António Guterres tinha razão, mas não disse tudo

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 17/10/2024)

Israel nunca teve intenções de reconhecer um Estado palestiniano e a “comunidade internacional” nunca pressionou Telavive a fazê-lo. Mas ninguém se atreveu a criticá-lo com receio de represálias ou de ser mal visto por Washington.


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Numa reunião especial do Conselho de Segurança sobre a crise no Médio Oriente, o Secretário-geral da ONU António Guterres afirmou o óbvio: o evento de 7 de outubro de 2023 não aconteceu no vácuo. A declaração motivou uma reação descabida do embaixador de Israel nas Nações Unidas clamando pela sua resignação. A circunstância do cargo que ocupa impediu-o de ir muito mais longe no comentário.

No entanto, Guterres disse ainda que “o povo palestino foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante”, e que “as queixas do povo palestino não podem justificar os terríveis ataques do Hamas. E, esses ataques terríveis, não podem justificar a punição coletiva do povo palestiniano”. Apesar destas importantes observações, não explicou as causas profundas do ataque do Hamas.

Há duas causas do 7 de outubro: uma afastada e outra próxima. A afastada relaciona-se com as atrocidades e o sofrimento causado pelos sionistas ao povo palestino durante décadas, nas quais se inclui o êxodo de mais de 700 mil árabes palestinos (Nakba) das terras de Israel, em 1948; e a próxima prende-se com o incumprimento dos Acordos de Oslo.

Sem elaborar extensivamente sobre a primeira – em que muitos acontecimentos tiveram impacto direto no presente – e sem a pretensão de fazer um varrimento histórico profundo, não se pode esquecer o massacre de Sabra e Chatila, perpetrado sob a supervisão de Ariel Sharon, mais tarde primeiro-ministro de Israel, e de todos os que o procederam. A marcha da morte de Lídia e os massacres de Deir Yassim, Kafr Kassem, Quiba, Jan Yunis, etc., para mencionar apenas alguns.

Quando se fala de terrorismo na região, não se pode deixar de fazer um regresso ao passado e à génese terrorista do Estado de Israel, começando em 1920 pelas organizações terroristas paramilitares como a Irgun, a Lehi, a Haganah e a Palmach, que em 1948 se fundiram para criar as IDF – Israel Defense Forces.

Menachem Begin, primeiro-ministro de Israel em mais do que um mandato, foi o chefe do Irgun e responsável pelo ataque terrorista ao Hotel King David, onde morreram mais de 92 pessoas, britânicos na sua maioria. Begin foi denunciado por um grupo de intelectuais judeus, entre eles nomes como Albert Einstein e Hannah Arendt, numa carta aberta publicada pelo “New York Times“, no dia 4 de dezembro de 1948, quando visitou os EUA, em que condenavam abertamente o partido político por si fundado – o “Partido da Liberdade” (Tnuat Haherut) – de ser “um partido político muito semelhante, na sua organização, métodos, filosofia política e apelo social, aos partidos nazi e fascista.”

Por seu lado, Yitzhak Shamir, também primeiro-ministro de Israel, foi dirigente da Lehi e responsável pelo assassínio do diplomata sueco Folke Bernardotte, enviado das Nações Unidas para a implementação da partição territorial da Palestina, tendo sido o Estado de Israel condenado internacionalmente. Ficaremos por aqui, sem deixar de sublinhar a relevância destes factos para melhor se entender o presente.

Passando à causa próxima. Em 1993, em Oslo, a OLP renunciou à luta armada e reconheceu a existência do Estado de Israel. Nas negociações em 2000, para concretizar o Acordo de Oslo, o então primeiro-ministro Ehud Barak apenas reconheceu a Autoridade Palestiniana (AP), mas não reconheceu a existência de um Estado palestino. Telavive fez tudo o que lhe estava ao alcance para inviabilizar a sua existência.

