Sarjeta

(Francisco Louçã, in Expresso Diário, 28/08/2018)

LOUCA3

(O Sol, capitaneado pelo arquitecto Saraiva, essa sumidade que um dia achou iria ganhar o Prémio Nobel da Literatura, mas que o melhor que conseguiu foi escrever uma cusquice literária de devassa dos segredos de alcova de muita gente da política, está a tentar ultrapassar o Correio da Manhã, pela direita alta… 

Intriga, calúnia, e suspense, são os ingredientes recorrentes. 

Mais um pasquim a dar à costa na sarjeta a céu aberto em que se está a tornar a comunicação social em Portugal.

Comentário da Estátua, 28/08/2018)


A exuberante manchete do “Sol” na semana passada (“O mistério da casa de férias do deputado João Galamba”) é um exemplo de escola sobre o que é o jornalismo de sarjeta. Conta o jornal que uma casa de férias alugada pela mãe de Galamba ainda não teria sido devolvida ao proprietário, o Estado, depois de a locatária ter morrido precocemente há semanas. Para apimentar a coisa, sugere que o deputado e a irmã estariam a passar alegremente férias nessa casa (“desde 2012”).

Não sei o que é mais lamentável na notícia, se o editor ter escolhido um escrito sem notícia para destacar na capa, se o jornal soprar que, perante a morte tão recente, a família devia priorizar este acerto de contas, se ignorar que o prazo para a comunicação ao proprietário ainda está longe de se ter esgotado ou que o viúvo tem direito à continuidade legal do arrendamento até ao fim do seu prazo legal. Talvez o mais sinistro seja mesmo a insensibilidade de fazer política com esta morte. Tudo isso é rasca. Bem lida a notícia, só nos podemos perguntar por que raio é que alguém quis escrever esta peça. Mas a falta de vergonha é uma condecoração neste jornalismo.

Segundo a Lei de Trump, não importa que seja mentira, o que importa é que os fanáticos se fanatizem com estas coisas, que as repitam incessantemente e que façam delas uma religião nas redes sociais

É, aliás, um sistema. Suponho que o entusiasmo do diretor pela escolha da manchete pode ter vagamente a justificação das audiências, pensando que possam ser puxadas pelo odor de escândalo, num jornal que arruinou meticulosamente a sua reputação e as suas vendas. Já seguiu a mesma estratégia no caso Casa Pia e, na verdade, em qualquer oportunidade de demonstrar que se pode fazer jornalismo desta estirpe. A regra é, quanto pior melhor.

Ora, o problema é que isto serve, não há dúvida. É aliás por isso que alguém arrisca na operação a reputação do jornal, logo forçado a desmentidos sucessivos, quando não os consegue evitar ou esconder. O que neste campeonato conta é o efeito, a multiplicação de posts e tweets e boatos e maledicência.

Segundo a Lei de Trump, não importa que seja mentira, o que importa é que os fanáticos se fanatizem com estas coisas, que as repitam incessantemente e que façam delas uma religião nas redes sociais. Já o escrevi e repito com este caso: esta manchete do “Sol” é um exemplo de como a direita, que sabe que perde as próximas eleições, vai fazer política. Feia, porca e má. E mentira, antes de mais.

Santa Joana e o sebastianismo

(Por Valupi, in Aspirina B, 28/08/2018)

JOANA_OLHA

(Quem olha assim, de esguelha, e com “cara de poucos amigos”, não pode ser boa pessoa. Por isso, acho que está na hora de ir para casa tratar dos netos, se é que a personagem é suficientemente afável para que eles a aturem e aceitem. Eu, cá por mim, olhando para a cara dela, tenho as minhas dúvidas.

Comentário da Estátua, 28/08/2018)


O DN foi palco de uma operação política tão surpreendente que até terá deixado os caluniadores profissionais que o perseguem completamente baralhados. Começou com esta peça – Marques Mendes sabe tudo? Como o político passou a guru do comentário – um típico exercício de relações públicas para promover alguém que actua no campo da política-espectáculo. Misturado no serviço publicitário onde Marques Mendes aparecia pintado como um sucesso de audiências, ficávamos a saber que vinha a caminho mais um comício a favor da santa Joana. O DN ensinava, pelo teclado de Paula Sá, que “a grande polémica da rentrée política” dizia respeito ao final do mandato de outro indivíduo também denominado Marques. Atente-se na fórmula: a questão é política, é polémica, é a questão política mais polémica dos próximos meses. Pois bem, e onde está a polémica? Ou donde virá? Sobre esses pormenores, moita-carrasco.

