TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 18/03/2017)

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                              Clara Ferreira Alves

Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós

Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos, era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.

Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar-se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente.

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116 pensamentos sobre “TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS

  1. É um pouco ridículo fazermos gradações da miséria humana portuguesa no passado. Mas, garantidamente, era muito pior antes da 2.a guerra mundial. Relembro que Salazar chega ao poder apenas em 1932 e que a guerra civil espanhola e, logo a seguir, a 2.a guerra mundial deixaram pouca margem ao governo para melhorias significativas.
    Um pequeno exercício: reparemos na fotografia mais conhecida dos 3 pastorinhos de Fátima, tirada e publicada num jornal da época em 1917. Façamos o mesmo olhando as filmagens do Giacometti nos anos 60. As diferenças são mais que evidentes.
    Repito, não estou a defender regimes ou pessoas. Estou a observar factos e a considerar que há muita injustiça, por desconhecimento mas também por moda, quando se cilindra moralmente a “Velha Senhora” sem admitir que em 50 anos houve realmente melhorias muito significativas no nosso país a todos os níveis.
    Não devemos esquecer mas também não precisamos de criticar só porque outros o fazem e fica bem. Fazer as pazes com o nosso passado recente é preciso.

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    • Salazar não foi um mau Governador deste País! As opções que tomou, a partir da metade do seu mandato? É que não foram as melhores! Nomeadamente a sua cega obstinação em relação à (Auto determinação) dos Territórios Ultramarinos? Não acompanhando o fenómeno de transformação, que há época se manifestava já pelo Mundo inteiro! Seguidamente a obstinada teimosia? Em crer que uma família só era Feliz e Patriota? Se submetesse aos
      dogmas Religiosos. e deste modo vimos o País ser sufragado por “UMA DETERMINADA EGRÉGORA” ?! O que veio a dar origem, à SUA e NOSSA submissão ao Clero de Roma! E finalmente a subjugação a uma dúzia e meia de Famílias de “ILUMMIÁTIS”

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  2. Cara Senhora. Gosto muito de ler os seus artigos e de a ver e ouvir no “Eixo do mal”. Este artigo está bem escrito e repleto de verdades. Infelizmente por cada maleficio apontando ao tempo anterior ao 25 de abril poderia apontar outros tantos ao tempo posterior

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    • A jornalista e comentadora escreveu verdades que todos conhecem e viveram (situaçao que a senhora com certeza nao viveu) mas so se esqueceu que estava a relatar situações do seculo passado e ficava-lhe bem se descrevesse fatos passados no seculo anterior ao agora descrito

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  3. Tão, escandalosamente, verdade . Le-se e parece que foi há muito tempo. Mas não foi. Foi ontem. Entupidos de problemas menores, esquecemos um tempo de faltas e escravatura. Obrigada por nos lembrar, Clara.

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  4. É tudo verdade o que diz Clara Ferreira. Éramos um país pobre, e sempre fomos pobres, também é verdade. Hoje não se vê essa miséria, mas estamos numa situação de pré-insolvência e as perspetivas de virmos a ser ainda mais pobres do que fomos e por muitos, muitos anos, é um futuro infelizmente muito previsível que só quem gosta de ser avestruz não vê.

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  5. Como eu entendo este relato, real e verdadeiro da sociedade portuguesa de antes do 25 de Abril, escrito de forma rápida e precisa, pela Clara F. Alves. Eu nasci em 48 e no final dos anos 60, naquilo que alguns chamaram primavera marcelista, nas grandes cidades e no seio da juventude, deu-se início ao processo de mudança, que a guerra de África ajudou a cimentar. Nós, os que tinham emprego e estudávam, éramos politicamente analfabetos e julgávamos natural a vida de pobreza dos nossos pais. Felizmente que o 25 de Abril colocou tudo no seu lugar. Quem julga que “antes é quera bom” não sabe o que diz

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  6. Boa noite : Gostei muito deste a parte, cada cabeça sua sentença envim : Mas será que faz muito sentido dizer um Homem agora com 54 anos que com 11 anos retirar-lhe a vida futura ser obrigado abandonar a sua terra e ir para Portugal e perder tudo o que tinha os meus brinquedos,meu quarto de dormir, os meus amigos , rumar a um Portugal atrasado e cheio de oportunistas sem escrúpulos aproveitar das coisas que eram de outros que fugiram após o 25 de Abril de 74 e o enriquecimento ilícito desde que comecei a trabalhar aos 14 anos porque até ai ,só
    vi miséria, deste que vim para este Portugal a beira mar plantado !

