O esplendor da oligarquia

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 15/02/2025, Revisão da Estátua)

J.D. Vance

(Li vários textos sobre o discurso de J.D. Vance em Munique e sobre as suas consequências para a Europa e as reações dos líderes europeus. Andava ainda a decidir qual o texto a publicar aqui quando me apareceu esta pérola sobre o tema do Carlos Matos Gomes.

É superlativamente o melhor que li e por isso aqui fica. Uma lição de geopolítica e história digna de reflexão que devia ser enfiada pela cabeça abaixo dos políticos da Europa. E os “comentadeiros” das televisões, que perante esta sabatina parecem um bando de ignorantes já crescidos, devem ingressar na 4ª classe de adultos para reciclarem as meninges 🙂 . Parabéns ao CMG.

Estátua de Sal, 16-02-2025)


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O discurso do vice presidente dos Estados Unidos, J..D Vance, na Conferência de Segurança realizada em Munique, na semana de 10 a 15 de Fevereiro é uma extraordinária lição de política. Independentemente do que cada um possa pensar de J.D. Vance, ou de Trump, ou dos EUA, ou da Rússia, o discurso do vice-presidente dos EUA apresenta os fundamentos da prática política dos Estados Unidos desde a sua fundação: o poder assenta na força dos fortes e é essa força que permite apresentar os poderosos como virtuosos. Maquiavel afirmou o mesmo. Os europeus praticaram estes princípios até à Segunda Guerra Mundial, que colocou um fim no colonialismo e na falácia da missão civilizadora do Ocidente.

J. D. Vance foi a Munique afirmar o princípio da força como fundamento do poder, o princípio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divisão tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial de Montesquieu. O vice presidente dos EUA foi a Munique expor a realidade em que assenta o poder nos Estados Unidos: a lei dos xerifes do Oeste: a lei sou eu e o meu revólver. Os poderes tradicionais e os não tradicionais devem estar submetidos ao detentor do poder executivo. J. D. Vance explicou que o êxito dos Estados Unidos e a vitória de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjugação de tirania e oligarquia, na classificação de modos de governo estabelecido por Platão em República.

Perante uma assembleia de funcionários políticos europeus (raros políticos eleitos), o vice-presidente dos EUA afirmou que o governo de Trump respeita a hierarquia de Platão, de que a oligarquia é preferível à democracia, que durante milénios foi eficaz para os poderosos exercerem o seu poder e gozarem os seus privilégios, que a oligarquia constitui o único sistema de governo, e que aquilo que atualmente (desde o final da Segunda Guerra Mundial) é designado por “democracias” são versões de oligarquias adaptadas aos meios para as legitimar.

A versão de poder de Trump apresentada por J.D Vance em Munique pode ser traduzida com uma adaptação da conhecida frase de Eça de Queiroz: “a nudez crua da verdade do poder da oligarquia sem o manto diáfano da fantasia das instituições reguladoras“.

J. D. Vance afirmou na cara dos atónitos funcionários políticos europeus reunidos em Munique que o perigo para a Europa se encontra no seu interior, na falsidade em que os políticos assentam os seus princípios, na distância entre as afirmações e a prática dos políticos europeus, na fraqueza do poder político quer na União Europeia quer nos seus Estados nacionais, e daí, a perceção da fraqueza dos seus dirigentes e a busca de novas formas de participação dos povos no seu governo, que os funcionários (sempre muito moderados) se apressam a classificar de extremistas e radicais.

Quanto à política global, J.D. Vance deixou claro que quem define as relações de poder no mundo atual são as oligarquias dos Estados Unidos, da Rússia e da China porque são estas que dominam os circuitos do dinheiro, das matérias-primas, das tecnologias e da força armada, são elas que decidem a guerra e a paz, quem paga as contas e quem recolhe os lucros.

Do ponto de vista do amor-próprio é compreensível que as várias correntes do pensamento político europeu tenham silenciado que a decadência, ou a irrelevância da Europa, no atual cenário mundial tem como causa a incapacidade de esta ter gerado, ou mantido, ou reconstituído as suas oligarquias após a derrota da Segunda Guerra Mundial.

Não é popular defender a oligarquia e os oligarcas (daí que a comunicação de massas ocidental reserve o termo para os adversários — oligarca é sempre russo, enquanto os oligarcas norte-americanos são bilionários), mas a verdade é que, até à Primeira Grande Guerra, a Europa foi governada por oligarquias aristocráticas, monarquias mais ou menos autoritárias e que no período entre guerras a Europa conseguiu manter os seus governos oligárquicos, extraídos, ou gerados pelas industrias das novas tecnologias, em particular pela motorização, automóveis e aviões, pela química, pela energia (petróleo), transportes e eletrónica, tendo no topo a oligarquia financeira. Mas, um dos resultados da Segunda Guerra, foi a extinção dos oligarcas europeus.

As oligarquias europeias foram aniquiladas e a reconstrução europeia foi efetuada a partir dos Estados Unidos, com o plano Marshall, que colocou o poder da Europa nas mãos de burocratas de confiança. São os descendentes desses burocratas ao serviço dos EUA que se encontram hoje na direção política dos estados europeus, personagens que recebem um salário para administrar os Estados nacionais e a União Europeia, empresas que funcionam por rotina.

São esses descendentes que ainda vivem na guerra fria que ficaram atordoados com o discurso de J D Vance, Entretanto, quer a União Soviética, quer a China constituíam novas representações políticas e novas classes de empreendedores através dos partidos comunistas e introduziram a noção de competitividade, responsabilidade, prémio, castigo, incentivo que promoveram o aparecimento de oligarcas de grande sucesso.

