A nomenklatura de Bruxelas quer a guerra por temer a liberdade

(Viriato Soromenho Marques, in Blog Azores Torpor, 27/02/2025)

(A cambada lá conseguiu calar o Viriato na sua coluna semanal que mantinha, há anos, no Diário de Notícias, Andava a ser demasiado incómodo a abrir os olhos aos carneirinhos. Pelos vistos o homem agora tem que publicar em blogs de muito menor visibilidade. Mas há sempre alguém atento. Pelo que, agradeço ao José Catarino Soares ter-nos chamado a atenção para este excelente artigo.

Estátua de Sal, 03/03/2025)


“O medo de ser livre provoca o orgulho em ser escravo”Dostoievski


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Com a vitória de Trump, e a intenção por ele manifestada, muito antes das eleições, de prevenir o risco de uma guerra nuclear, seria de esperar que o apaziguamento procurado pelo país líder da NATO junto da Rússia, fosse saudado, também nos países da União Europeia, como um baixar de tensão, que afasta o risco de escalada. Isso significaria antever não só o desvanecer do perigo do uso de armas nucleares, como também poupar milhares de vidas entre as forças combatentes ucranianas e russas. Mas é o contrário que acontece. A multidão dos dirigentes europeus entrou numa angústia narcisista por terem sido arredados das discussões de paz, nesta fase apenas confinadas a Moscovo e Washington. Para além das inqualificáveis Ursula von der Leyen e Kaja Kallas, também o português António Costa quer que os ucranianos continuem a derramar sangue na sua perdida guerra contra a Rússia. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou mesmo temer que “a paz na Ucrânia seja mais perigosa do que a guerra em curso” (Ver aqui ). Pensaríamos que estaria preocupada com a possível anexação da Gronelândia pelos EUA, mas não é isso que ocorre.

Ainda existem fortes obstáculos à concretização de um acordo de paz na Ucrânia, entre Washington e Moscovo. Todavia, se eles forem removidos, com o fim da guerra na Ucrânia os governos europeus perderão a frágil cola que os une e o bode expiatório, ocultador da sua incompetência e seguidismo em relação à administração Biden, responsável por uma avalanche de consequências económicas e sociais negativas. Os sacrifícios dos povos europeus ainda estão no seu início. A recessão alemã, em aprofundamento, chegará também a Portugal, Espanha e outros campeões do belicismo. O fanatismo de Mark Rutte, em defesa da transformação da economia europeia numa economia de guerra, será derrotado nas ruas das cidades europeias. Há demasiado sofrimento social acumulado. Basta ver o estado lastimoso do que sobra do Estado social em Portugal, bem como o modo como todos os partidos de governo (PS, PSD e CDS) transformaram o nosso país no campeão da OCDE em inacessibilidade à habitação.

 A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, com os presidentes da Comissão, Ursula von der Leyen, e do Conselho, António Costa

Para António Costa e seus pares, a Guerra da Ucrânia deveria ser eterna. Dezenas de milhares de soldados poderiam continuar a morrer todos os meses para protegerem, com o holocausto dos seus corpos, o cordão de imunidade que assegura à nomenclatura europeia a tranquilidade do seu mando. Mas a vitória russa no campo de batalha convencional – que não seria preciso ser um génio militar para perceber como inevitável desde o dia 24 de fevereiro de 2022 – vai colocar os governantes europeus no desabrigo de enfrentarem os seus eleitorados apenas com o esfarrapado escudo da sua mediocridade.

A servidão voluntária perante os EUA parece ter acabado. Trump, com todo o seu brutalismo, nunca escondeu não respeitar quem não se dá ao respeito, como é o caso dos caricatos governantes europeus. Como já escrevi há muitos meses, se Biden ou Kamala tivessem ganho as eleições presidenciais norte-americanas, a guerra da Ucrânia poderia terminar numa escatológica guerra mundial. 