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  7. CONCORDO COM O Q. A SENHORA JORNALISTA CLARA FERREIRA ALVES, ESCREVE, MAS TAMBEM GOSTARIA Q. ELA SE RETRATASSE, E ESCLARECESSE, O Q. ESTÁ DIFERENTE, E PARA MELHOR, PARA O POVO PORTUGUÊS, Q. NÃO OS RICOS, MUITOS RICOS, E EXPLORADORES DESTE MESMO POVO. PELO Q. A SENHORA ESCREVE, ENTENDO Q. VIVA BEM, MAS NÃO CONHECENDO A REALIDADE DO Q. SE PASSA NO PAÍS PROFUNDO, AO CONTRÁRIO DO Q. DÁ A ENTENDER, TER CONHECIDO DO PASSADO. RETRATE-SE, E ESCLAREÇA AS PESSOAS PARA QUEM PRETENDE ESCREVER. (ATENÇÃO, Q., PESSOALMENTE, NADA TENHO CONTRA SI).

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  8. A velha senhora era cega, surda e muda no que diz respeito a direitos básicos do povo. Era o tempo da caridadezinha, da cunha, da pobreza envergonhada. Sim, o 25 de Abril foi o início da mudança, embora com muitos aproveitamentos por parte das elites, que na verdade, foram e são quem mais prejudica o país, a pátria dos portugueses. E não me parece que vá melhorar…

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  9. Tenho o curso superior de 82 anos de viva e entao e’ assim 🙂
    Rica querida pequena bela MAE PA’TRIA, agora plantada na lama” maribunda” que se nao arranjar medical que a cure, vai morrer desgostosa por ter tido a infelicidade de desovar um grande cardume de piranhas que andam/andaram ( muitos ja’ morreram so’ que nunca deviam ter nascido) a viver ‘a grande e ‘a FRANCESA ‘a custa do honrado,honesto trablhador cumpridor dos s/ deveres de cidadao. Que DEUS nos ajude……

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  10. … e depois… éramos assim é depois… se havia miséria de vida hoje é uma vida de miséria todos agarrados a sonhos que nunca se irão concretizar…
    Havia coisas terríveis mas numa casa remediado havia um pouco de tudo!
    E hoje??? Só corrupção e mais corrupção, dívidas e mais dúvidas… depois houve libertinagem e não liberdade…

