Era uma vez um país, em Abril, 25

(Estátua de Sal, 25/04/2019)

Cravo de Abril

As efemérides são como os marcos que nas estradas do tempo nos permitem saber de onde viemos, ainda que não possamos nunca retornar ao passado e rebobinar, como nos filmes, a nossa própria história.

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Hoje é mais um Abril a 25, 45 anos anos depois da Revolução. Muitos já se foram dos que construíram a data e muitos dos que a viveram. Contudo, muitos ainda por cá andam e sabem e conseguem comparar o antes e o depois de Abril.

Melhorámos como país e como povo, penso que poucos unicamente por obstinação salazarenta o negarão, Podíamos ter feito muito mais e muito melhor, ó sim, sem qualquer dúvida, mas a História não dá para reescrever. Para o bem ou para o mal passou-se assim e aqui chegámos.

Mas que as datas, as grandes datas, nos levem a procurar os melhores caminhos do futuro e nos sirvam de lição para iluminar o sentido do nosso percurso enquanto povo antigo. E é nesse exercício que recordar Abril nos deve e pode ser útil.

E é na voz e na genialidade de José Carlos Ary dos Santos, esse poeta trágico – como são por regra todos os grandes poetas -, que vos desafio a recordar Abril. Era uma vez um país, perceber e ouvir o que éramos, e assim talvez conseguirmos sentir e entender melhor o que somos hoje. É ver o vídeo abaixo.


Entrevista a Sócrates: Carlos Alexandre e Sérgio Moro – a mesma escola

(Estátua de Sal, 24/04/2019)

José Sócrates

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Depois de “insignes” juristas portugueses terem convidado o ex-juiz Sérgio Moro, Ministro da Justiça do fascista Bolsonaro, para falar sobre Justiça; depois este ter tido o direito a recepção pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva; depois de Moro se ter permitido opinar em público sobre casos com julgamento em curso na Justiça portuguesa e nenhum representante do Estado português se ter manifestado ofendido com esta ingerência, resta dizer que, lamentavelmente, a única figura pública que veio denunciar este chorrilho de atropelos foi José Sócrates.

Podem dizer que o terá feito por ter sido directamente visado pelas declarações de Moro sobre a Operação Marquês. Até posso concordar, apesar de nada o obrigar a falar, já que Sócrates podia muito bem ter ignorado tais declarações.

Só que, culpado ou inocente seja lá do que for, há uma diferença substancial entre Sócrates e a maioria dos restantes políticos que por aí circulam: é que Sócrates tem-nos no sítio enquanto a fauna das muitas figuras públicas que o ignoram ou o acusam não passam de uma cambada de eunucos.

É ver este vídeo, entrevista a Sócrates na TVI, ontem 23/04/2019, onde toda esta subjugação das elites lusas às ideias de um fascista declarado, seja pela conivência, seja pelo silêncio, é denunciada.

Vídeo aqui

Ver também a resposta de Sócrates a Moro, que o apelidou de criminoso, em texto que dirigiu hoje ao Diário de Notícias. (Ver aqui)


Quem quer casar com o agricultor?

(Por Estátua de Sal, 23/04/2019)

Melo, Cristas e Soares

Em tempos idos os fenómenos mais marcantes e inéditos no país estavam, por estranha tradição, associados ao Entroncamento. Agora parece que passaram para a Golegã.

O CDS, comandado pela azougada Dra. Cristas, foi apanhar couves à Golegã. Assim, acompanhada por Nuno Melo e Pedro Mota Soares, também conhecido pelo “ministro lambreta”, decidiram participar no projeto “Restolho“, da Associação de Agricultores AGROMAIS, que consiste na apanha de couves para o Banco Alimentar de Abrantes.

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As razões de tão insólita acção de rua prendem-se necessariamente com as eleições europeias que, segundo a última sondagem da Aximage, não irão ser nada auspiciosas para o CDS e para a Dra. Assunção ainda que, segundo ela, irá lutar nas eleições de Outubro para ser Primeira-Ministra.

De facto, os votos que Marinho Pinto angariou nas europeias de 2015 (7%) vão ser avidamente disputados pelo PSD e pelo CDS, e nada melhor do que recorrer à apanha da couve, para tentar captar esses votos do MPT, o partido da Terra. Ora, como se tratam de eleições europeias, a Dra. Assunção só falhou o alvo quanto ao tipo de couve porque, em vez da colheita de couve lombarda, deveria ter optado pela apanha de couves de Bruxelas. Sempre era mais condizente.

Há que dizer que os políticos em campanha eleitoral resvalam muitas vezes para situações de extremo ridículo. Mas esta direita do CDS bate todos os outros aos pontos e cada vez nos surpreende mais com estas acções dignas de figurar no anedotário nacional. Acham eles que os portugueses são tão estúpidos e atrasados mentais que consideram que apanhar meia dúzia de couves em frente às televisões, transforma qualquer mortal num agricultor encartado e merecedor de empatia profissional, e quiçá, de ser merecedor de escolha nas urnas.

A Dra. Assunção sempre teve queda para as “causas agrícolas”, queda que herdou do seu patrono e mentor Paulo Portas. Ainda a haveremos de ver com o boné e com o capote alentejano que o dito patrono costumava usar para se passear em campanha eleitoral por feiras, mercados e romarias.

Mas mais ainda. Como o CDS está, para já, divorciado do PSD de Rui Rio e vai a votos sozinho para mostrar o que vale, a Dra. Assunção está livre e prendada para casar com quem se chegue à frente e a queira levar ao altar.

Com este tirocínio da apanha da couve, a Dra. Assunção mostrou os seus predicados de mulher da lavoura e alertou todos os jovens agricultores casadouros para o facto de não se assustar com as duras exigências dos trabalhos do campo.

Por isso, ó jovens agricultores, quando forem ao programa da SIC, não escolham qualquer uma e protestem, junto da produção, por só vos confrontar com candidatas de fraco curriculum. Mandem vir a Dra. Assunção que já tem provas dadas em todas as artes agrícolas, desde a apanha da couve até à pasta ministerial da actividade. É garantido que melhor esposa não podem ambicionar. 🙂