A aparentemente irreversível irrelevância da Europa resulta em primeiro lugar da incapacidade de reconstituir as suas oligarquias no pós Segunda Guerra, de recriar oligarquias empreendedoras, autónomas, audaciosas. E esta incapacidade inclui também e em boa parte o mundo do trabalho — sindicatos e corporações — que em vez de disputarem o poder reclamam a proteção do Estado burocrático.

Independentemente do que cada um possa pensar de J D Vance, o que ele deixou claro na conferência de Munique foi que os Estados Unidos têm um sistema político que permite que o poder seja exercido por um macho dominante e que a Europa tem um sistema político com uma hierarquia que não se distingue da que existe num aviário.

Olhamos para as fotografias do chanceler Sholz (a quem J.D Vance negou um encontro de circunstância com a rude justificação que ele será chanceler por pouco tempo), de Macron, de Von der Leyen, de Kallas, de Mark Rutte, o atual cabo da guarda da NATO e o que vemos é um grupo de estarolas que não inspira confiança sequer para atravessar uma rua, mesmo durante o dia e com os semáforos a funcionar.

Alguém acredita que este painel de burocratas seja capaz de enfrentar os oligarcas norte americanos, russos ou chineses, que algum deles vá morrer onde for preciso combater os oligarcas russos e defender o “democrata” Zelenski, exceto o almirante Gouveia e Melo, o general Isidro e o burocrata Mark Rutte?

Por muito que nos desagrade, enquanto europeus, ouvir afirmações e interpretações duras atiradas como pedras, após a derrota da Segunda Guerra Mundial, a Europa optou por ser um navio de cruzeiros em vez de um navio de batalha. A pergunta a fazer aos inabaláveis e vocais defensores de apoio à Ucrânia até à derrota final e custe o custar é como transformar um hotel flutuante num couraçado, como substituir piscinas e jacuzzis por rampas de mísseis, empregados de camarote por artilheiros.

O choque das conclusões do encontro de Munique não resulta da explicação dos fundamentos do poder nos EUA feita por JD Vance e transmitida em estilo de sargento dos marines aos recrutas, mas da insanidade dos líderes europeus em responder que vão gastar 5% dos seus orçamentos a comprar equipamento militar aos EUA para se defenderem da Rússia, que passou a ser considerada por aqueles como um dos vértices do novo poder mundial! No momento em que os Estados Unidos reconhecem a Rússia e a China como competidores e vértices do triângulo do poder mundial, e não como inimigos com quem seja estrategicamente vantajoso desencadear um confronto armado, os burocratas europeus propõem comprar armas e tecnologias aos Estados Unidos para se defenderem de uma superpotência que considera a Europa um saco de gatos que se anularão em guerras entre si. É a análise que a Rússia faz da Europa, daí a irracionalidade, para não lhe dar o qualificativo adequado de estupidez dos analistas cujo pensamento foi magistralmente resumido pela doutora Ana Gomes: temos de nos defender dos russos porque se não o fizermos eles “vêm por aí abaixo”!

O papel de croupier para António Costa foi muito bem escolhido 🙂

O discurso de António Costa a repetir o apoio “inabalável” da Europa à Ucrânia é um texto na linha dos argumentos de Ana Gomes, dos tempos da guerra fria, fora de tempo, é um triste exemplo de um padre que entra numa missa pós concílio Vaticano II a proferir um sermão em latim e a fazer esconjuros, perante a estupefação dos fiéis. Bastava-lhe representar o papel do croupier e anunciar: les jeux sont faits!

41 pensamentos sobre “O esplendor da oligarquia

  1. Sim. Se há alguém que não precisa do cereal da Ucrânia para absolutamente porra nenhuma e a Rússia que o tem de sobra.
    Esta e uma guerra por procuração visando pilhar todos os recursos da Rússia, cereais e não so.
    Como foram as de Napoleão e Hitler.
    A Ucrânia armada inclusive com armas nucleares prometida por Herr Zelensky na Conferencia de Segurança de Munique não se limitaria a terraplanar as populações russofonas do Donbass e não queria as armas nucleares para ficar a enfeitar.
    Era a destruição da Rússia que se queria e e a destruição da Rússia que se quer.
    Desta vez somos nós quem apoia os nazis tal como muita gente queria na realidade fazer na Segunda Guerra Mundial.
    O resto e conversa para boi dormir.

  2. Com tantas opiniões , eu não me atrevo a dar a minha, não por estar contra , mas sim, porque hoje existiu coragem de o fazerem!
    Hoje essa coragem passou por aqui!
    Em 06.09.2022. João Pedro que ninguém conhecia, teve esta frase “A burguesia russa bate-se na Ucrânia com o seu exército. A burguesia americana usa a carne para canhão ucraniana para se bater contra os seus concorrentes russos. A burguesia ucraniana está dividida entre pró-russos e pró-UE/EUA. Para a burguesia, seja a russa, a americana ou a ucraniana, o que está em causa é o controlo do cereal produzido por um dos mais massacrados povos europeus”!
    E fico por aqui

  3. Realmente a Europa tem uma paz social que até dá do.
    Só na Alemanha houve em 2024 mais de 40 mil crimes da extrema direita, sendo que mais de 1400 foram agressões físicas.
    A polícia agride e as vezes mata porque sim.
    Gente que se manifestou contra o genocídio na Palestina levou no focinho e muitos enfrentam processos judiciais sob acusações absurdas que vao do antissemitismo ao apoio ao terrorismo.
    Sobre as eleições na Ucrânia também não me parece que haja muito a dizer.
    Vão ver se o mar da choco.
    Vão chamar Putinista e antissemita ao diabo que vos carregue.
    Netanyahu já prometeu continuar o massacre quando os prisioneiros israelitas forem todos libertados e a Rússia e que nos e vendida como uma ameaça global que temos de combater sacrificando as nossas vidas se for preciso.
    Já ia sacrificando a minha vida no altar de uma experiência científica impingida por esta Europa podre.
    Não preciso de mais.
    Vao ver se o mar da tubarão branco faminto.