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  11. Um belo relato do que foi este nosso país escrito do ponto de vista desta senhora que só não pode ser acusada de imparcialidade. É certo que foram tempos repletos de coisas que não nos orgulham mas, num longínquo século passado onde nenhuma nação estava tão “à frente” como agora. Curiosa é a forma e os assuntos que são abordados que, convenhamos, abrangem quase todos os aspectos da vida da nação. E o que temos agora? Não temos uma ínfima parcela da sociedade (os ricos) que se governa enquanto o resto empobrece a cada dia que passa vendo essa classe de “remediados” desaparecer dando lugar a cada vez mais pobres? Nas ruas das cidades as mercearias e as tabernas foram substituídas pelas pastelarias e lojas de chineses `razão de uma por cada dez habitantes e, se as primeiras são negócio, as segundas só servem para lavar e retirar dinheiro deste país. Se percorrer essas mesmas pastelarias, pelo menos as de bairro, saberá que ainda se consome fiado e cada vez mais, apenas se trocaram os bens de primeira necessidade pelo café e o bagaço e a costumeira torrada ou pão com manteiga porque a Luz está pela hora morte e sai mais barato ( ou não) ir ao café tomar o pequeno almoço. Os agricultores não parecem partilhar do ponto de vista da autora. Se antigamente eram pobres, agora são explorados e os seus produtos preteridos face aos que importamos e que nos chegam sabe-se lá como mas muito mais baratos frutos da globalização. As mulheres já não exploradas, abusadas, negligenciadas, maltratadas, discriminadas? Os dados apontam no sentido inverso e as políticas de emigração a que nos sujeitam pintarão um quadro muito mais triste como podemos verificar pelo que se vai passando pela Europa fora nesses países muito “à frente”. Os jovens frequentam a Universidade mas a larga maioria permanece tão ou mais analfabeta do que quando foi para a pré escola. A política e decorrente corrupção que dela advém torna-os completamente insensíveis e pouco interventivos no futuro do país. A escolaridade obrigatória e a falta de alternativa para os que não querem, conseguem ou gostam de estudar bem como a impossibilidade legal de trabalhar leva a milhões de jovens cheguem à maioridade sem alternativa além do ingresso num QUALQUER curso superior e consequente endividamento para milhares de famílias, para acabarem atrás de um qualquer balcão ou dependentes da Segurança Social pesando também nos bolsos daqueles que não podem fugir. E nem no Serviço Militar encontram amparo como tantos fizeram outrora. Sem esquecer que a grande maioria dos Militares de Abril que nos “salvou” cumpria este mesmo desígnio. Falando de censura valerá a pena comentar o que se tem passado deste país nos últimos anos onde governos tentam e conseguem controlar a Media de uma forma tão clara e vergonhosa quanto violenta? Já não estamos orgulhosamente sós neste país de corruptos onde as cunhas e favores já não são só dos amigos e padrinhos mas dos partidos, da maçonaria, etc. Não estamos orgulhosamente sós mas estamos vergonhosamente acantonados nesta Europa que nos explora e marginaliza e onde nunca seremos seus iguais. Onde os Carrões que outrora víamos pontualmente podem agora ser vistos em Bruxelas e, sabemos bem, que os seus utilizadores estão todos a salvo dessas burocracias que, com mão de ferro, nos impõem. Já nem a fé em Deus o Povo tem.
    TÃO FELIZES QUE NÓS SOMOS!

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  12. Pois é uma demagogia incoerente, que muitos falam falam e não dizem nada de jeito só querem dinheiro que é a mola da chamada democracia nem que a vaca tussa , jornalista com ma interpretação da realidade só falarem de coisas que venda o jornal na tv infelizmente são as audiências que são pagos a segundos de ouro , fico por aqui.

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  13. Boa tarde , só é preciso não levantar o tapete pois tem muita poeira de baixo mas vamos ser francos sim ! O ouro que vinha para portugal eram os pagamentos da África do Sul em barras e os empregados da minas eram pagos com o escudo de Moçambique , a Cabora Baça que o Srº Pedro Passo Coelho como não foi ele que pagou foram oferecidos a Moçambique e etc…

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  14. Boas tardes, gosto sempre quando se escreve sobre esse tempo, escrevi um livro A Ilucastana,, em poesia desde 1572 a 2005, e no seu canto 8, se pode ler o bom e o mau à luz da história o que escrevi, e ontem expressei acontecimentos e opiniões. Um legado que deixo ao meu País, um pouco à semelhança do que fez Camões.

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    • Isso é uma grossa mentira. Do que você tem saudades é da sua juventude, que não volta mais, e confunde as coisas. Ou então fazia parte da pequeníssima parte de portugueses que não viviam na miséria. Não é que isso seja pecado, mas pretender ignorar estas verdades nuas e cruas tão bem expostas pela Clara Ferreira Alves demonstra uma de duas coisas: desonestidade ou miopia. Escolha.

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  15. Muita gente que discorda da Senhora Jornalista não tem conhecimento dos factos e têm desculpa. Em 1942 com 5 anos de idade eu era deixado na fila para o padeiro com uma caderneta de racionamento para conseguir 1/2 pão, enquanto o meu pai fazia algo para aproveitar o tempo . E não era só o pão que estava sujeito a racionamento. Não vale a pena fazer mais citações de miséria. Revolta-me certos comentários. Certamente para além de muita ignorância não quero pensar que sejam por má fé.

    .

