AS EMPRESAS FORAM MESMO ESQUECIDAS NO ORÇAMENTO?

(In Blog O Jumento, 06/12/2017)
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Durante anos as empresas beneficiaram de uma transferência de rendimentos retirados aos trabalhadores das mais diversas formas, Sem qualquer contrapartida e beneficiando de um ambiente de ditadura gerido por Passos Coelho, as empresas viram descer o IRC compensado pelo aumento do IRS, beneficiaram de muitos dias de trabalho em férias e feriados retirados aos trabalhadores sem que tenha sido feita qualquer compensação.
Nesse tempo o Orçamento era um instrumento do Estado, ninguém via nele uma forma de adar mais a uns do que a outros. Só que as empresas habituaram-se de tal forma a esta generosidade que deram como adquirido que os orçamentos do Estado servem para dar às empresas e ou aos trabalhadores. Agora acham que porque há uma descida do IRS que foi brutalmente aumentado também têm direito a beneficiar da generosidade, sabendo-se que a generosidade feita através dos impostos sobre as empresas só pode ser financiada pelos rendimentos do trabalho.
Isto é, quando as empresas querem que o orçamento também pense nelas estão dizendo que sofrem da síndroma da abstinência e querem que o Estado continue a financiá-las com os impostos sobre os rendimentos do trabalho. Quando Passos Coelho era primeiro-ministro ninguém ouviu o camarada Saraiva queixar-se, agora é sempre a mesma ladainha, que o OE ignorou as empresas. Os senhores afinal já não são liberais como dizem, na hora das benesses estatais defendem uma maior intervenção do Estado, só que tem de ser um intervencionismo mais à moda de Passos Coelho.
Só que o problema do camarada Saraiva não é apenas a sua militância na prática do pecado da gula, o pobre senhor da CIP também revela vistas curtas. Se não fosse isso perceberia que são as empresas que também beneficiam do aumento dos rendimentos dos mais pobres e, em particular, dos que em Portugal trabalham a troco de um salário mínimo que não garante que uma família fique acima do limiar da pobreza.
O camarada Saraiva é mesmo um cegueta, está convencido de que as empresas ganham mais em recessão e em ambiente de crise, graças á generosidade de um qualquer Passos Coelho, do que com crescimento económico, com um sistema financeiro mais estável, com as agências de notação a tornar a dívida soberana mais barata e em paz social. O camarada Saraiva não evoluiu nada ao longo de uma vida, quem quadrado nasce tarde ou nunca se arredonda.
Ou será que o camarada Saraiva sabe mesmo fazer as contas, a forma como enriqueceu parece apontar nesse sentido, e quer ganhar a dobrar? O senhor Saraiva quer ganhar com a estabilidade social, com o reequilíbrio do sistema financeiro e com o aumento do consumo. Mas não quer dar nada, não quer sacrifícios, porque na opinião deste camarada muito original sacrifício é coisa para os trabalhadores, digamos que como já estão habituados não se estragam duas casas de família. Cá por mim que a escola do camarada Saraiva em vez do PCP foi alguma sacristia e gosta particularmente daquela parte do Pai Nosso que reza “venha a mim o vosso reino”.

DA HONRA E DA DESONRA!

(Joaquim Vassalo Abreu, 05/12/2017)

Economistas azia

Três artistas de circo, doutores de meia tigela, com azia aguda e úlceras dolorosas. Imagem in Blog 77 Colinas

Quanto aos assessores dos artistas circenses, aos prestigitadores e candidatos a Drs. Mambo, doutores de meia tigela, aos mensageiros do demo, aos despeitados e ressabiados de toda a espécie e toda a gentalha dessa estirpe…desses nunca rezará a história que não seja a do anedotário.


A propósito da eleição de MÁRIO CENTENO para Presidente do Eurogrupo, dizer-se que a eleição de qualquer Português para um alto cargo internacional é um motivo de grande honra para o País, e que Portugal pode beneficiar muito dessa eleição, é uma forma “bacoca” e provinciana de ver a questão.

É que honra será, quando muito, para o eleito, se tal lugar tiver sido conquistado com merecimento e HONRA!

A eleição de Guterres para Presidente da ONU, por exemplo, foi obtida com toda a competência e HONRA e todos fomos testemunhas do brilhantismo das suas intervenções aquando das audições prévias à votação. Guterres tal alcançou não por ser Português, mas pela sua competência e HONRA! Em que é que Portugal pode beneficiar da sua eleição mais que qualquer outro País?

Podem falar-me de prestígio mas, sejamos francos: o Luxemburgo, um país minúsculo esteve em vias de ter um Presidente da CE e um Presidente do Eurogrupo! Que estatuto histórico ou de influência terá esse pequeníssimo País para tanto? Relativizemos, portanto.

O ser Português, Letão ou Luxemburguês, é secundário e tanto assim é que um Português foi por duas vezes nomeado Presidente da Comissão Europeia- e é mais que legítimo perguntar se de tal beneficiou Portugal ou se o nosso País saiu mais prestigiado desta nomeação- e aqui, aqui sim, sem qualquer honra ou glória.

A sua nomeação, porque de uma nomeação se tratou, não adveio de um qualquer reconhecimento por quaisquer méritos ou feitos, mas como um pagamento, ou prémio, por um serviço sujo prestado: o de ter aceitado ser cicerone activo, e até protagonista, daquela cimeira da vergonha, de um dos actos mais vis que a História pode contar, a cimeira das Lages onde, ele e mais três autênticos vilões, deturparam a realidade e promoveram uma sangrenta guerra que alterou, por muitos e muitos anos, a vivência mais ou menos tranquila de uma região deveras importante na geostratégia mundial. A isto chama-se desonra! Mas com letra pequena, que mais não merece.

