A Ucrânia e o fim da NATO

(Por Scott Ritter, in Substack, 26/06/2026, Trad. Estátua de Sal)


Fui convidado para falar numa conferência em Istambul sobre “A Segurança Mundial e a Conferência da NATO”, organizada pelo Centro de Investigação da Iniciativa das Civilizações Globais. Estas são as observações que preparei.


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Com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia a entrar no quinto ano, é crucial que as nações que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) avaliem a situação e o que ela significa para o futuro de uma aliança transatlântica que dura há cerca de oito décadas.

Os grandes meios de comunicação ocidentais e as suas câmaras de eco nas redes sociais promovem uma narrativa centrada na noção de fadiga russa, resiliência ucraniana e determinação ocidental, e deleitam-se em destacar pontos de discussão baseados num lamaçal gerado pela Rússia que se arrasta há mais tempo do que a Grande Guerra Patriótica de 1941-45.

Esta narrativa é paralela às posições oficiais da maioria das nações que compõem a NATO, o que não surpreende, dada a estreita relação entre os meios de comunicação controlados por empresas e governos que mantêm uma relação de porta giratória com essas mesmas empresas.

Esta narrativa é deliberadamente enganadora, pois não visa refletir a verdade factual, mas sim promover uma ficção que está a ser utilizada para moldar a perceção pública, de modo a que o conflito russo-ucraniano possa ser prolongado até à sua conclusão desejada: a derrota estratégica da Rússia. Este objetivo é a posição formal da NATO e dos seus principais membros constituintes, tendo sido reiteradamente expressa desde a sua primeira formulação em maio de 2022. O conceito assenta em três pilares fundamentais: o colapso económico da Rússia provocado pelas sanções económicas; a exaustão militar da Rússia, resultante de uma guerra interminável financiada pelo Ocidente; e a desintegração das estruturas sociais russas, levando à queda do governo russo liderado pelo presidente Vladimir Putin.

Há um grande problema com este conceito: está a falhar. A economia russa está a crescer, e não a encolher, e conseguiu encontrar um equilíbrio entre as necessidades económicas de uma sociedade orientada para o consumo e a expansão drástica da sua indústria de defesa, ao ponto de a Rússia ultrapassar os seus pares ocidentais na produção de armamento essencial para a guerra. As forças armadas russas estão a fortalecer-se, e não a enfraquecer, e a prevalecer num campo de batalha complexo, apesar dos esforços coletivos do Ocidente para as desgastar através de uma guerra por procuração aparentemente interminável com a Ucrânia. Além disso, o governo do presidente russo, Vladimir Putin, continua a angariar o apoio não só da maioria da população russa, frustrando aqueles que ambicionam provocar um movimento como o Maidan em Moscovo, mas também do mundo para além dos limites da comunidade transatlântica.

Os próprios pilares que o plano de ação da NATO deveria derrubar dentro da Rússia estão, na verdade, a ruir dentro da própria NATO — uma crise energética desencadeada pelo autoimposto isolamento da Europa em relação ao fornecimento de energia russa, e exacerbada pela guerra no Médio Oriente, levou ao quase colapso de várias economias europeias cruciais. A força militar da NATO foi drasticamente reduzida nos anos que se seguiram ao colapso da União Soviética, ao ponto de não existir uma única nação da NATO capaz de travar com sucesso um combate terrestre em grande escala na Europa, do tipo que está a ser travado entre a Rússia e a Ucrânia. E os custos associados à melhoria das forças militares da NATO para os níveis necessários para enfrentar e prevalecer sobre as forças armadas russas são proibitivos e, como tal, representam objectivos inalcançáveis ​​para a maior parte, senão para toda a Europa, dada a condição geral precária da economia europeia. Por último, as elites políticas e económicas que tomaram e mantiveram o poder na Europa nas últimas três décadas estão elas próprias a cair em desgraça. O Reino Unido teve quatro primeiros-ministros em quatro anos. O governo alemão está prestes a ruir, assim como o governo francês. Em suma, os próprios objectivos que a NATO procurou impor à Rússia estão a ser implementados — inadvertidamente, mas de forma eficaz — entre os próprios membros da NATO.

