O nazi Navalny

(Joana Amaral Dias, in Sol, 01/03/2024)

(Apesar de já termos publicado dois longos textos sobre a campanha de intoxicação “Navalny” no Ocidente, não resisti a revisitar o tema. Por vezes, há contributos de qualidade que vêm de onde não se espera que viessem, seja quanto à autoria, seja quanto ao local da sua publicação. É o que sucede com este texto. Por acaso, a Estátua estava atenta… 🙂

Estátua de Sal, 04/03/2024)


É insuportável ver o Governo e tanta nata bem-pensante a darem o nazi-Navalny como democrata.


O branqueamento e a idealização que têm sido conduzidos sobre Navalny seriam patéticos se não fossem tão perigosos. Um herói?! Alexei debutou na política como organizador de marchas neonazis na Rússia e, de resto, manteve até ao final da sua vida que os imigrantes são baratas que devem ser eliminadas a tiro. Foi expulso do primeiro partido onde militou por ideias ultra nacionalistas e espalhou ódio que desembocou em assassinatos xenófobos. Esses grupelhos foram ilegalizados na Rússia só que o santo do ocidente manteve sempre a sua sanha e, por exemplo, numa entrevista ao Guardian em 2017, dizia não se arrepender do seu racismo primário. 

Também não se trata de um modelo de combate à corrupção. Em 2013, foi condenado a cinco anos de pena suspensa por peculato e desvio de fundos. Em 2014, foi dado como culpado, juntamente com o irmão, de outro peculato. Ou seja, inicialmente não foi detido por motivos políticos mas por crimes como, de resto, também foi na altura reconhecido pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e pela própria Amnistia Internacional. De facto, pelo meio lançou a ‘Fundação Anticorrupção’ largamente financiada pelos EUA e pelo RU. De resto, as suas ligações ao Ocidente e até aos seus serviços secretos sempre foram mais fortes do que as suas ligações à própria Rússia, onde não goza nem de um décimo da popularidade que granjeia por aqui. Aliás, nem nunca sequer foi ‘o maior opositor de Putin’ como bale a carneirada. O maior opositor é o partido Comunista. Aliás, o seu braço direito nessa Fundação foi filmado a tentar sacar milhões a um membro da embaixada do Reino Unido em Moscovo. Já Navalny esteve em 2010 na prestigiada Yale a fazer um curso de liderança que tem preparado vários protagonistas para revoluções nos seus países. Contudo, convém não esquecer que apoiou a operação na Crimeia em 2014 e as intervenções militares na Abecásia e na Ossétia do Sul. Jogou em vários tabuleiros e estava pejado de contradições.

Sobretudo, Navalny lembra aquela velha tática estado-unidense popularizada pelo secretário norte-americano Cordell Hull. Esse diplomata diria sobre o ditador Rafael Trujillo da República Dominicana (que deixou um rasto de de milhares de mortes): «Ele é um filho da p», mas é o nosso filho da ‘p*’. O que confrange nesta história não é apenas a hipócrita deificação de Navalny mas o facto dos EUA, frustrados com o sucesso de Putin em manter a federação russa, não terem conseguido recrutar um ‘fdp’ mais eficiente. De resto, que ganharia o presidente russo com a morte de Navalny? Até o timing parece deslocado e contra producente. 

Por fim, talvez o Ocidente pudesse carpir e lutar por Assange ou por Gonzalo Lira. Pelo menos não ficaria acusado de dois pesos e duas medidas. E se os EUA têm tantas dificuldades em explicar mortes como as de Jeffrey Epstein, talvez pudessem prestar atenção ao que está a ser difundido pelo Chefe de espionagem da Ucrânia-Kyrylo Budanov diz que Navalny morreu de coágulo sanguíneo, indo de encontro ao que chegou a ser divulgado pela própria equipa de Alexei.

Enfim, é insuportável ver o Governo português e tanta nata bem-pensante a darem o nazi-Navalny como um democrata, ecoando a narrativa da União Europeia. Essa mesmo que elegeu como prioridade o combate às fake news.


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6 pensamentos sobre “O nazi Navalny

  1. Triste és tu. E tu és quinta coluna de quem? Do nazismo? Da pilhagem? O Biden por acaso anda a pedir uma esmolinha nas ruas de Washington?
    Quando é que vocês param de achar que quem não pensa como vocês é quinta coluna de alguém?
    Aliás, vocês não acham nada porque vocês não pensam. Gostam simplesmente de insultar os outros.
    O Governo ucraniano esta a fazer um grande apelo às armas. Não queres ir tu também para as trincheiras? Em alternativa podes ir ver se o mar dá choco.

  2. O bilionário e invasor Putin deve estar feliz com a sua 5ª coluna em Portugal representada pela Joana Dias, vários generais, etc. Triste.

