Reflexão sobre a Guerra na Ucrânia (2)

( José Manuel Neto Simões, in Diário de Notícias, 20/02/2025)

Imagem gerada por IA

(Tendo a primeira parte do ensaio suscitado aqui um debate intenso sob a forma de comentários, segue-se a a segunda parte. Serão 6 partes, e só no fim ficarão visíveis (ou não) as omissões do autor. E tenha-se em atenção a data em que os textos foram escritos e publicados.

Parte 1 aqui.

Estátua de Sal, 21/10/2025)


A encruzilhada e os dilemas

O mundo está numa grave encruzilhada com o confronto geopolítico entre a Rússia e o Ocidente, utilizando a Ucrânia como palco da disputa de interesses, geoestratégicos, geoeconómicos e energéticos. Uma longa guerra impossível de vencer, ligada à conflitualidade disruptiva do Médio Oriente, onde se projeta as novas dinâmicas de poder de múltiplos atores globais. 

Por sua vez, a Ucrânia também tem estado numa encruzilhada multicultural, dividida entre a Europa e os laços históricos, culturais, económicos e até políticos com a Rússia. Os ucranianos veem seu futuro na UE, apesar do país ainda não cumprir os critérios de adesão. O conflito é também visto como parte da rivalidade geopolítica das grandes potências em perigosa deriva de soluções condenadas pela história.

O maior país com território exclusivamente europeu e importantes recursos naturais é um dos “estados-tampão” do espaço de influência geopolítica da Rússia, que a doutrina Primakov considera vital na fronteira de interesses para a sua segurança nacional. E é um pivô geoestratégico para os EUA pela localização do Mar Negro entre a Europa e a Ásia, no âmbito da negação da frota russa ao Mediterrâneo. 

Brzezinskiincentivava os EUA a dominarem a Eurásia com base na teoria do Heartland de Mackinder, mantendo a Ucrânia longe da Rússia. E foi profético em relação à crise na Ucrânia. Na linguagem geopolítica esses estados, entre duas potências, devem manter a neutralidade para garantir o equilíbrio estratégico. 

Contudo, os conceitos de fronteiras de segurança e fronteiras de interesses foram desvalorizados numa depreciação cínica das preocupações securitárias russas. Preocupações seletivas como se constata em outras geografias. A este propósito, Angela Stent que é muito critica de Putin, sublinha serem tão legítimos os interesses da Rússia quanto os do Ocidente e tem direito a uma esfera de interesses privilegiados. Aliás, como os EUA, cuja doutrina Monroe ainda não foi revogada como se viu com as intensões expansionistas de Trump.

Convém sinalizar, que o cientista político Mearsheimer foi apoucado pelos falsos moralistas, quando analisou as causas que levaram Putin – subestimado pelos EUA e UE -a desencadear uma guerra preventiva para manter a Ucrânia afastada da esfera de influência do Ocidente, tendo em conta as preocupações securitárias. 

A sucessão de erros de avaliação estratégica, refletiu-se na rejeição da abordagem racional dos EUA/NATO na gestão do dilema de segurança relativo à deficiente percepção das ameaças, do risco e paradoxos de segurança com falência do instrumento político-diplomático. Houve, de facto, avanço contínuo da NATO, apesar de garantias em contrário, como revelam documentos desclassificados “cascata de garantias”. O insuspeitoKennan, alertava que o erro fatídico da expansão da NATO para Leste conduzia à agressão da Rússia.

A política hostil em relação à Rússia não só a tornou inimiga dos EUA e aliados, mas também a levou para os braços da China com novos alinhamentos geopolíticos a desafiar a atual ordem mundial. Henry Kissinger dizia que diabolizar Putin e a Rússia revelava o fracasso da estratégia ocidental, tendo também alertado que os EUA deviam evitar a aliança entre a Rússia e a China. E o mesmo Kennan, referia, que a Rússia devia ser contida, sem ser excluída, como acabou por acontecer em relação à segurança europeia.