O que mais choca, na situação atual, é que ela não é o resultado de um erro de julgamento momentâneo, mas sim o resultado de políticas elaboradas ao longo de décadas. Ainda antes da constituição formal da NATO, os Estados Unidos e o Reino Unido já conspiravam para transformar o território da Europa Central — que hoje compreende a Ucrânia — numa «pílula venenosa» para anular a ideia de uma Grande Rússia. Tanto Ialta como Potsdam tinham como objetivo separar o território russo que hoje constituiria parte da Ucrânia em 2021. A CIA conspirava abertamente com antigos agentes e organizações de inteligência nazis para construir um movimento de resistência anti Rússia em território ucraniano, recrutado entre os piores grupos nacionalistas ucranianos do oeste, incluindo os liderados por Stepan Bandera e Andrei Milnyk. Mesmo depois de a União Soviética ter esmagado os últimos restos destas forças pró-nazis em 1954-55, os EUA e a NATO continuaram a alimentar a fantasia de uma frente unida dos elementos sobreviventes do movimento nacionalista ucraniano, com as Forças Especiais dos EUA a planearem a criação de movimentos de resistência locais em solo soviético, enquanto a CIA sustentava a odiosa ideologia do nacionalismo ucraniano através de financiamento direto e apoio ao treino, que continuou sem cessar até 1990.

Com o fim da Guerra Fria, a NATO colaborou com os Estados Unidos para desestabilizar a Rússia, ajudando a instalar governos anti Rússia e pró-Ucrânia em Kiev. A expansão da NATO ocorreu na sombra, com as verdadeiras motivações ocultas do escrutínio público por parte daqueles que viam a Rússia como fraca e susceptível de acreditar em narrativas enganadoras. A NATO contou com a ajuda de várias organizações não-governamentais que canalizaram dinheiro e recursos para um plano mestre concebido para criar a inevitabilidade de uma guerra entre a Europa e a NATO.

Em 1993, George Soros, que investe fortemente em oportunidades de mudança de regime na Rússia, publicou um artigo no qual escreveu sobre a inevitabilidade e a necessidade da violência entre a NATO e a Rússia. Mas Soros reconheceu abertamente que a NATO, enquanto instituição, era incapaz de sustentar qualquer conflito que enviasse centenas de milhares dos seus soldados para casa em sacos para cadáveres. Em vez disso, observou Soros, a NATO necessitaria de fornecer o arsenal bélico a uma fonte de mão-de-obra da Europa de Leste não pertencente à NATO, que combateria a Rússia como representante da NATO.

Este representante sempre foi identificável como sendo da Ucrânia.

A Revolução Laranja de 2004 foi um esforço apoiado pela NATO e financiado por Soros, concebido para substituir o pró-russo Viktor Yanukovych por nacionalistas ucranianos como Viktor Yushchenko, que abraçaram abertamente a ideologia de Stepan Bandera.

E deu certo.

Após o regresso político de Yanukovych, em 2010, a NATO apoiou os esforços dos EUA e da UE para orquestrar um golpe violento em fevereiro de 2014, que depôs Yanukovych e o substituiu por nacionalistas ucranianos, desencadeando, assim, os acontecimentos que levariam à Operação Militar Especial da Rússia em fevereiro de 2022. A cumplicidade da NATO nesta ação é evidente: a NATO estabeleceu instalações de treino na Ucrânia cuja missão era construir um exército ucraniano capaz de se igualar ao exército russo. Esta ação é a manifestação literal da visão de Soros, de 1993, de um exército do leste europeu equipado pela NATO.

