Marcelo era feliz e não sabia

(Carlos Esperança, in Facebook, 13/08/2025)


Marcelo teve um primeiro-ministro que, nas chuvas, o abrigava com o guarda-chuva e, quando o país ardia, o satisfazia com a demissão da ministra da Administração Interna.

O PM valorizava-o e deixava-o gerir a popularidade sem se queixar da desfaçatez com que atribuía ao Governo a culpa do que corria mal e a si próprio o mérito do que corria bem.

Depois de derrubar dois governos e de provocar sucessivas eleições, para não deixar na oposição o PSD, teve a desdita de encontrar na liderança o rural esperto que o despreza e se agarra ao poder com a mesma determinação com que defendeu na AR o governo de Passos Coelho e teceu a teia de interesses que lhe é útil na política e nos negócios.

Hoje, alquebrado e triste, vê o país desanimado e rancoroso à espera de um milagre que o salve da gente a quem o entregou. O PSD, que ajudou a virar à direita, desliza agora para a extrema-direita e sabe que foi sua a culpa e que nem sequer lhe agradecem.

No pungente ocaso do seu último mandato resta-lhe continuar a banhos enquanto o País arde e das aldeias cercadas pelo fogo se ouvem gritos aflitivos de socorro. Já ninguém o ouve, e mingua-lhe autoridade para dizer ao PM que as populações esperam dele uma palavra de conforto e alguma esperança.

Marcelo, agora, só sabe da tragédia que se abate sobre o país pelas televisões e, para ter alguma informação do governo, não consegue mais do que um secretário de Estado com quem falar.

As mulheres podem continuar a parir nas ruas, as Urgências dos hospitais fechadas, o PM a banhos, a MAI desaparecida, os bombeiros exaustos e o País a arder, já ninguém espera do PR o que quer que seja.

E o Luís continua a trabalhar no discurso para a Festa do Pontal, que amanhã terá lugar na Quarteira, indiferente ao rumo do País, porque sabe que a esquerda é impotente para o desalojar do poder e que, à custa da Segurança Social, as esmolas aos reformados lhe garantem a popularidade e boas condições para as eleições autárquicas.

Com a lei dos estrangeiros que o Luís e o André fizeram, e que a AR pode impor-lhe, só falta a Marcelo que o Brasil, como represália, devolva o Dr. Nuno, seu filho, com quem cortou relações.

É a vida!

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6 pensamentos sobre “Marcelo era feliz e não sabia

  1. Sobre o bufo lambe-cus que em plena noite fascista… ou melhor, crepúsculo fascista (mais precisamente no dia 12 de Abril de 1973, um ano antes do 25 de Abril), escrevia ao seu querido padrinho Marcello Caetano a ternurenta cartinha que a seguir transcrevo, onde pulsava com fervor a veia de delator que aponta comunistas em tudo o que não se enquadra no patriótico e democrático regime chefiado pelo padrinho, nada de diferente seria de esperar. Recordemos:
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    «Lisboa, 12 de Abril de 1973

    Excelentíssimo Senhor Presidente,

    Excelência:

    Pedindo desculpa do tempo que tomo a Vossa Excelência, vinha solicitar alguns minutos de audiência, para apresentar algumas questões, sobre as quais muito gostaria de ouvir o parecer de Vossa Excelência.

    Estas questões relacionam-se, designadamente, com a carreira universitária, bem como com outros problemas de que, em tempos, já falei a Vossa Excelência.

    Seria possível, Senhor Presidente, conceder-me os escassos minutos que solicito?

    Também gostaria de dizer a Vossa Excelência que calaram fundo no meu coração as palavras de segunda-feira passada.

    Acompanhei de perto (como Vossa Excelência calcula), as vicissitudes relacionadas com o Congresso de Aveiro, e pude, de facto, tomar conhecimento de características de estrutura, funcionamento e ligações, que marcam nitidamente um controle (inesperado antes da efectuação) pelo PCP.

