Nem como a do governo dos Cem Dias do Imperador Napoleão em 1815.
– E não poderá também vir a ser… a guerra dos Cem Anos… que foram 116, entre a Inglaterra e a França (1337 a 1453).
A voz do representante do dono falou e disse… a guerra da Ucrânia vai durar anos…
– Afirmações do Secretário-geral da NATO, feita ontem… solenemente.
De acordo… e obviamente coincidente, com aquilo que tem dito o procurador-mor USA na Europa… do exterior da UE… o descabelado e despenteado Boris, o extravagante PM do Reino Unido.
Entretanto os Reis-Magros do Ocidente, já regressaram da sua ida até ao Oriente, a Kiev, onde foram levar Boas Novas ao Zely… do Bezerro de Ouro, demoraram alguns dias, porque foram e vieram de camelo, devido ao custo elevado dos combustíveis… e por ordens da troika democrática; BBS – Biden, Boris e Stoltenberg, que são os donos da bola… e do futuro dos europeus… de Lisboa até ao Dnieper, rio que fica entre a Ucrânia ocidental e o leste da Ex Ucrânia, e que passará a ser a nova fronteira entre a Europa e a Eurásia.
O formato temporal decidido pela troika, está certo… corresponde e obedece a todos os critérios a ter em conta e necessários, para dar tempo ao tempo… esgotar até ao fim a Ucrânia e fazer agonizar a Europa ocidental até à morte por encomenda. E antes que acordem os seus povos, deixarem de pensar que um dia a Europa já foi importante… mas esses tempos de glória pertencem desde há muito ao passado, por isso ser uma colónia dos Estados Unidos, deverá ser uma honra para qualquer europeu que se preze… como qualquer idiota, ser súbdito de sua Majestade a Rainha de Inglaterra, e do Império Decadente Ocidental.
Sem a Rússia das sanções… e a seguir sem a China… sancionada pelas sensações do delírio ocidental… quem poderia ser o tutor da UE e do que resta do que sobra da Europa?
– A Índia, o Paquistão, o Brasil?
O Japão, também não pode ser… tal como a Europa… ocidental, dependem de quem os USA na morte e na manipulação em vida.
Claro claramente… só poderia e tem de ser, os Estados Unidos da América!
A única diferença é que o mercado de quase 500 milhões de otários europeus, em vez dos produtos chineses baratos, passarão a ter de consumir os produtos… ainda em fase de reindustrialização dos Estados Unidos… por isso é que a guerra tem de demorar alguns anos… mas com um ligeiro senão… os preços serão dez a vinte vezes mais caros. É preciso que a margem excedente fique no continente americano na Wall Street e não desperdiçar nas colónias.
Mas isto não é problema… e até ajuda à poupança… compra-se menos e vamo-nos habituando!
OBS:
1 – O período conhecido como os Cem Dias marca o período do retorno do imperador francês Napoleão I ao poder, após sua fuga do exílio na ilha de Elba.
2 – A Guerra dos Cem Anos, foi uma série de conflitos travados entre os reinos da Inglaterra e da França durante o final da Idade Média. Originou-se devido a reivindicações inglesas ao trono francês entre a Casa Real Inglesa de Plantageneta e a Casa Real Francesa de Valois. Com o tempo, a guerra se transformou numa luta de poder mais ampla envolvendo fações de toda a Europa Ocidental, alimentada pelo nacionalismo emergente de ambos os lados.
O sexo e o estado do tempo são os assuntos que mais tagarelice produzem. Michel Foucault chegou mesmo a considerar que a especificidade da época é a de uma multiplicação da conversa sobre a sexualidade. Quando a conversa sobre sexo chega ao capítulo da prostituição, instala-se um embaraço, um constrangimento.
Certamente embaraçado e constrangido, o Parlamento debateu a regulamentação da prostituição. Desconheço os termos do debate e nem teria dado por ele se não tivesse lido um texto interessante e bem informado sobre o assunto de Daniel Oliveira, no Expresso da semana passada. O artigo chama-se “Trabalhadoras e trabalhadores do sexo, uni-vos!”, um título enfático e de grandes evocações, que remete para uma concepção bem antiga que o artigo, felizmente, não corrobora: a de um laço consubstancial entre prostituição e luta de classes. Segundo esse entendimento, devia-se imputar à organização das condições de trabalho e de produção pela classe dominante não apenas a situação das prostitutas, mas também da própria prostituição. Decorre daqui que numa sociedade sem classes a mais velha profissão do mundo desapareceria por si própria.
