Autárquicas

(In Blog O Jumento, 22/09/2017)

assuncao_toureia

A pouco mais de uma semana das eleições já é possível tirar algumas conclusões a nível nacional e, nalguns concelhos mais importantes, a nível local. No plano local há muitas dúvidas e nalguns casos, como em Lisboa, nem está em causa saber quem vai ganhar, mas sim quem vai ficar em segundo lugar; isto é, pela primeira vez em Lisboa e no Porto vemos o PSD  numa luta desesperada para não ser remetido para um terceiro lugar, senão mesmo quarto.
A queda abrupta do PSD da extrema-direita-chique de Pedro Passos Coelho é cada vez mais evidente, ainda que isso não signifique a perda da liderança do PSD. Até porque o senhor que de forma intermitente, uma espécie de pirilampo político, se apresenta como um não mas talvez quem sabe candidato à liderança decidiu aparecer ao lado do candidato do PSD no Porto. O mais certo é Passos ser humilhado em Lisboa e acontecer o mesmo ao pirilampo do norte.
Passos enterrou-se em Lisboa e tem feito da pré-campanha e da campanha uma manobra de oportunismo, roubando o palco aos seus candidatos autárquicos para aparecer diariamente nas televisões. Passos ignora as autarquias e parasita o trabalho dos seus autarcas, numa tentativa desesperada de atacar o governo. O problema é que sem discurso coerente o líder do PSD parece ler os jornais de manhã em busca de acidentes, roubos e incêndios para ter com que atacar Costa à noite. À falta de desastres opta pelo discurso trumpista dos imigrantes ou cola-se a Belém.
Quem mais ganha com esta estratégia é o PS que opõe a um discurso errático e incoerente uma abordagem mais próxima dos seus autarcas e nem precisa de mandar o primeiro-ministro aos jantares de lombo assado. O PSD deixou os seus autarcas entregues ao destino e cada um safa-se como pode, permitindo que um André Ventura se transforme no candidato mais famoso e símbolo deste novo PSD.
Quem agradece a estratégia suicida de Passos Coelho é a líder do CDS, não só está fazendo a melhor campanha autárquica em Lisboa como aos poucos vai-se demarcando do radicalismo de Passos Coelho. Quem não conhecesse as personagens diria que Cristas era do PSD e Passos do PNR. Cristas vai humilhar Passos em Lisboa, muito provavelmente vai ganhar pontos em muitos concelhos onde os candidatos do PSD foram deixados ao abandono e o único erro eu terá cometido nestas eleições foi ter aceite alianças nalguns municípios.
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