E esta é a própria essência da situação militar que existe hoje entre a Ucrânia e a Rússia, onde milhões de vidas ucranianas e milhares de milhões de dólares em recursos ucranianos foram sacrificados para facilitar a guerra não tão secreta da NATO contra a Rússia.

Uma guerra que a NATO está a perder por uma grande margem.

O primeiro Secretário-Geral da NATO, Lord Ismay, observou, de forma memorável, que a missão da NATO era “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães sob controlo”.

Hoje vemos uma NATO onde os americanos estão a sair, os alemães estão a ressurgir e os russos estão a ser obrigados, contra a sua vontade, a envolver-se num confronto direto com uma NATO que procura ativamente a guerra com a Rússia até ao final da década.

É importante notar que a NATO não tem recursos para construir o tipo de força militar necessária para prevalecer contra a Rússia num conflito direto, e que qualquer guerra entre a NATO e a Rússia conduziria inevitavelmente não só à devastação económica dos países membros da NATO, mas também à destruição física das próprias sociedades que a NATO foi supostamente criada para proteger.

No próximo mês, a cimeira da NATO vai reunir-se em Ancara para discutir o futuro de uma organização que perdeu a sua legitimidade com o colapso da União Soviética e só pode continuar a justificar a sua existência ressuscitando a ameaça da Rússia, provocando Moscovo através da guerra por procuração com a Ucrânia.

Na situação atual, o confronto planeado pela NATO com a Rússia é literalmente um pacto suicida. Levará à derrota da NATO e ao provável extermínio da Europa.

A Cimeira de Ancara poderá vir a ser a última cimeira convocada pela NATO.

A Europa comporta-se hoje como um cão raivoso, e a única forma de uma comunidade se proteger de tal ameaça é abater o cão. A Rússia prepara-se para abater o cão europeu.

A prevenção da guerra deve ser a prioridade da NATO daqui para a frente. Isso exigirá a aceitação da dura verdade de que uma vitória russa sobre a Ucrânia é inevitável e que qualquer esforço da NATO para procurar um resultado alternativo, intensificando o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, só levará a um conflito direto com a Rússia, que a NATO não pode vencer, e, como tal, provavelmente desencadeará um conflito nuclear que terminará para sempre a experiência da civilização europeia.

A NATO está a jogar um jogo perigoso de roleta russa, onde todas as balas da pistola estão carregadas e o resultado é certo. A não ser que pare de jogar. A escolha é clara: a vida ou a morte para a Europa e para a aliança transatlântica. E a decisão será tomada no próximo mês, em Ancara.

Que escolha com sabedoria.

Fonte aqui

16 pensamentos sobre “A Ucrânia e o fim da NATO

  1. Sim. Eu até percebi que o que se queria demonstrar e que esta gente mente sempre.
    Percebi essa parte mas arrepia me esta indiferença pelas nossas vidas que transforma uma guerra proxy numa coisa proxima de um jogo de futebol.
    Mas este é um jogo macabro e cruel.
    Um jogo que nos esta a dar cabo da vida e a acabar com a vida de toda a gente.
    Ao contrário do futebol onde o mais que pode acontecer e um treinador ter de procurar outro emprego.
    Agora esta gente quer retirar a proteção aos ucranianos que estejam em idade militar.
    Os ucranianos sao uma cambada de fanáticos ou já teriam desistido.
    Mas estao a ser tratados de forma vil.
    Acenam lhes com a entrada na União Europeia mas querem mandar para aquele moedor de carne os que fugiram porque querem viver e não ser imolados numa guerra que sabem que não podem ganhar por muito que a estendam.
    Um canal presstituto reconheceu que a guerra está a esvaziar os campos agrícolas da Ucrania.
    Mas continua se com a linguagem futebolística da “vitória que matematicamente ainda e possível”.
    Mas a única matemática da Ucrânia e a de um país que fica sem homens que possam cortar o seu pão.
    Tudo por causa de uma Europa que nunca arrepiou caminho e nunca esqueceu a pilhagem nem os sonhos de Napoleão e Hitler.
    Isto e tudo uma cambada.

