Este país é um colosso…

(Carlos Esperança e José Gabriel in Facebook, 29/09/2024, montagem da Estátua)

(Hoje acordei virado para a política interna, apesar dos nossos busílis não contarem em nada para a resolução das graves encruzilhadas que se colocam atualmente à Humanidade, no complexo xadrez mundial. Haverá orçamento, ou não haverá orçamento? Haverá eleições, ou não haverá eleições? Assim, publico dois textos de fno recorte analítico sobre a situação política, destacando-se em ambos a atuação de Marcelo, não enquanto criador de “factos políticos”, mas enquanto criador de “impasses políticos” e pai da instabilidade que agora diz querer evitar.

Sim, um país que tendo um Governo de maioria absoluta – independentemente dos seus méritos ou deméritos -, o troca por um outro, muito mais pernicioso para a maioria dos cidadãos, a navegar dentro de um saco de gatos, é um colosso!

Sim, parafraseando a saudosa Ivone Silva no vídeo que no final vos deixo: “Este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso!”

Estátua de Sal, 30/09/2024)


O homem não para

(Carlos Esperança, in Facebook, 29/09/2024)

O homem não para. O político videirinho que provocou a instabilidade é agora o arauto da estabilidade. Ontem dizia que não se devia ter medo do voto do povo, hoje, receoso do povo, só quer que se pronuncie quando já não estiver em cena.

O homem treme de medo, não de vergonha, e descobriu agora nova guerra na Ucrânia e a necessidade de executar o PRR ambas transitadas da maioria absoluta que dissolveu.

O homem, liberto de perguntas incómodas, voltou a aparecer em todos os telejornais e a abri-los com o seu estado de alma transformado em comunicação ao País. Começou por chantagear o PS e acabou a chantagear o PSD.

Ontem ia para eleições se o Orçamento fosse recusado, agora é preciso que o Governo abdique dele porque não tem maioria. «Fazer-se um esforçozinho não é pedir muito», é o esforçozinho que pedia aos Bancos para pagarem juros maiores a depositantes. Agora até «o interesse nacional é mais importante do que programa do Governo».

O homem não tem um pensamento diferente do Chega. Não é o poder do Chega, que ele se esforçou a alimentar, que o preocupa, é que sejam desmascarados o plano que urdiu e a estratégia que usou.

O homem ainda sonha dividir o PS para se salvar, desejo que Cavaco teve para impedir que António Costa governasse, contando com os ajustes de contas internos e ambições pessoais.

O homem é mau, mas não é burro. E, farto de rezar e de beijar as mãos aos bispos do seu Deus, depois de ter renegado o pai, o filho Nuno e o Espírito Santo Banqueiro, há de acabar a implorar ao Diabo que o salve.

Comigo não contará.


Memória próxima

(José Gabriel, in Facebook, 29/09/2024)

Quando, há uns meses – parecem anos, mas foram meses – António Costa apresentou o seu pedido de demissão, rápida e gulosamente aceite por Marcelo, ninguém ouviu o presidente falar em “interesse nacional”, “estabilidade” e outras expressões com as quais nos martiriza, agora, quotidianamente, o juízo. O PS tinha, então, em recentes eleições, maioria absoluta. Tinha sido um dos partidos que o apoiou na reeleição – convém não esquecer. Logo, era óbvia – como tinha feito, com o PSD, o seu antecessor Jorge Sampaio – a solução de convidar o PS a apresentar um outro primeiro-ministro.

Mas não. Então não tinham sido inventados o interesse nacional, a estabilidade, a governabilidade e cousas que tais. Então, só contou a erecção política do de Belém. Vontade de poder sem medir consequências que não a possível anémica vitória do seu partido a curto prazo e, depois, Deus – através dos seus agentes na Terra, a quem Marcelo tão entusiástica e anti-higienicamente beija as mãos – providenciaria. Mas, como canta o poeta Chico: 

“Diz que deu, diz que dá

Diz que Deus dará

Não vou duvidar, ó nêga

E se Deus não dá

Como é que vai ficar, ó nega?

Deus dará, Deus dará…”

E Deus não ‘tá dando, não. Notem que não faço considerações sobre as políticas do PS de então, da qualidade do seu governo, dos seus resultados. Não é isso que está aqui em questão.

O que agora releva são as consequências de um ego desmedido e sem inteligência e bom senso que lhe acompanhe o manobrismo, bem como a evidência de que o lugar de presidente da República, tratado com bonomia e optimismo pela Constituição no que diz respeito aos riscos de abuso de poder e possível falta de integridade de um qualquer ocupante, pode ser devastador.


Deixem a guerra para quem sabe de guerra

(Por Estátua de Sal, 16/09/2024)

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Nunca vi o espaço mediático tão infestado de “especialistas” como hoje. São um enxame de pregadores que dissertam sobre tudo e um par de botas, como se de cátedra perorassem.

No entanto, existem três categorias diferentes de opinantes:

Há os mais novos que, por terem feito umas cadeiras nos cursos de lavagem cerebral de Relações Internacionais, se consideram já experts em guerra e em geopolítica – João Jonet, Maria Castello Branco, a mais veterana Diana Soller, e a espalha brasas Ferro Gouveia.

Há os militares propagandistas da cartilha da NATO, deturpadores dos factos e do andamento da guerra, João Fonseca Ribeiro, Marco Serronha e o inenarrável Isidro Morais Pereira.

E, por último, há três generais que têm sido acusados de posições pró-russas, apesar da maior parte dos seus comentários serem feitos com base na doutrina militar e geoestratégica, Agostinho Costa, Raúl Cunha e Carlos Branco (ver artigo e a posição dos visados aqui).