    Aliás, ao que parece, a actividade iniciada em Aveiro tem-se prolongado com deslocações no país e para fora dele, e com reuniões com meios mais jovens.

    Como Vossa Excelência apontou, Aveiro representou, um pouco mais do que seria legítimo esperar, uma expressão política da posição do PC e o esbatimento das veleidades “soaristas”.

    O discurso de Vossa Excelência antecipou-se ao rescaldo de Aveiro e às futuras manobras pré-eleitorais, e penso que caiu muito bem em vários sectores da opinião pública.

    Com os mais respeitosos e gratos cumprimentos

    Marcelo Nuno Rebelo de Sousa»
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    In “Cartas Particulares a Marcello Caetano”, página 353 do 2.º volume, edição de 1985, Publicações Dom Quixote, prefácio e organização de José Freire Antunes.

    • O “Vossa Excelência” 7-SETE-7 vezes babado e rastejado em nove curtíssimos parágrafos não está nada mal, não senhor, que o respeitinho é muito bonito, a genuflexão fácil, a vontade de agradar muita e a vergonha na cara pouca.

      Na obra acima referida, outra declaração de amor do beijoqueiro, esta de 10 de Setembro de 1972 (pág. 352):

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      «Pertenço a uma geração que não quer viver acomodada nem gostaria de morrer traída nos seus ideais. (…) Ela viu em Vossa Excelência um Chefe, o que se torna raro em época de crise de chefia.
      Um entre mil, estive há quatro anos em S. Bento, como alguns meses depois estive em espírito em Bissau, Luanda, Lourenço Marques, como um ano depois estive com Vossa Excelência nas eleições. Um pouco da minha alma ficou então presa ao sortilégio de uma fé.»

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      Claro que a alma de cata-vento já nessa época levava à letra a sabedoria popular que aconselha a não pôr os ovos todos no mesmo cesto. Assim, com a sua inquestionável esperteza e sensibilidade política adivinhando os fortes ventos de mudança que a História em breve sopraria, a frenética desmultiplicação politiquenta a que já então se dedicava parece ter desiludido fortemente o padrinho. Como se pode ler na pág. 354, sua mãe escreveu a Marcello Caetano uma carta em que se lamenta de que “estava há momentos na Maternidade, a acompanhar minha nora, quando o Marcelo apareceu num vale de lágrimas”. E por que carga de água se desidratava tão copiosamente o rebento cata-vento, acabadinho de ser pai? Emoção incontida, naturalíssima, pelo nascimento do primeiro filho? Não senhor! Como na carta muito bem explica a senhora sua mãe, chorava perdidamente o futuro beijoqueiro porque tinha pedido mais uma audiência a Sua Excelência o querido Chefe e a dita Excelência, desiludida com os ziguezagues do afilhado, lha tinha negado, mandando dizer “não querer mais ouvir falar neste nome”.

      Noutra carta, esta de 17 de Agosto de 1973 (páginas 353/354/355), considera o cata-vento injusta a desilusão do padrinho, protestando como segue a sua lealdade à gloriosa missão em que este se encontra investido, com a prestimosa colaboração, como sabemos, da associação humanitária sediada na António Maria Cardoso:

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      «Tenho mesmo, em consciência, Senhor Presidente, procurado, na medida das circunstâncias, contribuir, tanto no meu modesto lugar da Faculdade como fora dela, para a tarefa colectiva que Vossa Excelência tão pesadamente tem em mãos.»

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      Assim apregoada a sua canina fidelidade ao programa do chefe, que era, não esqueçamos, a instância última a que respondiam os escuteiros da referida António Maria Cardoso, acrescenta o cata-vento:

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      «(…) sou levado a concluir que o Senhor Presidente me vê – como certos amigos lhe dirão – convertido em activista político que, esquecido de tantas e tantas gentilezas passadas, se comporta como se fora manejado por inimigos.
      Vejo-me ao espelho e, num exame profundo, não me reconheço nesse retrato sumário.»