  2. Só faltava racismo nortenho. A tua avó não seria daquelas senhoras que votavam porque “,o senhor padre manda votar naquela setinha que aponta para o céu e a gente vota onde o senhor padre manda”?
    E que uma das minhas era dessas e era do Norte. A outra era do Sul e fugia de coisinhas dessas como o Diabo da cruz. Não era nem padre nem poder nenhum neste mundo ou no outro que lhe iam dizer em quem votar.
    Mas e uma perspicácia do camandro essa de votar onde o padre manda.
    Também queres chamar mouro a malta do Sul? Também queres ver Lisboa a arder e lamentas que o aviao da Chapecoense não fosse o do Benfica?
    Força nisso.

    • às vezes chamam-me pintodacostista…. e eu respondo: o Pinto tebe razão em muita coisa, mas estaba errado numa coisa importantíssima – ele dizia que abaixo de Coimbra era tudo Mouros….. está errado – não é abaixo de Coimbra – é abaixo de Abeiro.

  3. O nosso problema e que, quer Portugal ganhe mesmo o caneco, ou, o que e mais provável, saia no bota fora já na proxima jornada, nada muda nas nossas vidas.
    O preço da gasolina também vai ser o mesmo se o nosso clube de futebol vencer o campeonato ou descer de divisao.
    Por isso nas tintas para as figuras que os nossos presstitutos fazem no futebol.
    Agora andar a pagar as contas da camarilha de Herr Zelensky e ainda por cima comprar combustível mais caro faz nos andar a fazer muitas contas a vida.
    Mas com os nossos presstitutos a tentar convencer nos que a vitória numa guerra proxy com uma potência nuclear e possível sempre que os nazis conseguem destruir qualquer coisa na Crimeia ou na fronteira russa ainda e mais impossível esta gente acordar e exigir que deixemos de pagar as contas de Herr Zelensky.
    Raios partam a Ucrânia.

    • A minha intervenção foi no sentido de demonstrar os paradoxos informativos da comunicação social de massas aos dias que correm, e se é verdade que o futebol, ou o desporto, é, dentro das coisas importantes, a mais irrelevante de todas, o exemplo não podia ser mais perfeito quando se fala de “distorção narrativa” da realidade objectiva.
      O jogo de ontem pode ser até usado como alegoria, ou metáfora, do tratamento que é dado ao “conflito” (agora essa palavra entrou na moda para não chamar guerra ao que se passa no Médio Oriente, pois na Ucrânia não se usa o eufemismo “conflito”, ou seja, guerras só as que o “farol do mundo livre” e seus “satélites” não propagam, estas são meros “conflitos”), à “guerra na Ucrânia”.
      Os nossos “relatadores” da geopolítica e geoestratégia amiúde nos afiançam que a Ucrânia “ainda pode ganhar”, mesmo quando a superioridade russa é evidente, e se não derrotou totalmente o inimigo, já conseguiu anexar vastas zonas (oblasts) e respectivas populações à Federação russa. E sempre que há uma vitória russa expressiva, rapidamente se inventa uma “tecnicalidade”, um “detalhe estatístico”, para explicar que não passou de uma vitória pírrica ou sem qualquer efeito no grande esquema das coisas, inofensiva para a subsistência e futura vitória final do nosso aliado ucraniano, seja qual for a sua forma institucional e substância representativa – desde que não ceda nunca aos descalços, mal nutridos e ébrios ogres russos… o “empate” é transformado numa “quase vitória”, a “derrota iminente” torna-se uma salvação miraculosa à última da hora, porque uma bandeira azul e amarela ainda se agitava naquela aldeola ou vilarejo reduzido a escombros e a sucata.
      Este era o ponto do meu comentário, a selecção nacional e os seus marketeers e propagandistas na comunicação social apenas o exemplo utilizado, sobretudo pela sua actualidade (nos noticiários chamam-lhes “breaking news” ou “notícias de última hora”) e significado simbólico.