    • E qual foi a mentira que escreveu a autora deste texto? Para atacar a mensageira sem rebater seja o que for que está escreveu, deduzo que não viu nenhuma. Tanta amargura por destapar a careca a um neo-nazi, será que se identifica assim tanto com ele? Ou dá-lhe jeito usar essa figura como “paladino dos nossos valores e da democracia”?

  3. A mim já nada me admira. Se o civilizado e democrático ocidente, por via da sua narrativa hegemónica anda a chamar democrata e herói ao palhaço Zelly, sem que lhe seja reconhecido nenhum acto heróico nem nenhuma medida democrática, não espanta de o idiota útil do Navalny receba os mesmos equivocados epítetos que só descredibilizam quem os propala.

  4. Não sei porque é que alguém ainda se espanta com as atitudes do Governo português. Afinal de contas este Governo engoliu o discurso anti Rússia desde a primeira hora, ofereceu se para receber ucranianos sem fazer perguntas, membros do Governo diabolizaram os russos em geral e Putin em particular.
    O liberticida Zelensky, que prendeu, torturou e matou opositores sem número, tendo acabado por entregar alguns à Rússia teve direito a botar discurso no 25 de Abril. No que foi um insulto a todos os que durante 48 longos anos, lutaram, foram presos, torturados, mortos, exilados, até que nessa fria madrugada o pesadelo acabou.
    Se queriam mesmo mostrar o apoio ao regime ucraniano dando lhe assento na casa da democracia poderiam e deveriam ter escolhido outro dia.
    Escolher justamente o dia 25 de Abril foi um insulto a todos quantos lutaram pela democracia.
    Os deputados que se levantaram, recusando assistir a tal insulto, foram insultados de tudo. Mas foram os únicos a ter uma atitude digna. Porque muitos dos membros do seu partido foram torturados e mortos as maos de um regime cono o de Zelensky.
    O Presidente da República insultou todos quantos lutaram pela Liberdade ao pretender dar a Zelensky justamente a Ordem da Liberdade. Que felizmente o traste recusou talvez porque lhe tenham dito que a mesma tinha sido dada a gente que nada tinha de fascista.E até à, comunistas, justamente membros do primeiro partido que por lá foi legalizado.
    E ainda bem. Porque era um insulto a todos quantos em Portugal lutaram e morreram pela liberdade, merecendo tal condecoração, as suas famílias e a todos nós.
    Com Israel fomos uns sabujos desde a primeira hora e gostaria de saber a quem pediram autorização para hastear a bandeira do estado genocida num dos nossos mais emblemáticos monumentos nacionais ou para iluminar a Assembleia da República com as cores da dita bandeira. Ou em nome de quem o Presidente da República disse “somos todos israelitas”. Não foi de certeza em meu nome.
    Todos sabemos qual tem sido a atitude selvagem e genocida de Israel há muitos anos. Todos tínhamos obrigação de saber o que se seguiria. Por isso um pouco de solidariedade e a condenação do terrorismo da praxe, mas avisando logo que não tínhamos nada a ver com ações de vingança bíblicas talvez fosse mais apropriado. Agora fazer vítimas dos carrascos de sempre e que não teve jeito nenhum.
    Voltando a Navalny, efectivamente a única oposição com alguma consistência feita a Putin veio sempre do Partido Comunista mas, claro, nós nunca apoiariamos um partido que certamente não nos faria a vida fácil no que toca a sacar os recursos da Rússia caso retomasse o poder.E porque odiamos quem não reza pela cartilha do capitalismo selvagem.
    Pelo contrário, por aqui trataram de vilipendiar o Partido Comunista por este não ter embarcado na histeria anti russa e até por o Partido Comunista da Rússia ter votado no Parlamento a favor da invasão da Ucrânia.
    Pois que outro remédio teria o partido vendo nazis a armar se até aos dentes e a preparar um massacre das populacoes russofonas e sabe Deus onde iriam parar?
    Mas tudo serviu.
    Outra coisa que muita gente se esquece e que, a intervenção russa na Geórgia se deveu justamente a uma tentativa georgiana de matar ou expulsar as populações russofonas da Abcassia e Ossetia. Numa população de pouco mais de 70 mil pessoas, as milícias nazis georgianas já tinham morto umas três mil quando a Rússia, conseguiu por termo a matança. Tal como Netaniahu, Sakaswilli também estava afogado em escândalos de corrupção e achou boa ideia armar em conquistador.
    Mas não tinha um país tão vasto nem uma população tão fanatizada no ódio ao russo como a da Ucrânia Ocidental. O Ocidente aprendeu a lição da Geórgia, tratou de armar e mentalizar a população ucraniana, criar estruturas merceanarias e o resultado é uma guerra para lavar e durar.
    Agora não sei é porque é que alguem ainda se espanta com o que diz o Governo português.

  5. A fome de serem colocados em organizações bem remuneradas da UE ou convidados para umas férias anti-sabática em universidades dos Estados Unidos ou do Reino Unido, também matam. Tal como a de comer ostras, como dizia o mestre da retórica.

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