Com as suas ações, Israel foi corroendo e deslegitimando com sucesso a AP ao ponto de esta deixar de ser um ator credível aos olhos dos próprios palestinos, gerando a sua ineficácia espaço para a emergência e afirmação de outros grupos e grupelhos radicais, que ao não reconhecerem a existência do Estado judaico se tornaram de grande utilidade para Israel.

Quando lhe foi conveniente, Netanyahu apoiou o Hamas e serviu-se da sua aparente cegueira política. Dava-lhe jeito um Hamas forte e sectário para isolar internacionalmente a causa palestina. Por isso, durante muitos anos, as viaturas das IDF escoltaram malas carregadas de dólares, que chegavam ao aeroporto de Ben Gurion provenientes do Catar, até à Faixa de Gaza, onde eram transferidas para o Hamas (embora a transferência não fosse feita direta e automaticamente).

Também por isso, não se pode deixar de estranhar que a organização conhecedora da localização de toda a estrutura superior do Hezbollah, quando e onde se reuniam, não soubesse o que se estava a passar na Faixa de Gaza, em particular, a preparação do Hamas para um ataque a Israel, para o qual se treinavam às claras. Telavive terá sido informada e nada fez para o contrariar. A ser verdade, o Hamas poderá ter aparentemente caído numa cilada.

Em vez de fazer acontecer Oslo, a “comunidade internacional” assobiou para o ar, fingindo estar tudo bem em Gaza e na Cisjordânia. Independentemente do que Israel estivesse a fazer, o importante era que os palestinos não reivindicassem. A conjugação de uma AP mansa, ineficaz, corrupta e geriátrica, sem dar resposta aos problemas do povo – muito conveniente para Israel -, com a expansão sistemática dos colonatos e as humilhações diárias e permanentes gerou a revolta e o aparecimento de grupos como o Hamas, que vieram ocupar o espaço de contestação deixado vazio pela AP.

Afinal, a opção estratégica da OLP se transformar num movimento político e abandonar a luta armada não se traduziu em benefícios para a causa palestina, nos trinta anos que nos separam dos acordos de Oslo (1993) e nos 24 anos da Cimeira de Camp David (2000). A sua colaboração e o seu bom comportamento não foram recompensados.

Pelo contrário, durante a vigência da domesticada AP, o movimento palestino só averbou derrotas, e os progressos na direção do estabelecimento de um Estado foram pírricos. Paulatinamente, Israel ia consolidando o seu projeto de uma Grande Israel, em particular na Cisjordânia, apesar de ter tido de devolver o deserto do Sinai ao Egipto, conquistado na guerra do Yom Kippur.

Foi o sentimento de impotência e injustiça sentidos pelas massas palestinas, que não se sentiam politicamente representadas pela AP, que deu força a quem pensasse ser o regresso à luta armada o único método de alterar o rumo dos acontecimentos. Tinha-se tornado evidente ser inviável construir um Estado palestino apenas através da diplomacia e da luta política.

Oslo não só não falhou em criar um Estado palestino como criou as condições para Israel se expandir e prosperar como nunca na Cisjordânia. Netanyahu mostrava nas Nações Unidas, a quem quisesse ver, sem qualquer pudor e reparo, um mapa de Israel em que a Cisjordânia e Gaza não apareciam. Ninguém parecia importar-se com o problema palestino, que caminhava a passos largos para a irrelevância histórica. No dia 6 de outubro, a causa palestina estava moribunda, quase morta. A normalização das relações com os países do Golfo estava em curso. Teria sido a derrota definitiva se a Arábia Saudita tivesse aderido a esse processo. Israel esteve à beira da vitória.

Mas a resposta selvagem de Telavive em Gaza, onde já pereceram mais de 42 mil almas, na data em que este texto foi escrito, veio reverter desajeitadamente décadas de energias e de esforço para convencer os Estados do Golfo de que a criação de um Estado palestino não podia mais vetar as relações entre Israel e o mundo árabe e islâmico. Veio ressuscitar das catacumbas a causa palestina tornando-a no assunto número um da luta pelos Direitos Humanos a nível mundial. Não só se encontra agora no topo da agenda da justiça internacional, como ganhou uma dinâmica imparável. Os casos em curso no Tribunal Penal Internacional e no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, tornaram-se num movimento sem precedentes no passado recente.