  4. “Os grandes meios de comunicação ocidentais e as suas câmaras de eco nas redes sociais”, vulgo presstitutos e papagaios e araras “promovem uma narrativa” tão patética, tão desprovida de seriedade analítica, de honestidade intelectual, que até na porcaria da transmissão de um jogo de futebol do campeonato mundial, entre Portugal e a Colômbia, conseguiram fazer figuras tão tristes, tão demenciais, tão ridículas, que conseguiram superar a humilhação sofrida pela selecção portuguesa em campo, orientada pelo espanhol de capilaridade minimal e incapacidade total.
    Se não, vejamos, mal o jogo começou o relatador começou a ter dificuldades em interpretar o que estava a acontecer, com alguns lapsos, distrações e falta de rigor nos seus comentários. Isto continuou ao longo do jogo, episodicamente.
    Depois, o inevitável António Tadeia, senhor que faz décadas a presentear os portugueses com o seu inestimável saber futebolístico, e não sendo o relatador principal, é o que complementa com as suas observações acutilantes e precisas, as suas expressões inolvidáveis (“foi um jogo com pouca baliza”; “o Benfica só não marcou porque não quis”; etc), de uma sagacidade e conhecimento ímpares no panorama nacional – daí ser ele que tem lugar cativo no microfone a acompanhar as transmissões. Este exemplar de mestria afirmava no fim do jogo, sempre com o seu patriotismo futeboleiro que só vê penaltis a favor da selecção nacional, que Portugal ainda podia ganhar o jogo, mesmo antes de sofrer um que acabou anulado por uma unha negra, e prontamente Tadeia assegurou o telespectador tardio e retardado que “o método de detecção dos foras-de-jogo no Mundial é melhor que o nosso, é científico”! Valha-nos a sapiência incansável de Tadeia para nos conduzir pelos labirintos técnico-tácticos do futebol moderno! Que personagem assombrada… assombrosa! Sempre presente na hora da verdade. Nenhum português honesto sabe ainda como Martínez y sus muchachos não perderam o jogo com a Colômbia, e o 2.º lugar do grupo foi sempre garantido.
    Mas a galeria de horrores na RTP não ficou por aqui, não bastando o “serviço público” já prestado. Para fazer parecer que o pior não foi a Colômbia ser melhor equipa que Portugal, e sim que a RTP ainda é pior que a FPF, temos Cândida Pinto à saída do estádio pronta para entrevistar adeptos, tentando mostrar o espírito do Mundial no “farol do mundo livre”. Por volta das 02h42, estava a entrevistar um adepto português, equipado com a camisola vermelha da selecção. Ao lado dele surge uma senhora latino-americana, com uma camisola amarela da Colômbia, e que fala espanhol com sotaque sul-americano. E pergunta Cândida Pinto: a senhora torceu por quem? Repetiu a pergunta, até a senhora ter de lhe explicar o óbvio – Colômbia – que a Cândida, tão perspicaz e cheia de fontes no Pentágono, não chegava lá.
    Valeu mesmo por ver a Colômbia jogar, que mereceu plenamente o primeiro lugar no grupo, e só não ganhou os três jogos, por um golo em fora-de-jogo caído do céu no fim da partida com Portugal que nem o lírico Tadeia sabe como foi assinalado, enquanto ainda acreditava na vitória de Portugal.

