A batalha pela verdade factual

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 11/05/2024)

Quando em 1968 as forças do Vietname do Norte e da guerrilha Vietcongue iniciaram a sua poderosa Ofensiva do Tet, contra as tropas de Saigão e dos EUA, tinha eu acabado de completar 10 anos.

Lembro-me, vivamente, de como, apesar da censura, o trabalho dos repórteres ocidentais revelava cruamente, em imagens ainda hoje icónicas (como a da execução, à queima-roupa, de um prisioneiro comunista), a brutalidade da guerra. Nos lares de meio mundo, era possível ver as baixas e o sofrimento dos militares vindos das grandes cidades e do recôndito rural dos EUA. Nessa altura, a expressão “quarto poder” não era um exagero retórico, como o Caso Watergate o voltaria a provar em 1972. Contudo, os poderes que contam – o dinheiro e o seu braço político – aprenderam a prevenir, com mais ou menos sofisticação, essa liberdade capaz de manifestar a exuberância nua dos factos.

Sem o poder da imprensa livre, a Guerra do Vietname teria continuado e Nixon completaria tranquilamente o seu mandato.

Pouco antes da Ofensiva do Tet, a filósofa Hannah Arendt publicou na revista New Yorker um presciente ensaio intitulado Verdade e Política. Arendt salienta que o poder político tem uma incompatibilidade radical com a mais elementar manifestação da verdade, aquela que se limita a relatar e situar os acontecimentos nas coordenadas do espaço e do tempo: a verdade factual. A filósofa identifica até um conjunto de profissões e papéis sociais cuja essência consiste em testemunhar e defender a objetividade factual, correndo os seus praticantes o risco de ficarem sozinhos, ocupando “um ponto de vista fora do campo político”. O filósofo, o cientista, o artista, o historiador imparcial, o juiz, a testemunha e o repórter são, para ela, protagonistas de diferentes formas de dizer e defender a verdade factual.

Os factos suscitam opiniões e interpretações, mas não se confundem com elas. O conteúdo absoluto e único dos factos, é, contudo, muito frágil. Depende de validação, como ocorre nas testemunhas oculares de um crime chamadas a tribunal. Um exemplo: podem existir várias e contraditórias interpretações sobre as causas da I Guerra Mundial, mas nenhum revisionismo histórico pode anular a verdade factual absoluta de que a 4 de agosto de 1914, foi a Alemanha que invadiu a Bélgica e não o contrário.

A verdade factual está hoje em perigo por toda a parte. As democracias liberais, em recuo, cada vez mais subordinadas a interesses financeiros globais, não escapam à vontade de selecionar apenas os “factos” que satisfaçam as interpretações convenientes. A precariedade crescente da comunicação social torna-a mais vulnerável e menos independente. O assassinato deliberado de jornalistas em Gaza, pelo Exército israelita, mostra como até democracias podem ultrapassar a rudeza das autocracias.

Em contracorrente, o jornalista Bruno Amaral de Carvalho publicou um livro singular: A Guerra a Leste. 8 Meses no Donbass, Caminho. Ele ousou mostrar as vozes e os rostos, as vítimas, as pessoas de carne e osso, do outro lado da Guerra da Ucrânia. Começou a conhecer o Donbass, em 2018, quando o ataque do Governo de Kiev à sua população a leste, silenciado no Ocidente, provocava a fuga de refugiados para a Rússia. A invasão de 2022 tem atrás de si uma série causal que só os factos ajudam a compreender. São um sinal de esperança, os verdadeiros repórteres que preferem arriscar testemunhar os factos, recusando serem meros repetidores de interpretações prontas a usar.

18 pensamentos sobre “A batalha pela verdade factual

  1. O livro do Bruno, está escrito sem floreados jornalísticos. É claro, preciso, e suficientemente descritivo, para não termos dúvidas, sobre quem pretende a guerra e porque pretende esconder a verdade. É um exemplo de profissionalismo, que não colabora com os jornalixo que nos media passa. Obrigado Bruno.