Não foi inspirado no Manifesto Comunista que surgiu em França, em 2009, um pioneiro Sindicato do Trabalho Sexual (STRASS, nome que evoca a palavra alemã para “rua”, Straße), uma continuidade da associação “As Putas”, fundada por militantes vindas do Act Up, bem treinadas nas acções de agit-prop. A palavra “puta” é usada com gáudio por Morgane Merteuil, uma rapariga parisiense, com formação universitária (um master em literatura), que escolheu como pseudónimo o nome de uma proto-feminista, a libertina Madame de Merteuil do romance de Laclos, As Ligações Perigosas. Morgane Merteuil , autora do livro Libérez le féminisme (2012), aplicou-se a denunciar, enquanto foi secretária-geral e porta-voz do sindicato, de 2011 a 2016, a “putofobia” e o abolicionismo, isto é, a posição que consiste em querer abolir a prostituição com o argumento de que ela não é desejável para as pessoas que a praticam e, consequentemente, a emancipação dessas pessoas só seria alcançada sob a condição de elas se emanciparem da prostituição.
A reivindicação da prostituição como “trabalho sexual” (e, portanto, requerendo uma defesa sindical organizada) não é no entanto uma originalidade do STRASS. Vem dos Estados Unidos e, numa entrevista, Morgane Merteuil traça-lhe a origem: em 1978, Carol Leigh, prostituta e militante feminista americana, forjou a noção de sex work. Este neologismo, conta Morgane Merteuil, utilizou-o Carol Leigh pela primeira vez por ocasião de uma conferência feminista em que ela devia falar sobre “indústria de exploração do sexo”. Considerando que era um título desprestigiante das trabalhadoras e dos trabalhadores do sexo, propôs que falaria da “indústria do trabalho do sexo”. O neologismo rompia com o modo tradicional de entender a prostituição, enquanto condição ligada a características individuais e morais. E assim as reivindicações de ordem laboral, servidas por este novo conceito, tornaram-se uma luta importante.
Mas por mais que se reduza a prostituição a um trabalho, há sempre um resto muito importante que permanece irredutível, impossível de eliminar. Laurent de Sutter, um filósofo belga, dandy, provocador, praticante de uma pop-filosofia muito inteligente, desenvolveu essa “questão” num livro intitulado Métaphysique de la putain (2012). Neste seu breve tratado sobre a “metafísica da puta” — a puta como revelador da “verdade” —, Laurent de Sutter usa um corpus que vai da Lulu, de A Caixa de Pandora, de Wedkind (que Alban Berg adaptou para uma ópera), passando pela “femme coquette” de Godard (e todas as putas do cinema de Godard) e pela visita que Bloom, no Ulisses de Joyce, faz ao bordel de Mrs. Cohen. Não se esquece também Laurent de Sutter de citar Baudelaire, em Fusées, quando pergunta “O que é a arte?” e responde a seguir: “Prostituição”.
Sim, para Baudelaire o artista da vida moderna era aquele que acedia à condição de puta. Não era puta porque se vendia, vendia-se porque era puta.
O nosso João César Monteiro levou o baudelairiano preceito às últimas consequências e proclamou numa célebre cena de Vai e Vem, frente à Assembleia da República, depois de explicar a uma amiga de longa data a “intrincada tecnologia de ponta” do “brochim”: “A velha puta pode enfim sorrir”. E sobe a escadaria da Assembleia.
(Começo por dar os meus rasgados elogios ao Miguel Sousa Tavares. Contra o unanimismo acéfalo e a critica dos inquisidores ainda há quem saiba pensar e tenha coragem de enfrentar a turba. Sim, porque a turba se exalta perante os “trânsfugas” e já parte para a ameaça, eu que o diga. Bem hajas, MST.
