Este BARRETO é um “Barrete”!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 30/05/2017)

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Lentamente vou-me actualizando, depois de muitos dias de imensa amargura e alheamento. Mas a vida continua…

E se há coisa, que até por aqui algures referi, que me faz pensar e me faz ficar cada vez mais perplexo é, acerca do processo por que passei durante uma dezena de anos, o facto de muita gente, maioritariamente mulheres, por acaso, me dizerem: nenhum (eu acrescento “quase”)  homem faria o que você fez!

A minha perplexidade conduziu a que eu dissesse e escrevesse o que disse e escrevi: Mas como, perguntava eu? Mas haverá possibilidade de se ser Homem só pela metade? Ser-se honesto só pela metade? Ser-se vertical mais ou menos? Ser-se sério mais ou menos? Ser-se íntegro em part-time? E, finalmente : AMAR mais ou menos ou assim-assim?

Portanto, seguindo como sempre procurei seguir aquilo que sempre me foi ensinado, eu considero e sempre considerei que o que vivi não passou da “normalidade” e sempre respondi a essas pessoas: Eu? Que sofri ou sofro eu? E ELA?

Portanto, passado este pequeno introito, ele apenas é referido, como vão ver e ler, como introdução a uma apreciação, que não passa de uma pessoal apreciação, a uma pessoa que eu não posso considerar, pese a sua cultura, pese o seu estudo, pese o seu estatuto ou pese os lugares ou cargos que ocupou, como um Homem na sua essência total, mas apenas “mais ou menos” homem.

Porquê? Por uma simples e primeira razão: ninguém pode ou deve renegar nunca o que foi! Isto é, até pode mudar de ideias, mas renegar o que se foi? Para mim, nunca! Por exemplo: eu nasci pobre! Vou alguma vez esconder ou renegar isso? Para estudar fui para um Seminário. Posso isso renegar? E poderei, tendo em alguma época sido contestatário ou me ter comportado fora das regras, isso esconder? Ter pensado de maneira diferente do que agora penso e isso renegar?

Não, eu entendo que não! Acho que um Homem que é Homem, deve assumir a sua vida, os seus actos e a evolução do seu pensamento, mas nunca renegando o que foi ou como foi construindo o seu pensamento e vida.

E, no meu processo de reactualização com o dia a dia, dei por mim a ler numa capa de jornal um estrato de uma entrevista que o personagem a que me refiro (O Sociólogo António Barreto) deu a um qualquer jornal e em que dizia esta frase fundamental: “Eu não queria a “geringonça”, isto é, um Governo do PS apoiado pela Esquerda, PS e BE e Verdes…”. 

Emitir a sua opinião, como eu emito a minha, não tem nada de relevante e estranho mas, ao contrário de mim, que ninguém conhece e nem algum lastro tenho, ele é uma figura que foi sempre pública, foi Ministro, presidiu a “coisas”, emitiu e emite pensamento, escreve e é SOCIÓLOGO! E aqui está a substância.

Sociólogo? Mas de quê? Eu acho que a Sociologia pressupõe estudar as Sociedades, a sua evolução ao longo dos anos, com critérios gerais mas também específicos e concretos, a sua decorrência e suas consequências, as suas melhorias ou não mas, tendo como sentido prioritário, a explicação dessa mesma evolução. Mas a palavra Sociologia tem por origem o “Social”. E tendo como pressuposto a evolução dos “Povos”, das suas conquistas, dos seus progressos e das suas lutas, isto é, da forma como foram sendo ou não adquiridas.

Por isso, sem desrespeitar o seu trabalho ao longo dos anos de pesquisa e estudo, custa-me a mim acreditar como um homem como este, com tanto rasto e lastro, consegue emitir uma afirmação destas, como que dizendo, ou pretendendo dizer, que as Sociedades só poderão progredir com a aliança das classes médias com as burguesias, mas descurando o Povo. Do povo com o capital. Da evolução sem direitos. Da evolução através do neoliberalismo. Da desmaterialização da política e das ideologias. Enfim, dos interesses globais de uma “elite” sobrepondo-se aos mais básicos direitos de uma grande maioria. Que “Sociólogo” será este?

De modo que a pergunta que se impõe a este “senhor” é a seguinte: Que diabo o levará a pensar que um governo PSD/PS seria melhor que este? Infelizmente, a uma única conclusão chego: é ele ter como apoiante o PCP! Esta é a verdade pura e dura! Partido a que pertenceu, mas renega. Como se tivesse trabalhado numa empresa e, numa entrevista de trabalho, viesse falar mal, renegar, a sua anterior empresa! Que diria ele  desta se alguma vez fosse contratado e saísse?

Sociólogo? Terá sido o seu profundo conhecimento da Sociologia que o levou a aceitar ser, como Sociólogo, é claro, o Ministro da Agricultura que acabou com a Reforma Agrária e devolveu as terras aos seus “legítimos” proprietários, os latifundiários, deixando o Povo Alentejano e Ribatejano, essencialmente, que tanto ao longo dos anos sofreram, sem terras e sem trabalho? Terá sido em nome do “Social” ou da “Sociologia”?

Sociólogo, o senhor Prof. Dr. António Barreto? Não! O Senhor é, sim, um REACCIONÁRIO! Palavra que, como Sociólogo, deve saber o que significa.

O senhor foi comunista na adolescência, foi socialista quando regressou das Suíças, foi depois duma coisa qualquer do PSD, transformou-se em politicólogo barato, passou pela Pordata (aqui fez qualquer coisa, mas depressa se foi), até que endoidou!

Tal como a outra…O senhor Prof. Dr. Barreto é tudo por metade e, por isso, é um “barrete”!


Fonte aqui

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6 pensamentos sobre “Este BARRETO é um “Barrete”!

  1. Apoiado ! É um barrete…e um barrete velho ! Tudo o que me foi dado ler deste senhor ao longo da vida, era de meias tintas, dizia que sim, mas de pé atrás, no seu discurso havia sempre um “sim, mas…”. Fazia melhor não se pronunciar mais sobre nada ! Viva a “geringonça”, com Bloco, com PCP, com verdes, com quem quer ver o pais progredir e que o progresso seja para a maioria das pessoas.

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  2. Portanto, o argumento desta crónica é, fundamentalmente, que António Barreto, por ser sociólogo, e isso ter qualquer coisa a ver com ‘social’ (??), não tem direito de ter as posições ideológicas que tem. Faz lembrar os tempos em que o ‘Socialismo’ era ‘Científico’. Nunca gostei de Barreto nem das suas guinadas ideológicas (recorde-se que no tempo do Cavaquismo achava que Guterres, para conquistar o poder, não tinha alternativa que não coligar-se com o PCP, o que Guterres provou não ser verdade), mas agora obrigar alguém, fruto da sua história pessoal ou da profissão que exerce a apoiar o que quer que seja, não lembra ao diabo de Passos Coelho…

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  3. Li com muita atenção o seu artigo e não poderia estar mais de acordo. Realmente, este vira casacas, tem a sociologia dentro do seu ego.
    Parabéns!

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  4. Subscrevo em gáenoro, número e substância. Trata-se de um “cidadinho” ou “cidadento” que parece ter ensandecido e sob a capa de “sócio-politólogo” vai opinando ao jeito do Sr. de Lapalisse, bravejando à esquerda e louvaminhando à direita… “qual palrador ensandecido e venenoso”. Ora para destilar e instilar veneno não carece de ser sociólogo… sociólogo de quê? De patrologia bafienta ou de demagogia reaccionária?
    Três badaladas e um balde de cal, morra! PIM!

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