  2. Muito obrigado.
    Podes além de deixar de chamar fascista, a quem não escreve o que tu queres, deixares de escrever as balelas que por aqui colocas. A Esquerda verdadeira ficar-te-á agradecida.
    Se tu és a imagem da Esquerda, fraca imagem a Esquerda tem.
    Alguém pode ser atraído para o que tu escreves? Pode, se for igual a ti.
    Os links não são para ti, são para aqueles que ao contrário de ti, procuram outras fontes. Como não nascemos ensinados, os que gostam de aprenderem agradecem.
    Tu não precisas, já nasceste ensinado.

  3. Adeptos de fuzilamentos e forcas sabes tu quem são. Ainda ontem trataram de fuzilar mais um que vai seguia o rebanho. Parece é que não conseguiram tudo.
    O mundo é o que é mas o que dá que fazer a capeloes é que há gente que não se cala.
    Tu és como todos os fascistas, gostas de insultar porque sonhas com um mundo em que todos se calam.E ficas desesperado porque não sabes onde é que as lavagens ao cérebro estão a falhar.
    Não te preocupes que pelo menos a comunicação social está bem domesticada. Quando alguém leva quatro tiros de um fanático pro americano e um jornal dito de referencia diz que o homem foi instigador e vítima da polarização que instigou no seu pais, como quem diz, estava a pedi las, está tudo dito.
    E, no teu caso concreto até achas que eu tenho 150 quilos. E sim meu menino, os soldados americanos enchiam se de droga e houve até oficiais que conseguiram reformas douradas a conta de exportar drogas para casa.
    Eu não me dou ao trabalho de ler links por isso escusas de te dar ao trabalho.
    Tu devias abrir uma barraquinha de vidente na feira pois que te arrogas ate saber quantos quilos eu peso e a minha filiação partidária.
    Olha filho, eu não escrevo para ninguém me elogiar, escrevo porque me apetece, porque gosto é ao contrário de Milhszes, Rogeiros e outros a, quem tu bebes as palavras ninguém me paga nada.
    Quanto aos teus insultos estou me nas tintas, já aturei um ex PIDE que por aqui andou armado em fiscal também posso levar contigo sendo que da próxima vez vou me limitar a mandar te ir ver se o mar dá tubarão e caravela portuguesa. Desta vez foi mesmo a última vez que perdi tempo contigo. Vai ver se o mar dá choco e caravela portuguesa, escravo que se diz alforriado.

  4. Barretina é o que usa lá o bispo da tua agremiação folclórica corrupta até aos dentes, senhor capelão.
    Dentro da hierarquia da tua seita, deves ser o cagalhão ralo com mais mania. Nem reparas que largas cocó por todo o lado, monsenhor da merda. Vai ver a fossa dá cogumelos.

  5. És um papagaio que acha que é comunista. Debitas uma lengalenga que achas que é a Verdade.
    O extracto acima em castelhano, é deste senhor aqui:
    https://www.thenation.com/article/archive/jonathan-schell-and-fate-earth/
    https://en.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Schell
    é ele que fala na primeira pessoa.
    Só estava a responder à tua pergunta de café: “Achas mesmo que se fiariam na boleia dada por soldadesca cheia de droga naqueles cornos?”
    O resto é o teu cérebro minúsculo a funcionar, num corpo de baleia. Lida a resposta, partiste para aquilo que todos os “comunistas” de sofá como tu, fazem. Falas de outros casos, fazes acusações, fazes perguntas, como o delegado no tribunal “popular” faria, mas a sentença já a tens ditada, seja qual for a resposta, e sonhas que és o Dono do Mundo. Mas o Mundo é como é, e não como tu achas que deveria ser. Descrevê-lo é uma coisa, explicá-lo é outra, e o analista é aquele que faz análises e não quem prescreve o remédio.