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      Só não alcanço (por certo culpa dos meus pobres dois neurónios solitários) a mediática e benevolente amnésia que por aí vai em relação à riquíssima diversidade cambalhoteira do currículo do beijoqueiro, que nas cartas acima transcritas exemplarmente retrata a sua atlética capacidade para indicar alternadamente, em processo rotativo contínuo e à velocidade da luz, o pacote completo dos pontos cardeais. Estamos em presença de um autêntico atleta olímpico, na modalidade de cambalhota sem barreiras, alguém que o saudoso democrata e humanista Saddam Hussein não hesitaria, por certo, em classificar como o pai e mãe de todos os oportunistas e aldrabões.

      E em verdade vos digo que equipará-lo a cata-vento será, porventura, pecar por defeito, já que, de tão frenético, o homem mais parece uma ventoinha.

  2. Toda a premissa deste texto parte de um par de mentiras:

    “Depois de derrubar dois governos e de provocar sucessivas eleições”

    Não foi Marcelo que fez isto, não foi Marcelo que apunhalou a Geringonça só para tentar a maioria absoluta, não foi Marcelo que ficou com o sucesso para si e colocou as culpas nos outros (no PCP e BE).

    Não foi Marcelo que deu o país de mão beijada ao Chega/PSD só para evitar negociar 3 simbólicas reversões (propostas pelo BE) da austeridade/fascismo nas leis laborais.

    Não foi Marcelo que só executou 3% do orçamento para cuidadores informais, minando a confiança de quem tanta conta teve de fazer para negociar essa medida.

    Não foi Marcelo que negociava até ao último cêntimo com a Esquerda e depois celebrava “contas certas” ao não executar investimento público e ao ir além (da troika Bruxelense) no défice (que agora já não interessa nada, pois é oara gastar na guerra/NATO…).

    Não foi Marcelo que chamou “extremista” e “irresponsável” aos partidos que só queriam salvar o SNS, porque estava (está) na lista de avençados dos privados da saúde e a avença só é paga se o SNS continuar a ser desmantelado.

    Não foi Marcelo que ameaçou prender camionistas de pesados caso fizessem greve às goras extraordinárias ilegais.

    Não foi Marcelo que já desde 2017 ameaçava (testava) uma crise artificial só para evitar reconhecer os anos congelados na carreira dos professores no Continente (na Madeira já tinham sido descongelados).

    Não foi Marcelo quem abandonou o país à bicharada só para ir gozar o tacho no Conselho Europeu a dar abraços a fascistas, imperialistas, nazis, e genocidas.

    Foi António Costa, e foi o PS.

    Mas pelo menos tenho uma satisfação: a estupidez e arrogância e cegueira partidária dos rosinhas, já os levou para a casa dos 20% e para o 3° lugar.

    A PASOKização tardou, mas chegou. E, tal como eu venho dizendo desde 2015, a única coisa que adiava a PASOKização do PS português, era a Geringonça.

    Os estúpidos rosinhas não conseguiram ver mais do que um pintelho à frenre do focinho, e assim não perceberam que cada facada dada na Geringonça e da real Esquerda, era uma facada no próprio PS

    É pouco consolo ver o PS a caminho de ser o PASOK Português, ou a desaparecer como o PS Francês, ou a sair do top 2 como aconteceu com o SPD Alemão.
    Mas sempre é melhor ver estúpidos a chorar, do que ver estúpidos a celebrar.

    E ou muito me engano, ou a resposta, tal como também venho dizendo há muitos anos, é a total substituição do PS por um projecto realmente de Esquerda, realmente anti-fascista, patriótico, e popular. O Mélénchon já o fez em França (France Insoumisse), a Sara Wagenkneck já o está a tentar na Alemanha (BSW), e o excelente Jeremy Corbyn ainda nem oficializou o novo partido e já aparece à frente dos traidores corruptos do Labor.