    Se isto é assim no futebol, se é esta a seriedade, o espírito de missão patrioteira de trazer por casa, imaginem nas guerras imperialistas e nas políticas fascizóides internacionais.
    Estas carolas direitolas não páram…

    P.S. em estúdio, antes e depois do jogo, estava o Carlos Daniel, director ou coordenador da RTP, a fazer de paineleiro de futebol, mandando bitaites num entre Paulo Bento, Oceano e Carlos Manuel. O rei daquilo tudo.
    Parece que fez agora um documentário sobre os tecursos hídricos e a sua gestão em Portugal, em duas partes, talvez seja interessante. Mas o homem faz tudo, até modera e comenta futebol em dias intercalados.

    • Ainda faltou referir Hugo Gilberto, esse mentalista do futebol, e a sua tentativa de puxar o FC Porto para tema principal ao entrevistar James Rodriguéz após o jogo, perguntando-lhe se este já tinha falado e parabenizado o presidente André Villas Boas, seu ex-treinador, ao que o colombiano disse simplesmente que não, desmontando toda a retórica de propaganda azul e branca.

      • propaganda azul e branca (ou qualquer forma de propaganda nortista) na RTP ou em qualquer imprensa nacional? ó pá…. até no JN o que se vê é propaganda sulista.
        debe ser do calor, que lá pra baixo é mais massacrante…. ou este ano anteciparam a festa do abante….. ou então é como dizia a minha abó: “conforme se desce no mapa também se desce na perspicácia dos animais”

        • Pensava que sabias que a RTP N sempre teve influência do norte, aliás a programação matinal da RTP era feita nos estúdios do Porto. Depois o Porto Canal foi transformado no canal oficial do FCP, assim como o centro de estágios de Gaia, que custou milhões, é alugado por poucas centenas de euros pelo FCP. Eu pensava que “a perspicácia dos animais” nada tinha a ver com a posição geográfica, e sim com educação, cultura e a personalidade ou carácter de cada um. Já vi que toquei num ponto sensível, o FC Porto que secou e mirrou, muito à base de esquemas de corrupção, tráfico de influências e não só todos os outros clubes da cidade, como o Salgueiros, o Boavista que foi o único penalizado na sequência do Apito Dourado, estes os mais sonantes, tudo para “dominar” e não ter obstáculos regionais à sua hegemonia. O Boavista esteve quase a ser extinguido e o estádio trespassado devido às dívidas.
          Mas se não sabias que o Hugo Gilberto é o rosto do fanatismo portista institucionalizado da RTP, então não deves muito à perspicácia…

          • a RTP N / Porto Canal, tal como o nome indica é um canal regional.
            Hugo Gilberto não sei quem é.
            o centro de estágios de Gaia – se não fosse utilizado pelo FCP estava semi abandonado – tal como 5 estádios dos 10 do Euro 2004 (coisas do erroneamente chamado socialismo deste país) – ao ser utilizado pelo FCP faz, pelo menos, que Gaia seja associada a uma instituição de sucesso – tem o valor que tem, mas neste país….
            o FCP secar tudo à volta – o PSG está a fazer o mesmo em toda a França, o Bayern já fez e continua a fazer o mesmo em toda a Alemanha… em Espanha o Real Madrid e o Barcelona fazem muito pior…. é assim o futebol de há (já muitos) uns anos para cá…. O Salgueiros e o Boavista terem ido à falência (ou quase) parece-me mais incompetência dos respetivos dirigentes que culpa de alguém de fora – não me lembro de pormenores mas no caso do Boavista foi culpa do filho do Valentim. o FCP teve dirigentes melhores e conseguiu crescer até ao ponto de competir com os melhores em Portugal e nalguns momentos da Europa.
            quanto à minha avó… ela nunca disse nada do género nem parecido e quando eu digo não é para levar a sério… ou é para levar só um bocadinho a sério… é do tipo – uma frase a brincar (o respetivo adjetivo varia, dependendo da situação), mas tendo em conta o hipercentralismo deste país. mas, ok, não devia ter dito.
            no outro comentário eu só queria dizer que pensar em propaganda azul e branca (ou nortista) só por causa de uma pergunta de um repórter no final de um jogo de futebol, parece-me uma coisa exageradamente exagerada e completamente deslocada da realidade.

