(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 09/06/2024)

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«Leituras para compreender a Europa em perigo» é o titulo de um artigo na Babelia, o suplemento cultural do El País (nenhum jornal português tem um suplemento cultural) — e começa com uma declaração do escritor Jean-Baptiste Andre, vencedor do último prémio Goncourt (em Portugal nenhum escritor, premiado ou não, é ouvido sobre o mundo que o cerca e que é matéria de reflexão nos seus romances) — diz o escritor: Estamos à beira de um regresso da extrema direita. Não deveria surpreendermos neste tempo que a História tende a repetir-se . A pergunta é, portanto, a de sabermos se é possível detê-la ou não.
A cerimónia dos 80 anos do desembarque na Normandia diz-nos que já estamos no reino da extrema-direita. Quer o nazismo quer o fascismo são interpretações do mundo que justificam o poder de um dado grupo. Assentam sempre numa interpretação da História, isto é, na reescrita da História de um povo ou de um grupo para o tornar virtuoso e com direito a impor a sua virtude a todos os outros. A extrema-direita assume-se senhora dos Valores, do Bem, da Verdade, da Superioridade. As Cruzadas, a Colonização, o Colonialismo são a materialização dessa mistificação que tem origem no conceito de Povo Eleito. O discurso do presidente americano Joe Biden, em 2024, em França, repete o discurso de Ronald Reagen há quarenta anos a 6 de Julho de 1984: A América a terra da Liberdade, da defesa da Liberdade contra a tirania. O direito da América intervir em qualquer parte e contra quem quer que seja para impor a Liberdade. A afirmação de que a América é a herdeira da Terra Prometida, que o modo de vida americano é a suprema aspiração dos povos. O Fim da História. Os Superiores têm o direito de impor os seus valores!
O novo machartismo
A “mensagem” da América como paraíso final justifica todas as intervenções. Mesmo que os “pastores” da religião americana levantem muralhas contra os que ali querem entrar. Quem não acreditar na “mensagem” é herege e está fora da ordem, da Igreja, do Povo Eleito. O sociedade da exclusão e do totalitarismo, que é a dos Estados Unidos, teve o seu ponto alto com a doutrina do Macarthismo — a prática de acusar alguém de subversão ou de traição. Um termo originalmente cunhado para descrever a campanha anticomunista promovida pelo senador republicano Joseph McCarthy, nos anos 50. O macarthismo serviu para acusar milhares de americanos de serem comunistas ou simpatizantes, que foram objetos de agressivas investigações e de inquéritos abertos pelo governo ou por indústrias privadas baseados em evidências inconclusivas e questionáveis. Muitos perderam os empregos e/ou tiveram as carreiras destruídas; alguns foram presos.
O machartismo teve a cumplicidade ativa de muitos fazedores de opinião, artistas e jornalistas — incluindo Reagan, um denunciante que chegou a Presidente! — que promoveram a histeria da verdade única e denunciaram aqueles que não seguiam os mandamentos, que não se incorporavam no rebanho. (Hoje basta abrir as Tvs e ver os macthartistas militantes).
Quarenta anos passados estamos de regresso ao machartismo. A Normandia foi um festival de radicalismo: nós e eles. O perigo está do lado de lá. Denunciemos e ataquemos. Não pensemos. Principalmente: não pensem, Não pensem que a Liberdade que o Ocidente — a Terra do Bem — defende é a Liberdade que só no século passado, em nome da Liberdade, manteve a segregação racial mesmo nos exércitos: nos Estados Unidos havia unidades brancas e negras e se as negras sofreram muito mais baixas, ainda assim foram impedidas de desfilar no dia da vitória em Paris, assim como as tropas africanas ao serviço da França, que ocuparam o sul, e que também não desfilaram. O racismo em nome da Liberdade. Os negros eram inferiores. Nos Estados Unidos as leis de segregação racial mantiveram-se até aos anos 60. Também em nome da Liberdade. E, em nome da Liberdade, os Estados Unidos apoiaram as ditaduras sulamericanas, no Brasil, na Argentina, na Bolívia, na Republica Dominicana, na Nicarágua, no Uruguai, no Chile, isto até aos anos 80. E também em nome da Liberdade dos povos e da democracia, os Estados Unidos e a Inglaterra derrubaram um presidente eleito na Pérsia e substituíram-no por um títere seu vassalo, o Xá Rheza Phalevi, e invadiram o Iraque e o Afeganistão e destruíram a Sérvia.