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  16. IGNORÂNCIA OU INTENCIONALIDADE? É o que posso inferir deste artigo. É de uma falta de verdade e de análise que roça o analfabetismo. A falta de consideração sobre a evolução social e tecnológica à época ao nível europeu é arrepiante. A ignorância da evolução durante os 40 anos da chamada ditadura e a circunstância em que tal aconteceu, assim como a falta de análise da estratégia política face ás cobiças externas. Tudo isto, mostram uma grande ignorância ou intencionalidade, considerando que esta senhora é minimamente inteligente. Não quero acreditar que assimilou a cassete. É pena.

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  17. Eu podia arrolar outros tantos casos do durante e do pos 25 dabril, como faz esta senhora consabidamente sectária, déspota esclarecida, que descontextua a história, lê a história à luz do tempo actual e deturpa a histótia, fazendo parte dos “jornaleiros comentadeiros”, que do púlpito da tv e dos “midia” está ao serviço de uma esquerda radical, mil vezes mais deplorável, assassina e genicida na história da humanidade.
    Mas não. Esta senhora imbecil, ao serviço de uma esquerda arrogante, moralista e sem pingo de vergonha, oriunda de uma “burguesia proletária”, de barriga cheia, passa por ser uma intelectual superior quando não passa de uma excêntrica e mal resolvida com a vida, que escreve umas coisas, a mais das vezes tontas, pra ganhar a vida.
    Qual padreca no púlpito, ninguém lhe faz frente, impõe a sua voz do alto, todos se acagaçam desta e de outras comadres, que lixivam, descontextuam e pintam os factos conforme os próprios gostos e duplicidade de critérios.
    E até muitas vezes sem um mínimo de valores éticos e democráticos, de acordo com as familias desestruturadas e problemáticas de onde provieram, traumatizadas, envenenadas com meias-verdades muitas destas.
    Nos últimos 42 anos ( já era tempo de aprender alguma coisa, mas esta ainda continua com a cassete ) ocorreram cá factos idênticos e até piores do que os arroladis, e esta senhora vivendo da descontextualuzação histórica, recorre ao passado no que lhe convém, mas critica quando vamos ao passado buscar factos puros, que não lhe interessam, acusando de argumentar com o passado! Dois pesos e duas medidas!
    São os valores desta sra arrogante e muitas vezes ofensiva, intolerante e mal criada, que quer para ela obque não pratica com o semelhante.
    Não estivesse a comunicação sicial dominada e minada por pessoas da esquerda radical e garantisse um direito efectivo e livre ao contraditório e igualdade de armas e, cara a cara, seria reduziria à sua cinzas.
    Ouviram-na falar de boicotarem a conferêcia, numa universidade do nogueira pinto? Eu não! Onde estavas CFA?
    Portugal encheu-se de déspotas esclarecidas/os. Esta é mais uma. O que diz, acontecia, aqui e ali, como agora agora apesar de volvidos mais de 50 anos! mas mais do que factos ela inclui o julgamento dos factos, à sua medida deturpada e despudorada dos seus interesses, sem escrúpulo.
    Desde que inventaram o tele comando, felizmente, mudo de canal sem ter de a ver e ouvir. E dispenso os julgamentos arrogantes e injustos que saem da sua escrita.
    Não sou o único que está farto destas donas exclusivas do saber e da inteligência!
    Nós outros somos burros, não andamos nas universidades, como ela, não vivemos o antes e depois do 25, não estudamos, não lemos, não temos capacidade critica, somos todos imbecus analfabetos, porque a sabedoria e inteligência foi toda para a cabeça dela e de outros da mesma estirpe sem vergonha.
    Um dia o povo, farto desta gente, há-de fazer mudar a agulha da bússula! Passe bem e ganhe tino!

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    • (para o Necas) Tá calado, ó facho! Ou melhor, fala, que no tempo do teu ídolo salazarento é que não se podia falar. “Um dia o povo” uma pouca de merda. Quem defendia aquele regime medieval não pode falar em nome do povo, porque se está(va) nas tintas para o mesmo. Se mais vantagens não houvesse em o povo ter feito o 25 de Abril, ao lado dos militares, havia pelo menos uma: reaças como tu podem dizer as parvoíces que quiserem, porque há liberdade de expressão. O resto está belissimamente explicado neste texto magnífico e cem por cento (porque mais não é possível) fidedigno da Clara Ferreira Alves.