    Por isso continua, tens aqui, uma vasto auditório de “camaradas” que mugen ao que dizes: apoiado! Bem dito! É assim mesmo! Mais choco! Mais cornos! Mais forca! Mais fuzilamento! … méééé!

    Pelos vistos sabes mais do que se passou na guerra, do que aqueles que por lá estiveram. Mas se te deres ao trabalho de ler quem foi o americano, vais ver que tinha muito a prender com os teus “ensinamentos”. Entretanto continua aí, firme que nem uma rocha, não vais ser outro Mário Castrim, mas talvez tenhas direito a um prémio com o nome dele, dado pela célula aqui na rede.

    Quanto à tua “preocupação” com as mortes, tens aqui a minha resposta:
    https://www.facebook.com/liberzone/videos/em-1994-michael-ignatieff-ent%C3%A3o-jornalista-pol%C3%ADtico-mas-depois-presidente-do-par/916780928367078/
    basta veres os primeiros 15 segundos.
    Entendeste? Ou foi muita areia para a tua carroça? Senão chama aí o Barretina e o Capacho que eles esclarecem-te.
    O senhor que diz ‘Yes’ (sim estavam justificadas as mortes) é o já falecido comunista Eric Hobsbawm. Mais um que teria muito a aprender contigo.

    Outros tempos, ainda não tinha desembarcado a esquerda-arco-íris, a esquerda-gay, a esquerda-caviar-e-champagne, a esquerda-cócó, ainda se podia dizer o que se pensava.

    É tudo por agora. Não comas tanto choco frito, estás muito gordo. Come uns polvos para variar. 🐙

  6. As guerras não se travam sem ela nem sem crimes, nem sem matar jornalistas. Pelos vistos o senhor capelao acha isto normal. Tambem foi normal as dezenas de jornalistas mortos pelos americanos no Iraque, o martírio do Assange e os cerca de 150 que já vao na conta dos sionistas.
    Encobrir crimes de guerra não tem nada a ver com censura militar mas com canalhice de quem a faz. Acha normal quem quer.
    Como tambem deve ter achado normal o assassinato do Olof Palme.
    Já agora, senhor capelao, se achas normal que se mate um homem porque não quis sacrificar o seu povo ao apoio a nazis podes ir ver se o mar dá megalodonte.
    Porque isto há fascistas bons e fascistas maus. Os bons são canalha como o Milei que condenou mais de metade do seu povo a fome aguda e por isso foi elogiado pelo FMI que já lhe vai dar um empréstimo para ajudar quem perder lucros por por lá ja quase ninguém ter dinheiro para comprar nada.
    Os maus são aqueles a quem chamamos fascistas porque ainda dizem “na minha terra mando eu porque os ucranianos não votam cá”.
    E os maus merecem a morte. Afinal de contas o Olof Palme já foi há muito tempo. Era preciso dar um aviso à quem pensasse levantar cabelo e esse aviso foi dado. Mais uma vez o sangue de um dirigente europeu cobriu as pedras da rua. Para quem ainda duvida que é alguma coisinha de medo que explica o apoio desregrado a nazis e sionostas.A ganância não explica tudo.
    Vai ver se o mar dá choco e caravela portuguesa.

  7. 💎 🐷
    Livro:
    La Guerra de Vietnam – una historia oral, Christian G. Appy (em castelhano)

    Sobre o livro:
    “Ésta es la primera historia de la Guerra de Vietnam que se escribe a partir de la experiencia vivida de los dos bandos en lucha. Reuniendo los testimonios de más de un centenar de participantes, que van desde quienes dirigían los combates, como el general norteamericano Westmoreland y el vietnamita Vo Nguyen Giap, hasta aviadores, guerrilleros o agentes de la CIA, sin olvidar las víctimas civiles, y encuadrándolos dentro de una interpretación que toma en cuenta los más recientes resultados de la investigación histórica, Christian G. Appy ha construido un impresionante retablo de la guerra: un relato que resulta, a la vez, fascinante y estremecedor, y que desmiente muchos de los tópicos que hasta hoy se venían contando.”