Já nem falo da dupla de patetas Milhazes e Rogeiro, sendo que este último, apesar dos memorandos que deve receber dos serviços de informações ocidentais e que o levam a considerar-se um perito em guerras, teria muito que aprender com o texto que abaixo publicamos do Major-General Raúl Cunha, bem como com a intervenção na CNN do general Agostinho Costa.

O meu conselho para os comentadeiros de serviço é este: dediquem-se à pesca ou joguem ao berlinde e deixem a guerra para quem sabe de guerra, porque a estudou, porque a fez e porque por lá arriscou a vida, e que por isso não a deseja nem a proclama, pretendendo evitá-la a todo o custo.


Os porta-aviões na atualidade

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 15/09/2024)

Um dos ensinamentos que podemos agora considerar (veja-se que uma força naval americana teve que se afastar de uma zona costeira por ação dos houthis) é que os dias em que os porta-aviões podiam estacionar a cento e sessenta quilómetros da costa de um país e passar meses a bombardeá-lo até o apagar do mapa, acabaram há algum tempo. As munições de precisão guiadas criaram uma nova lógica no campo de batalha: se um alvo pode ser detetado, pode ser destruído. E, com o aparecimento dos mísseis hipersónicos, essa possibilidade ficou ainda mais evidente.

Isto fez com que os porta-aviões estejam a ficar cada vez mais vulneráveis. Podem ser detetados ao longe pelos poderosos radares de superfície, por radares das aeronaves de pesquisa, seguimento e aviso, ou pelas emissões eletrónicas dos seus próprios radares ou dos das suas escoltas. Ainda poderão ter utilidade para os combates no mar alto ou, dada a possibilidade de poderem operar em qualquer parte do mundo, aumentar assim as distâncias das estruturas de defesa e possibilitando influenciar e apoiar a manobra de forças terrestres longe do seu território de origem. Mas, já não será tanto assim em missões onde sejam o único vector de ataque a objectivos terrestres.

Os porta-aviões foram os navios militares dominantes a partir da segunda metade do século vinte, mas agora, no século vinte e um, irão começar a ser utilizados cada vez mais como navios de apoio a uma manobra mais alargada, enquanto que os outros navios de superfície e sobretudo os submarinos com a valência de lança-mísseis passarão a ser os principais instrumentos com capacidade para decidir os combates navais, podendo também actuar sobre objectivos terrestres de importância estratégica.

Na minha opinião, esta será talvez uma das principais razões porque os EUA têm evidenciado alguma relutância em confrontar diretamente a Rússia, a qual, como é sabido, possui uma vasta frota de submarinos equipados com os mais recentes mísseis hipersónicos, inclusive com ogivas nucleares.


“Esta aventura de Kursk é recomendação de uns majores que acabaram o curso e andaram a ler A Guerra dos Tronos”

(Grande máxima numa assertiva intervenção do major-general Agostinho Costa, na CNN, cujo vídeo pode ser visto aqui).

Muito obrigado senhor General, Agostinho Costa

(Por Estátua de Sal, 13/07/2024)

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Estes últimos dias têm sido um acrescido manancial de lavagem cerebral áqueles que seguem as notícias das televisões. O grande tema tem sido a cimeira da NATO e o apoio à Ucrânia, ambos acompanhados de um rufar de tambores de guerra, de forma a preparar os espíritos para os ímpetos belicistas que os EUA tentam impor aos vassalos, para que continuem a evitar o desmoronamento do Império.

Contudo, a realidade tem muita força e, quando ela nos denega os propósitos resta-nos o teatro e a propaganda como forma de a substituir por uma ficção conveniente. Com o Ocidente cada vez mais isolado no concerto das nações, a NATO surge como uma relíquia da guerra fria, uma lança de ataque da política externa dos EUA e da sua vocação imperial e colonizadora.

Então, o que se viu foi o deprimente espectáculo da subserviência dos líderes europeus à peça teatral montada, pretensamente reveladora de uma estratégia consensual. Como se ainda fosse o Ocidente a “dar cartas” ao mundo inteiro, como sucedeu durante séculos. E lá foram ameaçando a Rússia, a China e todos aqueles que não se queiram submeter, e que são cada vez mais.

Contudo, tirando a capa e o verniz belicista aos discursos e aos documentos que aprovaram, parece que se ficaram por “uma mão cheia de nada”. A Ucrânia vai aderir à NATO, mas talvez lá para “as calendas gregas”. Não aderir agora, e já, revela que a NATO receia um confronto militar directo com a Rússia, apesar do tom de farronca do Stoltenberg e do Biden. Ainda assim, os europeus vão levar mais uma talhada nos serviços de saúde, no Estado Social, para se financiar a guerra e a NATO, de forma a que esta, sabe-se lá quando, se sinta apta a enfrentar a Rússia, e especialmente a China.

Em suma, foram dias de repetido “teatro trágico”, montado pelos propagandistas do Império, e que a comunicação social se encarregou de nos servir em doses cavalares. As exceções são poucas e devem ser louvadas e sublinhadas. De vez em quando, a CNN “engana-se” e dá palco a vozes dissonantes, como acontece com o Major-General Agostinho Costa. A sua intervenção sobre esta temática é um notável exercício de desmistificação, feito por quem sabe bem o que é a NATO e o que é a guerra que, potencialmente se pretende cozinhar nas costas dos cidadãos.

Perante o vídeo que aqui vos deixo, a Estátua de Sal só tem, em síntese, uma frase simples: muito obrigado senhor General Agostinho Gosta. O vídeo pode ser visto clicando aqui.