Um divã para a União Europeia, por favor

(Por José Goulão, in AbrilAbril, 10/04/2025)


A situação actual demonstra que os imberbes chefes europeus não são capazes de orientar-se sem a mão condutora dos EUA. Esse foi o seu modo de vida desde a Segunda Guerra Mundial, adoptado sem qualquer consulta aos povos.


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A terapia não deverá proporcionar qualquer resultado, devido ao grau intratável de esquizofrenia e ao nível irreversível de insensibilidade atingido, mas à União Europeia e seus dirigentes formalmente eleitos e não eleitos resta apenas, como derradeiro e desesperado caminho para alguma sanidade mental, a procura do divã de um psicanalista.

Não seria vergonha nenhuma admitirem publicamente as patologias mentais que os atingem; vergonha é o que estão a fazer por estes dias, susceptível de deixar os «pais fundadores» às voltas nas sepulturas, no caso de alguma vez as suas promessas e objectivos terem correspondido às reais intenções – o que também não se verifica.

Alegavam os «pais fundadores» como Jean Monnet e Robert Schuman que a supranacionalidade, a que hoje deverá chamar-se federalismo, era indispensável para desenvolver a integração europeia, além de ser a melhor maneira de «tornar a guerra impensável e materialmente impossível». Eis que agora os herdeiros desses pioneiros, construtores do federalismo, se desmultiplicam em preparativos para uma guerra que, a acontecer, devastará novamente o continente e hipotecará o futuro de várias gerações de europeus. Sequestrar as soberanias deu no que deu.

O conflito desejado pelos membros da União Europeia mais o Reino Unido, como se o Brexit nunca tivesse existido, seria certamente o suicídio da organização, e daí não viria mal ao mundo, antes pelo contrário, não fosse sangrento e arrasador o caminho escolhido. Dramático é o facto de a guerra pretendida pelas «democracias liberais» para salvar o regime podre de Kiev, em desagregação mas ainda manobrado por nazis saudosos de Hitler, possa vir a sacrificar directamente milhões de jovens europeus e espalhar a fome, a miséria, a destruição e desespero através de todo o continente.

Os irresponsáveis dirigentes da União Europeia sabem que não têm dinheiro, nem armas, nem efectivos humanos para fazerem de cavaleiros andantes e avançar de peito feito para desafiar a Rússia, uma potência cujo poder militar, Zelensky o diz, «seria capaz de tomar conta da Europa em poucos dias». Mais irresponsavelmente ainda, os autocratas europeus querem reunir 800 mil milhões de euros para militarizar o continente, acabando de vez com o pouco que resta dos «estados sociais».

O chefe do nazi-banderismo, há muito fora de prazo, estará certamente a exagerar na sua avaliação do exército russo, que há pouco ainda dizia estar «na Idade Média». O seu objectivo é tentar alarmar os parceiros europeus, de modo a que peregrinem a Washington rogar ao pai desavindo que volte atrás, junte os cacos da NATO e reassuma as responsabilidades de tutela que lhe foi outorgada pelos «pais fundadores» da integração europeia.

A situação actual demonstra que os imberbes chefes europeus não são capazes de orientar-se sem a mão condutora dos Estados Unidos da América. Esse foi o seu modo de vida desde a Segunda Guerra Mundial, adoptado sem qualquer consulta aos povos; e agora que Washington ameaça voltar as costas, eis que a união nascida para tornar «impossível a guerra» entrou em estado de guerra logo que ficou entregue a si própria.

Uma vida assente numa grande mentira

A União Europeia e os seus dirigentes sofrem de formas agudas dos principais sintomas de esquizofrenia descritos pelos especialistas: alucinações – a principal das quais é, desde tempos imemoriais, a da «ameaça russa» e respectivas variantes; discurso confuso, muitas vezes sem fazer sentido – o pão nosso de cada dia, acrescido pela mentira contumaz; incontáveis repetições de movimentos – a sucessão das actuais e inconclusivas reuniões de guerra não podia ser mais explícita; isolamento social e disfunção cognitiva – nenhuma instituição como a União Europeia se fecha numa bolha estanque, distorce a realidade e manifesta tão ostensivo desprezo pelos povos e pelos seus direitos sociais. O paralelismo aqui deixado não passa de uma alegoria mas condiz, ponto por ponto, com a vida real.

