(Adriano Pires, in Facebook, 02/10/2026)

Há fenómenos perturbadores a acontecer nos nossos dias. Um deles é a extraordinária facilidade com que certos indivíduos, que nunca cumpriram o serviço militar obrigatório, nunca comandaram sete soldados, nunca estudaram Ciência Militar, nunca empunharam uma metralhadora, nunca abriram um manual de estratégia e, muito menos, alguma vez puseram os pés numa fábrica de armamento, conseguem, depois de meia dúzia de comentários televisivos e algumas horas de peregrinação pelas redes sociais, transformar-se em consumados especialistas em História, geopolítica, defesa, ataque e, sobretudo, na guerra da Ucrânia.
É um fenómeno admirável, quase uma espécie de milagre intelectual do nosso tempo.
E há ainda um detalhe curioso: esses especialistas sabem quase tudo sobre a guerra da Ucrânia, mas pouco ou nada sabem sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, sobre o bombardeamento da Jugoslávia ou sobre tantos outros conflitos que ajudaram a moldar a ordem internacional das últimas décadas. Alguns nem sequer sabem qual foi a primeira guerra desencadeada pelos Estados Unidos fora do seu território, contra quem foi travada ou em que circunstâncias ocorreu. Mas isso, aparentemente, é um pormenor sem importância. Afinal, para ser general de sofá, basta conhecer a guerra que está a passar no ecrã.
Eis a verdadeira democratização do conhecimento militar.
Antigamente, para compreender uma guerra, era necessário estudar História, geopolítica, estratégia, logística, economia, relações internacionais e, sobretudo, aprender a distinguir a informação da propaganda. Hoje, aparentemente, basta possuir uma conta numa rede social, uma opinião suficientemente firme e uma desconfiança quase religiosa em relação a tudo aquilo que não confirme as nossas convicções.
A guerra da Ucrânia transformou-se, assim, numa espécie de campeonato mundial das certezas instantâneas. Há quem saiba exatamente o que pensa Vladimir Putin, embora nunca tenha estado numa sala com ele; quem conheça os planos secretos do Kremlin, apesar de nem sequer conhecer o conteúdo dos relatórios públicos; quem saiba o que Zelensky irá dizer antes de ele próprio o saber; quem tenha decifrado as verdadeiras intenções da NATO; e quem, com uma segurança que faria inveja aos próprios serviços de inteligência, anuncie regularmente a derrota inevitável de um dos lados.
Tudo isto, naturalmente, a partir do conforto de um sofá.
O sofá tornou-se, aliás, uma espécie de novo estado-maior. É nele que se desenham ofensivas, se perdem batalhas, se conquistam territórios, se derrubam governos e se decide o destino das nações. O mapa da Europa cabe inteiro no ecrã de um telemóvel, e a complexidade da guerra reduz-se a algumas setas, meia dúzia de comentários e um vídeo de três minutos, convenientemente escolhido para confirmar aquilo que já se pensava antes de o vídeo começar.
Entretanto, a realidade — essa velha senhora, pouco elegante, pouco sentimental e absolutamente indiferente às nossas convicções — continua a seguir o seu caminho.
Uma recente entrevista a um analista militar norte-americano chamou a atenção para uma questão que raramente ocupa o espaço nobre das discussões televisivas: a guerra moderna não se ganha apenas com discursos, bandeiras, fotografias de estadistas ou declarações solenes. Ganha-se também com fábricas, linhas de produção, munições, combustível, peças sobressalentes, capacidade financeira, logística e tempo.
Um míssil não aparece porque um político anunciou que será enviado. Um sistema de defesa aérea não nasce porque um comentador considera que seria conveniente possuí-lo. Um tanque não chega à frente de batalha porque alguém escreveu, numa rede social, que ele poderia mudar o curso da guerra.
Entre a decisão política e a realidade do campo de batalha existe uma coisa extraordinariamente prosaica que os generais de sofá tendem a esquecer: a matéria.
É preciso produzir. É preciso transportar. É preciso reparar. É preciso substituir. É preciso treinar homens. É preciso manter cadeias logísticas. É preciso financiar tudo isso. E, sobretudo, é preciso fazê-lo durante meses e anos, não apenas durante o tempo de duração de uma conferência de imprensa.