Israel encontra-se agora mais isolado internacionalmente do que nunca na sua história. Como disse David Hearst, “esta guerra despojou Israel da sua imagem de um sionismo liberal”, mostrando a sua verdadeira face de um sionista fascista. “A imagem de Israel de um jovem duro tentando defender-se da sua vizinhança deu lugar à de um ogre regional sem qualquer bússola moral.”

É inegável e sobejamente conhecido o projeto messiânico de uma Grande Israel com o sul do Líbano, Gaza e Cisjordânia incluídas, que Netanyahu ambiciona construir. Israel nunca teve intenções de reconhecer um Estado palestiniano e a “comunidade internacional” nunca pressionou Telavive a fazê-lo. Mas ninguém se atreveu a criticá-lo com receio de represálias ou de ser mal visto por Washington. Se tivesse sido criado um Estado palestino, cinco anos após a assinatura dos Acordos de Oslo, seguramente que não existiriam hoje movimentos como o Hamas. Como também não teria sido criado o Hezbollah, se as forças de Israel não tivessem cometido as chacinas e a matança de libaneses, aquando da ocupação do Líbano, em 1982.

As grandes potências, umas mais de que outras, transformaram a AP numa entidade rentista, mantida em estado vegetativo, em troca do seu silêncio, até à extinção da sua razão de ser. Mas Yahya Sinwar e o 7 de outubro vieram estragar o plano.

13 pensamentos sobre “António Guterres tinha razão, mas não disse tudo

  1. Não são só décadas de ocupação.sao décadas de roubo, de violações, de assassinatos, de torturas, de violência extrema, de tratamento cruel e desumanizador.
    Também cresci numa zona onde havia muita violência policial.
    Tínhamos medo da polícia e sabíamos que não era seguro sair de casa a noite, muito menos se não estivéssemos munidos do bilhete de identidade ou
    tivéssemos um ar desleixado que nos pudesse fazer ser confundidos com um “drogado”.
    Alias, no caso de ser desleixado nem os dias eram seguros.
    Mas o mais que nos podia acontecer era sermos levados para a esquadra e levar uma caldeirada. Na pior das hipóteses era um braço ou umas costelas partidas, a cara feita num bolo.
    Não havia mortes. Bem, houve uma mulher morta numa viatura em fuga mas isso até foi a GNR.
    Mas enfim, sabíamos que se nos mantivéssemos com umas certas regras a nossa integridade física estava garantida.
    Não convinha era andar muito próximo das imediações da esquadra e ter cuidado com as patrulhas que não eram muitas. O Inverno era frio e os verões eram quentes.
    Mas seguindo algumas regras estávamos seguros.
    Mesmo assim, para os jovens, o ambiente tinha algo de sufocante.
    Agora não me consigo imaginar a viver com soldadesca cruel e bárbara a cada esquina. A saber que a minha vida para eles não valia nada. Que os meus filhos podiam ser mortos a tiro a caminho da escola.
    Que eu podia ser parado num controle várias vezes por dia e sofrer humilhações em todas elas, que podia ser morto se o soldado estivesse para aí virado.
    Que a minha casa poderia ser destruída a buldozes, o meu campo roubado, a minha cisterna de água destruída.
    Perante a crueldade e o desprezo israelita pela vida os palestinianos vivem como nos campos de concentração nazistas. Não há nenhuma regra que possam seguir que lhes garanta chegar vivos ao fim do dia. Ou sem terem sido espancados ou levados para prisões horrendas onde podem apodrecer anos sem culpa formada e morrer na maior das misérias.
    E por isso, e não por acreditarem que teem virgens a sua espera na outra vida que alguns aceitam imolar se desde que levem com eles alguns assassinos.
    Alguns desses ataques desesperados foram protagonizados por mulheres. De que virgens estavam a espera.
    Uma que matou 21 num café era formada em Direito e certamente não seria lésbica. Mas um mês antes tinha visto um irmão ser morto sem motivo algum pela soldadesca.
    Todos os dias agradeço por não ter nascido nas proximidades de Israel.
    E lamento viver num país onde há tantos comentadeiros desbocados que absolvem Israel e atiram pedras as suas vítimas. Gente que a esta hora não seria viva.
    Gente que devia ir ver se o mar da tubarão branco faminto.

