Trump, um produto da falência moral do partido democrata

(Hugo Dionísio, in Strategic Culture Foundation, 07/11/2024, revisão da Estátua)

A derrota de Kamala é, assim, a vitória da demagogia política, do messianismo providencialista e do Supremacismo, do qual o Partido Democrata não se libertou e o qual também contribuiu para normalizar, permitindo a Trump ganhar, apesar dele, e da forma exacerbada como o defende.


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Imigração, aborto, wokismo, guerra da Ucrânia, guerras eternas, reindustrialização e proteccionismo. Com excepção do aborto e wokismo (identitarismo), que se tratam de questões de consciência e não de política estrutural, todas representam, de alguma forma, algumas das consequências mais brutais do neoliberalismo nos EUA, figurando entre as grandes causas da derrota de Kamala e da vitória de Trump.

A desindustrialização, esgrimida por Trump como uma das grandes causas da perda de poderio da sua América, aconteceu como causa directa da financeirização da economia (acelerada pelo republicano Nixon) tornando a economia de casino no motor económico dos EUA. Sem indústria veio a deterioração do poder real resolvido com a criação de conflitos eternos. As guerras eternas comportam um penoso custo sobre a economia ocidental (também na Europa) e um entrave ao investimento público em infra-estruturas e outras necessidades. A pilhagem que elas possibilitam à Blackrock, Monsanto, Golden Sachs e outras, não reverte para o povo norte-americano, mas para acumulação de uns poucos.

Como forma de desviar atenções, assustar e anestesiar as massas, recupera-se a russofobia, a guerra fria e promove-se o identitarismo, provocando a atomização social e a fractura dos movimentos sociais que poderiam contestar, de forma consistente e coerente, esta situação. O resultado é a instalação de um sentimento de instabilidade e precariedade, relativamente a todos os aspectos da vida.

Trump surgiu como a solução que concretizará a aspiração à estabilidade e a uma certa “normalidade” nos costumes, na economia, no trabalho, na família. Kamala nunca se libertou da acusação de que pretende a continuidade dos factores que causam esta desagregação social.

A anunciada vitória de Trump demonstra que os “sucessos” económicos de Biden não eram reconhecidos pela população. Os ganhos oligárquicos, nunca chegaram ao bolso dos trabalhadores. O Partido Democrata recusou-se a constatar esse facto, ao fazê-lo, garantiu a vitória de Trump.

Explicada a causa, falta então estabelecer os seus constituintes, que passo a enumerar, de forma aleatória:

  1. O papel das guerras eternas

Trump utilizou de forma magistral esta bandeira, capitalizando factores como o medo de uma guerra mundial, a opacidade do complexo-militar industrial, o seu descontrolo nas despesas e o facto de operar para além das regras democráticas, sem auditoria, escrutínio ou necessidade de justificar os gastos. Acresce que, a mais do que previsível derrota da NATO na Ucrânia, traz consigo outra novidade, que consiste num certo descrédito na mítica – mas nunca comprovada – capacidade militar dos EUA. Trump apresentou-se como o candidato que iria resolver os conflitos eternos, libertando o povo americano desse fardo, mas, ao mesmo tempo, recuperando o misticismo militar perdido. Uma espécie de nacionalismo do fim dos impérios, pelo qual todos passam.

Este pressuposto tem dois problemas: o primeiro, é que o discurso da paz, e do fim da guerra, deveria, conceptualmente, estar do lado de Kamala; o segundo, é que, acreditar que Trump conseguirá, quererá, sequer, colocar um ponto final no militarismo norte-americano, é, no mínimo, risível. Trump até pode arrefecer alguns conflitos, mas agravará outros, em linha com a sua prepotência e narcisismo, próprias do providencialismo ideológico norte-americano comum a todas as suas poderosas facções.