  4. Felizmente que a maioria dos comentários vai aqui no caminho certo, o da verdade ,objectividade e contra a narrativa falaciosa dos vendidos ao imperialismo made in EUA. É espantoso como os líderes europeus, tão enfeudados que estão a essas mentiras, têm imensa dificuldade em compreender a actual situação. A Europa sempre teve para com a Ucrânia uma atitude manhosa, absurda e inadmissível, completamente falha de credibilidade. Apostou sempre tudo na guerra, sem perceber que tem tudo a perder com ela e nada a ganhar. Sequer alguma vez teve um plano para a ganhar. Prestou-se a idiota útil aos mais baixos interesses imperiais e construiu o seu próprio suicídio político, estratégico, industrial e comercial. Se a Europa não dispõe de fontes energéticas suficientes para sustentar o seu nível de vida ou as suas indústrias, é óbvio que tem de importar energia do estrangeiro. Tendo um vizinho com quase ilimitadas quantidades de energia e matérias-primas baratas, para quê hostilizá-lo, demonizá-lo para depois importar dos EUA a preços 3 a 4 vezes mais caros? A total submissão a estes interesses só pode apressar o ocaso do velho continente. Nunca quiseram perceber que a verdadeira guerra sempre foi entre os EUA e a Rússia, logo, faz sentido que as conversas sejam principalmente entre os dois contendores. Esbracejar e estender o pescoço, por-se em bicos de pés para ir à conferência de paz, é patético e humilhante, para não dizer pior.

  5. Não se trata aqui de adorar ou não adorar este ou aquele.
    Trata se de ver as coisas como são.
    E não foi o Putin, nem o Kim, nem o Trump, nem o Bolsonaro que me pressionaram de todas as maneiras e feitios para meter no corpo uma porcaria experimental que me meteu numa alhada dos diabos.
    Tenta fazer um treino de musculação daqueles bem puxados e talvez percebas um pouco melhor.
    Se tivesses perdido quase 30 quilos em quatro meses e tivesses toda a gente que te conhece a olhar para ti com ar de pena sem se atrever a verbalizar “tens um cancro” talvez gostasses também muito desta Europa tão democrática que até dá do.
    E não venhas com a treta que ninguém foi obrigado porque em países como a Alemanha se não fossem dar aquela porcaria já não iam trabalhar no outro dia e foi assim até ao segundo reforço. A sorte foi os sequelados começarem a ser demais para ser escondidos. Mesmo assim se um desgraçado apanhar COVID sem ter todos os reforços que eles querem tem de pagar tudo com língua de palmo.
    Gente que morria sem estar vacinado era vilipendiado como fascista, negacionista, obscurantista, que tinha pago com a vida. Como dizia um conhecido meu que teve juízo e não foi lá, quando um desgraçado da nossa terra morreu apesar de vacinado e foi acusado pelo vulgo de não estar vacinado. “Se o homem não estivesse vacinado era notícia até no Japão”. Ate queriam validar a morte do homem como infeção hospitalar quando nunca essa gente reconhece que foi a infeção hospitalar a matar alguém.
    Mas lá acabaram por reconhecer que foi a COVID que o matou.
    Na Alemanha há ainda gente presa por alegadamente ter contagiado outros. Muito bons espíritos queriam que se fizesse o mesmo aqui.
    Graças a estes bons democratas, dos quais a Van der Pfizer e sem dúvida o maior exemplo, enterrei pelo menos três pessoas boas, honestas e que acreditavam que estes bons democratas nunca lhes fariam mal.
    Graças a estes bons democratas passei uns tempos a pensar que acabaria a varrer ruas em Irkutsk pois que a Van der Pfizer chegou a propor tornar a coisa obrigatória em toda esta grande terra da democracia censurada que e a União Europeia.
    E se assim não fosse, a fuga para qualquer lado onde esta porcaria não se desse seria a minha única maneira de salvar a vida. Tendo de me sujeitar a vida que me quisessem dar. Que seria certamente a de varrer ruas pois que com a vassoura não se fala.
    E antes que me chames negacionista quero só dizer-te que se deste aquela porcaria toda e ainda não te aconteceu nada bom proveito mas se a tua avó e foi a termos com o Rasputine ou outro imune a venenos não tenho nada a ver com isso.
    Quanto a quedas das janelas acho esta gente mais propensa a provoca as ditas pois mas que esses oligarcas deveriam estar era na Rússia a conspirar contra o Governo que lá está e não a gozar a vida na Europa.
    E quanto mais crimes pudermos por na conta do Putin melhor.
    Melhor para que haja gente que ache boa ideia dar mos as nossas vidas pela destruição da Rússia.
    Já agora, as prisões americanas também não são propriamente espaços seguros e toda a gente sabe disso.
    John MC Afee, um homem de 73 anos, enforcou se para não ir lá parar. Porque os bons democratas espanhóis acharam boa ideia extraditar para lá alguém acusado de crime econômico.
    Do que e que um velho precisa ter medo?
    Os jornalistas que não seguem o rebanho podem ser vítimas de acidentes ou assaltos que correm mal e suicidios nas prisões não faltam.
    Assange lá acabou por ser solto todo podre depois de se ter declarado culpado de uma lista de crimes maior que um braço.
    Gonçalo Lira nem ser estado unidense lhe valeu. Morreu numa masmorra ucraniana e nem teve o corpo devolvido a família. O que foi dito e que os mortos nas prisões eram tantos que se cremavam os corpos sem mais demasias.
    E este regime cruel que querem que continuemos a apoiar mesmo que os Estados Unidos deixem de o fazer.
    Marcha tu se quiseres e quando chegares a Ucrânia escreve. Eu vou continuar a levantar pesos.
    Mas se quiseres também podes ir ver se o mar da tubarão branco faminto em vez de estares aqui a insultar quem não acha a guerra de pilhagem e de saque uma boa ideia.