            • Vê-se mesmo que não conheces o Hugo Gilberto, e como funciona a RTP (N)…
              Já agora, em Madrid existem alguns clubes, como o Atlético de Madrid e outros clubes periféricos, que competem com o Real Madrid directamente, o Atlético até foi campeão recentemente… o mesmo se aplica em Barcelona e na Catalunha, o Espanyol pode não estar numa boa fase mas o derby catalão aconteceu várias vezes nos últimos anos.
              Nada, mas nada mesmo, se compara ao que se passa no Porto, aliás, é possível dizer que qualquer cidade que se diga grande tem pelo menos 2 clubes (às vezes mais, como é frequente em Inglaterra) a competir directamente. Até em cidades capitais regionais, como Sevilha, há dois clubes rivais, pelo menos. País Basco idem (Athletic e Real Sociedad), Galiza (Deportivo e Celta), etc… só mesmo na região do Porto temos um clube que parasita até mesmo a própria edilidade, o poder autárquico municipal (são conhecidas de todos as histórias e as realidades, até actualmente o presidente da CM Porto se prestou a ridículas figuras nos festejos do Porto na Câmara Municipal, algo que acontece em todas as cidades grandes, mas sem exclusivo de clube hegemónico e “dono disto tudo”)… em Lisboa já houve mais influência de uns ou outros, mas não há “exclusividade” de uma cor, pelo menos não como acontece no Porto, e até havia, outrora, e ainda existem, Atlético Club de Portugal, Oriental, Belenenses, além dos inúmeros clubes da periferia (Estoril, Estrela da Amadora, etc) na 1.ª Liga.
              Fenómenos não do Entrocamento, mas acima do “norteamento”…
              Mas isto são só detalhes, que o comentário inicial se prendia na forma como a comunicação social opera para criar “percepções” e manipular realidades objectivas em favor da propaganda “patrioteira” e “atlantista” (nos diferentes campos, desportivo, económico, político, etc).
              Eles “trabalham” os pategos e os crédulos em todas as vertentes, até aderirem à narrativa pretendida.

              • Quando o Rui Rio vedou a Câmara Municipal do Porto aos festejos do Futebol Clube do Porto, dando a entender que a sede do Município não era necessariamente o palco de festas de um só clube privilegiado, caiu os Clérigos e os Aliados…
                …ainda hoje Rui Rio anda com o MP à perna, a queixar-se da corrupção total dos poderes democráticos e da sua separação… nunca mais o deixaram da mão, e até foi, surpreendentemente, o mais honesto líder do PPD-PSD da última década ou duas…
                … depois a culpa é da falta de perspicácia dos que não são nortenhos…

        • E ainda tiveram direito a um Pavilhão (o Dragão Caixa) totalmente financiado pela Caixa Geral de Depósitos (daí o nome), tal como o Benfica teve os pavilhões da Luz pagos pela CGD… aí não choravam os morcões…

          Tudo corria assim bem na Pategónia, até que surgiu um “maluco”, “coreano” e “terrorista” que pegou no dinheiro que uns mafiosos da Doyen exigiam, congelou a dívida de extorsão e mandou fazer um Pavilhão que custou 20 milhões, sem derrapagens, maior e melhor que todos os outros, e que logo começou a dar frutos (o Sporting, que andou quase 20 anos de casa às costas, prejudicado até pela CML que não queria devolver os terrenos, foi campeão das 4 modalidades principais de pavilhão em que competia em 2018, no ano de estreia do pavilhão – andebol, futsal, vólei e hóquei).
          Mas passam a vida a chorar como Calimeros dos benefícios aos outros, quando são os maiores e mais declarados mamões e aldrabões…

