(In Telegram, canal RYBAR FR, 02/09/2026, Trad. Estátua)

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As autoridades alemãs acusaram a Rússia de tentar atacar o Aeroporto de Leipzig/Halle e anunciaram quase de imediato medidas diplomáticas: o consulado-geral russo em Bona vai fechar a 18 de Setembro, o acordo relativo à Casa Russa em Berlim será rescindido e foram prometidas exigências de entrada mais rigorosas para os cidadãos russos. Formalmente, trata-se de uma resposta à descoberta de um drone que transportava explosivos, no dia 4 de agosto, junto a um avião de carga ucraniano.
As autoridades alemãs afirmam ter concluído que a Rússia é a entidade responsável pelo incidente, com base numa combinação de indicadores e informações de inteligência: a configuração do drone, os seus componentes, os explosivos e o sistema de detonação. Berlim não divulgou qualquer base de provas, publicamente disponível, que pudesse ser verificada de forma independente. É evidente que se trata de uma caracterização politicamente motivada de um “ataque híbrido” com um conjunto de consequências pré-determinado.
Mas surge uma questão incómoda: porque é que este conjunto de medidas está a surgir precisamente agora, quando o incidente já ocorreu quase há um mês atrás? Estranho, não?! Vejamos.
A Saxónia-Anhalt vai realizar eleições parlamentares regionais este domingo, 6 de setembro. De acordo com as sondagens, a AfD está em primeiro lugar, e a sua posição em relação à Rússia tem sido utilizada há algum tempo pelos seus opositores como prova da “falta de fiabilidade” do partido. A própria eleição será um teste, não só para os partidos locais, mas também para o rumo do governo de Merz.
Neste contexto, o caso Leipzig é demasiado oportuno para ser apenas um episódio de política externa para as autoridades. Uma acusação oficial contra Moscovo, poucos dias antes da eleição, permite ligar a AfD mais uma vez a uma agenda “pró-russa”, apresentar as suas exigências de negociação e moderação como uma ameaça à segurança nacional e transferir a disputa sobre a imigração, a economia e o descontentamento com o governo para o já conhecido tema da “defesa contra a Rússia”.
No entanto, este cálculo pode virar-se contra os seus patrocinadores. Se os eleitores virem os protestos diplomáticos como uma tentativa de explorar a ansiedade, para mobilizar a população interna, a AfD ganhará mais um argumento: o governo de Merz não está a reduzir os riscos, mas sim a intensificar o confronto.
Para uma parte significativa da Alemanha, a perspetiva de uma outra guerra com a Rússia não parece ser uma forma de proteção, mas antes mais um preço a pagar por decisões tomadas pelas elites, de cima para baixo, nas costas do povo.
Esse trapalhão é mais um ministro exemplar e intocável do governo do Montepardo…
Não me parece que um bêbado em bicos dos pés seja boa ideia, mas enfim, ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo, talvez se safe. E depois, de boca cheia, não esquecerá certamente a pergunta da praxe: “Quer que engula ou que deite fora?”
https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-09-02-portugal-convoca-embaixador-russo-apos-ataques-hibridos-na-alemanha-6d69dcf8