    Um exemplo sobre jornalistas entre outros que o livro tem:

    “ … Su oficina era como un desván con una habitación trasera llena de essa ropa pseudomilitar que usaban los periodistas. Cuando le saludé llevaba el libro de Bernard Fall bajo el brazo y le mencioné que lo había estado leyendo. Tras una mesa había otro compañero que dijo: «¿Puedo ver el libro?». Me acerqué y se lo di. Lo abrió y lo firmó. ¡Era Bernard Fall!
    Así que allí estaban aquellos dos franceses amantes de la vida, ambos valientes y periodistas brillantes. Por pura amabilidad me aceptaron a pesar de ser un recién graduado que no sabía nada. Usaron sus contactos para hacer una especie de milagro. Convencieron a los militares para que me
    dieran un pase de prensa con la excusa un poco engañosa de que había ido allí como enviado del Harvard Crimson.

    Un pase de prensa en Vietnam era un billete gratuito para viajar por todo el país. Se podía hacer autostop en helicópteros y en aviones, en lo que uno quisiera. Significaba un cupón de comida y una reserva de hotel em cualquier parte. Daba una libertad fantástica para ver lo que uno quisiera.
    Creo que se debía a la cooperación entre la prensa y el ejército durante la segunda guerra mundial y la guerra de Corea, que se prolongó durante algún tiempo en Vietnam. … “
    🎣 🥾

  8. 🕶️
    Tenho tarimba que chegue de conversar com “comunistas”. A k7 é minha conhecida.
    O que eu acho sobre isto ou aquilo, foi só o que eu escrevi, nada mais.
    O que acho além disso, não o disse. Por isso…

    Quanto ao Fico, não era “fascista”? Não estava no mesmo saco do Orban, do Ventura, da Meloni, … ?
    Se sim, então foi a esquerda internacionalista que atentou contra o nacionalismo.

    Quanto à Censura Militar, as guerras não se travam sem ela e os que não a implementam estão a oferecer pontos ao inimigo. Difícil de entender? Pelos vistos sim.
    Quanto às orelhas não é segredo militar. Há escritos publicados por gente que não era comunista nem coisa que se parecesse.

    • Eh, e quem matou o Roger Rabitt era um humano porque o Roger Rabitt era um desenho animado…
      Lógicas do senhor capelão que demonstram a sua limitação mental.

    • *Roger Rabbit (a idade não perdoa, até fui ver ao cinema quando era puto com o meu tio Zé, que me levou a ver vários filmes, adoro a parte em que uma das balas animadas disparadas faz uma viragem a 90º, e as fuinhas são umas personagens do caraças, são todas grandes personagens, valha a verdade)

      Já agora, diz lá aí à malta quem matou o John Fitzgerald Kennedy? Não digas que foi o simpatizante de comunas Lee Harvey Oswald…