Como se verá, contudo, Trump não apenas aumentará os gastos militares, em linha com o que prevê o Mandate 2025 da Heritage Foundation, como terá de alimentar conflitos para os justificar. Provavelmente mais conflitos frios que quentes, mas, mesmo assim, conflitos. A Europa será uma das grandes penalizadas pela sua própria cobardia. Trump não deixará de extorquir dos cobardes políticos europeus, o que considera constituir a sua justa contribuição para uma NATO que só dá jeito aos EUA e a ninguém mais.

Trump alimenta-se da falta de um discurso pacifista, defendendo o fim das guerras eternas, o que não quer dizer “o fim das guerras” e, certamente, não quer dizer “o fim dos conflitos” e tensões militares.

  1. A imigração, culpa os responsáveis errados

A utilização desta bandeira não é nova. Contudo, lá como por cá, o que Trump não diz, é que, quem exige aos governos ocidentais, a abertura das “portas” migratórias, são os próprios patrões. Nenhum migrante se desloca para um país, se considerar que aí não vai encontrar trabalho. É a susceptibilidade de encontrar trabalho que os atrai. Essa informação circula pelas redes de traficantes e chega aos povos mais pobres, que agarram a possibilidade.

E quem propaga a informação? Basta olhar, por exemplo, para o posicionamento das associações patronais europeias sobre o assunto. Consideram que são necessários mais migrantes. Afinal, necessitam de mão-de-obra barata, disponível, bem-comportada, descartável e que pressione para baixo os custos salariais dos povos autóctones. Sobre isto, Trump, e a extrema-direita, nada dizem.

A extrema-direita capitaliza, sim, e de forma massiva, os problemas de exclusão social ligados aos fluxos de migrantes e dos seus descendentes. E esta exclusão social é culpa, uma vez mais, do partido democrata. O Partido Democrata responde ao patronato com manutenção ou aumento do stock migratório, mas o dinheiro que deveria ser usado para integrar estas pessoas, e os seus filhos, é usado para a guerra e para financiar as grandes corporações. O pacote anti-inflação de Biden (o Inflaction Reduction Act) financiou, em centenas de biliões de dólares, a compra de capital em bolsa, pelas próprias corporações, para que se valorizem artificialmente. Esse dinheiro não foi usado para melhorar o acesso à saúde, habitação ou segurança social, bandeiras do Partido Democrata. Este partido foi penalizado por tratar os migrantes como os trata o Partido Republicano quando está no poder.

  1. O descalabro democrata na questão palestiniana

O Partido Democrata perdeu muito do capital de confiança que a juventude norte-americana lhe colocava, na questão palestiniana. Se até aqui, mal ou bem, os jovens progressistas e os adultos antissionistas viam no Partido Democrata uma espécie de apaziguador – pelo menos –, face ao anti arabismo republicano, com Biden e Kamala, tudo se esfumou.

É com Biden e Kamala que o mundo assistiu a um inadmissível genocídio em directo. É sob uma administração democrata que os EUA embarcaram numa guerra em duas frentes, uma das quais sob um povo indefeso, e qual delas com as consequências mais imprevisíveis.

Kamala e o PD não conseguiram, desta forma, estabelecer uma diferença substancial para Trump e se alguém capitalizou voto, nesta matéria, terá sido mesmo a candidatura deste último. Pelo menos terá captado algum voto a que antes não teria tido acesso. O facto de defender o fim das guerras eternas e dizer que não quer guerra com o Irão, acabou por estabelecer uma diferença importante, também nesta matéria.

  1. A antipatia gerada pelas figuras que são hoje a cara do Partido Democrata

establishment estava convencido de que o povo norte-americano gostava de Hillary Clinton. Estava enganado. Hillary era “Killary” e não nutria simpatia alguma. Os mesmos estavam convencidos de Kamala não falharia. Bastaria colocá-la à frente de um teleponto e estava resolvido. Não era preciso falar muito, e pensar, menos ainda. Ninguém conseguiu capitalizar o que quer que fosse de positivo sobre Kamala. Das vezes que ficou sem teleponto, o improviso foi estarrecedor. A sua incapacidade oratória, retórica e teórica, foi tornada evidente.