A indústria militar ocidental possui uma enorme capacidade tecnológica, mas enfrenta também limitações de produção, de reposição e de stocks. A Rússia, por seu lado, adaptou parte da sua economia ao esforço de guerra e aumentou a produção de determinados equipamentos. Os números exactos são objecto de disputa entre diferentes fontes e devem, por isso, ser tratados com prudência. Mas existe uma realidade que dificilmente pode ser apagada por qualquer narrativa: numa guerra prolongada, a capacidade de produzir, reparar e substituir material pode tornar-se tão importante como a qualidade do material existente.
É precisamente aqui que a propaganda encontra o seu inimigo mais incómodo: a realidade.
Durante meses, ouvimos discursos que apresentavam a guerra como uma simples questão de vontade política. Bastaria continuar a enviar armas, preservar a determinação e esperar que o adversário acabasse por ceder. Como se a História fosse uma conferência de imprensa. Como se as guerras terminassem porque alguém declarou, com suficiente convicção, que deveriam terminar.
Mas a História, essa senhora teimosa e pouco obediente, raramente segue os guiões escritos pelos políticos.
Napoleão descobriu-o na Rússia. A Alemanha descobriu-o, de forma ainda mais trágica, durante a Segunda Guerra Mundial. E muitas outras potências descobriram, em guerras menos famosas, que uma operação militar não vive apenas da coragem dos soldados nem da qualidade das armas. Vive de economias capazes de suportar o esforço, de sociedades capazes de resistir, de logística capaz de alimentar as frentes e de Estados capazes de manter durante muito tempo aquilo que prometeram durante pouco.
É por isso que uma guerra não pode ser compreendida apenas através das narrativas dos seus protagonistas.
A Rússia possui a sua interpretação dos acontecimentos. A Ucrânia possui a sua. Os Estados Unidos e os seus “aliados” possuem as suas próprias leituras. Cada um selecciona factos, interpreta acontecimentos e constrói uma narrativa de acordo com os seus interesses, objectivos e necessidades políticas. Isso não significa que todas as versões tenham necessariamente o mesmo grau de correspondência com os factos. Significa apenas que quem pretende compreender uma guerra precisa de fazer aquilo que o propagandista mais detesta: comparar, duvidar e verificar.
A realidade de uma guerra é quase sempre mais feia e mais complexa do que a narrativa construída sobre ela. Há avanços e recuos, vitórias e derrotas, erros de cálculo, decisões acertadas, oportunidades perdidas, interesses económicos, objectivos estratégicos e, acima de tudo, seres humanos que pagam com a vida decisões tomadas muito longe das trincheiras.
O problema do nosso tempo é que confundimos frequentemente informação com confirmação. Dizemos que queremos saber o que aconteceu, quando muitas vezes queremos apenas encontrar argumentos que provem aquilo em que já acreditávamos. É assim que nascem os especialistas instantâneos.
Eles não precisam de estudar Clausewitz, conhecer a história militar europeia, compreender a logística de uma operação de grande escala ou distinguir capacidade industrial de capacidade tecnológica. Não precisam de conhecer o funcionamento de uma cadeia de abastecimento militar, nem de saber quanto tempo demora a produzir, reparar ou substituir determinado sistema de armas.
Possuem algo muito mais poderoso: uma opinião definitiva.
E uma opinião definitiva, nas redes sociais, vale frequentemente mais do que um estudo de duzentas páginas.
Talvez por isso o general de sofá seja uma das figuras mais representativas do nosso tempo. Não usa uniforme, não comanda tropas, não conhece a guerra senão através das imagens que chegam ao ecrã. Mas conhece tudo. Sabe quem tem razão, quem vai vencer, quem está a perder, quem está a mentir e até aquilo que os generais verdadeiros — russos e ucranianos — ainda não conseguiram descobrir.
O seu quartel-general é a sala de estar.
A sua academia é o algoritmo.
O seu estado-maior é a caixa de comentários.
E a sua principal arma é a certeza.
Talvez seja precisamente por isso que, numa época em que todos parecem ter respostas para tudo, a primeira manifestação de inteligência seja recuperar uma virtude antiga e quase esquecida: a dúvida.
Não a dúvida de quem nada sabe, mas a dúvida de quem sabe o suficiente para perceber a dimensão daquilo que ignora.