Estes problemas são de nascença, o que os torna irresolúveis. A integração europeia foi criada com base em pretextos alegados pelos «pais fundadores» que não correspondiam às verdadeiras razões invocadas para o seu nascimento e desenvolvimento; e, sobretudo, sem qualquer vínculo às realidades que existiam e continuam a existir no continente. Uma abstracção, uma aberração.

Winston Churchill, um ultraconservador que chegou a parecer mais norte-americano que britânico disse: «Ao construir uma espécie de Estados Unidos da Europa centenas de milhões de trabalhadores poderão recuperar a alegria e a esperança simples que fazem a vida valer a pena».

«Estados Unidos da Europa» foi uma das várias designações da integração europeia a que recorreram os dirigentes considerados «pais fundadores», como os franceses Jean Monnet e Robert Schuman, o italiano Alcide de Gasperi, o alemão ocidental Konrad Adenauer e o belga Paul-Henri Spaak. A sua missão foi considerada de tal maneira transcendente que o Vaticano está a construir altares para os santos Robert Schuman e Alcide de Gasperi. Por enquanto já são «beatos» e «servos de Deus», pelo que, postas as coisas neste pé, a União Europeia é fruto de um milagre e foi abençoada à nascença.

Porém, até as artes milagreiras têm as suas imperfeições, porque os homens podem ser santos mas não são deuses. A ideia de «Estados Unidos da Europa» nunca poderia funcionar. Iguala realidades que não podem ser sobreponíveis: ignora a profundidade, a antiguidade e a ampla diversidade da cultura europeia, pretendendo nivelá-la pela cultura rudimentar de um país sem história nativa – a que existia foi arrasada com a maior das crueldades; passa levianamente por cima do riquíssimo mosaico de povos europeus, histórica, étnica e nacionalmente diferenciados por uma multiplicidade de línguas e dialectos, uma aguarela de tradições com particularidades próprias e únicas, uma pluralidade sem par de origens das nações – algumas das quais ainda são mantas de retalhos –, essências populares e sensibilidades religiosas. O contrário dos Estados Unidos da América.

Pretender promover uma integração supranacional deste caleidoscópio continental da mesma maneira que foram agregados, com vínculos federais, os Estados artificiais que integram os Estados Unidos da América, homogéneos entre si em quase todas as características que os definem, seria coisa de lunáticos se não se desse o caso de saberem o que estavam a fazer – precisamente o contrário do que diziam, cultivando a mentira. «Estados Unidos da Europa» não passava de uma imagem propagandística fácil de assimilar e que, na prática, traduzia o domínio dos Estados Unidos da América sobre o continente. Esse é o papel de ficção que as organizações criadas para pôr em prática a integração europeia têm desempenhado até agora.

O federalismo europeu, desde o nascimento, nada tem a ver com preocupações democráticas e muito menos com os direitos sociais e dos trabalhadores. Foi imposto aos povos de cima para baixo, por uma elite sem quaisquer vínculos populares que tinha como missão escondida, embora com a cauda de fora, garantir a tutela de Washington sobre o espaço europeu; tornar a supranacionalidade europeia como um contraponto «de liberdade» à União Soviética e ao campo socialista; afirmar-se como uma arma estratégica da guerra fria e conter, se necessário pela força e pela conspiração (Gládio, aparelho clandestino da NATO), as movimentações populares, partidos, organizações de massas e sindicais que divergissem, criticassem e combatessem os mecanismos de imposição de um sistema político-económico-militar único e, no limite, totalitário. Tudo sob o disfarce de «mundo livre» – o capitalismo monopolista, actualmente na sua versão de fundamentalismo neoliberal.

Jean Monnet disse: «Não haverá paz na Europa se os Estados forem reconstituídos com base na soberania nacional» e tudo o que isso implica.

Churchill, em consonância, assegurava que «só uma Europa unida pode garantir a paz» e apenas a supranacionalidade será capaz «de eliminar os males europeus do nacionalismo e do belicismo.»

O chanceler alemão, o ultradireitista e militantemente anticomunista Konrad Adenauer, defendeu que a maneira de «reconciliar as nações é integrá-las numa associação supranacional.»