Estátua de Sal, 17/06/2022)
Como sempre acontece com tudo, a guerra na Ucrânia vai perdendo aos poucos o monopólio das atenções. Para tudo dizer em poucas e cruéis palavras, já estamos todos fartos da guerra na Ucrânia. Mas seguramente ninguém mais do que os ucranianos: mais de 4 milhões permanecem ainda exilados no estrangeiro e, embora muitos tenham já regressado, o que encontram em muitos casos e muitos lados é um país desfeito e cujo futuro próximo não parece ser outro senão o contínuo troar dos canhões e a destruição paulatina de qualquer hipótese de regresso a uma vida normal. Todas as noites as televisões repetem imagens de prédios, escolas, hospitais em ruínas, campos minados e cidades semidesertas, e servem-nos intermináveis entrevistas com habitantes que apenas pedem o fim da guerra e uma oportunidade para retomarem as suas vidas. Todavia, invocadas sondagens cuja origem é misteriosa garantem-nos o contrário: que a grande maioria dos ucranianos deseja que a guerra prossiga até à derrota total do invasor russo. E todas as noites Zelensky, o Presidente dos ucranianos, aparece-lhes na televisão, vestido com a sua eterna T-shirt verde-militar, a prometer mais guerra e a pedir aos amigos da NATO novas e mais mortíferas armas para combater os russos. Fora isso, e das raras vezes que vai ao terreno, curiosamente só vemos Zelensky entre militares — discursando-lhes, condecorando-os, exortando-os a prosseguir o combate —, mas jamais o vemos entre os civis, prometendo-lhes mais sangue, suor e lágrimas e encorajando-os a sofrer mais morte e destruição sem fim à vista. Uma falha na meticulosa operação de imagem do Churchill dos tempos modernos.
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
Há um mês, os EUA, a Inglaterra e a NATO tinham convencido Zelensky de que a vitória era possível e estaria iminente: a Rússia ficaria de tal forma debilitada que tão cedo não se atreveria a ameaçar a Ucrânia ou quem quer que fosse. Era esse o objectivo final, conforme explicou em Kiev o secretário da Defesa americano. A imprensa ocidental ajudava a essa crença, descrevendo, com base sobretudo em informações dos serviços militares ingleses, uma força russa desmotivada, desorganizada, mal abastecida e mal comandada. Assim sendo, qualquer veleidade de retomar negociações de paz não só seria um favor feito a Putin, como soaria até a traição. Mas, entretanto, a situação mudou no terreno e mesmo os mísseis de longo alcance fornecidos por Londres e Washington não conseguiram evitar a inversão da situação militar a favor dos russos. Mariupol caiu e o Donbas está praticamente todo nas mãos de Putin, o seu primeiro objectivo militar declarado. Neste momento, até “a necessidade de evitar a humilhação da Rússia”, a declaração de Macron que lhe valeu tantos insultos em Kiev, parece ultrapassada pelos acontecimentos no terreno. O que poderá aquele trio de falcões do lado de cá fazer a seguir? Fornecer armas nucleares tácticas à Ucrânia: dar o passo que falta em direcção à guerra total ou conformar-se, não com a humilhação da Rússia, mas da NATO?
Entretanto, como vamos reparando todos os dias e como era de prever, a Europa, 600 milhões de europeus, mais uns milhões indeterminados de africanos e, entre eles, os pobres entre os pobres estão prisioneiros desta guerra que não começaram, que não quiseram, mas que, segundo nos contaram, serviu para unir mais do que nunca a Europa e a NATO. Mas, arrostando outra vez com a fúria dos sapientes de olhos vendados, deixem-me recapitular a versão alternativa dos factos — que, dia após dia, vem emergindo à superfície até ao dia em que, tal como sucedeu com o Iraque, saberemos a verdade toda, apenas uns milhares de mortos tarde demais.
Esta guerra podia e mais do que devia ter sido evitada e houve tempo suficiente para o fazer. Pessoalmente, comecei a escrever isso dois meses antes do 24 de Fevereiro, impressionado com a estranha passividade com que toda a gente, ONU incluída, via rufar os tambores de guerra e nada fazia para a evitar, nomeadamente trazer as partes de volta aos Acordos Kiev-2, que Putin declarou aceitar como solução definitiva. Apesar disso, acreditei que Putin não invadiria a Ucrânia, de tal forma esse passo me parecia estúpido e desproporcionado. Mas fê-lo, em força e à bruta, que é a maneira russa, sendo que também não há maneiras brandas nem limpas de fazer a guerra. No início, Zelensky deu sinais de estar disposto a negociar e houve várias tentativas de entendimento directo entre russos e ucranianos, mas sempre mediadas ou intermediadas por potências “menores”, como a Turquia ou Israel, sem que os “grandes” se envolvessem — o que foi estranho. E quando os “grandes” finalmente entraram em cena, foi para apostarem abertamente na guerra — o que me tornou as coisas mais claras. A guerra na Ucrânia convinha e convém à Grã-Bretanha cujo primeiro-ministro precisa desesperadamente de causas externas — a Ucrânia, a violação dos acordos do ‘Brexit’, a expulsão dos emigrantes negros para o Ruanda — para que o seu patético desempenho do cargo lhe permita ainda flutuar durante uns tempos mais à tona da sua mediocridade política. Biden precisa da Ucrânia para fazer esquecer a vergonha da retirada do Afeganistão, para substituir junto dos europeus os fornecimentos de gás e petróleo de Moscovo e para lhes vender armas, pois que, desgraçadamente, toda a política americana está cativa dos fabricantes de armas: quer a política interna quer a política externa. E a NATO, nas mãos desse sinistro Stoltenberg, tem tudo a ganhar: importância acrescida depois de ter estado à beira da morte, novos membros e novas áreas de actuação, mais poder militar e mais poder político, recuperando os EUA como líder indispensável em troca de subscrever e acompanhar todos os seus interesses estratégicos, até aos mares da China, se necessário, e como Stoltenberg já foi avisando.