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      • Senhora, ou senhor, não é com insultos e falta de educação que conseguirá construir um argumento. Cale o seu clamor, acalme-se, use a razão. E não tome por garantida a verdade quando alguém escreve de acordo com o que
        o senhor, ou senhora, pensa.

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  18. Por muito bom que este artigo seja, e é, simplesmente porque é cem por cento verdadeiro; por muito bons que alguns comentários sejam; eu penso sinceramente que só há uma palavra para classificar a salazarenta figura e os seus admiradores: BARDAMERDA!

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  19. Buscar a tristeza de um passado, para branquear os atropelos actuais? Não foram bons aqueles tempos, principalmente para quem os viveu. E hoje? Com tanto alfabetismo, não continuam os poderosos a deixar o povo pelas ruas da amargura? Existiam apenas alguns ricos. E hoje?

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  20. Estou espantado e já não me espanto infelizmente com quase nada. Como é que a Clara sabe estas coisa todas, sendo uma menina burguesa da capital? É que está tudo certo. Num teste teria 100%. Conheci ao vivo essa realidade. Agora conheço outra. As minhas felicitações plo texto.

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  21. A minha alma está parva! Eu vi e vivi tudo isto e honestamente andava a pensar que já não houvesse quem se lembrasse. Não porque não hajam pessoas mais velhas que eu mas porque o tempo vai apagando as memórias. Obrigado por existir e por nos fazer lembrar pois os comentários dos lambe cus,dos vendidos, dos bufos ( a maior parte já filhos dos ditos cujos) nos faz parecer que esse tempo não existiu e tudo é um sonho.

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  22. Pensei eu chegar aqui, leia-se 24 de Março do ano da graça de 2017, e não ler tanta barbaridade e tanto alarve saudoso do salazarento fascista.
    É incrível que haja tanto desconhecimento de uma realidade miserável que foi todo aquele período de 50 longos anos onde a pobreza, a todos os níveis, foi a marca que de facto imperou.
    Só vou dar um exemplo dessa pobreza, havia mulheres que para “lavar” a roupa faziam de uma pequena pedra uma barra de sabão.
    Tenham vergonha seus mentecaptos, esta senhora Clara Ferreira Alves tem toda a razão no que diz, e mais ainda naquilo que escreve.
    Tenham vergonha porque nesses tempos radiosos que defendeis, demoravam-se 12 horas para fazer 400 Km o que hoje se faz, recorrendo ao mesmo meio de transporte no máximo 4 horas.
    Todos os organismos internacionais nos mais diversos campos da vida humana vos desmentem seus néscios…

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    • Boa tarde, Sr. Armando Pires. Aconselho-o a reler o texto, porque acho que não entendeu o que a Comentadora escreveu. É que eu não entendi a sua crítica, embora a tenha lido duas vezes!!
      A quem aponta o dedo? Não entendo. Ao fascismo? Ao 25 de Abril? Ao governo PSD/CDS? Ao reinado de cavaco? Ao actual Governo?
      Explique-me.
      É que eu vivi durante o fascismo. Lutei por uma Democracia, que abriu as Portas em 1974.
      Gosto de entender o que leio. No seu caso, não consigo.