  6. “o poder assenta na força dos fortes e é essa força que permite apresentar os poderosos como virtuosos.”

    Esta é uma verdade amplamente comprovada por evidência empírica!
    Mas, claro, como aqui também se sugere, um pouco subliminarmente, os fortes, particularmente os que associam a força à inteligência, transformaram a força em direito, isto é conseguiram que o direito se colocasse ao serviço dos fortes. Este é atualmente o estado da arte.

    De acordo com estes pressupostos, o que me parece é que estamos num momento histórico em que a força é tao, mas tao boçal que deixa tontos os que pretendem que a força deve ser respaldada pelo direito e que por isso se julgam virtuosos, bons, enquanto que os outros, que eles querem dominar, são maus.

    Estas considerações estão provavelmente um pouco densas e eu não queria ser mal interpretada, portanto vou dar a minha opinião mais abertamente.

    Em minha opinião, a Europa está a ser governada por uma cambada de idiotas (os/as idiotas não são necessariamente gente estupida) que insistem em análises moralistas das conjunturas históricas, como se fossem do bem e os outros do mal, e que continuam a insistir no recurso à guerra para resolver as diferenças.
    O Trump e os seus acólitos também são idiotas, mas são idiotas declarados, não fingem, não são hipócritas, pelo menos até ao momento é esta a imagem que passam.
    Parece que a esperança fica comprometida com este cenário com que nos vemos confrontados em pleno seculo XXI. Mas, como é uma erva que até nasce entre os túmulos – dizem – ainda a mantenho e parece-me que ainda temos um adulto na sala e o adulto é a China, pacifica, construtiva, e com visão de futuro, se os outros deixarem que o futuro aconteça!!! Portanto, recuso-me a pôr tudo no mesmo saco.

    Tambem me recuso a aceitar que o conflito Ucrania -Russia continue a ser justificado com o argumento de que é preciso partir os dentes a Russia porque esta representa uma ameaça as nossas democracias liberais capitalistas pois estas, desde os seus inicios, têm justificado guerras e conflitos em diferentes partes do mundo. Isto é, as democracias liberais capitalistas sao liberais mas nao sao democraticas porque servem os interesses de um sistema que o nao é. Quem nao percebe isto, ainda nao entrou na maioridade politica, e nao sei se alguma vez vai entrar.

  7. Vejamos, o discurso de Vance foi brilhante. O que é que palhaços corruptos como mark rutte, a kalas e a porca da leyen desejam e todos os outros que enchem a boca com “hipocrisia, hipocrisia”, querem? Hum, seus cabrões, querem a terceira e última guerra mundial? Querem mais armas, mais dinheiro, mais armas, mais dinheiro? Vão os excelentíssimos senhores à frente. Mandem os vossos filhos e os vossos netos )provavelemente, do alto do vosso estúpido egoísmo atéd o fariam) e, pois, morram pelos vossos filigranosos “valores morais”.
    Não são os meus, não tenho nada a ver com os pulhas que condenaram perto de um milhão de ucranianos e não sei quantos russos à morte. À morte seus cabrões, com o bandalho do zelérias como testa de ponte.
    Sois uns pulhas se continuais a defender a guerra, peace trough strenght e o caralho que vos foda todos. Guerreiros de sofá, cheios de verve quando vos dá jeito, não é?
    Está prestes a acabar, já andamos a pagar as vossas coragens de costas largas, pun intended, há três anos e vamos ser nós. os cidadãos comuns, quem vai continuar a pagar, mas para o caralho convosco, não aceitamos mais que nos continuem a empurrar para o abismo, em nome de “princípios” de “valores” que só nos trazem morte e destruição. Pode ser ou está difícil?

  8. A única maneira de fazer com que um pais nunca mais possa invadir outro e destrui lo por completo.
    Qualquer país que continuar a existir pode mais tarde ou mais cedo rearmar se e voltar ao ataque.
    Foi por isso que tivemos duas guerras mundiais. Porque a Alemanha continuou a existir e se rearmou.
    Ou então conseguimos ocupar este país com botas no terreno, deixando esse território de ser independente.
    Ora tentar destruir ou reduzir a situação de território ocupado por tropas estrangeiras um país que e uma potência nuclear poderosa, com capacidade para destruir todo o mundo tal como o conhecemos, e simplesmente por em risco toda a nossa existência.
    Quase que me custa a acreditar que alguém que viveu a vida num país de sol e mar tenha tido um discurso destes que parece ate ser um desejo de morte.
    Aconselho o artista a visitar decentemente uma praia ao Sul da nossa terra num dia de Sol.
    Que veja homens, mulheres, velhos e crianças a sentir o Sol. Gente de todo o lado, gente a querer viver. Simplesmente viver.
    E pense depois se acha que vale mesmo a pena arriscar todas as nossas vidas pelo sonho de destruir um país, qualquer que ele seja.
    Costa parece gritar “Viva a morte”.
    Dou graças a todos os podres do Universo nunca ter acreditado na teoria do “voto útil” e nunca ter votado nele. Não haveria hoje sabao que tirasse o nojo e que sentiria hoje pela minha mão direita.
    Por todos os que nos seguiram e pelos anos que nos restam e mesmo prefiro travar dementes como este.
    Não sei como mas tudo o que consigo sentir agora e vergonha porque e alguém do meu país que está a dizer que devemos arriscar as nossas vidas, as vidas dos nossos, os anos que nos restam em nome da destruição de um país que nunca nos fez mal nenhum.
    Em nome da destruição de um país que sempre que invadiu foi para salvar vidas.
    Foi assim na Georgia como ele muito bem sabe e foi assim na Transnitria. Foi assim na Ucrânia.
    Foram estas as únicas invasões recentes da Rússia.
    Agora todos sabemos quais foram as finalidades das invasões americanas. Ocupar e sacar recursos.
    A Rússia não precisa da Europa para nada. Não precisa de nos atacar. Ele sabe isso, ele sabe que mente. Ele sabe que pode arriscar as nossas vidas.
    Será que um ordenado chorudo vale isso tudo? Qual e o preço das nossas vidas?
    Que o Diabo o carregue a ele e a todos os psicopatas que mandam nisto tudo.