  9. O Salazar tratava de mostrar as atrocidades que lhe dessem jeito para dizer que os selvagens eram os outros.
    Quando a nossa tropa enterrava gente viva, chacinava e queimava aldeias, violava e matava mulheres, matava velhos e deixava as suas cabeças expostas em paus para que os filhos quando voltassem do campo os vissem claro que não vias.
    E já agora não venhas dizer que é mentira porque conheci velhos combatentes que se gabaram disso e muito mais. E a minha avó foi brindada por um PIDE que exerceu em África com um frasco cheio de orelhas de negros conservadas em álcool.
    O nojento exibia aquilo aos vizinhos que outro remedio não tinham a não ser ver e calar pois que o 25 de Abril ainda não tinha chegado. O que é que merece o porco que mostra uma coisa dessas a alguem?
    No Vietname havia muita gente que efectivamente ia lá por sua conta e risco. Achas mesmo que se fiariam na boleia dada por soldadesca cheia de droga naqueles cornos?
    Os americanos não estavam preocupados com as mortes de comunistas amarelos que lhes, eram servidas ao jantar. Estavam fartos de ver os seus filhos voltarem em sacos pretos, sem pernas ou passados dos cornos.
    Estavam fartos da criminalidade provocada por quem, tendo por lá andado a matar a torto e a direito voltava para a terra a pensar que podia fazer igual ou parecido por lá.
    Aqui a censura funcionou melhor porque tudo o que era escrito ou falado tinha de passar pelo crivo de coroneis refornados burros que bem cepos.
    Por isso a guerra continuou até os militares se fartarem dela.
    Porque as pessoas por cá nem sequer sabiam, como ainda hoje não sabem, quantas vidas perdemos por lá. Cada família sabia dos seus e não convinha falar muito alto.
    Dos que voltavam a aldeia e matavam a mulher ou noiva por lhe dizerem que ela o tinha andado a cornear enquanto estivera fora também se encarregou a censura.
    Mas há quem ache que isso é que foi normal e era assim que devia ter acontecido com o Vietname.
    Faz sentido. Tambem deve fazer sentido que hoje tenha sido o último dia de vida de Robert Fico que não quis sacrificar o seu povo às sanções contra a Rússia.
    Vai ver se o mar dá choco e caravela portuguesa.

  10. Escreve o autor: “Lembro-me, vivamente, de como, apesar da censura, o trabalho dos repórteres ocidentais revelava cruamente, em imagens ainda hoje icónicas (como a da execução, à queima-roupa, de um prisioneiro comunista), a brutalidade da guerra.”

    Apesar da censura. Qual censura? O Exame Prévio em Portugal? É que, uma das criticas que foi feitas aos militares americanos, foi de não terem exercido censura sobre o que se passava. São inúmeros os depoimentos de jornalistas que por lá andaram, que o confirmam. De conversa no bar, combinavam com o comandante da força acompanhá-lo amanhã na operação e lá iam de boleia no helicóptero. Depois os americanos à hora do jantar, viram o que não deveriam ter vistos.

    Agora vimos o que passava na guerra do Vietnam, tal como eu vi uma execução ao vivo de um prisioneiro na Guerra do Biafra, transmitida na RTP a preto e branco, Salazare não proibiu e o meu pai também não, então vi. Os “fascistas” de Salazar, tinham interesse em dizerem: vejam como eles são; vejam o que eles fazem; vejam porque estamos em guerra com o comunismo.

    Depois em 2003 criaram o “embedded journalism” o jornalismo incorporado numa força militar. A partir dessa data é esta a situação com as guerras do Ocidente.
    https://en.wikipedia.org/wiki/Embedded_journalism#Criticism

    Por cá também a tropa mercenária que temos, o faz, e os “nossos” jornaleiros frequentam alegremente esses cursos. De pouco serviram os “ensinamentos” a um casal deles no Iraque. Já o falecido Albarran, como ex-revolucionário de pacotilha, era mais cauteloso, falava nas traseiras de um barracão numa base na Arábia: “ … do deserto para a RTP”.
    https://arquivos.rtp.pt/conteudos/directo-de-artur-albarran-em-dhahran/
    6 minutos esclarecedores sobre vários pontos.

    A fama dos misseis Patriot, essa é como o brandy Constantino, já vem de longe.