Porque uma guerra não é um jogo de futebol entre Dinamarca e Portugal.
Não existem adeptos nas bancadas, resultados ao intervalo, repetições em câmara lenta nem comentadores capazes de anunciar o minuto exacto em que chegará o apito final.
Numa guerra existem homens. Existem mortos, existem economias, existem armas, existem interesses nacionais, existem erros, existem cálculos e, sobretudo, existem consequências.
E há ainda uma coisa que nenhum general de sofá consegue derrotar: o tempo.
Mais cedo ou mais tarde, a realidade acaba sempre por entrar na sala de estar. E quando entra, raramente pede licença.
É então que o sofá deixa de ser um estado-maior e volta a ser apenas aquilo que sempre foi: um lugar confortável para assistir, à distância, à história que outros estão a pagar com sangue.
Tenho dito
A Estátua de Sal precisa da sua ajuda. Click aqui.

“E isto é muito mais importante e muito mais assustador que um qualquer misógino que me quer calar por achar que sou fêmea.”
Mulheres que não se calam e mulheres que não se calaram. Abençoadas sejam por isso:
https://youtu.be/yeFcq1iLgjA?si=BTGpsGx2Ayl2Q66x
https://youtube.com/shorts/ZavYAizO8Xc?si=cH8dZ8RfovC-mCDQ
https://youtube.com/shorts/_akFlvOo3vQ?si=PHmi64fCWFSsl1pM
https://youtube.com/shorts/gqYbWD79pzo?si=7aQXqK2gn0mMO6so
https://en.wikipedia.org/wiki/Rosa_Luxemburg?wprov=sfla1
Mulheres de coragem, que dão o peito às balas, literalmente. Nada a ver com mulheres que acham que serão mais ouvidas se quem as ouve pensar que são homens. Chama-se automisoginia.
Protestos dos agricultores italianos contra a guerra e os seus efeitos, com mula e respectiva albarda, e uma Giorgia que não é a Meloni.
https://youtube.com/shorts/zHtkv6CmCFk?is=IvyTLwtTBZuCkOc2
Em França, leis de disparar primeiro e perguntar depois, muito ao gosto dos cheganos, foram aprovadas e protestos civis saíram às ruas
https://youtube.com/shorts/i7_C19T6qk0?is=QDXRcM6Hp8CmEFcC
Aqui do meu sofá, defende-se os direitos e liberdades civis e não a proliferação das armas, da violência e da repressão e terrorismo de Estado
Iraquianos festejam a saída dos militares norte-americanos do Iraque
https://youtube.com/shorts/f67iEIynFgI?is=o32LEeY9-Hplo9Zz
Aqui do meu sofá, é sempre pela paz que torço.
Mim também troce pelo paz, mas se é guerra que querem, guerra terão.
Também penso nos mortos e confesso que as vezes lá sai um palavrão, em especial quando se fala de gente que não paga bilhete mas a quem andamos a pagar há mais de quatro anos sem fim a vista tipo Herr Zelensky.
Mas não deixo de arrenegar o fanatismo ucraniano que os faz continuar isto, uma guerra que não poderiam ganhar pois lutam contra uma potência nuclear mas que continuam pelo sonho de causar a Rússia todo o dano possível talvez causando a queda do regime e a substituição por um Delcy Rodriguez lá do sítio.
A Ucrânia na independência saiu sem dividas que foram absorvidas pela Rússia, uma terra fértil capaz de alimentar sem espinhas os seus então 52 milhões de habitantes. Capacidade industrial instalada, tudo para seguir em frente.
Mas rapidamente afundou na corrupção, nas máfias e no nazismo.
A metade Ocidental da Ucrânia rapidamente tratou de hostilizar quem vivia a Leste.
Que trabalhava, pagava os seus impostos e só queria o direito de falar russo.
Em especial a partir do Golpe Maidan foi criando miríades de milícias nazis com chefes sanguinários que diziam coisas como “os meus homens alimentam me com o sangue das crianças que falam russo”.
Daí a tentativa de conquistar o Leste foi um passo.
Foram 14 mil mortos, cerca de dois milhões de refugiados e deslocados que na sua maior parte foram para a Rússia.
