(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 30/03/2024)

Os leitores que têm a gentileza de visitar as minhas crónicas sabem que nestes mais de dois anos de guerra na Ucrânia, envolvendo quatro potências nucleares, tenho alertado, com veemente urgência, para o risco crescente de sermos engolidos num abismo da destruição bélica. Os motivos para isso parecem-me residir na mistura de soberba e amnésia por parte do Ocidente, isto é, dos EUA e da multidão de Estados europeus que se apresentaram ao seu serviço. Soberba, por terem pensado que a Rússia poderia ser tratada como uma potência de segunda categoria. Amnésia, porque na sua conduta, dão sinais de terem esquecido as lições que impediram a Guerra Fria de ter conduzido à III Guerra Mundial.
Há uma experiência pessoal, com mais de quatro décadas, na raiz desta minha preocupação. Em março de 1985, escassos dias antes de Mikhail Gorbachev se tornar líder da URSS, foi publicado o meu livro Europa: O Risco do Futuro (Publicações Dom Quixote). Essa obra continha os resultados de quase dois anos de intensa pesquisa sobre a complexidade da Guerra Fria: as suas doutrinas estratégicas, os seus armamentos, os seus dilemas políticos e militares, as suas perspetivas de evolução futura. O motivo que me levou a esse livro ocorreu no verão de 1983.
Nessa altura, uma das canções mais populares nas discotecas alemãs – da autoria de um grupo de rock de Bochum, Geier Sturzflug – intitulava-se Besuchen Sie Europa, solange es noch steht (Visite a Europa enquanto ela ainda está de pé). O sucesso popular da banda estava ligado de modo diretamente proporcional à dramática escalada da tensão bélica entre a URSS e os EUA, naquela que ficaria conhecida como a Crise dos Euromísseis.
No dia 1 de setembro desse ano, um voo civil sul-coreano (KAL007) foi derrubado por um caça Su-15 depois de ter entrado em espaço aéreo soviético, morrendo os seus 269 passageiros. No dia 26 desse mês, uma falha informática poderia ter desencadeado uma guerra nuclear por acidente, apenas evitada pela coragem do tenente-coronel Stanislav Petrov (1939-2017). O foco principal era o risco de uma Europa ameaçada pelos planos para uma “guerra nuclear limitada”. Felizmente que com Gorbachev, a sua tentativa de reforma interna do regime soviético, no plano político-social (glasnost) e económico (perestroika) foi acompanhada de uma decidida aposta no desarmamento, que encontrou eco positivo nos líderes da NATO, em especial em Reagan e Margaret Thatcher. O desmembramento pacífico da URSS em dezembro de 1991, já seria surpreendente. O essencial, contudo, foi ter-se evitado uma III Guerra Mundial que teria dizimado a Humanidade e afetado criticamente o ecossistema planetário.
Para quem mergulhou na compreensão do software, delicado e sofisticado da tensão bélica que de 1945 a 1990 dividiu o mundo entre duas potências centrais e seus aliados, respetivamente, os EUA/NATO e a URSS/Pacto de Varsóvia, causa náusea intelectual assistir à repetida tese dos neocons em Washington, de que o Ocidente “ganhou” a Guerra Fria. Mais do que um erro analítico, tal afirmação reflete uma profunda cegueira ideológica. Só aprenderemos a lição da Guerra Fria se percebermos a sua singularidade em toda a história universal. Pela primeira vez, desde os impérios antigos até à II Guerra Mundial, uma oposição entre duas megapotências dominantes não culminou, depois das habituais guerras indiretas e de procuração entre aliados e vassalos (proxy wars), num conflito total. Que razões explicam a miraculosa singularidade do fim pacífico da Guerra Fria?
Charles De Gaulle recordava, em 1963, que tanto para a URSS como para os EUA “o estandarte das ideologias [capitalismo versus comunismo] apenas esconde as ambições”. Isso significava que o comportamento de Washington e Moscovo se pautava, não pela ideologia, mas pelos interesses de conservação e aumento de poder. É a doutrina da razão de Estado, que desde Maquiavel e Richelieu constitui a base das relações entre grandes potências. Isso ficou provado no Pacto Hitler-Estaline de 23 de agosto de 1939. Dois inimigos ideológicos, partilhando de um conjuntural interesse comum, à custa de terceiros.
Mais tarde, nos Anos 60, quando a China maoista considerou a URSS como seu inimigo principal, a proximidade ideológica foi esmagada pela antiga rivalidade entre a China e a Rússia (que os EUA bem aproveitaram com Nixon e Kissinger). Por outras palavras, o primeiro passo para percebermos a Guerra Fria reside na teoria desenvolvida por Carl von Clausewitz no seu clássico e póstumo tratado, Da Guerra (1832), cuja essência pode ser resumida nas seguintes quatro teses principais: a) os sujeitos da guerra moderna são Estados, dotados de interesses potencialmente idênticos, e por isso motivo de contenda; b) a guerra é a continuação da política por outros meios; c) o objetivo da guerra visa a vitória, que se atinge quando se impõe a nossa vontade política ao inimigo; d) a vitória implica, geralmente, a destruição da capacidade militar do inimigo.
