TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 18/03/2017)

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                              Clara Ferreira Alves

Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós

Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos, era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.

Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar-se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente.

125 pensamentos sobre “TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS

  1. Alguém que peça à Clara para descrever o resto da Europa na primeira metade do Sec. XX. Também lhe (nos) fazia bem perceber as diferenças da época, entre Portugal e o resto do continente europeu e por comparação as diferenças entre Portugal e o resto da Europa, hoje. O texto da Clara, embora verdadeiro, é demagógico, e longe de refutar o salazarismo, mostra apenas 1 face da moeda. E a outra face? Porque é que a Clara não fala dela? Porque não dá jeito nenhum. Não contextualizar a época, medindo-a pelos actuais padrões não mostra só demagogia. Mostra também uma enormíssima desonestidade intelectual,

  2. O retrato é fidedigno e conduz-nos a revisitar um tempo cinzento pintado com humor quase negro. Mas, a autora não se pôs na pele de um negro vivendo nessa sociedade, e não conheceu o estigma que sobre eles se abatia: o racismo tinha morada cativa, camuflado em expressões disfarcadas de boa consciência tais como “eu até não sou racista” ou “eu não tenho nada contra os pretos” , ou ainda com brutalidade vil: ” oh preto vai mas é p’ra tua terra”, como um conceituadíssimo professor de matematica da época me mimoseou. Mas, será que as coisas mudaram mesmo, em termos de mentalidade, já que a superfície vive-se sem duvida uma realidade dIferente?

  3. Obrigada, Clara, pela grande solidez com que agarra o assunto. Eu vivi esse tempo. Lutei. Ainda votei, no quase fim do fascismo. Mas sempre fui livre. Livre de pensamento. Livre de optar pela luta, num país de feroz atrocidades. Meu pai esteve preso no Aljube. E é, com a vivência de todos esse tempo, que lhe agradeço este artigo. Directo. Incisivo. Majestralmente escrito.
    Vou imprimir, Clara, para minhas filhas, para meus netos. Não chega falar de Auschwitz, porque aqui tivemos o Tarrafal. Não chega falar de Anne Frank, quando aqui assistimos ao assassínio, a sangue frio, e conscientemente, de tantos e tantos lutadores anti-fascistas.
    Não lhe peço autorização para partilhar de seu artigo na minha página do facebook. Ele é de todos nós que, depois de um 25 de Abril, continuamos a lutar, pela defesa da nossa Constituição e sua aplicação a cem por cento. Continuamos a lutar, até que os donos do capital deixem de nos pretender esmagar.
    Que se abram as portas que Abril abriu.

    Maria Luisa da Costa Dias

    • O retrato neorrealista da Clara Ferreira Pinto e faccioso e populista porque se fizesse retrato no mesmo estilo sobre a primeira Republica as cenas seria ainda mais aterradora, como mais ainda seriam na Idade média e na época do império romano, etc, etc. O passado deve ser contextualizado e devo dizer que neste caso estes eram o tempo dos meus pais e avós e da minha infância e juventude e não vai ser as desgraças fora de contexto descritas pela Clara Ferreira Pinto que me vai deixar de ter saudades.
      Clara Ferreira Pinto assintosamente omitiu o retrato de outros paises europeus onde as coisas eram bem piores fosse pela guerra fosse pelo jugo comunista e a nossa a década de 60 que foi uma das mais prósperas quando demos um salto de industrialização que nos transformou num país em vias de desenvolvimento que a revolução de Abril fez atrasar por cerca de 12 anos.

    • Arturjotaef diz: O quê? O que ele escreveu demonstra tão somente a grande confusão que vai na sua cabeça, para quem tudo era aterrador e uma desgraça, desde a Idade Média, ao 25 de Abril (!!!!), passando pelo regime fascista.
      Homem, vai ler.

      Maria Luisa da Costa Dias

  4. Obrigada, Clara, por deixar registo tão fidedigno daquele (ou deste?) Portugal em que nascemos e vivemos (naquele e neste tempo)!
    Irei fazer uso do mesmo para que os meus alunos se aproximem das nossas memórias e que elas se lhes agarrem à pele, aos sentidos, à razão…

  5. A CFA diz o óbvio que toda a gente que nasceu naquela época sentiu, sofreu e veio a saber o que era o nosso país depois do 25 de Abril. Só pela Liberdade eu não me importo de pagar mais impostos para que alguns tenham alguma coisa. Pena foi a ladroagem que tomou conta deste país depois dum graveto imbecil ter criado o caldo necessário para isso, pois só essa dúzia de afortunados tinha conhecimentos para isso. Hoje já não há justiça para pôr cobro a tanto descalabro. Toda avida trabalhei e me fiz a mim própria, porque a natureza foi pródiga comigo.
    Tenho pena que ela, no “Eixo Do Mal”, fique com as veias do bescoço quase a rebentarem e só diga parvoíces desde há uns tempos para cá.