No mesmo dia, o DN lançou a continuação da operação – A procuradora-geral deve ser reconduzida? Marques Mendes não tem dúvidas – onde se repetiu ipsis verbis o discurso televisivo sem qualquer enquadramento, análise ou crítica do escriba. Esta câmara de eco das mensagens que o militante do PSD quis espalhar no espaço público teve a assinatura de João Pedro Henriques, o mesmo que viria no dia seguinte a concluir a operação com esta serventia – Destino da procuradora-geral nas mãos de Marcelo – um texto que é do princípio ao fim uma exposição apologética da agenda da direita para o controlo e uso da Procuradoria-Geral da República.

Não faço a mínima ideia de qual seja a origem desta campanha no DN para a renovação do mandato de Joana Marques Vidal. Sei é que não estamos no campo do jornalismo nem no da opinião, posto que as peças são apresentadas como sendo o fruto do labor profissional da Redacção na produção de “notícias”. Pelo que só resta a categoria do “editorial” para explicar o fenómeno – ou então a da “anarquia”, em que cada jornalista se sentiria com liberdade para usar a sua carteira profissional como arma das disputas partidárias e mesmo da subversão do Regime. Mais fácil de explicar será esse outro fenómeno de vermos um conselheiro de Estado armado em vedeta mediática da baixa-política a encher a boca com calúnias e ofensas.

Ao bolçar que “o PS, em matéria de independência da justiça, não tem grande curriculum”, o grande Mendes não só nada justifica como depende dessa desonestidade para se dedicar à táctica favorita da direita decadente, a diabolização. Há método nesta insídia, pois a diabolização não só aponta ao carácter do alvo como atiça a pulsão persecutória até ao grau máximo de violência que for possível atingir. Se o PS, sem sabermos quando nem como, manipulou a Justiça, então temos de impedir que repita dano tão grave. Como? Ora, fazendo com que a Justiça seja manipulada, mas desta vez pelos bons, pela gente séria. É este o sofisma da direita, logo desde que Passos e Cavaco escolheram a santa Joana para conseguir meter no chilindró o maior inimigo que a oligarquia conheceu após o 25 de Abril, o tal fulano que conseguiu despertar a ira das maiores fortunas do País. Paula Teixeira da Cruz canonizou essa homérica vingança com a expressão “fim da impunidade”. Tendo em conta os ritmos do Ministério Público, dos tribunais e o volume de novos processos que se poderão abrir só a partir das certidões já retiradas na “Operação Marquês”, vamos ter 20 ou mais anos disto. Disto: a sistemática difamação contra o PS, explorando mediática e politicamente a judicialização da política por todos os meios e em todas as ocasiões.

As declarações mais perversas da sessão foram dedicadamente recolhidas pelo seu amigo João Pedro e são um monumento ao desprezo pelo Estado de direito, ao desprezo pelas instituições da República, ao desprezo pela comunidade, ao desprezo por Portugal

«Por isso, “atirar borda fora” a atual procuradora seria suspeito, cheiraria a esturro. “Embora seja certo que essa suspeita não se aplica a António Costa, é, ainda hoje, a suspeita que recai sobre o PS” e uma eventual substituição da atual PGR “agrava essa suspeita em vez de a afastar”.

Além do mais, quem substituir a PGR irá “ficar logo com um estigma”: “Foi escolhido porquê? Foi escolhido para defender quem?” Isto – concluindo – “é fatal”. “Será que o poder político – Governo e Presidente – quer assumir todos estes riscos?”»

Marques Mendes, conselheiro de Estado, ex-governante, ex-líder partidário, ex-deputado, usa o seu espaço de comentário numa TV para chantagear o primeiro-ministro e o Presidente da República. Caso eles ousem substituir a procuradora-geral da República que a direita considera (e por óbvias razões) como sua comissária política, será lançada uma campanha para caluniar o seu sucessor e os responsáveis pela sua nomeação.

