O Ocidente defensor dos direitos humanos, da liberdade e tolerância…

(Alfredo Barroso, in Facebook, 26/01/2023)

O Ocidente defensor dos direitos humanos, da liberdade e tolerância, proibiu grandes músicos russos de actuar por se recusarem a condenar Putin e a invasão da Ucrânia – regista Alfredo Barroso, espantado com tanta intolerância e cobardia.


O russo Valery Gergiev, que é sem dúvida um dos dois maiores e mais admiráveis Maestros vivos (o outro é o inglês Simon Rattle) foi vítima desta gigantesca onda de ódio e fanatismo anti-russo que se abateu sobre o Ocidente – defensor da liberdade, da tolerância e do respeito pelos direitos humanos – e foi expulso do cargo de maestro principal da Orquestra Filarmónica de Munique (para grande vergonha desta Alemanha social-democrata!), três anos antes do seu contrato expirar, e também viu cancelados outros convites e compromissos, por essa desgraçada e tão cobarde Europa fora.

Exactamente o mesmo aconteceu com a extraordinária cantora russa Anna Netrebko, que viu de súbito cancelados os seus contratos com a Ópera de Estado da Bavieira (na Alemanha que foi pátria de grandes músicos, compositores, maestros e cantores!) e também com a Ópera de Zurique (desse país, a Suiça, pátria dos banqueiros que guardaram o ouro roubado pelos nazis aos judeus)…

Em ambos os casos, Gergiev e Netrebko foram acusados de apoiarem o Governo russo e não condenarem a invasão militar da Ucrânia. Esta perseguição brutal aos russos que se recusam a prestar vassalagem ao Ocidente, é simplesmente vergonhosa e deveras inquietante! Faz-me temer o que poderá seguir-se, se os políticos que estão no poder nos vários países da Europa, Portugal incluído (onde até fiz campanha no Facebook a favor da maioria absoluta, mas já estou a arrepender-me!), se lembrarem de perseguir também todos os que, mesmo criticando a invasão militar russa da Ucrânia, consideram que a Rússia tem todo o direito de preservar a sua segurança e de não querer ser ameaçada pelos EUA e pela NATO em território da Ucrânia.

Como sou melómano desde a juventude e disponho de uma razoável discoteca da chamada ‘Música Clássica’, tenho mais de duas dezenas de CD’s com interpretações de óperas e sinfonias dirigidas por Valery Gergiev, e cerca de uma dezena de CD’s em que Anna Netrebko é a principal intérprete.

Imaginem o que seria (será?) eu ver entrarem de roldão em minha casa um ror de ‘polícias do espírito’ lusitanos, tipo ‘Quisling’, para me levarem ‘de cana’, não sem antes me obrigarem a destruir todos os já referidos CD’s em público, numa fogueira, à boa maneira dos nazis na Alemanha da década de 1930 – para gáudio dos tão arrogantes senhores Augusto Santos Silva, Francisco Assis, Nuno Severiano Teixeira e quejandos, que consideram inadmissível (ouvi eu na TV) que alguém não seja a favor do comediante ‘Pandora Papers’ Zelensky, que preside à Ucrânia… Eu não sou!


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A ‘liberdade para insultar’, nas páginas do Expresso, não inclui a ‘liberdade para publicar’ a resposta aos insultos

(Alfredo Barroso, in Facebook, 22/07/2022)

Conclusão de Alfredo Barroso, insultado e ‘censurado’ no, e pelo, Expresso.


Fui insultado estupida e injustificadamente, no Expresso de 1 de Julho de 2022, por um ‘poltrão à moda do Minho’, chamado Luís Aguiar-Conraria, (Ver o dito texto na parte final deste artigo), que saiu em defesa da sobriedade e dignidade das “mamas” (termo que eu nunca usei, mas ele sim, atribuindo-o a mim!) de uma “head of comunication” e comentadora da CNN/TVI, chamada Helena Ferro de Gouveia, por eu ter comparado esta senhora, fotográfica e literariamente, à advogada Suzana Garcia, também ela comentadora da TVI – e candidata a presidente da Câmara Municipal da Amadora, como cabeça de lista do PPD/PSD, nas últimas eleições autárquicas.