Ele representa, portanto, aquilo que não se conquista com honra, mas pela desonra. Que é a falta de honra de um lacaio sempre à procura de quem servir e, tal qual animal, de constante aberta boca à espera de um doce do seu dono. Ou donos!

Mas ele, mais ainda, além da desonra, representa e é o espelho do que é a “competência” e “honra” da Direita, principalmente da nossa Direita que, em contrapartida com a Esquerda, serve senhores e interesses, enquanto a Esquerda serve o Povo! A sua “clientela” como não se cansam de dizer…

A eleição de MÁRIO CENTENO, que é efectivamente uma eleição pese a que, como em qualquer eleição, tenha havido negociações e manobras de persuasão para se tentar impor, mesmo sendo o mais competente, o membro de um País saído do chamado resgate e, portanto, não integrante do bloco dominante, é um triunfo dele próprio, da sua competência, da sua afirmação e da sua HONRA!

A sua eleição, volto a frisar ELEIÇÃO, não foi obtida pela cedência, mas pela afirmação! A afirmação do protagonista de uma política económica alternativa à então vigente, do convencimento dos seus pares da sua bondade e, mais que bondade, da prova prática de que, ao contrário da apregoada “tina” ( there is no alternative), através dos números, dos indicadores e da sua eficácia também social, a prova da sua certeza e superioridade!

Se aqui Portugal tem algum mérito, e disso pode estar orgulhoso, é ter, por um lado, tido a coragem de inverter as políticas económicas e sociais anteriormente seguidas, as de submissão e penalização e, por outro lado, ter nelas apostado como artifícios dessa mudança, mudança essa imposta pela HONRA, pela competência e nunca pela subserviência!

Aqui sim Portugal, mais concretamente este Governo e esta solução governativa, podem e devem estar orgulhosos e de Parabéns.

Quanto aos assessores dos artistas circenses, aos prestigitadores e candidatos a Drs. Mambo, doutores de meia tigela, aos mensageiros do demo, aos despeitados e ressabiados de toda a espécie e toda a gentalha dessa estirpe…desses nunca rezará a história que não seja a do anedotário.

Porque, quais bobos da corte, só fazem rir, são motivo de chacota e só para isso servem…Para quê perder mais tempo com eles?

PARABÉNS MÁRIO CENTENO e Parabéns Governo de Portugal!


Fonte aqui

As dores do Tavares

(Por Júlio, in Blog Aspirina B, 05/12/2017)tavares2

A coluna do J M Tavares hoje no Público, “Mário Centeno no ninho dos falcões”, pode servir para um instrutivo estudo de caso sobre diferentes tipos de dores, nomeadamente a dor de cotovelo e a dor de corno. Estas expressões são muitas vezes usadas indistintamente na linguagem coloquial, como se fossem a mesma coisa. Pero hay que distinguir, como dizem os nossos hermanos.

dor de cotovelo é basicamente inveja. Centeno provoca intensa dor de cotovelo aos spin doctors da direita, porque lhe invejam os resultados económico-financeiros da governação nos últimos dois anos e ainda mais lhe invejam, agora, o reconhecimento europeu traduzido na sua eleição para presidente do Eurogrupo. O cotovelo de Tavares já não aguenta. Nota-se bem que escreveu esta prosa de braço ao peito.

dor de corno, como o nome indica, tem mais a ver com o ser-se preterido por quem se era amado. O reconhecimento dos méritos de Centeno pelos seus pares europeus, que são maioritariamente de direita, provoca compreensivelmente intensa dor de corno nos advogados da direita portuguesa, que se sentem traídos e feridos no seu ego afectivo.

Assim, Dijsselbloem e Schäuble, tão amigos que eram de Passos e Maria Luís, são agora visados pela ironia amarga do dolorido Tavares, que visivelmente os considera uns traidores. Até os banqueiros alemães, os supostos malandros que mandam na Alemanha, são acusados de terem apoiado a escolha de Centeno – o qual, por tabela, aparece figurado como o homem dos ditos banqueiros. Toda essa gente é alcunhada, por conveniência momentânea do argumento, de “falcões”.

A dor de cotovelo e a dor de corno, claramente distintas na sua origem e conteúdo, têm todavia em comum uma consequência para quem as padece, a saber, serem más conselheiras. A pessoa de cotovelo ou corno dolorido não aceita a dura realidade, por isso trata desesperadamente de diminuir e depreciar o que ou quem lhe causou essas dores. É o que faz Tavares, valendo-se das alegações, piruetas e álibis mais curiosos para tentar figurar a eleição de Centeno como uma má notícia para a esquerda e uma espécie de castigo ou correctivo para o governo de Costa, que agora ficaria mais obrigado do que antes a respeitar as “exigências da zona Euro”. Também não podia Tavares dispensar a dose habitual do seu conhecido alucinogénio wishful thinking, traduzido no desejo de que a eleição de Centeno e as suas novas funções e obrigações tornem os partidos de esquerda apoiantes do governo de Costa “cada vez mais irrequietos”.

Mas nada disto é convincente para o próprio Tavares, nem lhe alivia decisivamente as dores, pelo que acaba subrepticiamente dando o braço a torcer, com um queixume e uma censura dirigidos à oposição de direita. Diz ele: “Falar só de Finanças já não chega”. Continuar a insistir nisso “é puro e simples suicídio”, sentencia ele gravemente. De facto, daí só têm vindo “boas notícias”, que são o pesadelo de Tavares e a dor de cabeça da direita. Por isso, vinham agora a calhar uns incêndios, mas a estação deles já passou. Talvez umas inundações?