O teste do Plano Fouchet

A gigantesca falsidade do projecto de União Europeia foi desmascarada logo no primeiro teste que enfrentou, quase contemporâneo do seu lançamento. A intervenção directa norte-americana no confronto que então se travou entre dois projectos antagónicos de associação dos países europeus deixou claro que a única motivação dos «pais fundadores» era mesmo assegurar a tutela de Washington sobre todos os desenvolvimentos que vieram desembocar na União Europeia.

Em 1962, o presidente francês Charles de Gaulle patrocinou o chamado Plano Fouchet, baptizado com o nome do embaixador de França na Dinamarca, encarregado de o apresentar publicamente.

Esta proposta era antagónica, ponto por ponto, do projecto norte-americano de integração europeia. De Gaulle, de facto preocupado com as ameaças de dissolução da soberania francesa no caminho seguido até então, desde a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, jogou uma cartada para travar o processo.

O Plano Fouchet defendia uma solução intergovernamental que devolveria o poder de decisão aos Estados-nação. Previa uma União de Estados em forma de União Política intergovernamental que respeitasse a soberania dos membros e dispensasse a influência dos Estados Unidos na Europa, tanto política como militar.

Além disso, o Plano Fouchet defendia o princípio de que a União de Estados deveria ter em conta questões culturais e sociais.

A proposta de De Gaulle lançava ainda a ideia de uma Política Externa e de Defesa comum que tivesse em conta os interesses de todos os membros. Para assegurar a emanação democrática dessa União, os promotores do plano defendiam a realização de referendos em todos os Estados que viessem a ser membros.

Os «seis», incluindo o próprio governo francês, a Alemanha Ocidental, a Itália e o Benelux – Bélgica, Holanda e Luxemburgo –, deixaram imediatamente cair as máscaras; o edifício de pretextos para a «sua» integração desmoronou-se pela base, o rei ia nu mas a dicotomia posta em debate acabou por esfumar-se nos bastidores da «alta política» e, já nessa altura, com apoio da propaganda por via mediática. Os povos continuariam, até hoje, a estar a leste de tudo, sem que lhes fosse facultada, uma única vez, a possibilidade de terem a palavra, pelo menos em relação à soberania dos seus países. A falsificação absoluta da democracia.

Os responsáveis directos pelo projecto de tutela norte-americano condenaram o plano alternativo do presidente francês por «não valorizar a adesão à NATO ao propor uma política de defesa comum sem os Estados Unidos». Na Alemanha, Konrad Adenauer advertiu que referendos nem pensar, porque «são inconstitucionais». E o Plano Fouchet passou à História.

Por definição, a integração europeia teria de funcionar segundo os interesses políticos, económicos e militares dos Estados Unidos. De tal maneira que bastou agora Trump ameaçar a União Europeia de ficar entregue a si própria para o edifício europeu começar a ruir como o castelo de cartas que realmente é.

Voz grossa sem cordas vocais

A supranacionalidade reanimou nacionalismos, populismos, belicismo e militarismo. A possibilidade de retirada de Washington devolveu a guerra ao primeiro plano. Em situação de «orfandade», os interesses de cada um dos 27 chocam-se cada vez mais, o pandemónio e as fratricidas lutas de egos apenas começaram. Tudo o que eram ideais fundadores foram renegados, mesmo sendo oportunistas, manipuladores e acarretassem a exploração desmedida. Eram uma grande mentira, uma cenário paralelo que não resistiu à realidade quando o pretexto real deixou de existir – a tutela dos EUA.

Quanto  aos ideais não confessados, a integração europeia como instrumento da guerra fria e a garantia do poder norte-americano sobre a Europa parecem ser um conjunto vazio, salvaguardando sempre a hipótese de Trump mudar de ideias e reanimar a NATO, como está a acontecer. A gravíssima situação actual criada pelas provocações da aliança no Báltico e no Mar Negro são mais do mesmo, como se o novo catavento da Casa Branca não estivesse activo.