Mas o facto de ser mulher, associado ao facto de ser “Brown”, não poderia falhar. A cartada tinha dado certo com Obama, porque haveria agora de falhar? Obama foi o genocida mais simpático da história. Enquanto fazia desfilar a sua enorme capacidade discursiva, encerrava crianças em jaulas na fronteira sul, ameaçava a Síria de invasão, criava condições para a entrada do Estado Islâmico na Síria e Iraque, destruía a Líbia e apoiava neonazis na Ucrânia.

Esta aposta numa figura inócua, apagada e incapaz não é nova e representa um enorme vazio de liderança real. Biden foi o último dos líderes da máquina democrata e norte-americana. Gente como Cornel West, Jill Stein, ou Bernie Sanders, foram impedidos, pelos grandes doadores, de dar voz às ansiedades populares de jovens e trabalhadores. Eis a “democracy” norte americana em toda a sua extensão.

  1. Capitalizar a antipatia pelo sistema e pelo estado de coisas

A precariedade da vida, a agrura das condições, a estagnação ideológica do sistema e o apagamento das luzes da alternativa, e com a estagnação, o apodrecimento e deterioração, associadas à ausência de alternativas, criam as contradições ideais para o surgimento de movimentos que defendem, mesmo que aparentemente apenas, a alternativa. É uma lei da vida. Se a água não for por um lado, vai pelo outro.

Contudo, o Partido Democrata, como os partidos social-democratas na Europa, foram controlados pelo neoliberalismo. A deterioração, durante os seus mandatos, dos serviços públicos tornou-se evidente, o que resultou numa desmoralização ideológica, não apenas da social-democracia, mas de todas as forças progressistas e democráticas consideradas moderadas. As radicais são persona non grata e estas deixaram de constituir uma diferença efectiva para as outras forças da direita.

Quando temos um Partido Democrata a defender a hegemonia e o globalismo neoliberal, um partido socialista ou social-democrata a defender a Europa neoliberal e o revisionismo histórico, aliando-se a neoliberais e neoconservadores, abre-se o espaço para o surgimento de aparências de alternativa à direita. A realidade nunca pára.

Trump, acaba a surgir como alternativa ao sistema que o constrói e de que se alimenta. E consegue-o porque o establishment transformou o sistema partidário ocidental num amplo campo de direita neoliberal e neoconservadora, em que desfilam figuras diferentes na aparência, mas iguais na substância, domadas pelas elites, apenas com o objectivo de manter a aparência de movimento democrático, quando, na prática, não existe.

Afinal, é JD Vance, Vice de Trump, quem aparece a opor-se às deslocalizações para México e China. Não deveriam ter sido os democratas a fazê-lo? Quando vemos Biden a aplicar tarifas, para que as marcas chinesas não entrem nos EUA, vale a pena perguntar se ele não se deveria ter lembrado de o fazer, com as empresas norte-americanas, que se deslocalizaram para América latina e Ásia. Porque foi o Partido Democrata conivente com a destruição da capacidade industrial dos EUA?

  1. O aborto e a preocupação com os vivos

Não foi apenas o aborto, bandeira capitalizável numa sociedade reaccionária e muito religiosa. Não vale a pena as Kamalas do mundo virem dizer que, a um Trumpista, ou republicano tradicional, importam mais os fetos humanos do que a vida dos seres já nascidos, se depois mantêm os salários congelados durante mais de 40 anos, deixam a riqueza voltar a concentrar-se, ao nível do que acontecia nos anos 30 do século XX, não criam uma rede de cresces gratuitas, não apoiam a constituição de famílias e a natalidade, e por aí fora. O seu discurso é contraditório com o que fazem na realidade.

Onde está a moral para defender o aborto numa situação destas? Mesmo que exista, ela é muito condicionada pelo insucesso das políticas sociais do PD. Como dizer que o aborto é defensável como último recurso, quando se é responsável direto por não criar condições de apoio à natalidade, que tornam esse “ultimo recurso”, no primeiro dos recursos?