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  23. A jornalista deve ter sido muito infeliz para fazer um relato tão trágico e extremista da segunda metade do século passado. Foi nesse tempo que vivi os anos activos da vida e entre toda esta enxurrada de dramatologia muitas vezes fui feliz, incluindo mesmo o período da guerra colonial. É certo que a idade tem um peso fundamental nas nossas vidas , mas nem tudo era tão mau nos velhos tempos de Salazar. Salazar era um bom economista, tirou o país da bancarrota á custa de muitos sacrifícios é certo , mas os políticos de hoje atiraram-nos para ela e também a estamos a pagar bem, sem qualquer garantia de que a vamos ultrapassar. Por outro lado não existia a corrupção que existe agora , existia um comportamento ético na sociedade que hoje está longe de existir. Quanto à miséria , ela existe na mesma, não fosse a sopa dos tempos salazarentos voltar nos nossos dias e teria sido uma tragédia. Quanto á liberdade, ela é muito discutível e relativa , o regime actual está falido de valores morais , de cidadania, de solidariedade , continuamos nos últimos lugares da Europa, em alguns parâmetros somos mesmo o ultimo e vivemos na corda bamba dum amanhã incógnito , pendurado num euro que pode em breve acabar ou sermos atirados borda fora. E depois, vamos cair na fartura ou na miséria mais extrema? Quem nos conduziu a esta situação que raramente aconteceu em oito séculos de história pátria? Pois é senhora jornalista, a sua visão é sua , é quase uma anedota nos seus limites do mal. Pode dizer que Portugal era diferente , não é verdadeiro o retrato que tenta passar. E finalmente quanto a liberdade, teria obrigação de conhecer por dentro os partidos políticos, as suas guerras e os seus comportamentos vergonhosos e indignos num estado de direito e não dar a entender com tanta presunção que a liberdade existe. Ela só existirá quando tivermos liberdade económica e quando os partidos políticos se comportarem séria e honestamente. Não creio que seja neste regime que está podre , seja lá a ponta por onde se lhe pegue. Para acabar, senhora jornalista, deve viver como Alice no país das maravilhas. Ganha por acaso uma pensão de duzentos ou trezentos euros? Ganha por acaso os seiscentos ou setecentos euros que a um português formado numa Universidade é oferecido pelas excelências dos nossos empresários ? Pegou na nossa mala de cartão e emigrou mundo fora por falta de trabalho ? Não sabe o que é isso ?
    Quando se refere aos ricos , curiosamente nunca se vê um rico por aí , é às ronaldetas da velha e nova trilogia de Fátima, Futebol , televisões , não o fado, que tomou um caminho digno, mas televisões rascas e pirosas que tem tido um papel tão eficaz no abaixamento do nível intelectual deste país ?? Portugal é um país diferente, mas na minha opinião, igual á sua excluindo o acesso que tem aos meios de comunicação, não é um país melhor. É pena que o não seja , não por culpa dos portugueses mas por culpa de políticos amadores e irresponsáveis que nos fizeram mergulhar num atoleiro de tormentas…Nós , os nossos filhos, talvez os netos, pagarão a conta…É uma vergonha deixarmos-lhes esta herança !

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  24. Tinha boa impressão desta jornalista mas reparo que me enganei . A corrupção que se vive neste País é enorme .A Justiça consequentemente não funciona e não havendo Justiça o País não tem valor real. A maior parte de Portugal já é estrangeira . Em casa onde não há pão todos discutem e ninguém tem razão. Por isso aumentaram a violência doméstica , os suicídios, os crimes . A Educação e a Saúde estão pelas ruas da amargura. Cada vez temos mais boçais entendidos em futebol ou em religião .O meu Pai colocou-me a trabalhar de dia e a estudar à noite . Chama-se agora trabalho infantil. Deu-me uma experiência de vida que me valeu por todo o mundo.A quantidade de seitas desde o 25 de Abril feito por estrangeiros com criados portugueses é inimaginável.Tudo “demucratas” da melhor estirpe. Uma idosa dizia-me agora não posso sair de casa à noite que andam a assaltar os velhotes . E ela era tão fiel a estes abrilistas que agora nem os pode ver ! Reparei que um dos comentadores mostra o seu nível através do que escreve. Até no passado isso era diferente .Havia respeito e sobretudo educação ! Boa Noite para todos!

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  25. Se alguem fez algo para “melhorar” isto foi o estado novo. Se existiam umas elites que iam la pra fora estudar acabaram porque pasme-se o estado novo criou dezenas de milhar de escolas e dezenas de universidades e politecnicos.

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  26. Noto que há sempre tendência para comparar o “Portugal antigo” com o “mundo moderno”, boa lavagem ao cérebro para criaturas em idade escolar…
    Portugal antigo tem que ser comparado com o mundo daquela época ou então a lógica é uma batata… E eu, enquanto adolescente, estive em Espanha e França e vi por lá muita coisa…
    Então, as arestas ficam assim mais limadas, pincipalmente se nos recordarmos da bicharada que por aqui havia antes do Estado Novo…

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