  2. Nunca ninguém tem toda a razão nem diz tudo.
    Não se deve é pretender que se tem toda a razão e se diz tudo quando se diz apenas o que convém.

    • Que é o que os políticos actuais passam a vida a dizer para as suas clientelas, eleitorado e restantes eleitores potenciais. Presumindo-se como guias da vontade do povo, e até os seus pastores e guardadores (de sonhos e ilusões, e pesadelos).

  3. Your analysis of António Guterres’ remarks and the complexities surrounding the Israeli-Palestinian conflict is thought-provoking. You raise important historical contexts that often get overlooked in discussions about the current situation. The impact of decades of occupation, the failure of peace processes like the Oslo Accords, and the rise of groups like Hamas are critical to understanding the dynamics at play.

    The point about Israel’s actions resurrecting the Palestinian cause on the global stage is particularly striking. It illustrates how geopolitical events can shift perceptions and priorities, often in unexpected ways. Your insights into the implications of these developments for international relations and human rights are very relevant, especially as the world watches closely. Thank you for sharing such a comprehensive perspective!

    Read my new blog post. Wishing you a happy weekend.

  4. Se bem me lembro…a Frelimo, o MPLA ou o PAIGC também eram «terroristas». A História, ao contrário do prognosticado por um Fukuyama, ainda não terá chegado ao fim!

  5. Mais um excelente texto que prima pela abrangência e contextualização objectiva dos principais acontecimentos. Gostaria ainda assim, de acrescentar um ou outro aspecto que creio, convém salientar. A totalidade dos media corporativos mainstream tem sempre martelado ininterruptamente ser o Hamas uma organização terrorista. Podemos admitir que tem um braço armado que o seja, muito embora seja tb uma organização dedicada a outras actividades de carácter social, decisivas para as populações abrangidas. Mas esse não é o ponto. O essencial é constatar (nunca ninguém vergonhosamente o faz) que o governo sionista é sim a mais importante entidade terrorista no M.Oriente. É um terrorismo de estado com a agravante de o aparelho de comando estar inteiramente capturado pelos mais terríveis fanáticos do sionismo/nazismo. Assim sendo, o terrorismo de vão de escada do Hamas e outros grupos análogos não passa de uma brincadeira de crianças em comparação com a tremenda capacidade armamentista da IDF. Certamente, as actividades de todos esses grupos juntos nada têm a ver com a dimensão dos massacres, torturas, opressão, roubo de terras, destruição e esmagamento do povo palestino e vizinhos por parte do monstro sionista. A situação é grandemente agravada pela total protecção e ajuda que o império anglo-americano se mostra empenhado em realizar, por mais macabros que sejam os crimes perpetrados pela entidade sionista. Logo, quem fala de terrorismo e não refere o abrangente terrorismo sionista, está a fazer um exercício de total hipocrisia que só desqualifica e descredibiliza todo o Ocidente, incluindo Portugal, obviamente. Basta ver como os lambe-botas do império de apressam a inventar cada vez mais sanções contra a Rússia e nem sequer aludem a sanções contra Israel. Se Putin fizesse uma pequena fracção do que faz Bibi, iam chamar-lhe o quê? Democrata em vez de carniceiro?

  6. Que no caso do estado nazionista o sonho antigo de extermínio e partilhado não só pelo cão raivoso que os lidera mas por mais de 90 por cento da população e judeus da diáspora. E a meia dúzia de gente decente são tão irrelevantes como foram os alemães decentes na Alemanha nazi. Não impediram crime nenhum tal como estes não impedem nada.
    Havendo por detrás uma religião supremacista muito dificilmente a decência e o respeito pelo outro podera florescer.
    Só uma ideia de que somos todos iguais na nossa humanidade podera acabar com mentalidades genocidas.
    De uma religião supremacista nunca sairá nada de bom deiamos as voltas que dermos.