  6. Texto demasiado longo para ser lido nas redes sociais. Em diagonal percebe-se a mensagem…mas penso que não é disto que os portugueses tem saudades. Terão saudades de um tempo um pouco mais à frente e entristecidos pela forma como tudo está a “ruir” …com gente que os governa e onde se cobre descaradamente toda esta corrupção e corruptos. O povo não é estúpido, não é parvo, não é ignorante…

    • Que entendimento que você faz de um texto digno e maravilhosamente escrito, a focar um factor muito importante da crise que estamos a sentir crescer.
      Por favor, Celeste, “o povo não é estúpido, não é parvo, não é ignorante…”. Pois não. Talvez de considere como fazendo parte dele. Esse seu “povo” tão inteligente, para que mais serve senão afundar ainda mais Portugal, votando sempre na mesma trampa. Esse seu “povo” que não é estúpido, ainda não percebeu para onde desviam o dinheiro que é nosso e que devia contribuir para as receitas do Estado. Esse seu “povo” que não é parvo, pode não ter dinheiro para tratar da saúde, para comer “razoavelmente”, para dar uma educação digna aos filhos …. mas É DE TODO INCONSCIENTE, INCAPAZ DE PENSAR E CONTRIBUIR PARA A VITÓRIA DE FASCISTAS A GOVERNAR-NOS. Talvez nem saibam o que é “fascismo”, “nazismo”. Esse seu “povo” é comodista. A tal ponto, que vive na poltrona só para o futebol.

      É triste, Celeste Nunes.

      E o texto não é assim “demasiado longo” que a obrigue a “ler na diagonal”. O “texto” é preto no branco, que abarca o antes, o agora e o futuro do nosso País.

      Talvez, quem sabe, o “texto” não tenha sido escrito para si!!!!

  7. Nasci em 1945 tive de cumprir 38 meses de tropa ( 25) na Guiné.
    Passei por muito aqui descrito.
    Em 1973 com minha esposa quisemos atravessar de barco o Guadiana e tive que ficar em Vila Real de Santo António porque não podia sair do País Sem que tive-se 35 anos sem autorização militar.