  1. A defesa da “normalidade”

A ligação do Wokismo (identitarismo) neoliberal à esquerda, e da propaganda LGBTQ aos movimentos da esquerda, é culpa também do Partido Democrata e dos partidos social-democratas que deixaram cair o universalismo, passando a apostar na atomização da identidade e na liberalização do género.

Passam a escolher-se mulheres, homossexuais, latinos, negros, trans, apenas por o serem e não por aquilo que são. Escolher um homossexual incapaz, apenas porque o é, constitui um enorme desserviço para o movimento homo, escolher uma mulher incapaz, apenas porque o é, é um desserviço para a causa das mulheres. Uma Von Der Leyen, sendo mulher, perpetua a guerra. Um Rangel (Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal), sendo homossexual, perpetua a guerra. O que ganha o povo com isto?

Usado como bandeira oportunista, o wokismo atomiza a identidade, atomiza a sociedade. A propaganda woke é usada como bandeira política e sinal de sofisticação e liberdade mental, contudo, o efeito da mesma é o de transmitir à sociedade que a sua “normalidade” está em causa. Podemos questionar se a “normalidade” comporta ou não outras identidades, mas sempre como parte de um conjunto, naturalmente. O sistema apenas deve garantir que, escolha o que se escolha, com naturalidade, se tenha direito ás mesmas condições de vida que os demais.

Ao invés, o Partido Democrata deixou apanhar-se pela ideia de que o mais importante é podermos afirmar a nossa identidade e até fazê-lo com afronta e panfletarismo. O que importa é poderes escolher ser trans, homo ou não binário, embora possas ter de viver na rua e sem emprego. Trata-se de uma inversão das prioridades. O que garante a liberdade na escolha da identidade são as condições universais básicas necessárias à sobrevivência. E não o contrário. Defender a primeira, secundarizando as segundas, transmite uma mensagem da subversão das coisas, o que destrói a aparência de normalidade e a ideia de estabilidade social. Provocando a reacção.

Wokismo consiste numa liberalização da identidade e da possibilidade de escolha individual, em desconexão com a sua existência material. Trata-se, por isso, de um individualismo, divisivo, de um idealismo. O Partido Democrata nunca deveria embarcar num idealismo.

Ao fazê-lo, permitiu a Trump que se vendesse como o garante da normalidade. A extrema-direita vende-se como garante da normalidade!

  1. O erro da cartada Zelensky contra Trump

A associação de Trump a Putin e à Rússia visava capitalizar uma russofobia que nunca pegou realmente, a não ser nos que se alimentam e vivem do establishment. Ontem na Geórgia, Putin voltou à cena. Supostamente teriam vindo ameaças de bomba da Rússia. Já ninguém acredita nisto e os resultados na Geórgia demonstram uma certa e crescente imunidade popular aos golpes da imprensa corporativa.

A verdade é que já poucos acreditam em Zelensky e ainda menos conseguem ouvi-lo falar. Em total desconexão com o sentir popular, acreditaram que colocar Trump contra Zelensky, afectaria Trump. Ao contrário, deu a certeza, a muitos que duvidavam de que Trump acabaria com a guerra, de que esse era o voto certo.

Como o povo Ucraniano, também nós, ocidentais, estamos fartos desta guerra.

  1. O descrédito da Imprensa Mainstream

Toda a imprensa mainstream ocidental, mesmo a alinhada com o Partido Republicano (nos EUA têm de declarar o enviesamento partidário), fazia força por Kamala. Kamala tinha os falcões do seu lado.

A derrota da Kamala é a derrota da Imprensa corporativa. A derrota de Kamala é a derrota das narrativas encomendadas por Wall Street, Pentágono, CIA ou Casa Branca. Hoje, nos EUA, de acordo com a Gallup, já existem mais norte-americanos que não acreditam, de todo, na média mainstream, do que os que acreditam alguma coisa nela.