  11. 143. Esse é o número de jornalistas mortos por Israel desde o início do genocídio em Gaza.
    Mas outros continuam a fazer o seu trabalho, as vezes depois de terem perdido as suas próprias famílias nos bombardeamentos.
    Os jornalistas sabem que estão entre os principais alvos dos genocidas. Sabem que os seus coletes de imprensa os tornam inseguros. Mas corajosamente continuam.
    Graças a eles nunca poderemos dizer que não sabíamos. Graças a eles sabemos que os nossos governos são cúmplices de um genocídio. Uma verdade inconveniente, dura, incomoda, mas a verdade.
    Matar jornalistas foi também a estratégia americana para esconder a verdadeira dimensão dgs seus crimes no Iraque.
    Dezenas de jornalistas foram mortos.
    Foi por essa altura que outros jornalistas acharam mais seguro ficar se pelas narrativas oficiais. Alguns trepudiando em cima dos seus colegas mortos. Se estavam a morrer muitos jornalistas no Iraque era porque eram mais e mais loucos. Arriscavam demais. Havia lá agora uma tentativa deliberada por parte das tropas de ocupação de calar os jornalistas a tiro.
    Foi a época dos “embeeded”, jornalistas convidados a acompanhar as tropas e que fotografavam o que as tropas queriam ver fotografado. Quem saia do rebanho podia ter a sua câmara fotográfica confundida com uma arma e acabar morto.
    E assim se foram domesticando os jornalistas. O caso Assange tambem ajudou um bocadinho.
    O resto é tambem o que sabemos, meia dúzia de grandes grupos económicos controlam toda a informação, os jornalistas são cada vez mais precadizados. E todos teem contas a pagar, famílias a sustentar.
    Por mim não justifica a figura que o Dentinho fez em Tripoli com a história de que as pessoas não saiam a rua porque estava muito calor. Ou que ninguém contradiga quando Ursula Van Der Leyen vem dizer que os russos estão a desmantelar frigoríficos para fazer motores para mísseis. Ou quando alguém escreve a alarvidade que os russos estão a combater com pas. Será possível que quem escreve coisas dessas acredite mesmo no que escreve?
    Todos temos contas a pagar mas para fazer papeloes destes não seria melhor vender cachorros quentes na rua?
    Por isso a pressao contra quem ainda tenta fazer o seu trabalho e cada vez maior.
    O caso de Bruno Carvalho foi simplesmente indecente. Responsáveis políticos nao se coibiram de lancar contra o homem a clássica acusação de putinista. Pelo menos um membro do Governo fez votos para que caísse nas garras das tropas ucranianas. O que poderia significar a sua morte. Mas este é o ódio que os poderes teem a quem não segue o rebanho.
    Se o homem fosse morto seria um exemplo para outros.
    Como se espera que os 143 de Gaza o sejam.
    Viva a coragem, porque bem precisamos dela.

  12. Na minha humilde opinião,a guerra da Ucrânia é uma guerra de desgaste, portanto é economia contra economia (Rússia contra 50 países aliados)… A economia tem de ser financiada e organizada em conformidade… Na UE temos quem “organiza a compra de armas”… Os russos estão salvos…

    O exército russo viu-se confrontado com o segundo maior exército da Europa e dos Estados Unidos em termos de equipamento, para não falar dos mercenários. Somando o número de milhares de milhões dados a Zelensky, é simplesmente fenomenal, tudo para uma guerra que não nos diz respeito de forma alguma, nem aos países europeus ou ao que resta deles. Parece que ainda não se percebeu que esta guerra se tornou (e foi desde o início) a luta dos soberanistas contra os globalistas. É a batalha dos ladrões, dos mentirosos, dos nós sem lei contra as verdadeiras riquezas (minerais, entre outras) dos russos que até agora agiram com moderação; cuidado, cuidado, se os falcões de Putin ganharem a ascendência, a música já não será a mesma e poderão encontrar-se em situações muito incómodas.

    A Ucrânia está destinada a ser um Estado-tampão, é a lei da história e da geografia…
    Mas já é demasiado tarde, a história sempre se repete.