Por isso quando a Europa estava toda aflita por causa dos refugiados sírios Putin veio dizer que a Rússia sabia muito bem o que era receber vagas de refugiados.
O assalto final ao território que nunca tinha sido conquistado estava marcado para Março de 2022.
O objectivo era claro, mandar aqueles russos para casa e matar quem resistisse.
Em resumo, fazer o que Israel está a fazer em Gaza.
200 mil milicianos nazis estavam as portas do que restava do Donbass que não tinha sido conquistado pelos ucras oito anos e 14 mil mortos depois de Maidan.
Penso nos mortos mas e impossível não pensar no fanatismo e crueldade ucraniana que nos levou aqui.
No seu racismo e no seu ódio aos “pretos da neve”.
Porque e que não se levantam contra esta barbaridade, porque e que ainda há ucranianos nos quadros do SBU?
Porque e que ainda dizem barbaridades como que os ucranianos não teem nada de que se envergonhar e chamam a este fanatismo resiliência, como a antiga assessora de Herr Zelensky, Iulia Mendel?
Como e que dizem barbaridades destas depois de coisas como o ataque em ondas sucessivas a uma residência de estudantes?
E e por essas e por outras que muitos dos meus comentários sobre esta repolhada toda acabam em bom português. Raios partam a Ucrânia.
Haja pachorra para os lápis azuis desta vida que insistem saber quem somos e o que somos.
Há coisas mais importantes e cá vai mais uma.
Estudantes franceses vieram para a rua protestar contra falta de professores, instalações escolares degradadas, falta de climatização no Verão e de aquecimento no Inverno, falta de comida nas cantinas escolares.
Universitários protestam contra a degradação das residências universitárias e o aumento dos preços bem como contra a medida anunciada e entretanto abandonada de introduzir propinas nos cursos profissionais.
A resposta do ditador de facto de França foi a mesma que já tinha sido utilizada nas manifestações dos Coletes Amarelos.
Lançar a polícia de choque com toda a sua parafernália de escudos, botas cardadas, capacetes, cassetes, gás lacrimogéneo e balas de borracha.
Tal como nas manifestações dos Coletes Amarelos houve certamente uma ordem não escrita de mirar a cara.
Essa ordem está a ser cumprida e já há casos de jovens que perderam dentes ou olhos.
A França, um país de mais de 80 milhões de habitantes, a terra de todas as lutas pela liberdade vive hoje uma ditadura de facto com um presidente que elegeu o Governo que quis estando se nas tintas para os resultados eleitorais.
Uma ditadura sangrenta e assim haja por lá grunhos que cheguem e o cenário pode tornar se simplesmente terrível se a extrema direita chegar a presidência.
Uma coisa que também nunca conseguirei perceber e a crueldade da polícia.
Porque razão cumprem as ordens mais bárbaras, porque e que fazem estas coisas, que raio de lavagem ao cérebro lhes dão.
Mas e com isto que crianças em França e os seus professores se estão a haver.
Este e só um cenário onde o nosso circo está a pegar fogo por os nossos psicopatas trocarem os nossos direitos por sustentar Herr Zelensky.
E isto e muito mais importante e muito mais assustador que um qualquer misogino que me quer calar por achar que sou fêmea.
Que se fique com esta, enquanto mexer as quatro barbatanas, a cachola funcionar, os fascistas não calarem este blog ou não levar uma suspensão por perder a paciência para o lápis azul de serviço vou continuar por aqui.
Imagens dos protestos estudantis em França
https://youtube.com/shorts/Qf5SXvrWgJU?is=7gqwLappr034lOIN
Por que protestam os estudantes em França?
https://youtube.com/shorts/4mHSjYjEdYE?is=Ipc6iLNBx9kQqiQh
Quando uma menina pede namoro a toda a gente, confesso o meu desinteresse. Nunca jamé dans la p*ta de la vida partilharia com ela qualquer sofá. Principalmente quando tem bafo de onça, uma constrangedora falta de respeito por si própria e não está um minuto calada. Last but not least, não quero passar o resto da vida a pedir perdão à p*ch*ta.
