O PS no lugar certo

(Isabel Moreira, in Expresso Diário, 18/03/2017)

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Sempre que o CDS se refere ao atual Governo trata de lançar o grito “esquerdas radicais”. O mesmo faz o PSD. De resto, nos debates parlamentares, a arma é criar, pelo barulho, pela gritaria e pela falsa indignação, a aparência de que existe uma crispação na sociedade, traduzida num parlamento assim radicalizado. Dizer muitas vezes “esquerdas radicais” pretende assustar o povo, que presumo que a direita tem por ignorante, e não se entende a insistência na tecla partida, quando o PS continua a subir consistentemente nas sondagens, o PSD continua a descer consistentemente nas sondagens e não há, objetivamente, qualquer clima de crispação na sociedade.

Esse clima existia na vigência do Governo anterior, sendo notório que a tese da “não alternativa” à austeridade virtuosa chumbou e hoje os resultados sociais, económicos e financeiros da governação socialista com o apoio parlamentar de toda a esquerda estão à vista. Também está à vista o regresso do respeito pelas instituições, concretamente pelo Tribunal Constitucional, outrora alvo de ataques sem espaço numa democracia madura.

A única explicação para a insistência sem resultados na “acusação” diária de que o PS está radicalizado à esquerda é a necessidade desesperada de mobilizar as hostes internas do CDS e, sobretudo, do PSD, o qual, sem projeto, grita para dentro, ainda que aparentemente para fora.

Porque o PS está no lugar certo. Não abandonou um milímetro a sua matriz ideológica. Quem o fez foram outros partidos da sua família política por essa Europa fora caindo num discurso e numa prática de direita, caindo num (não) lugar e desaparecendo do mapa, como foi o caso, agora, do partido trabalhista holandês.

O mesmo vai acontecendo com outros partidos ditos socialistas europeus que cederam ao neoliberalismo, ficando num limbo que não os distingue da direita, esquecendo o que o Partido Socialista português não esqueceu: não se faz compromissos com uma política de austeridade que escolhe os pobres como alvos e procura-se o quadro político que permite a devolução de salários, de prestações sociais, o aumento do salário mínimo ou a igualdade de direitos civis.

Como se tem visto, esta opção “radical” provou ser compatível com uma política económica e financeira sustentável.

PSD e CDS: continuem a dizer “esquerdas radicais”, todos os dias, enquanto esta solução governativa encontra soluções para os problemas que o vosso Governo escondeu debaixo do tapete, enquanto que este Governo continua fiel à verdadeira ética do socialismo democrático, enquanto que a direita, essa sim, se radicaliza.

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