Por estar em férias, só por mero acaso tomei conhecimento no dia 8 de Julho de 2022 do texto bastante insultuoso, despropositado e estúpido do ‘poltrão à moda do Minho’ acima referido. E fiquei de tal modo indignado, com o despropósito do que ele escrevinhou e com os insultos que me dirigiu, que nesse mesmo dia redigi o texto da minha resposta. Mas só a enviei, na manhã de 2ª feira, dia 11 de Julho de 2022, a um subdiretor do Expresso, Martim Silva, e a mais dois jornalistas do semanário que conheço pessoalmente, Ângela Silva e Vítor Matos, solicitando que acusassem a recepção do meu email. Coisa que nenhum deles se dignou fazer (admito que por ‘instruções’ da direcção do semanário).

Pedia eu, nesse email, a publicação integral da minha resposta, dada a gravidade dos insultos que o sacripanta Aguiar-Conraria me dirigiu e invocando ingenuamente (apesar de já ter 77 anos) o facto de ter sido colaborador semanal do Expresso durante quase nove anos (1996-2004), e dando por subentendido eles saberem que fui jornalista profissional desde muito antes do 25 de Abril.

Nada feito. O Expresso não se dignou sequer responder-me e não publicou a minha resposta, nem na edição de 15 de Julho de 2022 nem na edição de 22 de Julho de 2022. A «Liberdade para pensar» que o Expresso reclama para si, é uma perfeita hipocrisia! Imagino, aliás, o sentimento de vergonha que eles terão sentido ao lerem a minha resposta ao ‘pobre’ do Aguiar-Conraria – e até me espanta que este ‘poltrão’ não tenha ficado à beira do ‘suicídio’, como ele se atreveu a acusar-me de o ter feito à sua ‘bela’ Helena Ferro de Gouveia (de Gouveia, e não de Troia).

A indignidade e cobardia de Luís Aguiar-Conraria – além do mais um cretino e ‘pavão’ reaccionário e miguelista – não me espanta tanto quanto a indignidade, falta de ética e cobardia da Direcção do Expresso, não só por não ter publicado a minha resposta, mas também por nem sequer se ter dignado responder-me.

Terei, assim, que optar pela via legal, para tentar (notem que digo “tentar”) obter a publicação da minha resposta, Não me esquecerei de enviar, em anexo à minha resposta, cópia do Cartão de Cidadão e cópia do meu “curriculum” pessoal, profissional e político, para tentar convencer a Direcção do semanário Expresso de que sempre fui, e continuo a ser, um cidadão íntegro – e independente de qualquer partido (apesar de ter sido um dos fundadores do PS) – que sempre praticou e pratica, defendeu e continua a defender, a “Liberdade para pensar” – e, já agora, a “Liberdade para escrever e publicar”.

Ah – já me esquecia – acho que também vou juntar cópia do meu único rendimento desde a reforma: a pensão de aposentação como assessor principal do quadro da Secretaria Geral da PCM. De facto, não benefício de qualquer ‘subsídio político’, e disso me orgulho.

Campo d’Ourique, 22 de Julho de 2022


Comer e não calar

(Por Luís Aguiar-Conraria, in Expresso, 01/07/2022)


Há poucas semanas, li uns tweets de Rita Marrafa de Carvalho, jornalista da RTP que estava na Ucrânia a fazer a cobertura da guerra, a dizer que não era magra, mas que estava contente com o seu corpo, que já lhe tinha dado muito, e que nem todos podiam ser bafejados pela sorte genética. Na mesma altura, leio Helena Ferro de Gouveia, administradora e responsável pela comunicação de um grande grupo empresarial, a falar das suas mamas: “Sou uma mulher e tenho mamas. São grandes, mas são as minhas mamas naturais, fazem parte do meu corpo.” Na mesma semana, na sua conta de Instagram, vejo uma foto do rabo da fadista Cuca Roseta, com uns calções curtíssimos, que tinha a seguinte legenda: “Olá eu sou a Cuca Roseta e estas são as minhas nádegas, traseiro, glúteo, rabo ou o que lhe quiserem chamar. Também tenho olhos, boca, braços, mãos, cabelos, etc. Escrevo este post porque (…)”