Trump usou isso de forma exaustiva. Da pós-verdade do primeiro mandato, ao descrédito total no segundo, Trump venceu a Imprensa Mainstream. Já Elon Musk e o seu Twitter desempenharam aqui um papel fundamental. O Twitter foi a força propagandística online de Trump. Nenhum ser deveria ter tanto poder como Musk, mas um dos responsáveis pela fabricação destes poderes “neofeudais” é o próprio Partido Democrata.

Em conclusão:

A derrota de Kamala é, assim, a vitória da demagogia política, do messianismo providencialista e do Supremacismo, do qual o Partido Democrata não se libertou e o qual também contribuiu para normalizar, permitindo a Trump ganhar, apesar dele, e da forma exacerbada como o defende. O Partido Democrata nunca o poderia desmontar na sua essência, pois os democratas também defendem a “liderança americana”, a “nação indispensável”, todos os slogans triunfalistas e neocolonialistas da elite estado-unidense, fabricados durante Clinton.

A vitória de Trump é a derrota das empresas de sondagens, denunciadas como instrumentos de construção de resultados, da democracia entendida com um sistema superior em que pessoas informadas e conscientes, fazem escolhas conscientes, de acordo com programas discutidos, reflectidos e debatidos.

O desfile de apoiantes de Trump sem o mínimo de decência política, intelectual ou ideológica, ou o desfile de apoiantes de Kamala sem a mínima capacidade de transmitir ideias, num e noutro caso, apenas chamados à ribalta em função da sua popularidade, constitui um dos tristes episódios deste decadente espectáculo circense, a que chamam eleições nos EUA.

Por fim, Kamala, desta feita, impediu, com a sua desinteligência, o Partido Democrata de capitalizar: os votos relacionados com a limitação do uso de armas, pois apresentou-se como alguém que as usa, falando disso com orgulho, o que não deixará de ter chocado muito boa gente; os votos dos migrantes e descendentes de migrantes, preocupados com a agressão constante, pelos EUA, aos seus países de origem (caso dos Chineses, Iranianos, Cubanos, Árabes e muitos outros); os votos pró-palestinianos e muitos votos das classes trabalhadoras.

Falhou em estabelecer uma diferença real para a política de Trump e, assim, ou provocou a desmobilização dos seus apoiantes e, pelos factores que referi, a deslocação de muitos para a outra candidatura. O peso das questões internacionais pode não ser muito grande, mas por elas vemos que pouco distancia Kamala de Trump. O que é inaceitável, em democracia.

No final a conclusão só pode ser uma: ganhasse quem ganhasse, o povo norte-americano perderia sempre. Votar em Trump para resolver os problemas das condições de vida das massas trabalhadoras norte-americanas é como deixar alguém no deserto, porque esse alguém está com sede!

Vejam lá o deserto estamos enfiados!

Fonte aqui.


11 pensamentos sobre “Trump, um produto da falência moral do partido democrata

  1. Com a globalização, o capital deixou de ter pátria, passou a deslocar-se para onde mais facilmente se pudesse multiplicar, em particular para o extremo-oriente, onde mão de obra barata não faltava. Como consequência, fábricas fecharam nos EUA, lançando no desemprego milhares de trabalhadores, assim como levaram à falência pequenos e médios empresários fornecedores de componentes para essas mesmas fábricas, cavando-se, por via disso, um fosso cada vez maior entre americanos, com uma minoria cada vez mais rica, beneficiária dessa globalização e uma maioria cada vez mais empobrecida. Depois, não há só cosmopolitas cidades como S. Francisco ou Nova Iorque, há todo um interior americano, conservador, religioso, pouco dado a wokismos. Ora, Trump, que será tudo menos bronco, ao contrário do que, porventura, se possa pensar, ou não fosse um homem de negócios, soube fazer uma radiografia dos EUA e explorar convenientemente aquilo que ela mostrava!

  2. Claro, só a borregada que se dá ao trabalho de votar num ou noutro e que acha que há diferenças e que a sua vida vai melhorar.
    Enquanto houver amigos de Wall Street no poder só vai piorar. Mas quem explica isto a esta cambada de borregos?

  3. Pouco antes de conhecida a vitória de Trump e do trumpismo (seja lá o que isso for), o CEO da maior empresa gestora de fundos do mundo, a Black Rock, declarou com toda a calma e convicção que, ganhe quem ganhar, isso é indiferente, pois qualquer dos dois candidatos é amigo de Wall St., significando que o sistema come daquilo tudo ao pequeno almoço.

  4. Sim, de louca essa gente não tem nada. Alias, os psiquiatras fazem uma distinção entre as doenças mentais designadas popularmente por “loucura” e a psicopatia que e a ausência total de sentir empatia pelo sofrimento alheio e de não se importar de causar sofrimento desde que os seus fins sejam atingidos.
    A mesma psicopatia que levou os adeptos do Maccabi Tel Aviv a furar um minuto de silêncio por vítimas de uma catástrofe natural de proporções bíblicas para cantar a morte dos seus inimigos.
    Em sim, trata se de uma falta cronica de vergonha no focinho.
    A mesma que também leva o Infarmed a dizer que as vacinas COVID são eficazes e seguras dando a entender que quem diz que se viu a meio caminho da porta da morte por causa daquilo ou perdeu familiares por causa daquilo esta insano.
    O que não falta por aí e psicopatia e nós sim, vamos tentando manter um pouco de sanidade no meio disto tudo.
    E quem nos chama insanos pode ir ver se o mar da um belo cardume de tubarões brancos famintos.

  5. E outra gente preferiu de certeza não sair de casa para votar nem num nem noutro. Teria sido essa a minha escolha quando Trump se opos a Killary e seria a mesma agora que a baleia fora de água se opos ao bandalho que se gabou que o seu país tem a força armada mais letal do mundo.

  6. 85.500 toneladas de bombas cairam sobre Gaza. 85500 toneladas de bombas sobre um território pouco maior que o concelho de Sintra.
    Mais bombas do que durante toda a Segunda Guerra Mundial.
    O que espanta nestes números e que ainda haja gente viva em Gaza.
    No Líbano caíram toneladas de bombas e aquela canalha não respeita nada. Igrejas cristas teem sido destruídas provando que os muçulmanos não são os únicos alvos de uma gente fanática e messiânica.
    Atacaram o Irão gabando se de ter causado estragos que ninguém viu e que não causaram porque a defesa aerea iraniana funciona.
    Nunca saberemos quais eram os alvos pretendidos mas tendo em conta a vertente assassina não duvido que as centrais nucleares estivessem entre os alvos. O que causaria uma catástrofe de proporções bíblicas.
    No meio disto tudo, de mais de um ano de massacres, os bandalhos democratas não fizeram mais que mandar meios para garantir que Israel faria todo o seu trabalho com todo o sossego e dar lhes todas as armas de que necessitavam para o fazer.
    E se ao menos calassem a boca. Mas desde o senil presidente a dizer que era cristão sionista, ate a perseguição sem do nem piedade dos que se ergueram contra o genocídio, acusando tudo e todos do malfadado antissemitismo, a defesa estafada do direito de Israel a defender se temos ouvido e visto de tudo.
    Ora, se Trump promete simplesmente acelerar mas em contrapartida promete acabar com uma guerra que estamos todos fartos de financiar, a da Ucrânia, claro que muita gente preferiu votar em Trump.
    Os estado unidenses caíram nas garras da extrema direita também porque estão fartos de pagar ao regime criminoso de Kiev.
    Herr Zelensky está a contribuir para matar as nossas democracias e talvez a Alemanha seja a próxima vítima.
    Mas esta cambada na Europa continua a manifestar o seu apoio suicida a um regime nazi e não há meio de acordarem.
    No meio disto tudo temos uma claque de futebol canalha que não achou melhor que furar um minuto de silêncio pelas vítimas de Valência e desatar a cantar morte aos árabes.
    A saída levaram no focinho e andamos todos a gritar antissemitismo. Não, tratou se só de canalhas a levar nas trombas.
    Canalhas sem um mínimo de respeito pelas vidas acabadas tanto as árabes como as ibéricas.
    Continuem assim e acabaremos todos nas garras dos nossos próprios Trumps.
    Mas talvez seja mesmo isso que se quer.

  7. Chapéu.
    Já agora, o wokismo continua lá todo, mas em vez de ser em tons escuros e pós-modernos, é em tons colarinhos e à antiga.
    De outra forma não poderia ser, as condições materiais e a propriedade dos meios de produção – incluindo produção de (des)informação – continuam no controlo de quem (afinal) os controlou até aqui. Simplesmente as narrativas se adaptam consoante é útil (ou não) apelar a este ou aquele “wokismo” (volkismo)…

    • Vou aqui deixar um exemplo (ou mais) da hipocrisia da comunicação social de hoje, que se repercute quer na “mainstream mídia” quer nas “social networks”.

      Situação a) wokistas derrubam estátuas de esclavagistas e confederados defensores da escravatura

      Reacção: ai, ai, ai, “cancel culture” (cultura de cancelamento), estão a reescrever a História, bandidos, criminosos, vândalos (a esquerda fica encolhida e desarmada, alguns esboçam um argumento defensivo ou até revolucionário, tímida e isoladamente, são cascados até se reduzirem à sua insignificância

      Situação b) neonazis e “patriotas” ucranianos e dos países bálticos e de leste derrubam estátuas do período soviético evocativas da libertação e vitória sobre os nazis

      Reacção: gri-gri-gri (nenhuma, quem é que se vai chatear com isso? Da extrema-direita à extrema-esquerda…) Mais a mais, “eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”. Veja-se que aqui já não há cultura de cancelamento, banditismo, vandalismo, actos criminosos…

      Agora pensem… com que linhas se coZem… com estas eu não me coSo, certamente.
      Eles, e a sua propaganda hedionda, nunca me irão obrigar a pensar nos mesmos moldes “lobotómicos” com que querem modelar e parametrizar a consciência HUMANA das sociedades que controlam.

      (E mais exemplos explosivos e evidentes poderia dar destas dicotomias entre ideologia, teoria e praxis política e comunicacional. Exemplo: porque ninguém fala da cultura de cancelamento da canábis (agora descriminalizada em vários estados), mas é promovida a “canábis medicinal”, desde que com selo de produção industrial “controlada” (detida pelos corporativistas e impolutos grande parte)? Os anglo-saxões que perseguem a cultura da canábis não são os mesmos que fomentaram e enriqueceram com o consumo de opiáceos na China (Guerras do Ópio)? Os opiáceos, quando dão lucros, incluindo os processados e vendidos em produtos farmacêuticos, já não são para cancelar?)

      Se alguma vez virem a extrema-direita (e restantes avençados derivados e subalternos) tocar nestas questões, então podem ter a certeza que vos querem endrominar. O Elon Musk até já disse que “bem antes de 2030 vamos ter uma Missão Tripulada para Marte”… eu penso que ele devia capitanear a missa(ão)…

    • * neonazis e “patriotas” ucranianos e dos países bálticos e de leste = “volkistas”
      Nestas situações, além do gri-gri-gri, os mesmos “puristas” que se indignam com a “cancel culture” de esclavagistas e suas doutrinas de supremacia rácica, e os seus subalternos, até aplaudem e incitam ao derrube de todos os monumentos e edifícios que evoquem a vitória soviética sobre o nazismo, com todos os seus feitos pela libertação dos povos e dos prisioneiros dos campos de concentração (tão elogiados por José Rodrigues dos Santos) oprimidos pelo Supremacismo que advogam!

      Se isto não é insanidade, não sei o que será! Os volkistas são mais parecidos com os novos wokistas do que julgam!

      • Não é insanidade, não senhor, é falta de vergonha, descaramento e fé inabalável no soninho tranquilo e confiante dos borregos. Fé inabalável e plenamente justificada, desgraçadamente. Slava borreguini!

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