A deriva da Ucrânia para o Ocidente remonta às “revoluções coloridas”. A UE atraiu a Ucrânia para a sua esfera de influência através de um acordo de associação, em 2007, depois do regime ucraniano ter considerado a adesão à União Económica Eurasiática, promovida pela Rússia. Além disso, a Ucrânia recebeu um convite para integrar a NATO na Cimeira de Bucareste em 2008, tendo sido iniciado muito antes um Plano de Acção (2002), sem à data a Ucrânia abdicar da neutralidade, prevista na Declaração de soberania (1990) e na Constituição. Esta situação provocou profundas divergências na UE com forte impacto das relações entre a Rússia e Ucrânia.

Aquela condição imposta à Ucrânia para aderir à NATO impunha denunciar o Acordo de Kharkiv, entre a Ucrânia e a Rússia (2010) ratificado pelos Parlamentos. Esse Acordo vinha no seguimento do Tratado da frota do Mar Negro assinado em 1997entre Rússia e Ucrânia. Afinal quem violou o Direito Internacional?

Na opinião pública por desconhecimento ou incúria não são debatidos os factos ocorridos antes da anexação da Crimeia e as motivações relacionadas com a guerra civil no Donbass, que também estão na origem do conflito. A liderança russa nunca aceitou a mudança de regime e um governo hostil em Kiev, que impusesse a retirada da sua frota de Sebastopol e, consequentemente, do acesso ao Mar Negro e ao Mediterrâneo. 

Nas manifestações do Euromaidan promovidas com o apoio dos EUA e UE, estiveram muito activos o senador John McCain, o embaixador Geoffrey Pyatt e a subsecretária de Estado Vitoria Nuland. Os protestos geraram manifestações violentas, cuja investigação Ivan Katchanovski prova o envolvimento directo da extrema-direita ucraniana, que conduziu a um golpe de estado derrubando o presidente Viktor Yanukovych por ser pró-russo. Porém, os observadores (OSCE) atestaram a eleição justa e sem fraude e demonstração de democracia.

Convém dar nota, que as diferentes narrativas do massacre de Maidan e da mudança de regime na Ucrânia alimentaram a “agenda própria dos EUA contra a Rússia”, assumida pelo ex-director da CIA Leon Panetta. E complicaram a resolução pacífica dos conflitos na Crimeia, da guerra civil no Donbas. 

Entre as diversas fases dos conflito importa destacar o período conturbado da presidência de Zelensky, entre 2019 e 2021, com aumento das tensões com Moscovo, provocado pelos seguintes factos: não cumpriu a promessa de renegociar os Acordos de Minsk por pressão da ala militar com ligações à extrema-direita; ilegalizou partidos de esquerda. E promulgou decretos polémicos: supressão da língua russa e drones para atacar o Donbass. A UE manteve o silêncio cúmplice perante os atropelos à democracia e as purgas em Kiev.

É, pois, legitimo concluir que a complexa combinação de factores e manifesta incapacidade das lideranças ocidentais em lidarem com a Rússia como é, e não como gostariam que fosse, conduziu à encruzilhada em que se encontra a Ucrânia e a Europa. Isto aconteceu, porque a Europa tem sido a extensão do domínio dos EUA assente na sua política externa com base na doutrina da primazia global do excepcionalismo, que influenciou o quadro mental dos presidentes americanos desde a Guerra Fria. 

Biden é acusado de transformar o conflito na Ucrânia numa guerra de procuração, que pode “escalar para um conflito nuclear” ou guerra mundial, usando os ucranianos para enfraquecer e derrotar a Rússia. A fantasia dos que têm alimentado falsas expectativas à Ucrânia, que foi enganada ao abdicar do seu arsenal nuclear, pelos mesmos que a incentivaram a continuar a guerra com “as long as it takes. Zelensky corre contra o tempo que o tempo não tem, favorável a Putin que continua a explorar as fragilidades e desafiar o Ocidente.

A situação para a Ucrânia é terrível ao nível político-diplomático, estratégico e operacional, tendo perdido seis vezes mais território que em 2023. As suas forças armadas estão exauridas com uma nítida fadiga de guerra e até indiferença e falta de coesão dos governos ocidentais. O actual impasse pode conduzir a negociações ou ainda evoluir para o dilema estratégico de uma guerra existencial impossível de vencer entre os EUA que querem o fim da guerra, a Ucrânia apoiada pela Europa não aceita a derrota e a Rússia que não pode perder. 