São estes conceitos de Liberdade e Democracia que fizeram de Zelenski a figura principal das celebrações do Dia D de 2024! O exemplo a seguir de marioneta que tem conseguido encobrir os neonazis verdadeiros executores da política da Ucrânia e da guerra em nome da Liberdade americana.
A Democracia e a Liberdade de Salazar para os americanos
A opção dos Estados Unidos por “democratas convenientes e talhados à medida”, de que Pinochet será o exemplo mais evidente, é antiga e tem sido continuada. Nós, os portugueses, quando ouvimos falar na defesa da Liberdade e Democracia devíamos ter alguém que nos recordasse a História. Após o final da Segunda Guerra, em 1947 ocorreu em Portugal a mais séria tentativa de implantação de uma democracia europeia com o golpe que ficou conhecido pela «Abrilada de 47», conduzida pelo general Marques Godinho e pelo doutor João Soares. O golpe abortou, o general acabou por morrer na prisão, porque os ingleses preferiram manter Salazar no poder do que correr o risco de, num futuro governo democrático puderem fazer parte comunistas, ou aparentados, mesmo que eleitos. E a defesa da liberdade e da democracia em Portugal, por parte dos ingleses e dos americanos também foi uma bela falácia com a entrada de Portugal como membro fundador da NATO ( a Aliança do Mundo Livre), apenas porque os Açores eram bases importantes para os democratas.
Os 80 anos do desembarque da Normandia mostraram a face mais hipócrita e radical dos que se assumem pastores universais e aspergem os povos com juras de Liberdade, como qualquer demagogo atiram confétis e rebuçados às crianças miseráveis. Sobre a Liberdade da Palestina é que nem uma palavra. Israel é um campeão desta Liberdade que foi aviltada na Normandia. A extrema direita estava lá. A questão não é detê-la, mas extirpá-la.
Anda tudo com medo da “extrema direita”, mas poucos percebem que a verdadeira extrema direita são os neoliberais que já nos desgovernam há décadas em Portugal e não união europeia (PS, PSD e seus filhotes)… A “extrema direita” é apenas um fantasma agitado pelos neoliberais para enganarem o povo e se perpetuarem no poder! Acordem!! Estes neoliberais têm de cair de vez…precisamos voltar a ser livres e a viver em democracia!
Até que enfim! Finalmente uma opinião sensata. Por enquanto apenas clamando no deserto. Mas pode ser um começo…
Não partilhando de modo estreito o pensamento do articulista, considero que os Estado Unidos procuraram assumir uma função de polícia anti-comunista do mundo, a qual evoluíu para a de polícia contra o mundo, comunista ou não, aliados aos inefáveis “povos de língua inglesa” tão queridos a Winsdton Churcill e contando com outors subjugados. Mas como o mundo mudou, e toda uma série de países desenvolveu, para além das suas economias, as tecnologias miltares que constituiam a base da supremacia do chamado Ocidente, a arte de matar a uma distância maior que a do adversário, a referida função policial está agora em crise , por não já se poderem atingir muito territórios “inimigos” sem risco de perdas elevadas e, até, de retaliação. O bom senso aconselharia a reforma do “polícia”. Mas, bom senso é um bem escasso em quem se deixou contaminar pela hubris. Assim, ratos ou não, talvez seja o momento de começar a abandonar a velha nave americana…
Os americanos são os maiores, até no que não interessa nem ao menino Jesus. Mas faz de conta que essa parte profunda, sórdida e perversa não é real nem tem importância, só a outra parte, onde o sol bate e brilha na ponta do icebergue.
Faz de conta que não manipulam nem mentem, que não escutam os próprios aliados (aliados? Ou serão vassalos?), quanto mais interferirem nos países não-aliados.
As 2 bombas atómicas largadas? Um mal necessário para um bem maior.
Dezenas, centenas de guerras e conflitos por todo o mundo, com milhões de mortos? Alguém tem de pôr ordem na casa (Ordo ab chao), “custe o que custar”.
A sua poluição cheira a água de rosas e é essencial para a prosperidade do mundo, a dos chineses é tóxica, mortal e vai destruir a Humanidade.