Apesar do fracasso absoluto das finalidades, reais ou fingidas, a União Europeia (UE) deixou obra: desindustrializou o continente, inventou a «economia verde» para que todos andemos entretidos com rituais que em nada travam a degradação ambiental, fez depender a própria existência do colonialismo norte-americano e dos humores, pouco favoráveis, das potências que estão a construir a nova ordem mundial multipolar para enterrar a totalitária «ordem internacional baseada em regras». A UE está isolada e em estado de guerra.

Voltemos às citações de Churchill. Dizia que os países da Europa «são demasiado pequenos para prosperarem isoladamente». Ao cabo de 70 anos de integração europeia, porém, os pequenos e médios países foram engolidos pelo federalismo neoliberal, a prosperidade é uma mentira transformada em imagem de  propaganda, nunca existiu tão profunda desigualdade social no continente, a austeridade imposta pelos interesses financeiros, económicos e militares – para os quais as várias etapas de «união europeia» foram criadas – continua a arrastar centenas de milhões das pessoas das classes média e baixa para os terrenos insalubres da miséria e da indigência. E agora para campos de morte.

Além disso, segundo os «pais fundadores», só o federalismo ou correspondente desaparecimento das soberanias nacionais poderia erradicar nacionalismos, populismos e outras maleitas sociais. Afinal, o combate às soberanias não apenas reanimou esses velhos fantasmas que deixaram marcas tão negras no Continente como continua a empurrá-los para o topo daquilo que é o regime de sonho do neoliberalismo, o fascismo. Nada que, no dia-a-dia actual, incomode a União Europeia porque, no fim de contas, tudo o que está em causa é garantir o funcionamento e os proveitos máximos e totalitários do neoliberalismo.

Durante o escasso período de meses em que a alternativa do Plano Fouchet ainda esteve em discussão, os «seis» da então CEE manifestaram inquietação porque tais ideias «poderiam tirar poder à Comissão», precisamente o órgão não eleito que corresponde à vocação absolutista da União. A Holanda ou Países Baixos, um inútil jogo de nomenclatura, esconjurou até o plano de De Gaulle porque «subvertia a NATO», pecado capital no processo de integração. Nada pode ser mais claro sobre a grande mentira das motivações que justificavam o desenvolvimento de uma integração europeia.

A União Europeia, perante o risco de deserção dos Estados Unidos, não sabe o que é, nem o que dizer, nem o que fazer, sobra-lhe a guerra; quer falar grosso, como um adolescente na puberdade que não pode contar com os pais, mas não possui cordas vocais para isso; esforça-se por andar pelos próprios pés mas ainda não cortou o cordão umbilical. Tudo é falso desde o início e o choque com essa realidade é traumático e fatal. 

A União Europeia pode procurar o divã do psicanalista, mas só um milagre dos santos fundadores lhe poderá valer. Não passa de um cadáver adiado, um zombie à deriva mas irresponsável, por isso muito perigoso. A Europa só será Europa quando se livrar da União Europeia. 

Façamos votos, mas sobretudo lutemos para que, quando isso acontecer, não seja através da guerra.

Fonte aqui.