Isto é, a Europa tem de pagar um preço muito elevado à Rússia pela invasão, mas sem a encurralar num perigoso beco sem saída, que o leve Putin à escalada. Talvez, por isso, alguns líderes europeus refiram que o conflito está a assumir proporções dramáticas e que se aproxima o desconhecido. O imprevisto espreita!

Em síntese, a tragédia ucraniana é o resultado da intensa disputa geopolítica entre a Rússia e o Ocidente. E traduz a forma negligente e ostensiva como os beligerantes e as coligações que os apoiam encaram as dimensões política, doutrinária, estratégica, informacional, legal e ética. 

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11 pensamentos sobre “Reflexão sobre a Guerra na Ucrânia (2)

  1. Por favor coloquem link entre as diversas partes, quem chega de novo pode querer começar pelo princípio, parte 1… E agora estou aqui às voltas…

  2. Depois de ter passado meses de ouvido colado ao Youtube para saborear a sofisticação analítica do Comandante Jacques Baud, é difícil a alguém ultrapassar, comparativamente, o patamar do amadorismo. É pena, mas parece que a Estátua de Sal não descobriu o Jacques Baud português.

  3. Depois da Segunda Guerra Mundial e até antes dessa malta começar a tentar exportar formas alternativas de sociedade.
    Quando compravamos russos aos tártaros ou quando Napoleão invadiu a Rússia não tentava este pais exportar porra nenhuma em termos de organização social.
    Todos tínhamos o mesmo tipo de Governo, monarquias absolutas, umas mais sanguinárias que outras mas todas uma verdadeira praga para os seus povos.
    O problema da Europa foi que nunca vimos aquela gente como nossos iguais, como seres humanos de pleno direito que mereciam outro destino que não o de ser escravizados, explorados, mortos.
    Foi isto que transmitimos aos nossos “filhos” do outro lado do Atlântico.
    Isto tem séculos e não e nem nunca foi erro nenhum. E racismo, do mais abjecto e vil e que ninguém sabe como acabara.
    Mas tenhamos calma que pelo menos já so faltam mais quatro reflexões destas.

  4. Sobre o conflito a que um palhaço vendido levou o seu país, e depois de tudo e mais alguma coisa já dita, por quem tenta perceber os interesses instalados, e por quem acredita ou tenta fazer outros acreditarem em falsas ou absurdas premissas, oferece-me apenas escrever o seguinte.

    Opinião é o meio entre conhecimento e ignorância.
    A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.
    Platão

    E ao ouvir o sr. Trump dar dia sim dia sim uma no cravo outra na ferradura, e as nuliidades dirigentes europeias, cada vez que abrem a boca, a borrar um pé todo 100 vexes por cima da cabeça, sugiro o que pode ser o hino da UE ou da Ucrania.

    https://youtu.be/hZF6BglDS30

    [Verso 1]
    Milhares de corpos jazem mortos na areia
    A quem pertenciam, mortos por mãos de quem?
    Rostos meio podres com buracos em vez de olhos
    Minha mente está me dizendo mentiras?

    [Refrão]
    A Roda está rolando e avançando
    Este é um caminho sem volta
    Uma cadeia de nascimentos e mortes os une
    Séculos –
    Uma multidão de espíritos que foram mortos
    Estão agora no fundo do seu cérebro
    Tudo o que você considerou
    Não é verdade!

    [Verso 2]
    Centenas de vezes mortas de novo e de novo
    Vivendo todas as sombras entre o prazer e a dor
    Homens, mulheres, crianças – todos se foram e morreram
    Agora trancados com segurança na minha cabeça…

    [Refrão]
    A roda está rolando e continua
    Este é um caminho sem volta
    Uma cadeia de nascimentos e mortes os une
    Séculos –
    Uma multidão de espíritos que foram mortos
    Estão agora no fundo do seu cérebro
    Tudo o que você considerou você
    Não é verdade!

    [Pausa musical]

    [Ponte]
    Levantem-se, os que caíram
    Fale o que você tem a dizer
    Compartilhe comigo seu conhecimento
    E torne-se eu mesmo!

    [Refrão]
    A Roda está rolando e avançando
    Este é um caminho sem volta
    Uma cadeia de nascimentos e mortes une
    Séculos –
    Uma multidão de espíritos que foram mortos
    Estão agora no fundo do seu cérebro
    Tudo o que você considerou
    Não é verdade!