  8. Só tenho pena que a ditadura de esquerda só tenha durado coisa como 1 ano e meio, como português actual, acho que teria sido bastante rentável para o português dos dias de hoje e para Portugal se tivessemos sido um país satélite da união soviética, passavamos de país central de um império que desconheçiamos para subalternos de uma república federalista corrupta (que acabou por ruir por si mesma) e, se calhar, ficariamos melhor! Digo eu…
    Eu como português tenho o direito de me exprimir, foi para isso que existiu o 25 de Abril ou este dia aconteçeu para servir os interesses monetários dos supostos capitães do golpe de estado (que não queriam ir para a guerra também, mas que eram letrados, isto é um assunto de milicianos e oficiais, quem sabe a verdadeira história, sabe daquilo que falo) que o povo transformou numa revolução.
    Actualmente, as pessoas quando falam do antigamente, como se de um saudosismo se tratasse, não querem essas coisas negativas como a senhora Clara mençionou como a falta de acesso à saúde, educação e alimentação, do serviço militar obrigatório (mas mesmo em tempo de república e não foi assim até há pouco tempo, o meu irmão mais velho teve de ir cumprir serviço militar, na opção de escolha, decidiu ir para a Marinha) de irmos lutar por Colónias Africanas que a maioria nunca tinha posto os pés (embora, eu acho que deveriamos ter feito uma descolonização mais civilizada e não à balda, como foi), da honra da mulher ser um título pessoal do homem (que era digamos, um direito do homem adquirido por casamento), das perseguições da Pide, essas coisas ninguém as quer e digo-vos já que sou de ideologias de direita, mas não gostei da gestão do passos coelhos, assim como do sócrates e costa também não (nem escrevo o nome destas bestas quadradas com letra maiúscula porque não mereçem, trataram-nos, os portugueses, como coisas, não muito diferente daquilo que os homens do tempo da velha senhora tratavam as mulheres, quase igual!) e sou daqueles de direita que estou sempre receptivo a abrir debate para exploração de ideias que melhor sirvam o povo e não o bem comum dos tubarões portugueses (vós conheceis, quem eles são, sempre ligados aqui com o qual não podemos passar sem viver, como comida e dinheiro).
    Comigo a constituição portuguesa era toda revista e a saída da união europeia era uma realidade, mas mantinha-se a moeda, porque não temos base para voltar ao escudo num prazo de 10 anos, a União Europeia há de cair, porque os países ricos estão servidos, na altura de uma saída eles sofrem uma queda nos mercados de investimentos, mas nada comparado com o que ganharam ao longo dos anos em que andaram a prejudicar as económias da Europa do Sul, os Alemães já têm marcos imprimidos, quando isto “der“ para o torto, eles estão servidos, trocam euros por marcos e tão safos…
    Nós portugueses temos saudades do passado, de quando tinhamos uma identidade que ninguém soube preservar após a queda do velho império, como o nosso estilo arquitectónico, nossos costumes e tradições que foram todos vandalizados pelo a dita globalização (mas já estamos a recuperar algumas coisas, menos mal) e acima de tudo de uma segurança aonde eu (com 32 anos, quase 33) antevejo que não sustenta e serve o nosso povo de modo algum, a nossa justiça é uma piada que roça o ridículo, as pessoas vivem com medo, a polícia só se interessa por servir-se do povo em questão ao ponto de se esqueçer que a directriz básica deles é servir e proteger. Os juízes a cada dia que passam são mais novos, sem experiência de vida para saberem o que devem julgar ou não!!! Tudo em derivação do humanismo que devemos ter em consideração pelo o próximo que muitas vezes já é recidivo a cometer erros, antes não havia isto, mas havia o medo, agora pergunto-me, o que e que é melhor? o antes ou o agora? Eu sei a minha resposta e digo-vos já que nem é uma, nem outra…

    • Não considero que seja um argumento válido a referência à possibilidade de uma “ditadura de esquerda” como exemplo de um “por esse caminho também havia de ser bonito”, uma vez que tergiversa do conteúdo e da ideia de CFA. O alvo da cronista é concreto e cinge-se a isso: voltar àquele Portugal salazarento? O debate é sobre esse tema e não sobre os ses que podiam existir no lugar desse regime. O que sobra, portanto, é esse vício de associar a palavra “esquerda” ou até “comunismo” à sua única “possibilidade”: Estaline. O que é um equívoco, mesmo se o comunismo também tem patologias. Agora, um regime de inspiração fascista não tem patologias: é por definição totalitário, niilista e anti-democrático.

    • António Guerreiro, que tristeza. Está a comentar o quê? Algum pasquim que lhe apareceu na caixa de correio? Ou não terei eu percebido o que Clara escreveu?
      Não podem ver uma barata, que acusam logo o socialismo de culpado.
      Gente como você, devia viver ao lado de Trump.

      Maria Luisa da Costa Dias

  9. Excelente retrato duma época (longa) de obscurantismo, repressão, medo, pobreza e crueldade.
    Obrigado Clara Ferreira Alves pela sua coragem.

    • Mário, gostei, gostei, gostei.
      Apenas com três curtas linhas expressou a grandeza da escrita de Clara Ferreira Alves.
      Obrigada, a si, também, Mário.

      Maria Luisa da Costa Dias

  10. Parece que Portugal passou a ser um país mesmo triste, desde os tempos que abraçou os ideais da maçonaria e revolução francesa, os liberais portugueses renderam-se ao encanto dos franceses! Hoje parecem persistir no mesmo erro! E assim Portugal continuará a ser um país triste…

  11. Clara descreveu exactamente o que era Portugal antes do 25 de Abril de 1974. Só pode ter saudades do sinistro período salazarista quem beneficiou dele e das suas arbitrariedades .

  12. Assino por baixo da lucidez de Clara Ferreira Alves!
    Embora eu advogue a constante vigilância relativamente a tudo o que de novo se vai passando no mundo e em Portugal, desaconselho vivamente um certo saudosismo, ignorante ou mal intencionado, de um Portugal que conheci por dentro na minha infância e primeira juventude.
    Grata à Clara, pela sua clara, desassombrada e lúcida análise de tudo (pessoas, fenómenos sociais e políticos, crises, etc), é um privilégio poder contar com esta voz feminina de grande qualidade e coragem, num mundo onde reina tanta confusão. Um abraço, Clara!