  9. Foi com profunda estupefação que li o artigo de Carlos Matos Gomes sobre o discurso do número dois de Trump.
    Ver alguém que foi militar de Abril, afirmar que o discurso de J. D. Vance foi “uma extraordinária lição de política” porque fez a apologia das ditaduras ao afirmar o princípio da força como fundamento do poder, o princípio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divisão tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial…
    Transformar a hipócrita “lição” de democracia de Vance, numa extraordinária lição de política, é surpreendente. Foi um discurso cheio de hipocrisia risível, de retratos distorcidos da democracia europeia, de alguém que é vice de um presidente que incentivou um ataque ao Capitólio para tentar impedir pela violência os resultados de uma eleição, e que recentemente suspendeu o lugar da Associated Press na sala de imprensa porque a agência continua a designar o Golfo do México como Golfo do México.
    Vance é alguém que faz a propaganda do partido neo-nazi alemão Afd, tendo-se encontrado com o seu líder…
    E Matos Gomes elogia esta extraordinária lição de política!
    Que a Estátua de Sal diga que o artigo de Matos Gomes é “superlativamente o melhor que li e por isso aqui fica. Uma lição de geopolítica e história digna de reflexão que devia ser enfiada pela cabeça abaixo dos políticos da Europa. E os “comentadeiros” das televisões, que perante esta sabatina parecem um bando de ignorantes já crescidos, devem ingressar na 4ª classe de adultos para reciclarem as meninges”, não me causa estranheza, conhecendo já as suas inclinações políticas antidemocráticas, e simpatizante das “democracias” de Putin e de Xi Jinping.
    José Pereira

    • Não percebeste nada do que leste. Sabes, a geopolítica não é o que gostaríamos que fosse (Wishful thinking) mas sim AQUILO QUE É, independentemente das considerações morais/éticas que te fartas de invocar. E o CMG fez uma brilhante leitura do que significou e pretendeu transmitir o discurso de Vance para os europeus, INDEPENDENTEMENTE de CMG (e a Estátua, já agora) gostarem ou não do que foi dito. Mas tu, na senda de práticas recentes dos líderes europeus, preferes seguir a política do cancelamento, censurar quem não gostas de ouvir e de ti discorda, e meter a cabeça na areia como a avestruz.
      É tempo de acordares, cresceres, e aceitar que a realidade é o que é e não o que gostarias que fosse.
      Eu, já agora, também gostava de ser imortal mas sei que, tal como tu, hei de morrer um dia. E de nada me adianta invocar todas as potestades deste mundo. Que havemos de fazer? Como dizia o Guterres: É a vida…

      Só um último reparo. A Estátua é tão “antidemolcrática” – como tu dizes -, que até permitiu a publicação do teu comentário ao qual deu a devida resposta. Sim, porque “democrática” dos sete costados é a Ursula e a União Europeia que censuram os canais russos da RT e do SPUTNIK, tratando os cidadãos europeus como criaturas infantilóides que é preciso proteger dos mafarricos. Sim, porque tu ainda és dos tais que acreditam que eles, os russos, comem criancinhas… 🙂

      • Bem, não sei o que sejam “oligarquias empreendedoras, autónomas e audaciosas” mas soa a coisa boa. Só as conheço monopolistas, rentistas e dependentes do favor e protecção do(s) Estado(s). Benignas para o povo que trabalha, nunca houve!

      • Curioso argumento e curiosa postura. O mundo é assim, e não é como eu gosto, e pronto não há nada a fazer. Se a minha geração (nasci em 1945) pensasse e agisse assim nunca se teria libertado da ditadura… “Eu não gosto da das ditaduras, mas o que é que se pode fazer se fazer É AQUILO QUE É”… QUE HAVEMOS DE FAZER? É A VIDA…
        Agora lutar contra o que está mal? Qual quê, dá muito trabalho e cansa muito…
        Quanto ao argumento da ingestão de criancinhas é mesmo rasca… A Estátua está mesmo muito fraquinha ideologicamente… Não comem não (nem dão injeções atrás das orelhas dos velhotes), mas a democracia lá por aqueles lados não é famosa (liberdade de imprensa, liberdade de manifestação, caídas de janelas, oposicionistas mortos em prisões, etc..) e então os seus amigos é do melhor que há (Chechenos, Norte-Coreanos, partidos da extrema direita europeia xenófobos racistas etc…), enfim a Estátua de Sal se tivesse a veleidade de existir por lá já estaria num campo de reeducação (pelo menos). Mas qual quê “É A GEOPOLÍTICA, ESTÚPIDO”.
        Tristeza de pseudo analistas/comentadores de “esquerda” que parece adorarem (envergonhadamente) Putins, Bolsonaros, Trumps, Kim Jong-uns…
        JP