    É este o futuro. Obrigado estúpidos rosinhas por darem tantos tiros nos pés. Um agradecimento que extendo à direção woke do BE, que preferiu vender-se aos €uros de Bruxelas… da UE e da NATO (se bem que, aqui, a avença é mais em dólares).

    Aqueles 30% de eleitores que estes 2 partidos perderam, só parcialmente foram para os palermas do Livre, onde o Rui Tavares é a versão Analena Baerbock de Lisboa…
    É, como sempre, uma questão de tempo para Portugal seguir as pisadas de outros. O nosso Mélénchon ou a nossa Wagenkneck ou o nosso Corbyn andam por aí. E os tais 30% de eleitorado desesperam por ter em quem votar.
    Um eleitorado que, como se viu, nem um carro em segunda mão compra a aldrabões como o “filho” político de A.Costa: Pedro Nuno Santos.

    Voltando ao Marcelo, que não é bom, mas também não é sequer o pior Presidente de Portugal neste século, é preciso ver que para a Maidanização que os EUA estão a fazer na Europa toda, é preciso apodrecer muita coisa, e manipular muita gente.
    E se a “salvação” que o regime nos apresenta, e que a maioria dos tolinhos eleitores escolhe, é um almirante sem escrúpulos, “político” exclusivamente made in MainStreamMedia, e que tem na comissão de honra um corrupto condenado chamado Isaltino, então meus caros, o problema não está no Presidente actual, nem está apenas no governo. o problema está na própria sociedade.

    PS: e quando estes partidos do “centro” andarem por aí a dizer que a austeridade é necessária para comprar mais armas, e apresentarem como resultado mais estagflação do lado de cá, e obviamente enormes cedências territoriais do lado do Donbass, então é que me vou rir ainda mais à gargalhada, que é para não ter de chorar com a tragédia que aí vem.
    O pescoço de cobras corruptas como Macron e companhia só vai continuar inteiro, porque este povo amansado e manipulado acha que vive em “democracia” e perdeu o SAUDÁVEL hábito de usar guilhotinas quando a coisa está podre de mais.

  3. Claro, fosse o Governo do PS e outro galo cantaria. Quando dos incêndios de 2017 o sujeito até deu a entender que demitiria o Governo se voltasse a morrer gente em incêndios.
    Como está lá o Governo que ele tanto se esforçou para que lá estivesse, claro que qualquer critica a gestão desastrosa da situação e aproveitamento político. E seria mesmo que os incêndios viessem a cobrar novamente muitas dezenas de vidas.
    Mas vindo de um sujeito que disse “somos todos israelitas” quando as bombas já caíam forte e feio em Gaza, que provocou um representante palestiniano quando tal já era terrifico dizendo que desta vez tinham sido eles a começar, como se um povo a ser morto e expulso ha quase 80 anos pudesse ter começado qualquer coisa contra os seus assassinos, e 20 meses e centenas de milhares de mortos depois não se retractou dessas barbaridades não me espanto com nada que dali venha.

  4. O Presidente da República, reunido com o Primeiro-ministro formalmente em Faro hoje, dia 13 de Agosto, já lançou o recado, o apelo, o repto, a directriz, em plena manifestação solene da sua “magistratura de influência”: “não pode haver aproveitamento político da catástrofe que são os incêndios florestais / rurais”.

    Isto é que é um PR defensor dos equilíbrios governamentais, das estabilidades e dos discursos conciliatórios de “união nacional”! Depois da Primavera Marcelista reversa, o Verão de Marcelo em verso! Que epopeia nacional, que convergência europeia, que manancial de progresso!

    https://www.publico.pt/2025/08/13/politica/noticia/presidente-mao-governo-incendios-fala-coordenacao-espectacular-2143913

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