  13. Nos meus 65 anos de idade, passei, ao vivo e sem Cores, por tudo o que está escrito, pela autora. Por isso, hoje, Luto afincadamente, para que: Fascismo, nunca mais!!

  14. Para além de a ver e ouvir todas as semanas no “Eixo do Mal”, leio tb os seus artigos de que muito gosto. Leio…aqui, porque, tal como antigamente, o dinheiro dá apenas para o pão e para as batatas. E mesmo assim,
    têm de ser comidos com contenção porque dinheiro para jornais só mesmo quem ganha 5 mil e tantos € por dia. Por dia!!! Queria dizer muitas coisas mas não sei, digo-lhe só: CONTINUE!

  15. Parabéns à CFA.
    Descreveu muito bem o Portugal triste e remediado de antigamente.
    Há que relembrar aos que se esqueceram, como era miserável a vida no nosso país.
    E àqueles mais novos, a quem contaram a doce fábula do Portugal pobrezinho e honradinho, que vivíamos mal e éramos oprimidos.
    Se nesse tempo alguém se atrevesse a escrever uma crónica como esta da Clara Ferreira Alves teria a PIDE à perna e seria perseguido. Se persistisse, seria levado a tribunal acusado de traição à pátria.
    [Salazar e o grupelho que o sustentava achavam que eram os donos da pátria].

    • E durante quase 5 anos, tivemos um “grupelho” (o termo é seu) que achava que era “o dono disto tudo”, também. A diferença é que o primeiro, o sustentado, morreu sem nada, sem deixar fortuna; e os do segundo grupelho estão todos ricos com o que roubaram ao meu PAÍS! Nem um nem outros.

    • L:amento o seu tom amargo! Nao sou do seu Fa Clube, mas reconheco que as vezes diz algumas verdades!Assim como hoje lamento que nao tenha dado o nome aos BOIS, quando nao identifica o GRUPELHO ?
      Na realidade nao e um grupelho e um GRUPAO que desde a ABRILADA se dedicou ao roubo descarado, de tudo o que de bom existia em Portugal!
      Discordo tambem quando diz que os grupos de pobres famintos e cheios de piolhos, invadiam as ruas, esse e uma tremenda mentira, PORTUGAL, hoje tem 3X mais fome do que em 1974, ou so ve de um olho ? Veja o EXERCITO DE PREGUICOSOS CHULOS QUE VIVEM A CUSTA DA MEIA DUZIA QUE TRABALHA,!? Isto sim e vergonhoso , DEPRECIATIVO, E NOGENTO , Nao falando dos TRAIDORES A PATRIA QUE ATE SAO GALARDOADOS HOJE ! O QUE ACHA DE TAMANHA TRAICAO ? Se tiver coragem responda….

  16. Acho que está aqui dito tudo sobre o que foi a escuridão que este povo viveu durante 48 anos. Eu vivi tudo isso. E quem tem a minha idade sabe que assim é. Sem mais comentários.

    • Não esquecer os trabalhadores do campo trabalhavam do levantar ao por do sol.Os pedintes enchiam as ruas da cidade, (cheios de piolhos coitados) muitos hoje encontram-se em França, fazendo uma vida normal, nessa altura eram considerados preguiçosos, vadios que não queriam trabalhar.A fome era horrível, O bispo do Porto numa carta aberta a Salazar dizia que o povo português andava a passar fome, Salazar deu-lhe 24 horas para deixar Portugal. Na minha escola as crianças andavam descalços, o lanche era um bocado de pão escuro.Durante a ditadura até ao 25 de Abril foram os anos de chumbo, como foi possível isto ter acontecido num país de Marias da Fonte dos Zés do Telhado e deixaram morrer tranquilamente um ditador na sua cama.

    • E aqui temos a geringonça; Criticar o que era mau e ignorar o que era bom. A Sra Clara, aprendeu a escrever, mas ninguém lhe ensinou a por o que escreve em contexto. Enfim, burguesita que ganha para comer, e pensa que é uma “deles”. enunciar o que ha de mal nos “outros” é fácil, Admitir, ou até apeceber-se o que há de mal agora, é preciso cabeça.

  17. De triste memória este tempo, magistralmente descrito por Clara Ferreira Alves, e que muitos de nós somos testemunhas vivas. O desafio que a todos cabe é o de desmontar todas as iniciativas que indiciem o “querer voltar ao passado” e que pelos vistos deixou muitos seguidores. Obrigada, pela sua frontalidade.

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