    A Roda está rolando e avançando
    Este é um caminho sem volta
    Uma cadeia de nascimentos e mortes une
    Séculos –

    Uma multidão de espíritos que foram mortos
    Estão agora no fundo do seu cérebro
    Tudo o que você considerou
    Não é verdade!

  5. Não posso deixar de constatar que considerar “erro” a geopolítica ocidental de hostilização/ provocação permanente à Rússia, constitui um eufemismo insuportável. Não se trata evidentemente de erro nenhum, sempre foi uma atitude deliberada desde o fim da II Guerra e que permanece até hoje. Também não é erro nenhum o facto de quase todos os líderes europeus terem abandonado vergonhosamente os interesses dos seus povos e passarem a ser rasteiros e imbecis lacaios de Washington. Isso é uma atitude deliberada, pensada e coordenada para ser assim mesmo e ter os resultados que experienciamos. Erro é quando a pessoa não sabe bem o que faz. Isto é um caminho totalmente suicidário propositado. Ora, sendo facto que a Europa não dispõe de fontes energéticas suficientes para alimentar a sua indústria e nível de vida, é óbvio que tem de a ir buscar ao exterior. Que melhor solução que importá-la da Rússia a preços altamente competitivos? Ao passar a adquiri-la na concorrência sobretudo americana ao triplo ou quádruplo do preço, claro que o velho continente perdeu imediatamente as vantagens competitivas que antes o faziam properar no panorama internacional. Tal gerou naturalmente fortes pressões inflacionistas, falência e deslocalização de muitas empresas, alta de desemprego e todos os problemas socio-políticos associados a esta situação. O problema agravou-se substancialmente com a actual deriva belicista que decidiu transferir para os fabricantes de armas substanciais fatias dos orçamentos às custas do estado social, apoios e benefícios, ordenados e pensões, investimentos e melhoria dos serviços, etc. Pior ainda, tudo isso é feito explicitamente para puro benefício do “amigo americano”, perante quem as elites europeias se curvam bajulantemente e puro prejuízo dos povos e comunidades europeias. Isto não é um erro, é o maior desastre desde as duas guerras e as consequências a prazo são inimagináveis. Entretanto Washington está a caminhar rapidamente para um novo meltdown. Os sinais são inequívocos, falências em dominó de muitos e importantes bancos regionais e grandes empresas, junto com o habitual linguajar economês que pretende confundir e esconder o lixo debaixo de tapete. A insistência das lideranças europeias em manter o acoplamento ao gigante muribundo (até lhe oferencendo biliões como fez Ursula) só pode arrastar-nos para o naufrágio. A esse altar do holocausto sanguinolento tudo tem de ser sacrificado, pois o monstro é insaciável.

  6. Tanta coisa mal escrita/traduzida, e ainda algumas aldrabices que já estou farto de desmentir (com factos). Vou limitar-me a algumas citações da parte final do texto:

    1) «A fantasia dos que têm alimentado falsas expectativas à Ucrânia, que foi enganada ao abdicar do seu arsenal nuclear, pelos mesmos que a incentivaram a continuar a guerra com “as long as it takes.»

    MENTIRA!
    A Ucrânia nunca teve arsenal nuclear nenhum. A República Socialista Soviética da Ucrânia, essa sim, teve temporariamente instaladas em seu território algumas armas nucleares DA RÚSSIA. Não se pode “abdicar” daquilo que nunca se teve. Continuar a repetir essa mentira é como eu dizer que “abdico” do Ferrari, com outro dono, que estacionou à frente da minha casa…

    —–//—–

    2) «A situação para a Ucrânia é terrível ao nível político-diplomático, estratégico e operacional, tendo perdido seis vezes mais território que em 2023. As suas forças armadas estão exauridas com uma nítida fadiga de guerra e até indiferença e falta de coesão dos governos ocidentais.»

    ERRADO!
    O plano ocidental continua tal e qual como foi alinhavado: sacrifício de homens de leste (o plano da RAND Corporation incluía não só Ucranianos, mas também Bielorussos e Georgianos) para manter a Rússia ocupada (sobre-expandida) por muito tempo.
    Ucranianos continuam a tática de atrição (que vale para os dois lados) e a tornar caríssimo aos Russos qualquer avanço. Os Russos demoram um ano para conquistar uma área apenas equivalente ao distrito de Coimbra!