11 pensamentos sobre “Um divã para a União Europeia, por favor

  1. A atitude do Costa e inqualificável mas se calhar sempre estava lá. Os tiques ditatoriais eram conhecidos de quem teve a desdita de trabalhar no Ministério da justiça quando ele lá era ministro.
    Foi celebre a sua tirada do
    “habituem-se”.
    Por isso agora talvez ele esteja a fazer jus a sua verdadeira natureza.
    O que não se percebe e o que e que o filho de um advogado goes com vergonha na cara anda a fazer com gente que se serve do nazismo puro e duro para atacar um vizinho.
    Mas se calhar e essa a sua verdadeira natureza pois que parece muito a vontade no papel. Provavelmente estava lá desde o grito “habituem-se!”.
    Vomitivo, de uma maneira ou de outra.
    A Rússia não está a combater a Ucrânia mas montanhas de armamento Ocidental e muitos mercenários estrangeiros.
    Esta não e uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia mas uma guerra entre a Rússia e o chamado Ocidente alargado usando o território da Ucrânia.
    O que a Europa pretende agora e escalar a guerra fornecendo mais mão de obra oficialmente pensando que o facto de ter mais homens e máquinas vai resolver alguma coisa.
    Pode e por nos a todos a ver cogumelos cor de laranja porque nunca a Rússia aceitara voltar a escravidão dos anos Ieltsin ou pior ainda.
    Isto tem tudo para correr mal mas o Costa parece estar a querer assegurar o seu lugar num bunker de luxo.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  2. Tudo bem, mas hás de convir que acusar alguém que não e político, cujas decisões ou opiniões não dão cabo da vida de ninguém de ler textos a “fazer o pino” não havia “necessidade” como diria o tal diácono.
    As minhas “agressões” não fazem mal a político ou comentador nenhum e eu não ganho dinheiro com isto a não ser ter outro pessoal a mandar me ir ver se o mar da choco, a chamar me treteiro, a acusar me ate de ter corpo de baleia e se queres juntar te ao grupo por mim tudo bem.
    Quanto a André Campos tem a santa paciência, eu nunca fui buscar textos de ninguém como quando foi aqui despejado um texto cruel de um autor francês em que era dito que o problema dos palestinianos era que se falava demasiado deles e de esqueciam os agravos cometidos em nações árabes contra os judeus como se os desgraçados dos palestinianos tivessem que pagar por isso.
    Posso ter demasiada dureza na avaliação que faço de Putin mas de certeza não quero a sua morte, a destruição do seu país e outras coisas.
    Acredito que todos os nossos destinos talvez pudessem ser diferentes se Putin tivesse acordado em 2014 e desejei que o tivesse feito quando mais de 50 pessoas foram queimadas vivas por nazis em Odessa.
    Acredito que podemos ser solidários com a Palestina sem meter o pau noutros desafectos dos que fazem causa comum com os seus assassinos.
    E talvez mais de um ano entre treinos de musculação para não virar um peixe seco e cuidar de pessoa sequelada do veneno que sabemos não me dêem a virtude da paciência.
    Mas enquanto não levar uma corrida em osso vou continuar por aqui.

    • Quando referi o ADN do A.C.Ferreira não estava a pensar em plágios, mas apenas em posições aparentemente contraditórias, pensei que isso tinha ficado claro. Nunca tive a mínima dúvida de que os teus comentários saem apenas da tua cabeça, tanto como os meus saem da minha. Quanto à atitude do António Costa, concordo contigo em que “é inqualificável mas se calhar sempre estava lá” e agora está “a fazer jus à sua verdadeira natureza”. Quanto à possibilidade de o pobre deslumbrado “assegurar o seu lugar num bunker de luxo”, suspeito que só será viável se eles precisarem de um criado para de vez em quando lhes servir uns cafezinhos.

    • No que respeita ao artigo do Sócrates, o homem diz exactamente o contrário daquilo que aparentemente leste, motivo pelo qual pus a hipótese de teres feito o pino durante a leitura. E o que ele diz é o mesmo que muitos por aqui têm dito, tanto em posts (Carlos Matos Gomes, por exemplo) como em comentários.

  3. Sinto pelas três criaturas da foto acima um profundo desprezo. Desprezo e nojo. Mas o comportamento de António Costa leva-me ao vómito! Como pode um tipo que se diz de esquerda, mesmo que “moderada”, seja lá isso o que for, comportar-se assim, apenas pelo miserável “privilégio” de bambolear a peida nos mesmos salões que o resto da vara de porcos?

  4. Mais um texto bem estruturado e com várias referências históricas interessantes do José Goulão, que costumo ler com interesse, sobre as origens da organização da CEE pacifista, cooperativa e apostada na “convergência” (alegadamente, acredito que nem todos fossem mal intencionados, mas também se diz que de boas intenções está o Inferno cheio), mais dos mercados e das transacções e gradualmente tornando-se um “mercado livre”, e as suas peripécias de avanços e recuos, até à conversão mais recente em União Europeia belicista e armamentista, exclusivista, em que há os “ricos e empreendedores do povos do Norte e os pobres e preguiçosos do Sul”.
    Como o próprio autor considera, nem mesmo no divã, sossegadinhos e em introspecção, os “grandes líderes europeus”, e o seu séquito de “europeístas” convictos, “atlantistas” por profissão de fé, apresentariam melhorias, quer cognitivas quer comportamentais, pelo que recomendo que se sentem mesmo no chão, para ver se em contacto com o solo poderiam ter as ideias menos nubladas, serem mais terra a terra, em vez de sonharem com ladrões que depois vai-se a ver, surgem de onde menos esperavam, impondo tudo ainda com mais “valor acrescentado”.