O vírus da COVID era chinês (dizia o Trump e na CMTV, por isso deve ser verdade). O da varíola, o sarampo, a varicela, que limparam os ameríndios e facilitaram a colonização do continente, eram doenças euroasiáticas, nada a ver com os semi-divinos Founding Fathers.
Quem disse que os adultos não gostavam nem acreditavam em histórias da carochinha?
Muita gente diz que se não fosse o desembarque na Normandia hoje falávamos alemão. Ora, se não fosse o desembarque na Normandia falávamos era russo.
Os Estados Unidos só entraram na guerra em Dezembro de 1941 e foi porque foram atacados. A não ser assim tinham se estado nas tintas para o que acontecia aos europeus.
A Europa escravizada e limpa de comunistas até lhes dava jeito.
E foi mesmo por isso que só doís anos e meio depois entraram na frente europeia.
Até lá ficaram a espera a ver se ainda havia uma possibilidade de as tropas de Hitler destruírem a União Soviética.
So quando viram que a União Soviética já tinha conquistado todo o Leste europeu e estavam as portas da Alemanha e que finalmente avançaram.
Porque temiam que a Rússia avançasse para a Europa Ocidental ocupada pelos nazis.
E sabiam que a Rússia venceria.
Muita gente nos Estados Unidos e Inglaterra apoiava na realidade as políticas de Hitler, do anticomunismo ao antissemitismo. E foi por isso que muitos esperaram em vão por socorro do outro lado do mar e sucumbiram ante a besta nazi.
Podiam ter avançado antes mas não o fizeram e isso custou milhões de vidas na Europa Ocidental.
Também Churchill, o infame carniceiro da Índia esperava pela derrota da União Soviética por isso estavasse nas tintas para a crueldade nazi sofrida por populações da Noruega a Grécia. Aliás, a Grécia foi o país da Europa Ocidental cuja população foi mais dizimada.
Mas quando viram que Hitler nunca venceria finalmente avançaram. Para milhões de pessoas na Europa Ocidental foi demasiado tarde.
“Estamos a beira de um regresso da extrema direita” – tal não nos devia surpreender pois que só esta propicia um Estado musculado que garanta a persistência do capitalismo neoliberal.
As eleições e os votos são só para inglês ver e, mais, servem como válvula de escape para pensarmos que participamos, além de nos tornarem cúmplices de todas as eventuais malfeitorias que possam ocorrer: afinal fomos consultados! Atente-se na perversidade .
Mas a história não acaba aqui pois acontece que nós, que vivemos nos países do centro do sistema (capitalista), ativa ou silenciosamente aderimos a esta fantochada porque nos convém, já que, embora às custas de uma vasta periferia de esfomeados e de miseráveis, aos quais roubamos recursos e impomos subdesenvolvimento, através de mecanismos internacionais bem sofisticados, temos um padrão de vida apreciável.
Os nossos governantes e as nossas televisões até podem mostrar como as nossas democracias liberais são atrativas, vejam-se por exemplo as legiões de imigrantes que nos procuram!!! Veja-se por exemplo o ‘sonho americano’, afinal fruto da pilhagem, devastação, sofrimento e guerra de outras regiões e que mesmo assim, mesmo internamente está a virar pesadelo para muitos e foi antro de racismo e perseguições de varia ordem com a Ku Klux Klan e o macarthismo.
Neste contexto não surpreende a leitura que se fez mais uma vez do desembarque na Normandia exaltado à maneira da fábrica de faz de conta de Hollywood. Tudo se apresentou como se tivessem sido os Estados Unidos o salvador das nossas pátrias, omitindo-se completamente que quem quebrou os dentes à Alemanha nazi foi de facto e de direito a União Soviética, que pagou um preço desmesurado pela façanha. Claro que dar palco ao Zelensky foi a cereja no topo do bolo; se lembrarmos quem é o herói nacional da Ucrânia, foi autenticamente ‘entregar o ouro ao bandido’- uma mistificação vergonhosa.
As evidências são tantas e tão graves que não se percebe como políticos que se pretendem sérios e honestos podem continuar calados que nem ratos, prestando vassalagem a um país tão mal afamado. É que não se ouve nem sequer uma única voz, mesmo que clamando no deserto.
Doi lembrar a poesia, mas parece que só ela nos pode acolher:
“Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Excelente comentário!