        • Com essa idade já devias saber ler mas ainda não sabes. Ninguém disse que não se devia tentar mudar o mundo quando AQUILO QUE É não nos agrada. O que estava em causa era a análise e as conclusões do CMG que atacaste como um furãozinho castanho, dizendo que tal análise era incorrecta. Ou seja, lutar para mudar AQUILO QUE É porque não nos agrada, tudo bem. Analisar a realidade e dizer que ela é preta porque só nos agrada o branco é para os manipuldores, censores ou, mais benignamente, para os publicitários. Percebeste ou queres um desenho?
          Dizer que a Estátua é fraquinha ideológicamente, não sei o que significa mas até me deu vontade de rir. Eu confesso a minha ignorância e peço explicações sobre como se identificam as ideologias fortes e as fracas. Os leitores da Estátua também devem querer saber qual é esse método extraordinário, pelo que escreve um artigo sobre a tua “forte” ideologia que a Estátua publica… 🙂
          Uma última nota. “Democracia” a sério é na UE com censura institucionalizada e eleições pirateadas como aconteceu recentemente na Roménia. E, pelo teu comentário, quer-me parecer que deves ser um dos poucos predestinados que viram norte-coreanos na Ucrânia… 🙂

          • E curioso, eu nunca disse que vi norte-coreanos na Rússia disse só que eram grandes “amigos” (as visitas de Putin e o pacto assinado são fake-news?), mas a Estátua talvez por qualquer reflexo (ela saberá porquê…) lá escorregou para que estão norte-coreanos a ajudar Putin…
            E já agora para terminar, se as eleições na UE não são “a sério”, então nos “amigos” (Rússia, Coreia do Norte, etc.) aí sim são amplamente democráticas até faz impressão… mas a Estátua disse diz zero. Como diz zero do apoio do Sr. Putin aos partidos da extrema-direita europeia, esses sim grandes paladinos da liberdade e da democracia (ou se calhar eu sou dos poucos predestinados que vejo isto…).
            Há que ter alguma honestidade intelectual nas conversas senão não vale a pena, como é o caso.
            E aqui termino…
            JP

            • O José Marina Pereira não pode falar de honestidade intelectual, pois não a tem. Não a tem quando omite que é esta administração americana, do vosso “Grande Irmão” predilecto, que está a namorar com a extrema-direita europeia, e publicamente, para que todos vejam. Ele é o Musk a elogiar a AfD, a fazer saudações nazis em discursos perante imensas pessoas (fora as que vêem nas televisões, aí serão milhões), é o JD Vance e o Trump a apelarem a maior liberdade de expressão, enquanto perseguem “comunistas” a la McCarthy nos EUA, deixando perceber muito bem o que querem eles: a livre expressão da Extrema-Direita e o silenciamento da Esquerda, que abominam. Já a administração Biden também tinha uma grande propensão para ajudar, financiar, armar e promover a extrema-direita, fosse na Ucrânia, reabilitando os “descendentes” e “aspirantes” dos banderistas que faziam pogroms e assassinaram milhares de pessoas, colaborando com o regime nazi, fosse em Israel, onde todas as bombas que caíram sobre Gaza, todos os mísseis, se calhar todas as balas tinham selo de fabrico e garantia Made in USA. Mas essas associações o puritano democrata José Marina Pereira, com a sua andrógina nomenclatura, já é incapaz de assumir, de expor e de dissecar.
              E sim, a UE é mais promíscua que um bordel, como explicitou e bem o Joaquim Camacho, com as suas alcoviteiras e chulos bem declarados, responsáveis por desastres atrás de desastres sócio-económicos, políticos, securitários, e é a UE que impõe aos europeus as políticas que conduzem os seus destinos, mesmo que condicionada pela política externa do Grande Irmão, ou contrariada pelo “diabólico” Putin, como explicitou o Whale Project. Putin esse que tem as costas largas para toda a propaganda dos expansionistas belicosos, inescrupulosos e assassinos, genocidas, da NATO e da UE. Basta ver o que se passa na Palestina. Diz-me a quem te vendes, eu te direi quem és…

    • Não percebeste o post e não percebeste a Estátua. Enfim, é o problema dos atletas que lêem textos enquanto fazem o pino. O resultado inevitável é perceberem tudo ao contrário. Ora atenta neste excerto do que escreve Matos Gomes:

      “Independentemente do que cada um possa pensar de J.D. Vance, ou de Trump, ou dos EUA, ou da Rússia, O DISCURSO DO VICE-PRESIDENTE DOS EUA APRESENTA OS FUNDAMENTOS DA PRÁTICA POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS DESDE A SUA FUNDAÇÃO: O PODER ASSENTA NA FORÇA DOS FORTES E É ESSA FORÇA QUE PERMITE APRESENTAR OS PODEROSOS COMO VIRTUOSOS. MAQUIAVEL AFIRMOU O MESMO. Os europeus praticaram estes princípios até à Segunda Guerra Mundial, que colocou um fim no colonialismo e na falácia da missão civilizadora do Ocidente.

      J. D. Vance foi a Munique afirmar o princípio da força como fundamento do poder, o princípio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divisão tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial de Montesquieu. O VICE-PRESIDENTE DOS EUA FOI A MUNIQUE EXPOR A REALIDADE EM QUE ASSENTA O PODER NOS ESTADOS UNIDOS: A LEI DOS XERIFES DO OESTE: A LEI SOU EU E O MEU REVÓLVER. Os poderes tradicionais e os não tradicionais devem estar submetidos ao detentor do poder executivo. J. D. Vance explicou que o êxito dos Estados Unidos e a vitória de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjugação de tirania e oligarquia, na classificação de modos de governo estabelecido por Platão em República.”