Qual o propósito destes tweets e posts despropositados? O que pode levar uma jornalista com a tarimba de Marrafa de Carvalho e em cenário de guerra a vir para as redes sociais falar do seu corpo? Ou Helena Ferro de Gouveia, com décadas de jornalismo, auditora de defesa nacional pelo Instituto de Defesa Nacional e com mestrado em liderança pela Academia Militar, comentar as suas mamas? Ou de Cuca Roseta, fadista consagrada, vir a público confessar que tem um rabo?

Basicamente todas foram vítimas de assédio e misoginia. Não sei se lhe chame cyberbullying, como é comum, porque é uma realidade com que as mulheres convivem desde sempre: ter desconhecidos a comentar o seu corpo, dizendo que são boas como o milho ou que são gordas ou feias. Dizem-me mulheres da minha idade que faz parte de ser gaja passar a vida a ser avaliada esteticamente e tratada como se só isso contasse. O que se passava nas ruas passa-se agora, também, no mundo virtual do online.

No caso de Rita Marrafa de Carvalho, tanto quanto pude perceber, foi vítima de ataques anónimos. Nos outros casos, os agressores eram homens com créditos e responsabilidades. Alfredo Barroso foi secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, quando o presidente de tal Conselho era o seu tio, Mário Soares. Também foi chefe da Casa Civil do Presidente da República Mário Soares. Esta pessoa, com estas responsabilidades, para atacar Helena Ferro de Gouveia pelo que diz sobre a guerra na Ucrânia, não encontra outra forma que não a de falar dos seus grandes dotes. E, se dúvidas houvesse sobre o que queria dizer com “excecionalmente dotada”, elas dissipar-se-iam quando, num segundo post no mesmo dia, junta a foto de Ferro de Gouveia à de Suzana Garcia, que há anos é gozada nas redes sociais pelos mesmos motivos e afirma que ambas são “excecionalmente dotadas” e “rivalizam nos atributos”. No caso de Cuca Roseta, um seu colega de profissão, Nuno da Câmara Pereira, partilha uma foto da cantora em que esta aparece com o rabo destacado numas calças semitransparentes, em que se vislumbram as cuecas por baixo. Nessa partilha, confessa-se derrotado e que desiste de mostrar “o que não é fado”.

Pensava que se tinha evoluído e que pessoas como Alfredo Barroso e Câmara Pereira evitassem brejeirices tão grosseiras

Nada disto é novo. Mas pensava que se tinha evoluído um pouco e que pessoas que se consideram importantes, como é claramente o caso de Alfredo Barroso e de Câmara Pereira, evitassem brejeirices tão grosseiras. Qual é a necessidade? Se Alfredo Barroso quer dizer que Ferro de Gouveia nada percebe de assuntos militares, esteja à vontade. Será um pouco ridículo face às suas qualificações, mas todos comentamos assuntos de que nada percebemos. O mesmo para Câmara Pereira: critique a forma de cantar de Cuca Roseta. Se não considera fado o que ela faz, que o diga e explique. Agora fixarem-se no peso ou nas mamas ou no rabo?

O fenómeno é tão comum nas ruas que já foi alvo de legislação em muitos países. Mas a investigação científica também tem estudado o assédio online. E não há nada de inocente nas consequências do cyberbullying de que as mulheres são alvo. O impacto é devastador, levando por vezes ao suicídio. Um relatório do Parlamento Europeu mostra que entre as principais vítimas estão as mulheres na política — que o diga Marisa Matias que teve um candidato à presidência a dizer que os seus “lábios muito vermelhos” pareciam “uma coisa de brincar” —, jornalistas e, também, académicas. Os impactos vão desde problemas de saúde física à mental, como ansiedade, ataques de pânico, perda de autoestima, etc. Há também um relatório da Amnistia Internacional que salienta que um dos efeitos principais é o do silenciamento das mulheres: desistem. É tremendamente injusto para as visadas, que sofrem diretamente com isto, mas todos perdemos.

