E de repente, os media corporativos tornaram-se putinistas

(António Gil, in Substack.com, 02/02/2025)

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Isto segundo seus próprios critérios recentes…

Não era assim que eles designavam todos os que – como eu – sempre entenderam que a Ucrânia não tinha a mínima chance contra a Rússia? bem vindos então ao clube, novatos.

O próprio Budanov, aliás está sob inquérito do SBU – os serviços secretos ucranianos – suspeito de putinismo tardio por ter afirmado que a Ucrânia provavelmente colapsaria em 6 meses. Claro, ele já disse que não disse tal coisa. No entanto disse, caso contrário por que razão ele vai ser investigado.

O SBU, por esta medida, ainda não se converteu ao putinismo, portanto. Mas Budanov não é o primeiro – nem será o último – dirigente ucraniano a tomar seu chá de realismo e ler seu futuro nas folhas que repousam no fundo da chávena.

Artigos recentes dos títulos ‘jornalísticos’ têm aparecido fazendo soar os alarmes. Claro que acrescentam sempre seus ‘ses’: se os EUA pararem com a ajuda à Ucrânia é o mais glosado. Se a NATO não intervier. Se Zelensky não autorizar o recrutamento de garotos de 18 anos. Se, se, se…

Longe vão os tempos de fé ilimitada nas armas miraculosas do ocidente, no colapso económico da Rússia, nas facas afiadas dos homens fortes do Kremlin contra Putin. Também já ninguém parece acreditar que bombardear a Rússia profunda fará mais do que enfurecer ainda mais os russos.

O ‘Putinismo’ surge assim como o destino natural dos consideravam que a Ucrânia simplesmente não poderia perder. A menos, claro que se redefina o conceito de putinismo, o que já está a ser feito. Putinistas são os outros, os que falaram antes do tempo, antes da autorização para dizerem o que agora se diz.

E daqui vamos para onde? Sacrifício do bem estar social, diz Mark Rutte, o chefão da NATO, compra de armas e mais armas para que não acabemos todos a falar russo.

A NATO passou de organização militar ofensiva – ela não foi atacada nem pela Jugoslávia, nem pelo Afeganistão, nem pelo Iraque, nem pela Líbia, portanto falar de defesa nesses casos é absurdo – para uma agremiação anti-poliglota.

Aprender a falar novas línguas – diz-se – é ainda uma maneira de prevenir a doença de Alzheimer, tal como fazer palavras cruzadas ou solucionar sudokus. Mas bom, a elite ocidental não está preocupada com a saúde física nem mental dos seus cidadãos e tem dado provas abundantes que pelo contrário, aposta cada vez mais na disfunção cognitiva.

Pela minha parte não estou porém disposto a deixar os novos Putinistas escapar do clube que eles próprios criaram para os outros. Vamos pois dar as boas vindas ao grupo aos novos membros lembrando-lhes que são recém-convertidos e devem obediência aos membros mais velhos desde cada vez maior e mais poderoso grupo.

Fonte aqui.

3 pensamentos sobre “E de repente, os media corporativos tornaram-se putinistas

  1. Também já perdi a conta as vezes que já me acusaram de ser desagradável e deselegante, entre outros mimos.
    Ora, ser desagradável e deselegante era dizer “os vacineiros, os pro nazis e os pro sionistas deviam levar com um ferro em brasa pelo cu acima, atravessado para não terem prazer nenhum”.
    Por isso chego a mesma conclusão. O tal do Putin e muito educado quando se trata de gente que conspira para destruir o seu país e lançar a população na guerra e na miséria negra.
    Vão ver se o mar da choco.

  2. A criadagem merdiática ainda não desistiu de largar arrotos antiputinistas ressabiados, ainda que castrados, para mostrar serviço. Um exemplo (Ana Lourenço, Telejornal da RTP-1, ontem, ao minuto 20:13):

    “Governos europeus são servis a Donald Trump. A frase foi dita por Vladimir Putin DA FORMA MAIS DESAGRADÁVEL POSSÍVEL. Na opinião do líder russo, o presidente dos Estados Unidos saberá pôr as coisas em ordem e os dirigentes da Europa abanarão a cauda.”

    Classificar um eventual “abanar da cauda” pelos governos europeus, em relação a Trump, como a “FORMA MAIS DESAGRADÁVEL POSSÍVEL” que Putin arranjou para a eles se referir mostra, antes de mais, algum ressabiamento impotente, de madalena ofendida, por parte da pivota da RTP. Um “understatement”, para falar à amaricana. Mas mostra também a dificuldade que a criadagem ressabiada têm em lidar com realidades objectivas, mesmo que, no plano quântico, apenas previstas ou imaginadas. Se Putin quisesse referir-se aos vassalos europeus do império “DA FORMA MAIS DESAGRADÁVEL POSSÍVEL”, teria inúmeras fórmulas muito mais desagradáveis à sua disposição, penso eu de que. Por exemplo:

    — “os governos europeus baixarão as calcinhas e oferecerão obsequiosamente as nalgas a Donald Trump, até criarem nas ditas nalgas um calo de três centímetros de espessura”.

    — “os governos europeus ajoelharão em frente da braguilha de Donald Trump e far-lhe-ão sem o mínimo protesto todos os fellatios que ele ordenar, até ficarem com as beiças em sangue”.

    Donde se conclui que Vladimir Putin até é uma pessoa educada, qualidade que, como se torna evidente, sofre em mim de manifesto défice crónico. Em minha defesa, posso apenas dizer que é o preço que pago pelo realismo.

  3. A mim sempre me pareceu que não seria esta tropa vacineira que iria conseguir o que Suécia, polacos, Napoleão e Hitler não conseguiram.
    Com um pouco de sorte nenhuma destes trastes acabara como acabaram esses dois, um a apodrecer no meio do Oceano, outro a ter de dar um tiro nas trombas.
    Sorte para eles bem entendido que por mim tais trastes acabavam era numa prisão no fundo da Sibéria por mais uma vez terem tentado uma expedição de pilhagem.

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