    —–//—–

    3) «O actual impasse pode conduzir a negociações ou ainda evoluir para o dilema estratégico de uma guerra existencial impossível de vencer entre os EUA que querem o fim da guerra, a Ucrânia apoiada pela Europa não aceita a derrota e a Rússia que não pode perder.»

    INGENUIDADE!
    Os EUA não querem o fim da guerra. Esta guerra foi planeada por eles durante décadas (como admitiram Brzezinski e outros do governo USAmericano), provocada por eles (primeiro acto público foi a tal ameaça de Bush em 2008 sobre a expansão da NATO), iniciada sob as ordens dos EUA em 2014 (os donos de facto do regime pós-golpe da CIA com recurso a nazis e corruptos aka europeístas e atlantistas).
    Não perceber este ponto, é não perceber nada!

    Nos documentos oficiais dos EUA, quer com Biden, quer com Trump, esta guerra é para ser prolongada. É isso que interessa, não são os teatros públicos dos políticos e comentadores.
    Pete Hegseth, em Fevereiro, publicou na página do Departamento de Guerra (na altura ainda oficialmente chamado de “Defesa”), que como a Rússia está a mostrar-se mais resistente do que eles pensavam, daqui para a frente há uma DIVISÃO DE TAREFAS entre EUA e seus vassalos Europeus:
    — os EUA vão agora “só” vender as armas todas que prolongam este conflito, e focam os seus recursos nas agressões imperiais noutros pontos do planeta (Irão, Venezuela, China, e mais umas quantas guerras proxy e golpes sangrentos).
    — por seu turno, os vassalos Europeus pagam as despesas todas com o objectivo (da Casa Branca de Trump, em 100% continuidade de agenda com a Casa Branca de Biden) de polongar a guerra proxy contra a Rússia, ou até a Rússia perder (i.e. ter mudança de regime, falir, etc) ou até a Ucrânia perder (i.e. ficar sem soldados, ou ter a Rússia a chegar novamente até Kiev, etc).

    —–//—–

    4) «Isto é, a Europa tem de pagar um preço muito elevado à Rússia pela invasão, mas sem a encurralar num perigoso beco sem saída, que o leve Putin à escalada.»

    OI?!?
    Que m*rda de “português” é este?!? Mais uma tradução como a dos “eurofóbicos”?…

    —–//—–

    5) «Em síntese, a tragédia ucraniana é o resultado da intensa disputa geopolítica entre a Rússia e o Ocidente.»

    P*TA QUE PARIU!
    Não há disputa nenhuma “entre a Rússia e o Ocidente”.
    Há pura e simplesmente uma agressão imperial dos EUA, atropelando tudo e todos, dando início à guerra no Donbass em 2014 onde, se não fossem alguns ucranianos (pró-Russos ou anti-nazis) pegar em armas para defenderem as suas famílias, ouvindo e lendo o que alguns do regime golpista disseram, teria resultado numa coisa parecida com o GENOCÍDIO em Gaza.

    Isso não é uma disputa. E não é da Rússia!
    É uma agressão do Ocidente, não provocada nem justificada.
    E uma auto-defesa do povo do Donbass, que a Rússia decidiu ajudar TARDE, segundo os próprios que lá vivem. Lá, e não só. Em Odessa, Kharkov, etc.

    A abordagem da Rússia não é disputar o que quer que seja. É respeitar a soberania dos vizinhos, com uma só linha vermelha: que não ameacem a Rússia. A Rússia fala com toda a gente, 100% pragmática, sem impor nada a ninguém. Tanto negoceia com capitalistas indianos, como com comunistas chineses. Tanto fala com sauditas muçulmanos, como com judeus israelitas. Tanto respeita o povo na Venezuela, como os talibã no Afeganistão. Aliás, até me dá nervos a forma como a Rússia (e a China, e os BRICS em geral) são tão pragmáticos e toleram TODAS as diferenças. Quando a Rússia em Novembro de 2024 está a bombardear (a pedido do governo Sírio) o terrorista do HTS/al-Qaeda, al-Julani, mas em Outubro de 2025 já o recebe no Kremlin e reconhece como Presidente Sírio (agora rebaptizado al-Sharaa), isso é o exemplo exacto do que é a geopolítica Russia hoje em dia: ZERO interferência, 100% pragmatismo. ZERO ameaças, 100% respeito pela vontade do governo de facto de cada país, seja ele quem for.