O segundo passo para aprender com a Guerra Fria consiste em limitar o que vimos acima, em perceber o modo como ela invalidou o alcance universal da teoria de Clausewitz. Tanto Washington como Moscovo sabiam que com as armas nucleares a realidade da guerra se alterava substancialmente em relação à situação dos campos de batalha napoleónicos, ou das duas guerras mundiais. Com os mísseis balísticos terrestres (ICBM), aéreos (ALBM) ou submarinos (SLBM) um poder de fogo, milhares de vezes superior ao de todas as guerras do passado, podia ser acionado num máximo de 30 minutos! O conceito de frente, de mobilização estratégica, de vitória, no fundo, o léxico da própria racionalidade da guerra estava ameaçado…A melhor expressão desse estado de coisas foi manifestada pelo secretário da Defesa de J. F. Kennedy, Robert McNamara, na doutrina da Destruição Mútua Assegurada (MAD).
Contudo, em 1983, tanto no lado ocidental, com a doutrina Rogers (Air-Land Battle), como no lado soviético, com a doutrina do Grupo Operacional de Manobra, do marechal Ogarkov, estavam gizados planos que poderiam ter desencadeado a guerra, mesmo nuclear, na improvável aposta de que seria possível mantê-la dentro de certos limites.
Hoje a rivalidade entre os EUA/NATO e a Rússia, ambas economias capitalistas, não é ideológica, mas transparentemente situada na esfera dos interesses, que podem ser alvo de negociação diplomática ou de ação bélica. A invasão russa da Ucrânia foi uma violação do Direito Internacional, sem dúvida, mas alimentada por décadas sucessivas de imposição unilateral de medidas hostis aos interesses confessados de Moscovo.
Agora que o Rubicão da guerra foi ultrapassado há apenas dois caminhos. O primeiro, como sempre tenho escrito, implica baixar a tensão, conseguir o calar das armas com as tréguas duradouras de uma paz imperfeita, tendo em vista a lição maior da Guerra Fria: com armas nucleares e outras de destruição maciça, a guerra não termina em vitória, mas em aniquilação mútua. A guerra entre gigantes nucleares deixou de ser um instrumento, para se transformar no principal inimigo da política. O segundo caminho, como parece estar a ser dominante no amnésico revisionismo estratégico do Ocidente, consiste em seguir em frente na preparação de uma guerra frontal com a Rússia, como se estivéssemos antes de 1945. Seria o caminho sem regresso rumo à maior carnificina da História Mundial.
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Reduzir a população? Eles bem tentaram. Se as vacinas covid da Pfizer teem entrado em força em África tinha sido um massacre. Aquele veneno aplicado em populações enfraquecidas pela subalimentacao, onde boa parte dos sequelados não tivesses acesso a cuidados médicos tinha sido um massacre de proporções épicas.
A bem da minha sanidade mental quero continuar a acreditar que o que me fez perder 19 quilos em três meses e me transformou em cuidador de familiar sequelado da vacina foi só uma experiência científica que correu mal e não uma tentativa deliberada de reduzir população em que as tantas so as populações do Ocidente é que caíram.
Penso que o erro é pensar que a guerra é impossivel!
A guerra já começou. É apenas a intensidade que pode variar e continuar a aumentar acentuadamente.
O aumento de quase 70% no orçamento de defesa da Rússia é espantoso: em 2023, já um orçamento de guerra, as despesas com a defesa foram de 6.400 mil milhões de rublos (63 mil milhões de euros), ou seja, 3,9% do PIB. Em 2021, será equivalente a 2,7% do PIB.
Em comparação, o orçamento de defesa dos EUA para 2024 deverá ser de 842 mil milhões de dólares (795 mil milhões de euros), ou seja, mais 3,2% do que no ano anterior.
O orçamento de defesa europeu aumentou para 240 mil milhões de euros devido ao ataque de Putin à Ucrânia.
O que é que Putin pode fazer com os seus 63 mil milhões contra 1035 mil milhões…
Como diziam alguns professores de economia, quando criar inflação se torna perigoso, desvalorizar a moeda é impossível e não há dinheiro público suficiente para impulsionar o investimento, resta uma última opção para relançar uma economia: a guerra.
É aqui que estamos.
É lamentável, mas é assim que as coisas são. A guerra que está para vir não será como as anteriores, graças à energia nuclear. Vai ser rápida, vai ser sangrenta, mas certamente não vai ser nas trincheiras como foi antes. As distâncias a percorrer só podem ser percorridas por mísseis supersónicos, que serão certamente terrivelmente destrutivos. Não há que temer: é preciso recordar aqui como vamos todos acabar?
Agarramo-nos à vida como se ela fosse eterna! Mas qual é o fim previsível de um ser humano? Quantos conseguem chegar ao fim? Ninguém chega!
Por isso, em vez de stressar, de armazenar provisões, de armazenar bitcons, vivamos cada dia como se fosse o último, e no dia em que virmos os lindos leques de cogumelos no céu, admiremos o espetáculo até ao fim.