🙂
Os anglo-saxónicos (Reino Unido e EUA) e agora também os europeus do ocidente contaminados por estes, colocam a experiência prática e os dados sensoriais no centro do conhecimento, o pensamento russo e curiosamente o Irão (basta ler o que Ali Larajani nos deixou escrito) tendem historicamente a privilegiar a razão pura, a intuição metafísica e as grandes sínteses teóricas. Os russos e iranianos deduzem à priori enquanto os ocidentais teimosamente deduzem à posteriori e muito armados em tesos agora com o uso da IA e o resultado está à vista fazendo lembrar a brilhante conclusão do cientista e o sapo que me abstenho de a escrever aqui mas deixo o link para quem não a conhecer….A IA só colecta dados e não deduz à priori! https://www.humornaciencia.com.br/miscelanea/sapoci.htm
Ou talvez porque lhes interesse que esta guerra continue.
Porque a verdade e que esta guerra está a levar toda a Europa Ocidental as portas da miséria e há protestos e confusão por todo o lado.
Podem perder alguns soldados, umas quantas refinarias mas o circo que está a pegar fogo e mesmo o nosso.
E claro que devem estar a preparar muitos petardos para quando e se esta cambada de psicopatas nos colocar em guerra directa com a Rússia por perceber que a Ucrânia não chega para fazer Putin ser empalado as portas do Kremlin e tomar o seu lugar um fantoche do Ocidente como foram Gorbatchev e Ieltsin.
Entretanto Bruxelas já despejou mais 2,9 mil milhões de euros a fundo perdido para Herr Zelensky.
Que vamos continuar a pagar a esse grande cabrao até que a cocaína ou um míssil russo o levem isso e outra coisa fatal como o destino.
Isso é o que o meu sofá me diz.
Só para lembrar: até hoje, a Rússia lançou sobre a Ucrânia, a título experimental, apenas três mísseis hipersónicos Oreshnik. Nenhum deles tinha carga explosiva, mas ficou claro o potencial destrutivo da “simples” energia cinética libertada no impacto, em resultado da extrema velocidade. Coisa parecida com o impacto de um pequeno asteróide, que, como é sabido, também não dispõe de carga explosiva “formal”. Por que motivo, estando o Oreshnik já operacional, a Rússia disparou sobre a Ucrânia apenas três, e ainda por cima sem carga explosiva, é coisa que o meu curso de estratégia de sofá não me permite esclarecer. Mas acredito que o sofá não se importe com um atrevido exercício especulativo. Suspeito que, a pensar na eventual noite de chuva que os Manu Morcon, gaja Kallas, Ursula von der Lies e outros temíveis guerreiros de sofá não se cansam de prometer, os demónios da Moscóvia estejam a produzir e acumular Oreshniks de forma acelerada, “enriquecidos” com a carga explosiva de alta capacidade para eles originalmente prevista. Isto penso eu de que, com autorização escrita do meu estimado sofá XPTO.
De facto este artigo parece-me bastante lúcido. E faz-me recordar muitos comentários deste mesmo blogue que usam palavrões e insultos, pensando talvez que chamando muitos nomes àqueles de quem não gostam ajuda a derrotá-los. Prefiro análises objectivas em vez de mera propaganda como na comunicação social. Ou escritos que terminam com “slava ucraina” (penso que é assim que se escreve) na esperança de que este grito ajude um dos lados da guerra. Eu (fui obrigado a participar na guerra colonial) penso mais nos camions cheios de mortos de vinte e poucos anos e em quem sofre os horrores da guerra.
Destaco, no artigo:
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“Talvez por isso o general de sofá seja uma das figuras mais representativas do nosso tempo. Não usa uniforme, não comanda tropas, não conhece a guerra senão através das imagens que chegam ao ecrã. Mas conhece tudo. Sabe quem tem razão, quem vai vencer, quem está a perder, quem está a mentir e até aquilo que os generais verdadeiros — russos e ucranianos — ainda não conseguiram descobrir.
O seu quartel-general é a sala de estar.
A sua academia é o algoritmo.
O seu estado-maior é a caixa de comentários.
E a sua principal arma é a certeza.
Talvez seja precisamente por isso que, numa época em que todos parecem ter respostas para tudo, a primeira manifestação de inteligência seja recuperar uma virtude antiga e quase esquecida: a dúvida.
Não a dúvida de quem nada sabe, mas a dúvida de quem sabe o suficiente para perceber a dimensão daquilo que ignora.”
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Chama-se lucidez!