(Carlos Esperança, 01/01/2019)

A posse de Bolsonaro, um primata abrutalhado que, após a expulsão do exército, correu como deputado, por numerosos partidos brasileiros, sem atividade legislativa, a recolher benefícios do cargo, é a cereja no bolo da demência que grassa no continente americano.
As democracias são aí exóticas, residuais ou em vias de extinção, a sul do Canadá. Basta um segundo mandato de Trump para acabar com veleidades de eleições livres em países da América Central e do Sul.
É evidente que Jair Bolsonaro não quer, não pode e não sabe governar em democracia. O Senado e o Congresso dos deputados, onde muitos estão habituados a trocar o voto por benefícios pessoais, sem ideologia e sem entusiasmo na defesa do interesse público, não lhe vão facilitar a vida.
Quem conhece a cultura de caserna do cavernícola que as redes sociais, as televisões e a influente lepra evangélica levaram ao poder, facilmente adivinha que as botas cardadas serão o seu modelo e as espingardas o apoio que solicitará. Resta saber se a tropa, com que conta, estará disposta a aventuras e terá por ele a afeição do bispo Edir Macedo.
Deixar 200 milhões de brasileiros nas mãos de um boçal sem experiência governativa, sensatez ou projeto é um perigo para a sobrevivência dos mais pobres e um incentivo à violência que a liberalização do uso de armas não deixará de estimular.
Jair Bolsonaro considera-se um enviado de Deus e tem o apoio de Trump, as orações de Duterte, o assassino das Filipinas, e ainda a ajuda de toda a extrema-direita mundial e de Israel, para além dos que pretendem a Amazónia e deter os recursos do subsolo, o que garante o aumento do PIB que o ajudará a endurecer o poder.
Francis Fukuyama enganou-se rotundamente quando previu o fim da História. Está em marcha um retrocesso que não brota apenas no continente americano, é uma mancha de óleo que alastra a todo o Planeta e já contaminou a Europa. Os inimigos da democracia e dos direitos humanos, paradoxalmente, alcançam o poder pela via democrática. Hoje, são eleitos indivíduos que eram casos de polícia e agora se tornam líderes políticos.
A tomada de posse de Bolsonaro, com coreografia pífia e desajeitada, parecia mais uma parada militar do que a substituição de um PR em democracia. A faixa presidencial lá passou do corrupto golpista, Michel Temer, para Messias Bolsonaro, que hesitou em entrar de cabeça ou com o braço à frente.
“O Brasil acima de tudo [Deutschland über alles] e Deus acima de todos”. Bolsonaro dixit.
Depois, foi o sombrio desfilar de figuras menores onde o abraço sionista de Netanyahu foi o mais demorado, e o de Marcelo, o único PR da Europa, parecia uma ida mais a um velório onde, despachados os pêsames, fugiu a ver os netos ou a esconder a vergonha.
O juiz que prendeu, investigou e condenou Lula da Silva lá fará companhia a Bolsonaro e a vários generais, indiferente à humilhação que infligiu à Justiça com a sede de poder que o devorou.
Não é um governo que o ex-capitão comanda, é uma companhia de tropa sem vergonha.
Sobre a mancha de óleo que alastra:
Em 1942,a direita mais à direita dominava Portugal,Espanha,França,itália,Bélgica,Holanda,Dinamarca,Noruega,Suécia,Finlândia.Alemanha,Checoslováquia,Polónia,Hungria,Bulgária,Roménia,Grécia,Turquia,Marrocos,Tunísia,Líbia.Japão.China,etc., e os USA ainda não tinham entrado na guerra,o que só aconteceu com o ataque a Pearl Harbor nos finais desse ano.
Os custos foram terríveis mas a vitória das forças da Liberdade ainda hoje é motivo de força e confiança para muitos !
Verdade perigosa…e agora… como vai ser
Parece que o Célito convidou o cara para visitar Portugal.
Tamos bem governados….
“É evidente que Jair Bolsonaro não quer, não pode e não sabe governar em democracia.”
Infelizmente foi o pateta que os brasileiros escolheram. Como eles ainda gostam de frisar. A ignorância foi sempre um estado tramado. E a partir daqui engolem tudo o que o acéfalo bolsar. Ainda há uns dias ouvia um barbeiro brasileiro – onde fui cortar o cabelo – garantir, entre outras pérolas, que o Bolsonaro já poupou não sei quantos milhões ao Brasil com o corte dos Ministério. E que agora acabaram as relações internacionais com os “vermelhos”. Mesmo depois do convite oficial que o embaixador da Venezuela fez publicar. Imagino ontem ao ver o Evo Morales. Isto se souber quem é o Evo Morales como é óbvio. A fezada ainda consegue ser pior que a fé.
“As democracias são aí exóticas, residuais ou em vias de extinção, a sul do Canadá.”
Porque o Obrador é um comuna, o Raúl não faz reformas democráticas, o Maduro deixa golpistas ir a eleições, a Argentina, Brasil e EUA deixaram continuam a ter eleições… o que vale é que o homem europeu continua a mostrar como se faz – deve-se dizer que sim sem piar a tudo o que diz um império europeu, não a um do resto do mundo.
Haja espelhos em 2019.