  7. E o que ninguém ainda disse e que mais de metade das vítimas do ataque do Hamas que serve a tudo quanto e traste para justificar o genocídio em curso foi resultante da aplicação por parte do exército sionista da infame doutrina Hannibal, que prevê que se alguém cair em poder do inimigo melhor é que morra.
    Essa doutrina que supostamente seria só aplicável a militares foi impiedosamente aplicada a civis. Helicópteros Hellfire incineraram tudo onde pudessem estar combatentes palestinianos.
    O genocídio estava já em andamento, centenas de pessoas tinham sido mortas na Cisjordania e a vida em Gaza estava a ser tornada insustentável.
    Quanto mais gente morresse mais pretextos havia para carregar no acelerador cumprindo um sonho antigo de um assassino infame que há décadas escarra ódio.
    Por isso tratou se de causar o maior número de mortes possível.
    Mas assim temos trastes como ate gente que se diz de esquerda a falar dos ” terríveis e injustificados” atentados do Hamas abrindo assim a porta para a justificação da atrocidade que esta em curso.
    O senil Biden veio dizer que estarão sempre do lado de Israel. Vá para o diabo que o carregue de uma vez pois já sabemos que eles estarão sempre do lado dos assassinos quem quer que lá ganhe as eleições. Isso não e novidade, novidade seria alguém do Ocidente dizer que tinha ganho vergonha no focinho e deixado de apoiar supremacistas, assassinos e genocidas.
    Já agora, Hannibal foi o general cartaginês que decidiu suicidar se em vez de cair em poder dos romanos. Mais uma vez se vai buscar uma inspiração antiga por parte de uma nação que continua tão cruel como há milénios mas que insistimos em dizer que vive neste século.
    Vão ver se o mar da megalodonte, tubarão branco faminto, peixe balão, enguias eléctrica e caravela portuguesa.

  8. Poder-se-á não se concordar com tudo o que Carlos Branco escreveu, mas, mesmo assim, nos tempos que correm, onde não falta gente «curvada», é preciso coragem, há que reconhecê-lo, para se expor muitas verdades no seu teu texto contidas e não raro omitidas no discurso público!
    De resto, se como Lenine já dizia, há que saber-se, quando em função da relação de forças em presença, dar-se um passo atrás para, depois, se conseguirem dar dois em frente, não será que, em tempo de novas e mais sofisticas censuras, para se conseguir fazer passar certas verdades, se terá, aparentemente, de se mostrar «condescendente» com outras?

  9. Belo nome Carlos e Marques, sim senhor.
    Para além de anti-liberal também acho que a democracia, sem aspas, sempre teve este lado reaccionário original (tirando evidentemente algumas conquistas civilizacionais que se contam pelos dedos) de um modo de fazer politica em proveito de uma classe exploradora.
    Eu também sou preto.

  10. “as queixas do povo palestino não podem justificar os terríveis ataques do Hamas. E, esses ataques terríveis, não podem justificar a punição coletiva do povo palestiniano”

    A primeira frase é uma mentira e uma violação da lei mundial. A segunda frase é um facto que ninguém respeita.

    Sim, as queixas (invasão, ocupação, roubo de casas e terra arável e água, ditadura racista i.e. apartheid, limpeza étnica constante, massacres frequentes, e genocídio lento tornado rápido desde 7-Outubro) justificam tudo o que o Hamas e o Hezbollah fizerem.
    Aliás, o tribunal da ONU, o ICJ (sigla inglesa para Tribunal Internacional de Justiça), assim decidiu: a resistência armada (i.e. violenta) contra o ocupante/agressor (o sionosta de “israel”) é legalmente justificada, é um direito humano, é direito internacional, está na Carta da ONU.

    Quanto à resposta dos nazi-sionistas ocidentais via projecto colonial racista (“israel”), tal como o ICJ decidiu, nada a justifica, nem assim nem assado. O “israel” é agressor, e o Palestiniano é o agredido. O agressor/invasor não pode usar a resistência como desculpa para agravar a sua agressão/invasão.
    Esta decisão é direito internacional, lei do mundo após tal decisão do ICJ ter transitado em julgado, como dizem os parolos dos advogados.

    Ou seja, o Hamas tem o direito legal de repetir um 7-Outubro sempre que puder, especialmente legítimo quando feito em território da Palestina ocupada que não fazia parte de “israel” no mapa desenhado em 1947.

    Ou seja, “israel” não pode entrar em Gaza nem na Cisjordânia e muito menos no Líbano, e já devia ter saído da Síria.

    Ou seja, todos os que repetem “começou no 7-Outubro-2023” estão a mentir e são ou vítimas da propaganda nazi-sionista genocida, ou fazem parte do “polvo” de corrupção civil (ex: presstitutas pagas para mentir e manipular) ou corrupção moral (ex: quem acredita piamente na colonização da Mesopotâmia por homens brancos ocidentais só porque são Judeus).

    Ou seja, estão a ser cometidos mais crimes contra a humanidade na Palestina ocupada diariamente, do que na soma de (a caminho de) 3 anos de guerra por procuração (dada a Nazis) da NATO (EUA+vassalos) contra a Rússia.

    Ou seja, andam à solta na “democracia” Liberal monstros comparáveis a Hitler. E nenhum deles alguma vez jamais será julgado como os outros fram em Nuremberga.

    Ou seja, se há alguém que merecia sanções, bloqueio, isolamento, e ser levado de volta à idade das cavernas, são os países que vendem e até dão armas para que se continue um GENOCÍDIO, onde 99% das vítimas são civis, e onde 70% dos corpos despedaçados são de mulheres e crianças.

    Ou seja, se alguém der um tiro no Biden ou na Kamala ou no Blinken e companhia, no Trump, no Starmer e no Boris e no Sunak e companhia, no Scholz e Baerbock, no Macron e na Meloni, na Leyen e no Stoltenberg e no Rutte, no Montenegro e Marcelo e Nuno Santos e companhia, e nas PRESStitutas que fazem a propaganda desses porcos assassinos, isso não é um crime. É justiça.

    E eu adoro quando a justiça acontece.

    Iato leva-me a outro ponto de discordância com o texto do Carlos Branco: quando ele cita alguém que chama “sionismo fascista” a isto, por oposição a um alegado “sionismo liberal” alegadamente benigno.

    Porra! É preciso ser surdo e cego (mas não mudo) para em 2024 não perceber que Nazismo e genocídio, supremacismo branco e violação impune de direitos humanos, colonialismo e fascismo, são a base ideológica real do LIBERALISMO.
    Todo o paleio sobre “liberdade e democracia” é propaganda para enganar tolos.
    Liberalismo é o que está a passar-se em Gaza, em Kiev, e se passou no Vietname, Belgrado, Benghazi, etc.

    Não existe uma diferença entre Nazismo e Liberalismo. Isto lembra-me uma notícia (omitida pelas PRESStitutas do nazi-sionismo genocida ocidentao) sobre o Canadá há uns dias: queriam fazer um monumento para lembrar/homenagear as “vítimas da Rússia Soviética”, mas quando foram ver os mais de 500 nomes que queriam homenagear, mais de 300 dessas “vítimas” eram oficiais nazis (até mesmo das SS).
    Quando a notícia/escândalo se espalhou no Canadá, a construção do monumento não foi cancelada, foi suspensa até de corrigir o “mero lapso”.

    Isto para lembrar que o Canadá é um dos líderes dos rankinga da “Liberdade”, da “Democracia”, do Liberalismo em geral.
    É exatamente o mesmo regime que teve o Parlamento em pé a aplaudir um velhote das SS e, quando a coisa se tornou viral, em vez de pedirem desculpa, em vez de se demitirem, chamaram as vozes anti-nazis de “propaganda do Putin”.

