Drenar o pântano? Não tão depressa – Trump começa a abraçar o status quo.

(In theantimedia.org, 12/11/2016, tradução por Estátua de Sal)

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 Nota: Os poderes mundiais andam preocupados. Os politicos, os jornalistas, as televisões. A grande pergunta é: irá Trump levar por diante as suas promessas eleitorais? Em todo, ou em parte? E se em parte o que é que cai e o que é que se mantém? Trump já deu algumas pistas. Por exemplo, o Obamacare afinal não é para desmantelar mas sim para melhorar e corrigir, diz ele. Pela análise das personalidades que irão fazer parte da Administração Trump os comentadores tentam descortinar quais serão as orientações da nova governação nas várias áreas sectoriais. Este artigo, examina o curriculo dos nomes que já estão confirmados e, alguns deles, não auguram nada de diferente e que possa “drenar o pântano” como prometia o Trump, candidato. (Estátua de Sal)


Em 8 de Novembro o candidato presidencial Republicano Donald Trump foi eleito presidente. Para muitos, a imagem de um outsider promissor para “drenar o pântano” foi suficiente para lhe confiar o seu voto.

Quando estava a fazer campanha, Trump prometeu livrar Washington de políticos corruptos e de interesses externos, reclamando-se dos mesmos sentimentos que o Presidente Ronald Reagan havia invocado há décadas. Um ano após a sua tomada de posse, Reagan disse americanos que era “duro quando se acorda com as axilas no meio de jacarés, para recordar que ele tinha vindo para drenar o pântano“.

Poucos dias depois de ser eleito, a equipa de Trump já publicou e distribuiu uma lista das escolhas do presidente eleito para a equipa de transição. Aquilo que muitos, nos meios de comunicação social, tem vindo a observar de imediato foi a presença de determinadas empresas de consultores e lobistas, pelo que logo foi formulada a pergunta: vai ele ou não “drenar o pântano?”

Dois nomes que se destacam são Michael Catanzaro e Michael Torrey, indicados respectivamente para a pasta da “independência energética” e para o Departamento da Agricultura.

Catanzaro, refere o New York Times, é um lobista “cujos clientes incluem a Devon Energy e a Encana Petróleo e Gás“, duas empresas que “tentaram contestar as políticas do ambiente e da energia da administração Obama.” Torrey é também um lobista e administrador de “uma empresa que ganhou milhões de dólares ajudando as grandes corporações da indústria alimentar, como a Associação Americana de Bebidas e a gigante de lacticínios Dean Alimentos.”

Outro lobista apontado como um membro da equipa de transição de Trump é Michael McKenna, cujo cliente, a Southern Company, é conhecida por promover um poderoso lobby contra a alteração da legislação  sobre as alterações climáticas.

Também na lista de Trump está o presidente da firma de advocacia de Washington que representa a Associação Americana de Caminho-de-ferro e a Associação Nacional de Pavimentação de Asfalto, Whitmer Martin, que está indicado para supervisionar os “transporte e infraestruturas.” Outros conselheiros com ligações para uma variedade de outras indústrias incluem David Malpass, o “ex-economista do Bear Stearns, o banco de investimento de Wall Street que caiu durante a crise financeira de 2008“, e atual presidente da Encima Global, uma empresa que forneceestudos económicos independentes de pesquisa de mercado para investidores institucionais“.

Jeffrey Eisenach, que foi escolhido para ajudar Trump a reestruturar a composição da Comissão Federal de Comunicações (FCC), é um consultor da indústria de telecomunicações que ajudou as empresas de telemóveis na luta contra a proposta de regulamentação da FCC, impondo a “neutralidade da rede”, uma política que foi fortemente criticada pelo antigo congressista Ron Paul por “asfixiar a concorrência e promover o favoritismo.”

Chefiando a equipa de transição, na Secretaria do Comércio dos Estados Unidos, estará o antigo chefe da administração da empresa siderúrgica Nucor, Dan DiMicco. DiMicco é conhecido por defender que “a China está injustamente a subsidiar o seu sector produtivo em detrimento dos empregos americanos“.

Enquanto a articulação dos grupos de interesse, lobbies e consultores, tem merecido uma grande atenção por parte da comunicação social, poucas publicações demonstraram qualquer preocupação com a equipa de transição do Presidente Obama em 2008.

O futuro presidente Obama encheu a sua equipa com “mais do que uma dúzia de [indivíduos que haviam] … trabalhado como lobistas federais registados.”

Um dos membros do conselho de administração de transição de Obama foi Mark Gitenstein, um lobista que “trabalhou em milhões de dólares de contratos de lobbying com a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e promoveu legislação para os gigantescos contratos de defesa com a Boeing e a General Dynamics.” Antes da eleição, no entanto, o candidato Obama tinha prometido pôr fimà cultura do K Street lobbying que ele encontrou quando ingressou no Senado dos Estados Unidos.”

Apesar dos nomes com ligações às indústrias privadas, na equipa de Trump, o New York Times acrescenta, que existe “um número de pessoas na lista que são peritos reputados sem interesse claros em ajudar quaisquer clientes do sector privado“, sugerindo que a maioria dos membros da equipa de transição de Trump não são conhecidos como sendo defensores de quaisquer interesses especiais.

Independentemente das ligações da equipa a interesses particulares, alguns são veteranos de outras administrações, como a antiga lobista oficial da administração Bush, Christine Ciccone e como o ex-Procurador Geral e Património da administração Reagan, Edwin Meese. Há ainda a referir o antigo presidente da Fundação Heritage, Edwin Feulner, o antigo elemento da Comissão do Orçamento do Senado, Eric Ueland, o antigo senador republicano Mike Rogers e senador Rick Dearborn.

A equipa é liderada pelo Vice-presidente eleito Mike Pence governador de New Jersey, sendo Chris Christie a ocupar o cargo de vice-presidente do comité executivo da equipa de transição, uma alteração adotada recentemente por Trump. Há ainda outros no comité executivo de Trump, como o Doutor Ben Carson, o antigo porta-voz da Câmara dos Representantes Newt Gingrich, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, o Sr. Sessions, e o General na reserva Michael Flynn, que uma vez admitiu que a ascensão do Estado Islâmico foi “uma decisão deliberada” da Administração de Barack Obama e que também criticou a guerra de drones e a tortura.


Artigo original aqui

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