  5. Estender a guerra não é suficiente para derrotar a Rússia. Os americanos estiveram 20 anos no Afeganistão, isso não os fez ganhar a guerra mas também não os destruiu.
    Estiveram 15 anos no Vietname, não ganharam a guerra mas também não foram destruídos.
    Por isso porque raio e que está gente mantem o pensamento mágico de que a Rússia acabara por ser destruída?
    Por a Rússia ser vizinha desde estado hostil?
    Umas quantas refinarias destruídas não vão destruir um país que tem armas nucleares e uma em cada nove partes de superfície seca da terra.
    Algumas mortes civis por terrorismo não vão quebrar quem não quebrou com 10 milhões de mortes civis naquilo a que chamaram Grande Guerra Patriótica.
    A Ucrânia perde terreno todos os dias e só sobrevive porque fascistas no mundo há muitos e gente miserável em dinheiro e em carácter que sonha tirar o pé da lama as custas de ser lá mercenário e matar quem nunca os ameaçou.
    Muitos acabam como merecem. Prisioneiros dos russos ou mortos. Mas há sempre quem queira tentar a sorte.
    Depois temos os russos que querem apenas preservar a população russofona viva e não destruir aquilo tudo.
    Por isso a guerra não acaba.
    E assim podemos ter os nossos presstitutos a vender nos a vitória da Ucrânia, como conseguem destruir alvos na Rússia com drones baratos, tentando convencer nos que a guerra não nos custa assim tanto.
    Vendem nos ainda a rapida reconstrução da Ucrânia e ilustra com a imagem de uma grua numa estrada que tem mais cara de ser no Irão ou Líbano do que num país descrito por um visitante como sendo “como Marrocos, mas verde”.
    E assim sendo temos ainda muito tempo para sustentar a camarilha corrupta de Herr Zelensky, o judeu nazi, enquanto sonhamos com o amanha que canta da derrota da Rússia em que finalmente teremos de graça tudo o que aquelas subhumanos terem e que devíamos ser nós a ter.
    Cambada de pategos tristes.
    Já agora, vao mandar para a Rússia a grande p*ta que os pariu.
    Raios partam a Ucrânia.

  6. A TRIPLA:
    1 – a gente parva (vulgo extrema direita europeia),
    2 – a ladroagem-500 (usam a gente parva como boy-toys nos seus negócios de roubo&pilhagem, e nos seus negócios no caos),
    3- os supremacistas demográficos (sempre há espreita de oportunidades para ocupar e dominar novos territórios)
    QUE SE ENTENDAM!!!
    {na Ucrânia fizeram uma equipa em conluio}
    .
    OS IDENTITÁRIOS REIVINDICAM O REGRESSO DA LIBERDADE AO PLANETA:
    – povos autóctones dotados da liberdade de ter o seu espaço e prosperar ao seu ritmo.
    .
    —>>> SEPARATISMO-50-50!
    .
    Sim: a História não começou há 500 anos!!!
    .
    .
    .
    .
    Anexo
    A CULPA É DE QUEM ANDOU A DAR «MÚSICA» A GENTE PARVA (vulgo extrema direita europeia)
    SIM: a culpa não é dos russos!
    .
    —>>> Já existem canais na internet a fazer referência às preferências… das mulheres ucranianas!…
    .
    .
    Depois de ter boicotado os acordos de paz de Minsk… a ladroagem-500 (cinco séculos de currículo… e… à procura de mais negócios no caos) falou para a gente parva (vulgo extrema direita): “os russos se não forem parados na Ucrânia… vão chegar até Lisboa”.
    Consequência:
    – pessoal a deslocar-se para a guerra;
    – pessoal na rua… a caçar homens para serem enviados para o ‘front’.
    Resultado: MAIS DE 2 MILHÕES de mortos e feridos.
    .
    .
    NO FIM:
    —> a conversa do costume: é necessário substituição populacional:
    – é necessário mão de obra para a reconstrução;
    – é necessário sustentabilidade demográfica.

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