Com a vitória de Trump, o perigo é outro. O atual presidente dos EUA tem fortíssimas probabilidades de ser assassinado. É provável que, nesse caso, se abram discretas garrafas de champanhe em Bruxelas. Contudo, a segunda guerra civil americana, que resultaria do eventual assassinato de Trump, seria um incêndio que ninguém pode antecipar até onde estenderia o seu rasto de destruição.

Fonte aqui

9 pensamentos sobre “A nomenklatura de Bruxelas quer a guerra por temer a liberdade

  1. E qual e a solução? A que Hollande propõe, que e nada mais nada menos que assassinar Trump?
    Estas bestas personalizaram o conflito na versão diabolizada de Putin e agora estao a personalizar em Trump.
    O que é que estás bestas acham que acontece se Trump for assassinado?
    Trump fez se acompanhar do seu vice, um homem que ainda não tem 40 anos, para demonstrar que e acompanhado na sua ideia para por fim a participação norte americana nesta guerra.
    E mesmo que conseguissem assassinar os dois o que e que acham que acontecia?
    Não deixaria de ser irónico ver alguém como Trump elevado a categoria de mártir da paz mas seria isso que aconteceria.
    E teriamos praticamente toda a população de um país militarmente ultra poderoso, mais de 300 milhões de pessoas a odiar nos.
    Porque mesmo os adversários de Trump sentiriam que o seu país tinha sido agredido, atacado.
    Trump foi alvo de duas tentativas de assassinato e como não e parvo sabe que na raiz de ambas esteve mesmo o medo de que ele acabasse com a mama a Herr Zelensky.
    Se for assassinado isto tem tudo para correr muito mal.
    E será efectivamente um erro e um crime que pagaremos caro.
    E não, entrar em guerra directa com a Rússia, como quer aquele filho de um comboio de putas selvagens de Babilônia do Keir Starmer não e solução.
    Porque sempre que a Europa tentou invadir a Rússia correu mal e vai voltar a correr.
    E sim, não podemos deixar que esta gente sem escrúpulos arrisque as nossas vidas.
    Mas quem quiser arriscar a vida, agarre ele numa arma e vá para lá. E quando chegar lá escreva.

    • Ficou também exposto, com essas supostas declarações de Hollande (acreditando que são assim), quem recorre a terrorismo de estado e outros métodos obscuros de acção… incitar ao assassinato de um líder político eleito por uma maioria de eleitores (mal ou bem, eu não votaria nem nestes nem nos outros, se fosse eleitor dos EUA), é o quê? “Defender os nossos valores e a demo-cracia”? Os fins já justificam os meios? E os valores “cristãos”, “da superior civilização ocidental”? Onde ficam, mesmo sabendo que Hollande não dever ser muito religioso…

  2. …o que eu gostaria de saber, em vez de constatações mais ou menos estagnadas, são as soluções e alternativas que ninguém aponta. Afinal tanta sabedoria para quê? Para constatar o mais ou menos óbvio mas que não é certo!? Oh Professor, análises já chegam até à náusea; o que nós queremos é a sua criatividade numa solução. De repente, até parece que o Trump é que é o sensato e o Vance um grande filósofo.

    • Amigo Henrique, as conclusões são óbvias. 1. Normalização de Relações Diplomáticas com a Rússia, por parte da UE. 2. Eleições na Ucrânia. 3. Entrega dos quatro oblasts. 4. Garantias de Segurança em sede de Conselho de Segurança Permamente da ONU (mútuas – MÚTUAS, QUE ISTO DE BRINCAR AOS ACORDOS DE MINSK ELES NÃO ACEITAM). 5. Reestabelecimento dos fornecimentos de gás, petróleo, azotos, nitratos, etc, aos preços do antigamente. Não é fácil, mas é isto.