A guerra é a continuação da política!
É uma loucura que ninguém perceba…
É o mesmo que em ’14; que em ’39 (porque ’14 não tinha resolvido o problema da dívida); e hoje é o mesmo que em ’14.
e hoje, em 2024, os financeiros do mundo querem outro mundo…
Preparem-se amigos, agora é que está quente!
O mesmo se aplica à guerra e às questões climáticas ou ecológicas, em que é frequentemente evocado o conceito de “síndroma da mudança de base” ou de amnésia geracional.
Na minha opinião, para além de estarmos habituados à ideia de guerra ou de qualquer acontecimento extremo deste tipo, é também o quadro de referência histórico, simbólico e político das sucessivas gerações que torna possível este estado de espírito. Por um lado, é a ideia de que poderíamos sair impunes, de que seria uma forma de catarse da humanidade à custa do desaparecimento de uma grande parte dela, e o facto de essa mesma ideia ser produzida na cabeça de uma geração de pessoas que já não têm a experiência da guerra total e dos seus efeitos reais.
Se a dissuasão nuclear funcionou bem durante a Guerra Fria, não foi apenas devido a um equilíbrio de terror, mas também porque aqueles que a puseram em prática tinham experimentado a guerra e conheciam os seus efeitos.
A Ucrânia está acabada, o que significa que a NATO perdeu. Dado o estado lamentável dos países europeus e americanos, vamos ter uma guerra e não vejo outra solução, uma vez que ninguém vai ceder ou aceitar o diálogo.
Agora, uma guerra terrestre não vai durar muito tempo.
As ideologias mais ou menos consolidadas que impregnam os nossos fanáticos e uma grande parte da população ocidental, como o esgotamento de todos os recursos, a sobrepopulação e o aquecimento global, estão a moldar as mentalidades de tal forma que são susceptíveis de tornar concebível, ou mesmo desejável, uma boa e grande colónia atómica.
Se acrescentarmos a isto o colapso do sistema económico e financeiro ocidental, que corre o sério risco de arrastar todas as economias do mundo para um caos incerto, é fácil imaginar o interesse que a hiper-oligarquia teria em fazer com que as duas maiores potências nucleares do mundo entrassem em conflito. Tanto mais que, depois de terem investido tantos milhares de milhões em belas coleções de ogivas nucleares, já é tempo de estas mostrarem um mínimo de utilidade.
Por fim, há a impreparação dos exércitos ocidentais para uma guerra convencional do género da de Verdun.
O custo e o tempo que seria necessário para os actualizar, as consequências da modernidade nas capacidades físicas dos jovens adultos, já fragilizados mentalmente por décadas de feminismo, wokismo e LGBTismo, e em breve se tornará claro que, mesmo que isso signifique iniciar uma guerra, os nossos fanáticos preferirão provavelmente travá-la com mísseis.
Por isso, sim, digamos que o campo de possibilidades parece muito aberto para uma guerra nuclear.
Pessoalmente, preparar-me para este cenário do ponto de vista económico não é uma opção. Se tudo rebentar, o meu dinheiro será a menor das minhas preocupações… Se Trump for eleito, será que vai continuar a apoiar a Ucrânia? A Europa continuará a apoiar a Ucrânia? Negociará a paz mesmo que parte do território mude de mãos? Se a situação se agravar, há um problema demográfico, um rácio de 1/3 da população. Se mais de um ucraniano for morto ou ferido por cada 3 russos, a situação não é boa para a Ucrânia.
Não estou a defender ninguém no que estou a dizer, mas penso que é uma pena que não estejamos a promover discussões diplomáticas para tentar mudar esta escalada, que não vai levar a nada de bom…
A guerra é concebível para aqueles que se podem proteger, ou seja, os líderes e os bilionários. Para os restantes, é inaceitável. Para reduzir a população, teríamos de reduzir as populações chinesa, indiana e africana, que representam mais de metade da população mundial… um cenário que algumas pessoas estão a considerar?
A Alemanha vai abandonar a NATO e encontrar um compromisso com a Rússia. O resto da europa será a grande perdedora, o que é totalmente justificado pela sua situação económica e de gestão catastrófica. A insegurança e a revolta das populações estão a dar que pensar aos vizinhos europeus.
A humanidade passa o seu tempo a destruir-se a si própria e, o que é mais triste, a arrastar tudo o que constitui a sua base, o seu ambiente, tanto como os outros reinos sensíveis e inteligentes, que, aos seus olhos, não têm direito a uma palavra.
No fim de contas, o facto de o poder de decisão estar nas mãos destes últimos é a única verdadeira tragédia. A escolha esteve sempre nas nossas mãos, com os resultados perpetuamente ineptos a que assistimos… Evolução nula ou quase nula.
Assim, a humanidade passa metade do seu tempo a dar tiros nos pés e a outra metade a pedir ajuda.
A nossa salvação, se é que existe, parece estar na intervenção de uma alta hierarquia, cansada de ver os pobres aprendizes assumirem o papel de chefe e decidirem complacentemente o pior.