  5. Li, o Senhor está convencido que a Europa está a fazer isto mesmo por ter medo da Rússia quando esta e fraquinha tanto que ainda não derrotou a Ucrânia.
    Dei me ao trabalho de ler sim, já percebi que muitas vezes não concordamos mas escusas de me tratar como se eu fosse o Menos ou outros que por aqui andaram.
    Talvez tenha exagerado ao dizer que o homem devia estar no Xilindro porque não sou juiz e não alinho em julgamentos em praça pública.
    Quanto a definir o senhor como uma besta foram muitos os que o definiram, no mínimo como alguém intratável.
    Mas o que e certo e que o homem talvez esteja ele a ver o filme ao contrário.
    Esta gente quer armar se porque esta convencida da fraqueza da Rússia e querer a guerra directa o mais depressa possível. O resto que se diga e conversa.
    Isto pode correr mal para todos nós e seguramente não ganhamos nada em agredir nos uns aos outros.

    • Para ser franco contigo, de há uns tempos para cá até parece que foste enxertado com ADN do André Campos Ferreira. Só isso explicará prosas como a que a seguir transcrevo, que há poucos dias aqui deixaste e em que te referias a Vladimir Putin.

      “Para o BANDALHO ter cérebro era aceitar a conversão ao capitalismo e tudo ficaria bem.
      O ALARVE matou aulas de história e achou que o seu país seria aceite como igual e não como mais um território a pilhar. (…)
      POR DUAS VEZES PROPÔS A ADESÃO DO SEU PAÍS À NATO ESTANDO-SE NAS TINTAS PARA AS DESTRUIÇÕES QUE A NEFASTA ALIANÇA JÁ TINHA PROVOCADO. (…)
      FOI SIM FALTA DE CÉREBRO E POR CAUSA TAMBÉM DA SUA FALTA DE CÉREBRO QUE ESTAMOS METIDOS NA ALHADA EM QUE ESTAMOS.”

      É para mim sagrado que possas opinar tudo o que te der na gana, mas não sou obrigado a calar a minha discordância perante posições que considero perniciosas, inclusivamente prejudiciais para aquilo que aparentemente defendes. Eu também tenho críticas a fazer ao Putin, mas não nestes termos. Não tenho qualquer obrigação de calar o meu desagrado com este tipo de considerações, exactamente como fiz com o modo como trataste a Alexandra Lucas Coelho. “Não ganhamos nada em agredir-nos uns aos outros”, dizes. Tens em princípio razão, e por isso mesmo não esperes que fique calado quando começas a agredir outros que partilham a mesma trincheira, como a Alexandra Lucas Coelho ou, neste caso, o José Sócrates, por, aparentemente, não apresentarem o certificado de bom comportamento que consideras necessário. A trincheira é de quem nela se mete de boa vontade, para lutar contra o que considera errado, e não te compete a passagem de certificados de pureza de ADN ou de direitos de admissão. Perdoa-me a franqueza, mas não tenho jeito para hipócrita.

  6. A Europa sonha ela sim com a invasão da Rússia e e só por isso que quer rearmar se.
    A Rússia tem tentado evitar um genocídio, segurado os seus falcoes e esta canalha, habituada as táticas assassinas e genocidas de Estados Unidos e Israel, ve isso como fraqueza.
    E claro que um animal como Sócrates, que em qualquer outro país estaria já no xilindro, afinal por esse diapasão e faz de conta que não sabe que o que a Europa pretende com isto tudo e cumprir o sonho Napoleónico e Hitleriano.
    Também a Suécia sonha agora com os velhos guerreiros que também em tempos tentaram invadir a Rússia e já fala em ter armas nucleares.
    Isto não tem volta a dar e vai acabar mal.
    Quando a esta gente precisam e de cadeia no fundo do Alasca, qual diva qual porra.
    Não e loucura que os afecta. E racismo e mentalidade de ladrão.
    Vão ver se o mar da tubarão branco faminto. Um grande cardume deles.

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