      Classificar o presidente dos EUA como um xerife que exerce um poder arbitrário, como no antigo faroeste, obrigando os outros a fazer-lhe as vontades sob a ameaça de um revólver, será elogiar o megabully Donald Trump, armado em xerife do planeta? Reconhecer o discurso do vice-presidente como paleio de ajudante de xerife, sem respeito algum por uma cambada de lacaios subservientes que respeito não merecem, é apenas reconhecer o óbvio. Porque respeito nenhum merece a criadagem europeia que se rebaixa aos sucessivos xerifes daquela república de bananas e lantejoulas, encharcada em esteróides e armada até aos dentes, que responde pelo nome de Estados Unidos da América. Classificar o megabully da Casa Preta como xerife que exerce um poder arbitrário, assente no cano de um revólver, é um insulto e não um elogio, e dois neurónios e meio chegam para perceber isso.

      Resumindo: reconhecer que era branco o cavalo branco de Napoleão não me transforma em apoiante das invasões napoleónicas e traidor à pátria. Tal como declarar que vai nu o rei que habitualmente veste Armani, desse modo compelindo sua majestade a cobrir as gordurosas peles com finos trapos da finérrima etiqueta, não autoriza ninguém a acusar-me de publicidade encapotada à conceituada marca.

      Matos Gomes reconhece o óbvio: os nossos destinos, como europeus, estão nas mãos de lacaios não eleitos com a boca cheia de uma democracia que não praticam nem sequer sabem o que é. Que nos borrifam a cara de gafanhotos enquanto pregam todas as liberdades do cardápio, mas que à primeira oportunidade, com as desculpas mais esfarrapadas, as atiram pelo cano abaixo, como a Estátua bem lembrou ( https://www.reuters.com/world/europe/eu-bans-rt-sputnik-banned-over-ukraine-disinformation-2022-03-02/ ).

      A diferença entre o que se passava antes e o que se passa agora, nas relações entre o Império do Bem e os vassalos europeus, é apenas uma: no tempo dos Obama, Bush, Clinton, Reagan e afins, a sodomização dos lacaios do lado de cá do Atlântico e os nutritivos fellatios que faziam ao xerife do dia acontecia fora das vistas do mortal comum. Perante os xerifes anteriores, limitavam-se a perguntar: “Quer que engula ou que deite fora?” O “desconforto” actual tem apenas um motivo: dantes, tudo era feito no recato da Sala Oral ou nas suas múltiplas delegações, agências e recantos ad hoc espalhados por Bruxelas, Estrasburgo e pelas muito simpáticas e acolhedoras capitais europeias. Agora, porém, está tudo à vista: o xerife actual e seus adjuntos, burgessos ordinários até dizer chega, declaram, urbi et orbi, que não têm qualquer paciência ou utilidade para rameiras desdentadas afectadas por todo o tipo de maleitas venéreas, que apenas servem para lhes aumentar as despesas médicas. Tratam as rameiras como rameiras, apontam-lhes a sífilis e a gonorreia, dispensam-lhes os serviços e dizem-lhes que se chupem umas às outras e já gozam.

      Por outras palavras: o patrão é o mesmo, apenas o CEO mudou. Os CEO anteriores deixavam-nos fingir que eram seus iguais, o CEO actual é um burgesso malcriadão e sem maneiras, sem paciência para rodriguinhos, que trata a criadagem com o desprezo que merece e lhe merece. Nós, europeus, é que não merecemos ter os destinos controlados por desclassificados/as em cujos dicionários as palavras dignidade e verticalidade não existem.

      • Grande resposta ao “pastorinho”, Joaquim. Mas, pelos antecedentes, duvido que ele a perceba na íntegra. Mas talvez a parte final, com a conversa alegórica de lupanar, lhe traga alguma luz sobre o papel da Europa… 🙂

    • Só faltou escrever que a inteligência tem como unidade de medida o TAR e que miliTAR é submultiplo da mesma! Enfim, opiniões são como as vaginas, há muitas e cada mulher tem a sua!

  10. Os Americanos, que fomentaram inequivocamente o golpe Maidan, o regime saído desse golpe e o conflito interno que depois gerou a intervenção (invasão) russa, perceberam que não lhes interessa escalar o conflito, que o que tinham de interferir já deu os seus frutos: às armas compradas à sua indústria armamentista, junta-se a desestabilização europeia e o seu afastamento político-económico da Rússia (“keep the germans down and the russians out”), assumindo a UE o papel de mordomo dos interesses americanos na Europa, numa submissão tão acrítica e simplória que talvez supere a de um imã islâmico a Alá (“fuck EU”).
    Temos mesmo umas lideranças muito pouco competentes e sobretudo mentalmente inaptas, limitadas nos seus enquadramentos políticos, na sua compreensão da realidade. Vivem em condomínios fechados e a sua visão da Europa é a de um condomínio privado por eles administrado, no qual os mais pobres condóminos são humilhados para que os maus ricos vivam na ilusão de poder, de fausto, de controlo sobre alguns gatos pingados. São fortes com os fracos, mas perante os fortes submetem-se. Putin e a Rússia não são mais que o chamariz com que entretêm os europeus, para que não olhem para o dinheiro (e poder) que fazem fluir na direcção oposta, para os EUA. E convocam depois os europeus a alimentar esse desvario, a uma vez mais se sacrificarem (depois da “austeridade”, depois da “pandemia”), agora até fisicamente, não apenas sócio-economicamente, na guerra de procuração americana que os americanos querem que sejam os europeus a combater.
    A NATO e a UE são hoje o maior logro que existe. Não se trata de Segurança e Defesa, mas sim de Sacrifício e Ataque (sobretudo aos direitos humanos e sociais dos europeus). E também já não se trata de Comunidade e Convergência, pelo contrário, trata-se de Centralismo Burocrático e Captura de Poder, de Ditadura tecnocrática e Segregação – agora quem não pagar os 5% será um indigente, um pária. Como já era desde a nomeação de Durão Barroso, pelo menos, sem ainda haver a necessidade de deixar cair as máscaras, mesmo com o apoio total institucional às intervenções (invasões) “do bem”, as americanas, pois claro…