    Aliás, o exemplo Sírio é perfeito para se ver a diferença:
    — império genocida ocidental financiou e armou TERRORISTAS, e alimentou uma década de guerra “civil” só para mudar um governo. Não por esse governo ser uma ameaça, mas porque se recusava ser vassalo de Washington e da Jerusalém ocupada. Mataram (e continuam a matar) civis só para poderem ter mais uma capital a prestar vassalagem;
    — Rússia dialoga com quem quer que governe um país (neste caso a Síria), não impõe nada. Coopera sempre que pode. Não interfere, nem mesmo para salvar um aliado.

    Ora, voltando ao meu ponto, se o meu vizinho começa a fazer sieg heils e a dizer que me vai matar, e recebe financiamento e armas de um criminoso do outro lado do planeta, eu tenho uma “disputa” com o meu vizinho? Não!
    Deixem-se de pseudo neutralidades e de politicamente correctos, chamem os bois pelos nomes. Senão qualquer dia dizem que os Judeus tiveram uma “disputa” com Hitler… ou que as crianças de Gaza tiveram uma “disputa” com o Netanyahu… ou que os pescadores do Caribe (Venezuela, Colômbia, Trinidade e Tobago) assassinados com mísseis da NATO tiveram uma “disputa” com Trump…

    —–//—–

    Resumindo e concluindo, enquanto não perceberem o que se passa (esta é uma guerra proxy dos EUA), enquanto repetirem mentiras, enquanto forem ingénuos, enquanto cometerem erros de análise tão crassos, e enquanto não chamarem os bois pelos nomes, a Europa vai continuar em queda vertiginosa em direção ao abismo.

    E quanto a soluções, das duas uma:
    — ou o império dos EUA implode numa guerra civil e/ou movimentos secessionistas, e deixa de ter tempo e condições para continuar a f*der o Mundo inteiro;
    — ou a Europa escreve direito (fim da UE e da NATO) por linhas tortas: revolta popular contra os vassalos corruptos dos EUA que militam nos partidos Europeístas e USAtlantistas, desde os mais wokes como o Livre (e a direcção do BE “social-democrata, pró-UE, tolerante do € e da NATO, e que levou o partido dos 20 deputados até uma só palhaça…), até aos mais merdosos como o Chega, passando por toda a corja de bandalhos lá pelo meio (PS, PSN, PSD, CDS, IL). Desde o Podemos até à AfD. Desde o Tsipras até à Le Pen. Etc. Se toleram o €uro (= Fascismo/NeoLiberalismo imposto via monetarismo supranacional imune à vontade eleitoral) e os EUA/NATO (= crimes contantes contra a humanidade, sempre em nome dos interesses imperiais em Washington), então são parte do problema, NUNCA farão parte da solução.

    Ou seja, a solução vai chegar quando o Ocidente experimentar finalmente na prática uma coisa chamada: DEMOcracia representativa soberana e respeitadora dos Direitos Humanos.

    Em vez da actual “democracia” Liberal, que só representa a oligarquia (em particular os fabricantes de armas), que viola DIARIAMENTE os Direitos Humanos de povos em todo o Mundo, onde a imprensa nem tem jornalistas nem tem liberdade (só tem permissão para manipular e mentir em nome deste regime imperial nazi-fascista terrorista genocida), e onde as elites Liberais gostam de poder absoluto à base só de 20% dos votos ou 15% de apoio popular, como respetivamente aconteceu com Costa, e agora com Macron. Como no Reino Unido acontece com Sunaks e Starmers. Na Alemanha com Scholz e Merz. Etc. Um regime onde, se um povo se atreve a levantar a cabeça, leva nos c*rnos como aconteceu com os Gregos após elegerem o Varoufakis para re-negociar melhores condições para pagar a dívida, em vez de serem rebentados por uma austeridade pró-cíclica completamente estúpida e sádica.
    Acabo a citar Schäuble numa reunião do €uro-grupo: “o povo não tem o direito de escolher a política económica de um país”.
    É exatamente para isto que se impôs o €uro. Ou melhor, a ditadura da moeda estrangeira DISFUNCIONAL (e que NUNCA funcionará bem), cujo banco central só responde perante Wall Street, City londrina, e grandes banqueiros da Alemanha e França.