Aquilo que Joana Marques Vidal está a fazer não pode ser feito por mais ninguém, berra a direita, e sem ela os socialistas corruptos voltarão a corromper tudo e todos. É isto e só isto que está a ser dito. Em nome de uma hipócrita e absurda defesa da integridade da Justiça, a degradante personagem reclama a posse desse cargo para o manter politicamente alinhado com interesses sectários e criminosoNo DN garante-se que Mendes é o papagaio de Marcelo. Se é isto o “jornalismo de referência”, e se tal coisa nos ajuda a entender a realidade, acho que podemos já saltar para a mesma conclusão a que chegou D. Sebastião em 4 de Agosto de 1578: “Foda-se, se é para isto vou mas é desaparecer daqui.”


Fonte aqui

A Cristas diz que António Costa julga que está num país das maravilhas

(Dieter Dellinger, 27/08/2018)

Toys

CARTOON IN BLOG 77 COLINAS

(A Sãozinha e o Melo tiraram o verão para satisfazer uma paixão de infância que já tinham esquecido: brincar aos comboios. A Cristas tem-se divertido imenso e em cada estação onde pára, sai uma crítica ao Governo e às “esquerdas encostadas”, como ela adora dizer. 

O mais ridículo é ela falar de “encostos” à esquerda, quando o CDS nunca contou para nada na política em Portugal, a não ser quando se “encostou” ao PSD.

Comentário da Estátua, 27/08/2018)


Ela mostra o seu profundo desconhecimento da economia e situação mundial comparada com a zona euro e com Portugal.

Portugal tem uma taxa de desemprego da ordem dos 6,9% e a Zona Euro está nos 9,2%. O PIB português cresce um pouco mais que a zona euro, sendo, contudo, bastante mais baixo que o dos países mais ricos, mas não com uma diferença gigantesca.

Portugal tem uma dívida externa real muito mais baixa do que dizem as estatísticas devido à entrega de dívida pelo BCE ao BP e às reservas para amortizações, sendo da ordem dos 92% reais. Mário Centeno conseguiu gerir as finanças europeias no contexto europeu a ponto de ser eleito para a presidência do Eurogrupo, o que é algo que nem a Cristas nem a Catarina Martins entendem.

A Zona Euro é, sem dúvida, o país das maravilhas do Mundo inteiro, pois com 4,5% da população mundial detém 15,6% do Pib também mundial.

O Pib português é de aproximadamente 75% da Zona Euro, o que supera em muito o PIB per capita da maioria das nações do Mundo.

Portugal não é o primeiro país do Mundo e seria estúpido pretender que fosse quando não possui recursos naturais como carvão e ferro que deram origem à revolução industrial e tem um clima instável que não permite rendimentos regulares aos agricultores.

Mesmo com essas dificuldades, o que mais se discute é o pequeno atraso de comboios que não são todos novos quando há 6 milhões de automóveis e outros tantos contadores domésticos, segundo as estatísticas da EDP e que significam habitações independentes em prédios ou moradias. Além disso, todos os verões discute-se a falta de algum pessoal aqui ou acolá porque todos os trabalhadores têm o seu direito a um mês de férias acrescido de um segundo ordenado.

Estes número dizem pouco para quem desconhece os dramas que acontecem no Mundo. O nosso vizinho continente africano tem 54 nações e cerca de 15% da população mundial e apenas 1% do PIB de todo o Mundo.

Mais de metade da população africana desejaria emigrar para a Zona Euro e a maior parte dos seus países estão na miséria total como estão muitos da América Latina, a começar pela Venezuela, e da Ásia.

A zona euro é muito mais rica que outros países da União como a Polónia, Roménia, Bulgária, etc.

O desastre humanitário em vastas zonas do Mundo não tem comparação com nada no passado e já desembarcam africanos em Cádiz e qualquer dia chegam às costas algarvias.

O Mundo está a caminho de um imenso desastre humano devido ao excesso de população e falta de recursos. Portugal não tem esse excesso e a sua natalidade é baixa com uma elevada esperança de vida.

Portugal tem uma elevada percentagem de população envelhecida que não ficará por cá até aos 150 anos de idade. De acordo com as fórmulas matemáticas das “filas de espera”, a população infantil de hoje terá de sustentar uma população reformada equilibrada, ou seja, muito inferior à população ativa, mesmo que se viva para além dos 90 anos de idade.

Enfim dizer mal sem literacia matemática ou estatística é fácil e demasiado estúpido. Inteligente é conhecer os dados e isso está arredado dos neurónios da Cristas.