  11. Estamos a lamentar que os eleitos, na “Europa” e especialmente em Portugal (que é o que nos deveria preocupar) não representem o povo, ou, que não sejam capazes de proteger uma plutocracia virtuosa? É que, neste país, a oligarquia está pujante! A democracia do povo e para o povo é impossível, é isso? Ai lucidez, ai realismo!…

    • O trajecto de António Costa nos últimos anos, particularmente nos últimos meses, com todas as suas aventuras e desventuras, demonstra bem as teias de poder que querem controlar os nossos destinos. A democracia não é impossível, mas neste momento é uma farsa, uma ilusão. Os corruptos prosperam e morrem de velhos, no aconchego, com mais idade que “o seguro”.

  12. Sim, mas porquê? O que levou a “Europa” a esta situação e os outros, Rússia, China e EUA, para o outro lado do tabuleiro. Qual ou quais são as diferenças objectivas, materiais, se as há, entre os oligarcas WASP, Eslavos e de olhos em bico e os “europeus”. Constituem uma questão genética ou geográfica? Ou será que poderemos vir a saber quais são para ,precisamente, as derrotar?

    • Onde estão os recursos, as matérias primas? No Velho Mundo, no Heartland asiático ou no Novo Mundo?
      Os mercados de capitais, motores do sistema capitalista, onde se encontram os principais? Dentro ou fora da UE?
      Neste jogo “viciado”, com as regras actuais, o que resta à Europa? Talvez o Ártico, mas aí já tem a competição directa não só da Rússia, como do Grande Irmão, que quer abarbatar não só o Canadá como a Gronelândia (e veremos se fica por aqui). Mas sobre estes e outros imbróglios euro-americanos, a Europa avassala-se. É para isso que os políticos da UE são escolhidos e tão bem remunerados.

  13. Não sai nenhuma decisão de Bruxelas que não seja elaborada por comités consultivos de todos os países,comités esses constituídos por representantes eleitos pelos respectivos povos de todos os países da nossa Europa.
    Depois são validadas pelo Conselho de Ministros.
    Achar que há uma entidade em Bruxelas que decide por nós de forma não democrática ,por funcionários europeus ,é uma prova de ignorância atroz.
    A nossa Europa continua a ser o melhor do mundo,com paz social ,direitos humanos,igualdade de géneros ,estado social e prosperidade.

    • Sobre o défice democrático da União Europeia, há uma boa mão cheia de coisas escritas (livros, teses de mestrado e doutoramento), para além das referência feitas por académicos dos mais variados quadrantes em aulas, palestras, conferências. Não dá sequer muito trabalho encontrar esse vastíssimo material. E tem uma virtude: saímos do estado “profissão de fé”, para qualquer coisa mais consistente e objectiva.

    • Pois claro, é assim mesmo, e nas maternidades europeias os bebés são entregues nos bicos das cegonhas. Toda a gente sabe disso, excepto os putinistas ferrenhos que frequentam a Estátua de Sal. A coisa só falha quando o Sindicato das Cegonhas decreta greves e os bebés vêm de avestruz. Nesses casos a entrega demora um pouco mais, porque as avestruzes vêm a pé. Na Europa democrática as cegonhas também têm direito a sindicatos, o que não acontece na Rússia de Putin. Está em estudo a entrega dos bebés por UBER, o que poderá melhorar um pouco o prazo de entrega, embora sem conseguir igualar o das cegonhas. Na Europa democrática há sempre uma solução, e quem duvida disso não é bom pai (ou mãe) de família.

  14. ANTÓNIO COSTA
    “A ameaça russa vai além da Ucrânia. Dominam a Bielorrússia, têm presença militar na Moldova e Geórgia. Ameaçam os nossos sistemas democráticos. Isso significa que a paz global não pode dar à Rússia a oportunidade de voltar a atacar, não pode refortalecer o agressor. Deve garantir que a Rússia não volta a ser uma ameaça para a Ucrânia e Europa”, defendeu o presidente do Conselho Europeu».
    Como tal, ele, António Costa, já está a caminho da frente de batalha na Ucrânia, de camuflado vestido e lança granadas na mão, para travar os russos, não vão eles chegar à Caparica! Quanto à presença militar dos russos na Moldova e Geórgia, esqueceu-se da sua presença na base das Lajes nos Açores e em mais de 700 outras pelo mundo inteiro, em particular na Europa! Mas como enumerá-las todas devia dar muito trabalho, ficou-se só por aquelas duas, tanto mais que aquilo que lhe pagam como Presidente do Conselho Europeu é uma ninharia comparativamente com o que ganhava em Portugal como primeiro-ministro, sacrificando com altruísmo este lugar, para ir ocupar aquele! Depois da humilhação que tem sofrido dos americanos, nomeadamente em Munique (ele e as suas companheiras de estrada, Leyen e Kaja), o homem tem que mostrar que existe ou finge tal!

  15. A ficção de Felini no “Ensaio da Orquestra” descreve com mais rigor os eurocratas que a fleuma não ficcionada da orquestra no desastre do Titanic

  16. Os grunhos que esqueceram a História e não se dão ao trabalho de pensar o futuro … estão aos dias de hoje perdidos sem rumo.
    Eis a Europa !

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