Era bom que nós, que tantas vezes nos indignamos por nada nas redes sociais, fizéssemos o contrário e contribuíssemos para o silenciamento destes badalhocos. Fazer-lhes ver que lugar deles não é no século XXI. Por mais humilhante que seja — e é, por muito valentes que se façam —, estas mulheres serem vocais na defesa do seu direito a estar de corpo inteiro no espaço público, não sendo avaliadas pelos seus atributos físicos, é serviço público.

Professor de Economia da Univ. do Minho


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O National Gallery, de Londres, pratica terrorismo cultural

(Alfredo Barroso, in Facebook, 04/04/2022)

National Gallery, de Londres, pratica ‘terrorismo cultural’ alterando o título de um quadro de Degas, de “bailarinas russas” para “bailarinas ucranianas”… – regista Alfredo Barroso, estupefacto e perplexo com tal delírio.


Será que a ‘russofobia’ de fanáticos adeptos da NATO não tem limites, nem sequer os do ridículo absoluto? Não, está visto que não tem! E já chegou ao célebre museu inglês ‘National Gallery’, que decidiu mudar o título dum célebre quadro que o grande pintor francês Edgar Degas (1834-1917) pintou há 150 anos e chamou «Bailarinas Russas», e que passou a chamar-se «Bailarinas Ucrânianas».

A decisão da National Gallery aconteceu depois de ter sido criado um movimento anti-russo nas redes sociais a reclamar ao museu inglês a alteração do nome do quadro, alegando que as fitas amarelas e azuis das bailarinas justificam a mudança.

O famoso pintor impressionista francês Edgar Degas retratou, em tons de pastel, bailarinas russas que o fascinaram durante um espectáculo em Paris. Nesta obra destacam-se as cores amarela e azul das fitas no cabelo das dançarinas e das guirlandas que elas trazem, e que, hoje, são as cores da bandeira nacional da Ucrânia. Logo: que se lixe Edgar Degas! A “malta” pró-NATO – que constitui a “nata” da estupidez que invadiu a União Europeia fazendo justiça à estupidez do ‘cowboy’ Joe Biden, actual presidente dos EUA – exigiu imediatamente a mudança do título do quadro.

O porta-voz da National Gallery, que não primou pela dignidade nem pela inteligência, declarou ao jornal ‘The Guardian’:

– «O título desta pintura tem sido alvo de discussão e abordagem na literatura académica há muitos anos. E, entretanto, houve um aumento da focagem nesse alvo durante o mês passado, devido à guerra actual na Ucrânia. Portanto, sentimos que este era um momento apropriado para actualizarmos o título do quadro de Degas para reflectir melhor o tema pintura»…

Vejam só a que ponto chegou o “debate académico”, caramba! E que grande idiota me saiu este porta-voz!

Esta mudança de nome já levou outras instituições culturais a repensar interpretações ditas “preguiçosas” – o Edgar Degas seria preguiçoso? – ou “rótulos incorrectos” da arte e do património ucranianos – como já acrescentam comentadores foleiros e burgessos, que comparam Putin a Hitler, mas que não percebem que, ao condenarem, por exemplo, a leitura das obras dum escritor genial como Fyodor Dostoievski, a arte dum extraordinário maestro como Valery Gergiev, ou o talento duma admirável cantora lírica como Anna Netrebko, estão a fazer o mesmo, exactamente o mesmo!, que faziam os nazis à arte e à cultura alemãs, que consideravam «degeneradas»…

Entretanto, a National Gallery – já tão enlouquecida como o primeiro-ministro inglês, Boris Johnson – garante que a pesquisa sobre pinturas da sua coleção de obras de arte continua, estando jjá a ser recolhidas informações sobre outras pinturas que serão igualmente atualizadas conforme for e quando for apropriado…

Em suma: a estupidez com palas nos olhos é delirante! E eu só poderei acrescentar, citando o que escreveu o Nuno Bragança a abrir o conto «O Imitador», que «o riso alarve é imediatamente muito forte por ser colectivo e militante»!

Campo d’Ourique, 4 de Abril de 2022


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