    Esta guerra foi “ganha” pelos russos desde o início, e eles fizeram certamente menos carnificinas do que os sionistas israelitas! Os russos sempre saíram das guerras melhor do que o resto do mundo! Eu não lhe chamaria um fracasso, mas as carnificinas organizadas pelos americanos, estamos a falar delas? Antiga Jugoslávia, Afeganistão, Iémen, Síria, Iraque, etc. ….. É incomparável com os russos, que tiveram o cuidado de poupar os civis tanto quanto possível! Caso contrário, não teria havido Ucrânia durante 25 meses!

    Quanto à guerra, está a correr muito bem para a Rússia:
    Ocidente está isolado do resto do mundo.
    Diversificou os destinatários das suas exportações.
    Derrota a NATO e uma coligação de 50 países que lhe forneceram armas e conselheiros, sem conseguir fazê-los recuar.
    Aplicam a sua estratégia de desgaste na perfeição, tendo consumido o equivalente a 3 exércitos ucranianos desde o início com perdas mínimas (mas há perdas).
    Estão a recuperar gradualmente os territórios de língua russa para criar uma zona tampão.
    A Ucrânia não poderá aderir à NATO.
    A desdolarização está a acelerar graças à estupidez das sanções.
    As sanções não funcionaram e até enfraqueceram aqueles que as criaram.

    Vivemos em casas de vidro. A primeira pessoa a partir o vidro também verá a sua casa destruída, e esta guerra começou em 2014, apesar de toda a propaganda para o esconder.
    A russofobia ocidental – histeria – é irracional e perigosa, e o efeito boomerang está em curso.

    Penso que a demissão de Patrushev do cargo de Secretário do Conselho de Segurança da Federação para colocar Shoigou no mesmo significa provavelmente apenas uma coisa: Planear a 3° guerra mundial com a NATO.

    Shoigou é um civil, não é militar, não está a ser demitido do seu posto porque o SVo está a correr mal. É o Estado-Maior, sob a direção de Gerasimov, que está a conduzir a guerra. E o Estado-Maior não cedeu.

    Shoigou é um intermediário da política de Putin, e colocá-lo no Conselho de Segurança, de acordo com as reações e os comentários que chegam hoje da Rússia, é preparar o terreno para o prolongamento do conflito. Shoigou será, portanto, o planeador desta fase COM os aliados da Rússia.

    Em suma, o que está a acontecer é muito claro, e a declaração de Lavrov em resposta ao Presidente da Finlândia foi muito clara: O conflito será resolvido no campo de batalha. Pois bem, Lavrov respondeu com a mesma declaração.

    As prerrogativas de Shoigou são, portanto, muitas. É claro que os meios de comunicação social vão falar de uma humilhação para Shoigou, vão distorcer o que esta nomeação significa realmente. Shoigou acaba de receber o cargo e o papel de uma vida.

    Quando li e vi na TV este anúncio, compreendi imediatamente que o conflito se iria prolongar e que a Rússia, após numerosos avisos, tinha acabado de decidir que era altura de responder…

    Até disse à minha família para se preparem para a 3° guerra mundial!

    Não sei se estão a perceber,ou se percebem o que isso significa? Significa que a Rússia se sente capaz de derrotar o mundo ocidental no seu próprio jogo, e não apenas na arena militar, mas em todas as formas possíveis de guerra. Porque a Rússia provavelmente nunca considerou a Ucrânia como um fim em si mesmo, mas como uma batalha, na melhor das hipóteses.

    E os comentadores cá da casa não conseguem compreender esta cultura russa, que está mais virada para o longo prazo do que para o curto prazo.

    Estão sempre a dizer a mesma coisa sobre este conflito. Sem olhar para os factos.

    Quem é que não está a produzir nada, quem é que tem stocks vazios? Quem é que vai ficar a segurar o saco quando os EUA nos disserem que o problema agora é nosso? Quem é que vai aguentar na Europa? A Alemanha, a Inglatera, a França?

