta o ressentimento, também o respeito pelo outro e o civismo acabam por dar frutos

Mas o que importa é o exemplo dado. É deixar lá a semente plantada. Da mesma forma que o ódio gera ódio e o ressentimento fomenta o ressentimento, também o respeito pelo outro e o civismo acabam por dar frutos quando praticados e apregoados de forma reiterada.

Disse Bruno Lage na hora da vitória: “Tem de partir de nós, do nosso exemplo, começar a olhar para os nossos adversários e, quando eles ganharem, também lhes dar mérito. Só assim é que também eles vão começar a dar-nos mérito.” Mais: “O futebol é apenas o futebol e há coisas mais importantes na nossa sociedade e no nosso país pelas quais temos que lutar”.

Rapidamente as palavras do treinador foram elogiadas pelo próprio Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.

Se cada jogador, treinador ou dirigente seguir o mesmo caminho, seguramente que o futebol português, que é um espetáculo incrível, move multidões e é um negócio que movimenta muitos milhões, ficará muito melhor.

O ano termina cheio de polémicas à volta das arbitragens. Mas alguém se lembra como era o nosso campeonato antes da existência do videoárbitro? O VAR tem imensas falhas, mas um futebol assético e imune a falhas é algo que nunca teremos. E a ajuda dos meios eletrónicos diminuiu o número de erros existentes. Ponto final.

Bem se pode dizer que é fácil ser magnânimo na hora da vitória. Cá estaremos para ver o que acontece em dias menos felizes. Mas não é difícil reconhecer que nestes meses Lage teve quase sempre um discurso muito sereno e positivo. Ou seja, as palavras de sábado não são propriamente uma surpresa.

Para o futuro, o que fica é isto: mil vezes ter treinadores com um discurso positivo e carregado de civismo e exemplos pedagógicos do que aqueles que preferem a arruaça e o insulto e uma crispação permanente que só nos puxa mais para baixo.

O Benfica tem um Lage. Os outros clubes precisam de muitos Lages também. Os clubes e não só…