    Isto é o mesmo regime de todos os outros países do Ocidenre, a mesma ideologia de todos os “democratas” liberais, desde a direção do Bloco de Esquerda até ao Chega passando por todo o estrume pelo meio.

    Isto é a mesma UE que proíbe a celebração do Dia Da Vitória (veteranos da Segunda Guerra até foram detidos pela polícia na Letónia!), que compara o Comunismo ao Nazismo, que censura canais de notícias, que quer um “Ministério da Verdade” (tipo uma PIDE da UE/EUA), e que apoia descaradamente Nazis na Ucrânia (depois de passar décadas a apoiá-los às escondidas, ou a contratá-los para a máquina de terror da NATO).

    Isto é a ideologia da “democracia” Liberal.

    É só lembrar o seguinte: a tal da “Constituição dos EUA” que falava dos “homens iguais”, foi escrita durante a escravatura.
    Isto é a natureza dos regimea ocidentais, e infelizmente também de voa parte deste povo profundamente ignorante e racista, mas cheio de canudos universitários…

    O facto de alguns países colocarem mulheres, jovens, negras, e lgbt, à frente das câmaras e dos microfones, não muda a sua natureza. Apenas demonstra o quão maquiavélico o supremacismo branco se tornou.
    Mas a mim não me enganam. Estou vacinado contra a propaganda e manipulação. Sempre que vejo um Obama, sei que estou a olhar para um Hitler. E sempre que vejo uma Catherine Jean Pierre, sei que estou a olhar para o antigo homem branco que exterminou os nativos da América do Norte.

    O racismo não acabou no Ocidente. Algo muito pior aconteceu: os pretos, latinos, etc, assimilaram completamente a ideologia do seu opressor. Agora chamam-lhe “progressismo”.
    É por isso que quando vêem um corpo de um bebê despedaçado em Gaza, repetem o que há je em dia diriam também Hitler, Goebbels, Himmler ou Göring: nós é que somos o lado bom, os outros são todos maus, por isso matá-los é justificado, é a defesa da nossa raça…

    É isto o liberalismo. Nem mais, nem menos. É pior que o fascismo. Mas o que fazem estes nazi-sionistas genocidas no dia 25-Abril em Portugal? Colocam o cravo na lapela, e colocam-se de pé a aplaudir o discurso de um ditador nazi ucraniano que acha que glorificar os UcraNazis da antiga UPA/OUN e dos actuais Azov “é normal”, e isto está entre aspas porque é uma citação de Zelensly!
    O palhaço que os Liberais andaram a promover como o “campeão da democracia e da liberdade”.

    É isso que estas duas palavras significam realmente na boca desta gentalha: nazismo, guerra, imperialismo, opressão, racismo, supremacia branca, colonialismo, mentira, violação de direitos humanos, apartheid, massacres, invasões, tortura, terrorismo, sanções para provocar pobreza e fome, limpeza étnica, e um GENOCÍDIO em directo num campo de concentração com +2 milhões de pessoas, 70% dos quais mulheres e crianças.

    Por isso hoje digo com orgulho: sou anti-liberal. Aliás, sempre fui, mas não sabia. E mesmo tendo a pele branca, posso também dizer com orgulho que sou mais preto do que o Obama.

    PS: o Carlos Branco esqueceu-se também de dizer que o tal partido israelita que Einstein e Arendt compararam aos Nazis, deu mais tarde origem ao Likud de Netanyahu, um partido que entretanto ganhou práticas e ideologia bem pior que o original, e é o mais votado pelos “inocentes” daquele projecto colonial racista e fanático religioso. O “israel” é o JSIL (J substituindo a primeira letra do ISIL, sigla inglesa para “estado islâmico do iraque e do levante”) daquela região, tal como o jornalista do Greyzone uma vez disse: o Jewish State of Israel and the Levant.
    Mas como essa explicação demora muito, eu prefiro ser mais directo: o “israel” é uma ditadura colonial nazi-sionista exterminadora de mulheres e crianças.
    Ou, como os Liberais lhe chamam: “a única democracia do Médio Oriente”.

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