    A europa enviou tudo para a Ucrânia, as armas, os stocks,etc,etc, e os russos destruíram tudo. E embora tenham sofrido perdas, estão a adaptar-se, estão a corrigir-se, estão a aprender com uma força que envolve vários países com grandes recursos de informação…

    Mas a próxima fase não será nada parecida com o que está a acontecer na Ucrânia, compreendem pelo menos isso? Quando os limites forem ultrapassados, estaremos a entrar num tipo de guerra completamente diferente!

    Uma guerra que não queremos, mas que está mesmo à nossa frente.

    Enquanto os nossos políticos brincam com as nossas vidas, a Rússia prepara-se para o que está para vir! Antecipou-o, a sua economia, a sua produção, tudo se orienta economicamente para a guerra, enquanto nós jogamos com as palavras…

    Como é que podemos fazer compreender que a realidade é que a Rússia destruiu todo o equipamento lá, todo o equipamento enviado por uma multidão de países da NATO… dissecou-o, analisou-o, o mesmo se passando com a guerra eletrónica. Está a preparar-nos uma armadilha, e os nossos políticos, cheios de ranho, estão a cair nela…

    E aqui estamos nós, nus e a jogar com pessoas que estão preparadas e que têm armas inigualáveis.

    A Rússia não pode perder, não está a tentar fazer progressos relâmpagos, ganhar terreno rapidamente, colherá os frutos quando estiverem maduros. Se for preciso. Porque a Rússia sabe, desde o início, que esta não é uma guerra contra a Ucrânia, mas contra o Ocidente, contra a NATO. E, ao contrário do Ocidente, a Rússia tem um plano director a longo prazo. Isto foi dito e repetido muitas vezes pelos líderes russos.

    Mas a propaganda ocidental é uma lavagem ao cérebro.
    São as nossas sociedades civis que vão implodir à primeira escaramuça. Não teremos nada para pôr em cima da mesa para defender a nossa sociedade a partir do interior, e muito menos para uma guerra externa.

    Mas o que nos espera não são drones se continuarmos a provocar o fim. Estamos a falar de uma guerra mundial com o encerramento de tudo o que mantém o sistema unido. Numa grande parte da Europa, que não está preparada para isso.

    E dizer que a Rússia está a perder na Ucrânia é encorajar a loucura da escalada sobre a escalada.

    E assim perceberemos que é a Ucrânia, o povo ucraniano, que está a morrer por nada. Porque o colapso da frente está próximo.

    Algumas ideias para reflectir:

    1- A acreditar nos nossos meios de comunicação social, Putin já morreu 15 vezes, de cancro, etc…

    2- O exército russo foi muitas vezes objeto de troça, o exército dos anos 50. Chegou mesmo a parecer que a Rússia estava a desmantelar tanques em exposição para os enviar para a frente de batalha: foi para o desfile de 9 de maio.

    3- O contingente russo em 2022 era de apenas 60.000 homens, e desde o início que anunciam 300.000 mortos… Tenho um problema: são os mortos vivos que combatem os ucranianos?

    4- Putin saiu-se melhor por isso:
    Esta guerra arruinou-nos e os EUA estão a esfregar as mãos.
    A sua economia está a crescer 3,6% todos os anos, e a indústria militar não é a razão.
    Basta olhar para as fotografias de Moscovo no Google, perguntar às pessoas na rua se sabem descrever Moscovo (80% das vezes: uma cidade dos anos 80, antiquada), e veremos que somos levados a acreditar em mentiras descaradas para esconder o nosso miserabilismo e incompetência.
    Em suma, todos os números relativos às mortes na frente são apenas fumo e espelhos, e agora temos medo de um exército que chamávamos antiquado e inexperiente… A arrogância ocidental no seu melhor….

  13. Essa é outra guerra, com muitas batalhas pela verdade. As pessoas comuns, as que mais sofrem com as guerras, não podem prescindir de conhecer melhor o que, de facto, se passa.

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