      • Caro Carlos,
        “Entrega de 4 Oblasts”, como prenda pela invasão. Está por si validada a invasão da Ucrânia pela Rússia, ponto final. A seguir os russos fazem novos avanços e vão seguindo por ali em frente a caminho do ocidente. Porque não põe a alternativa de saírem eles para casa a caminho do oriente? Quem invade é que manda e decide? Com que direito os russos devem possuir os territórios que ocuparam?
        Lembro que propuseram à Ucrânia (os ucranianos cumpriram) o desarmamento nuclear ou a não criação dele com a condição de nunca avançarem. A intenção era avançar com toda a facilidade. Rodearam a fronteira da Ucrânia durante muito tem dizendo que não se passava nada… até que passou-se tudo.
        Por trás destas opiniões moralistas existe obediência e fanatismo político bem visível.

    • As que defende (agora mais timidamente e sem as assumir, que são as mesmas dos aventureiros da UE, os auto-proclamados “moderados” que defendem o conflito “custe o que custar”, “demore o tempo que demorar”), já se viu que não resultam, nem vão resultar com o afastamento do Grande Irmão da Nato. Deram o “kaput”…

  3. Grande bem haja a Viriato Soromenho Marques, uma voz lúcida que cedo percebeu a alhada em que nos estavam a meter. Quiseram calá-lo, quiseram calar todos, ainda no “delito” escrevia hoje o pedrito não sei o que sobre um dos poucos militares portugueses que sabem sabem do que falam. Queriam e ainda querem manter a narrativa, quando os reizinhos não vão nús, vão em pelote. Estes tipos da UE e os Keir Starmers são perigosos. Sucede é que não nos calam, nem calam todos aqueles que perceberam o logro, as mentiras, as falsidades, a morte e a destruição que trazem na sua esteira. Está na altura de unirmos esforços, porque os perigos são mais do que muitos. Vamos que possa vir a Paz, quem pagará a conta de tudo isto? Quem já a está a pagar? Amigos, temos de exigir a estes tipos a responsabilidade que lhes cabe. Não sou favorável a soluções dramáticas nem violentas. Mas a conta vamos ser nós, os cidadãos anónimos, os descartáveis, quem a vai pagar. E isto se os tipos não se lembrarem de continuar a escalada. Dizia o cabrão do starmer, “planes in the air, boots on the ground”. Não, não pode ser.

  4. De aplaudir, mais uma vez, o expressado pelo autor e a coragem para o fazer , num tempo de gente de coluna curvada e de novos medos de se remar contra o tido como sendo o «politicamente correto», mesmo o não sendo!

  5. O incrível é que sempre que aparecem nas fotografias oficiais e de ocasião, este triunvirato e seus sequazes estão sempre a rir-se, na galhofa, de ânimo leve. E depois vão falar de coisas sérias com um ar soturno, decidindo sobre as vidas dos outros, das vítimas de um conflito que até ao princípio de 2025 diziam ser (e alguns ainda dizem, mas com nuances, subtilezas e eufemismos) para durar “custe o que custar, dure o tempo que durar”. Alguma coisa não bate certo.
    Mas com tanta propaganda despejada em tudo o que é canal, quase ininterruptamente, e com pouco ou nenhum contraditório, ninguém acusa esta gente de ter “corações empedernidos”, serem “desterrados mentais” ou até mesmo de “infâmia”. A culpa é toda de outrém, o estado da Europa não é responsabilidade desta gente, ou o estado da Ucrânia, em específico, é responsabilidade do seu regime e de quem cegamente o apoiou, custasse o que custasse, amparando todas as vazas, todas as diatribes e todos os atropelos “aos nossos valores e à demo-cracia”. Os maiores cegos são aqueles que não querem ver.
    E é bom ver que o Professor Viriato Soromenho Marques continua a publicar os seus pensamentos e as suas opiniões, mesmo que sem o destaque que tinha no jornal onde eram publicados, o que até lhe permite ser mais incisivo e mordaz, e não ter de “medir as palavras” sob ameaça de silenciamento (que entretanto já foi consumado). Bem haja.

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