    Quem aceita isto, aceita tudo. Até vacinações compulsivas com produtos mal-testados e com base em mentiras (“previne o contágio”). Até um Chat Control para espiar TODAS as comunicações PRIVADAS, o equivalente a um serviço de correios que nos abre as cartas todas! Até um chip para imigrantes que, obviamente, será uma questão de tempo até ser colocado em todos, como gado bem vigiado. Até a colaboração com os colonizadores que cometem um genocídio transmitido em directo e chamam-lhe “defesa legítima”. Até a propaganda para branquear nazis ucranianos e terroristas “sírios”. Até um grupo de invertebrados a chamar “daddy” a um imperador besta e estúpido que nem um calhau. Até a violação sistemática da nossa própria Constituição (ex: censura de canais que realmente dão notícias que incomodam o nosso regime). Até as urgências fechadas e as pensões de miséria “por falta de dinheiro”, que de repente cresce nas árvores caso seja gasto em brinquedos de guerra super caros Made in USA. Etc.

    Portanto, a minha esperança é que a História vai continuar a acontecer, pois felizmente nunca chegou ao fim, como se atreveu a dizer o parvo/propagandista do Fukuyama. Dentro de algumas décadas, novas gerações de Europeus vão olhar para trás e perguntar: “como foi possível tamanha estupidez”, e vão prometer “nunca mais!”. Mas antes disso, ainda vamos ter de sofrer muito. Não só por culpa dos culpados (EUA), mas também dos que são corrompidos por eles, e ainda dos ingénuos/tolos como o autor deste texto, que teimam em não perceber o essencial, e em repetir mentiras que foram repetidas muitas vezes até se tornarem “verdades” na consciência colectiva do povo Ocidental.

  7. Desde já constato que José Manuel Neto Simões diz uma coisa e, de certa forma, o seu contrário:

    – Publicação no DN de 13-02-2025: “É inegável que há um invasor e nada justifica a violação do Direito Internacional”.
    – Nesta publicação (20-02-2025) afirma: “Aquela condição imposta à Ucrânia para aderir à NATO impunha denunciar o Acordo de Kharkiv, entre a Ucrânia e a Rússia (2010) ratificado pelos Parlamentos. Esse Acordo vinha no seguimento do Tratado da frota do Mar Negro assinado em 1997 entre Rússia e Ucrânia. Afinal quem violou o Direito Internacional?

    Afinal, José Manuel Neto Simões, sem querer, comprova que houve dois motivos baseados no Direito Internacional, justificativos da Operação russa na Ucrânia, a saber:
    – Violação de Acordos por parte da Ucrânia, e R2P – Responsabilidade de Proteger: https://en.wikipedia.org/wiki/Responsibility_to_protect

    E o que mais se verá…

  8. E porque raios e que a Rússia iria deixar entrar um país que foi a auto estrada de todas as invasões ocidentais ao país ao longo da história numa aliança homicida, conhecida por destruir países para lhes sacar recursos como se viu no Iraque e Líbia, conhecida por NATO?
    A Rússia sabia bem que aquelas milícias nazis não se limitariam a ficar eternamente a atacar as populações do Donbass, a prender e matar opositores internos, a treinar os Marios Machados desta Europa e a fazer paradas folclóricas em Kiev.
    Com a Ucrânia na NATO rapidamente haveria um pretexto para a guerra entre o Bloco e a Rússia.
    E a Rússia teria o fim do Iraque e da Libia.
    A Rússia ficou foi demasiado a espera de um milagre que tirasse a mentalidade do saque e pilhagem da cabeça desta gente.
    Mas hábitos de séculos não desaparecem tal como o nazismo não desapareceu na Alemanha.
    Por isso e aguentar.
    Na certeza que estamos as voltas com uma grande patranha e metidos num grande sarilho.

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