Parece-vos uma visão simplista das coisas? Pois, talvez. Mas não o é menos a visão oposta: a de que a Rússia, sem qualquer razão para ver na contínua expansão em direcção às suas fronteiras da NATO (uma organização puramente “defensiva”), sem nenhuma razão para se opor à adesão de mais um membro, a Ucrânia, lançou uma guerra que, se não for travada ali, irá pela Europa fora até ao Atlântico. Concedo que em Moscovo reina um louco, só não me convenço que do lado de cá reinem missionários da paz.
Mas, entretanto, aqui na Europa — cuja política se resume ao seguidismo em relação aos americanos, à NATO e a Zelensky — os cidadãos comuns vão agora começando a perceber o preço que tem uma guerra que não foi evitada quando o podia ter sido e que ninguém quer parar. A Rússia, que nos garantiram ser um ‘tigre de papel’ económico que se desmoronaria em três tempos com as sanções, está aparentemente bem melhor do que os europeus.
Os brilhantes estrategos deveriam ter meditado nas lições da História e ter-se lembrado de que, enquanto César conquistava a Gália, a Helvécia, a Germânia e a Bretanha inglesa, alargando os limites ocidentais do Império Romano até às fronteiras atlânticas, Roma estava à beira de se desmoronar pela revolta popular motivada pela falta de trigo para o pão. Esqueceram-se os estrategos de que “o tigre de papel russo” tinha duas armas determinantes: energia e cereais, e a possibilidade de cortar as exportações dos cereais da Ucrânia através do Mar Negro. E agora até há “analistas” que falam na “primeira guerra alimentar da História” — uma coisa tão velha e tão usual nas guerras como a própria História. Putin deve estar a rir-se contemplando o resultado das sanções na Europa: energia a preços sem controlo e inflacionando tudo em cadeia, falta de cereais, recessão ao virar da esquina e combate às alterações climáticas chutado para o caixote do lixo.
Mas não só: os próprios fundamentos da Europa e da União Europeia como referência do primado da lei e dos direitos humanos estão a ser afastados pela necessidade de se submeterem aos novos interesses dominantes.
Só o Parlamento Europeu impediu (para já…) Ursula von der Leyen de fazer tábua-rasa da recusa da Polónia em obedecer à legislação europeia em matéria de independência judicial e direitos individuais, dando-lhe €36 mil milhões como prémio de ser dos maiores apoiantes da NATO e da Ucrânia. Mas a mesma Von der Leyen foi a Kiev declarar que a Ucrânia, um dos Estados mais corruptos da Europa, “já antes da guerra cumpria os critérios de adesão à UE” e que o país, onde Zelensky acaba de ilegalizar oito partidos políticos, “é uma democracia parlamentar sólida”. E o já citado secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, que agora também já se imiscui na política interna dos países, declarou-se “muito feliz” porque a Suécia “está a levar muito a sério as preocupações da Turquia com a sua segurança e já começou a mudar a sua legislação antiterrorista”. Ou seja, para ultrapassar o veto da Turquia à adesão da Suécia e Finlândia à NATO, os suecos estarão a preparar-se para declarar o PKK curdo como organização terrorista, como pretende a Turquia, acabando com o asilo político que davam aos seus militantes perseguidos por Ancara. Os mesmos que na Síria foram aliados preciosos de europeus e americanos no combate contra os verdadeiros terroristas do Daesh. Para tudo isto, li algures uma extraordinária explicação “democrática”: estamos em guerra e em guerra funciona o estado de excepção — até para os direitos humanos.
Eis para onde caminha a Europa dos valores e da prosperidade. Eis o preço a pagar por esta guerra da qual somos todos prisioneiros.
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia