Cavaco Silva: vinte anos perdidos

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 12/03/2016)

AUTOR

                               Miguel Sousa Tavares

Não sei quanto tempo seria preciso recuar na história de Portugal para encontrar alguém que tenha estado vinte anos no topo do poder, como Cavaco Silva esteve. Salazar esteve mais tempo e Alberto João Jardim também, mas os seus casos não se comparam, pois o primeiro exerceu o poder em ditadura e o segundo numa espécie de democracia das bananas. Cavaco não: esteve lá estes vinte anos por expressa vontade popular. Nascido para a democracia bem depois do 25 de Abril, notoriamente ausente dos combates pela liberdade e pela democracia, quer antes quer logo após o 25 de Abril, o agora Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (por liberalidade do seu sucessor), escutaria um dia Mário Sottomayor Cardia (o louco mais lúcido da política portuguesa) dizer-lhe em plena Assembleia da República: “O senhor faz-me lembrar Salazar e só não o é por duas razões: porque tem família e porque vivemos em democracia”. Não subscrevo a frase nem deixo de a subscrever, mas concordo com o seu sentido profundo: o professor Cavaco Silva, combinando três ordens de factores diferentes — um excepcional acaso de circunstâncias propícias, a inteligência de aparecer e desaparecer nos momentos adequados à sua ambição, e uma certa nostalgia dos portugueses pela ordem e autoridade — chegou onde nada o fadava para ter chegado. Agora, que sobre ele se abateu o habitual cortejo de elogios que sempre reservamos aos mortos e aos finitos, seja-me permitida uma visão absolutamente oposta.

Cavaco tomou o poder, derrubando facilmente o desgastado governo do Bloco Central de Mário Soares e Mota Pinto, de caminho humilhando e crucificando quem, no seu partido, se atrevera a coligar-se com os socialistas numa hora de emergência — em que ele esteve prudentemente ausente. Para trás ficaram anos difíceis, com dois resgates pedidos ao FMI e os correspondentes sacrifícios, que custaram a derrota inevitável ao PS mas que foram essenciais para repor ordem nas finanças públicas, devastadas pelos desmandos do PREC. Mas o Governo que ele derrubou deixou-lhe uma preciosa herança, uma verdadeira mina de ouro: o fluxo sem fim de dinheiros europeus de que iria beneficiar nos seus dez anos à frente do Governo. Hoje, parece difícil de acreditar, mas Cavaco começou por torcer o nariz à adesão à União Europeia, um processo para o qual não moveu prego nem estopa. Jamais teve uma palavra de reconhecimento para com Mário Soares ou Ernâni Lopes, os homens que resolveram a desordem financeira e negociaram a adesão à Europa, duas coisas que tornaram possível a sua aura de fazedor. Inversamente e já como PM, Cavaco foi um entusiástico promotor da entrada na moeda única, e nisto, como em tudo o resto de essencial, a história encarregar-se-ia de demonstrar a sua nula capacidade de visionar o futuro: a entrada na UE permitiu-nos dar um salto de uma geração; a moeda única está na raiz dos males que agora nos afligem.

Dez anos sentado sobre uma mina de ouro permitiram a Cavaco mostrar “obra”. Mas não lhe permitiram o que estava para lá da sua capacidade de estadista. As auto-estradas ficaram e servem, é certo. Mas, como dizia Ribeiro Telles, serviram sobretudo para os espanhóis fazerem chegar mais depressa e com melhores preços os seus produtos agrícolas aos nossos supermercados, assim destruindo de vez a nossa agricultura e despovoando o interior. Mas já antes ele vendera por um punhado de moedas a agricultura a Bruxelas e aos interesses dos produtores agrícolas europeus. Ele, que hoje se reclama de “homem do mar”, vendeu ainda as pescas, a marinha mercante e os estaleiros navais, mas também as minas e tudo o que, no futuro, nos poderia garantir independência económica. Em troca, construiu e distribuiu: o país interior está cheio de centros de terceira idade, palácios de congressos e piscinas municipais que ninguém usa — ou porque se foram todos embora ou porque não há meios para os fazer funcionar. Em vez de aproveitar os dinheiros europeus para lançar os alicerces de um desenvolvimento sustentável e perene, espatifou milhões em alegados cursos de formação profissional e na integração de milhares de contratados no quadro da função pública e de pensionistas não contributivos na Segurança Social. Com isso, criou uma classe de novos-ricos que produziam nada e prosperavam com a especulação bolsista e criou o “monstro” estatal cuja necessidade de subsistência se tornaria a ruína da nação. Não seria sério dizer que tudo foi mau na sua governação, mas o balanço final foi este: Cavaco Silva teve nas mãos e desperdiçou uma oportunidade única e irrepetível de contrariar o fatal destino lusitano.

A sua chegada a Belém ficou-me para sempre marcada pela primeiríssima fotografia do eterno fotógrafo oficial da Presidência, Rui Ochoa. Uma das tais imagens que valem por mil palavras: de mãos dadas e com a felicidade estampada na cara, toda a família Cavaco Silva subia a ladeira de Belém — para tomar posse do palácio e do país. Os dez anos subsequentes confirmariam a justeza daquela imagem: em Belém, Cavaco portou-se sempre como alguém muito acima, por direito próprio e por direito divino, de todos os outros portugueses e, sobretudo, dos desprezíveis “senhores agentes políticos”. Ele era o homem que sabia muito mais de finanças do que qualquer um, que tinha “avisado” de cada vez que as dificuldades surgiam, que exigia a quem pusesse em causa o seu insustentável negócio com o BPN que nascesse duas vezes antes de se atrever a questioná-lo. Essa arrogância pessoal, conjugada com uma falta de coragem para o combate político frontal, levou Aníbal Cavaco Silva a revelar na Presidência características que não são defeitos políticos, mas de personalidade. São exemplos disso o discurso de vitória na noite em que conquistou o segundo mandato e em que, ressabiado pelos ataques que sofrera a propósito do BPN e das explicações convincentes que falhara em dar, continuou a campanha eleitoral já depois de ela ter terminado e quando os adversários já não podiam argumentar nem responder-lhe. Ou o inacreditável, inverosímil e inclassificável, plano que a sua Casa Civil montou, de conluio com um jornal, para emboscar o primeiro-ministro com quem se reunia semanalmente e destinado a fazer crer que o PM tinha montado escutas ao PR — um “escândalo” fabricado para rebentar em cima das eleições legislativas. Cavaco poderá escrever o que quiser nas suas memórias, mas não poderá nunca reescrever a verdadeira história. Como o discurso vingativo da sua tomada de posse, quando convidou os jovens a revoltarem-se contra o Governo — os mesmos jovens que depois, já com um governo da sua cor política e perante o seu silêncio, emigraram daqui às centenas de milhares. Aí, logo no início do seu segundo mandato, ele despiu-se da sua fachada de árbitro e embarcou na ilegítima postura de Presidente partidário e sectário. Eduardo Catroga, um dos seus fiéis ex-“ajudantes”, dizia há dias que Cavaco foi vítima de um “preconceito de uma certa elite intelectual e social de esquerda que o critica por não ter uma cultura humanista”. Trata-se de um argumento fácil e repetido que, todavia, não consegue explicar como é que o principal desgaste da imagem dele foi justamente entre as classes populares, quando perceberam que o “homem do povo” e de Boliqueime achava pouco uma pensão de 10 mil euros por mês. Mas o tal desprezo da tal elite intelectual e social de esquerda — que é verdadeiro — não se deve à falta de “cultura humanista” de Cavaco, mas sim à sua incultura, pura e simples, e ao seu desdém por ela — como ficou demonstrado na composição das embaixadas “culturais” que levava ao estrangeiro ou dos fiéis escudeiros que distinguia. Porém, não vejo em que é que a exigência de um Presidente culto seja sinal de elitismo. Um pouco mais de cultura, de coragem e de sentido de Estado (que vêm por arrasto), teria evitado, por exemplo, que Cavaco se tivesse alienado por completo da discussão sobre o Acordo Ortográfico ou que tivesse encaixado sem um estremecimento os enxovalhos que levou em Timor, na cimeira que consagrou a vergonhosa adesão da Guiné Equatorial à CPLP, ou em Praga, quando ouviu, sem reagir, o Presidente checo ofender os portugueses. Cavaco foi submisso ou inexistente lá fora e grandiloquentemente vazio cá dentro.

Para a história ficará que, dez anos de presidência depois, deixou um país infinitamente pior do que aquele que recebeu.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

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50 pensamentos sobre “Cavaco Silva: vinte anos perdidos

  1. Neste aspecto o Miguel Sousa Tavares tem toda a razão,foram vinte anos perdidos e tudo por culpa de nós Portugueses,que vamos aprendendo á custa da nossa politiquice que não vale um chavo,

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    • Podemos nâo simpatizar com o jornalista? poderá você! não deve falar no plural! claro queele tem toda a razão, são factos. Não precisam de prova. Factos vividos e testemunhados pelo povo portugês. Quanto ao carcater ficou muito por dizer sobre aquela mumia cobarde!

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      • Eu concordo. .. eu não gosto deste senhor, arrogante, cujo cultura de vida e a pobreza do povo o incomodava…e que manobras de bastidores religiosos fizeram este sr ficar tanto tempo na sua cadeira por isso se manteve sempre longe deste mesmo povo, por isso d.Eulália pode ler no plural

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    • este sujeito seria o ultimo que poderia dizer o escreveu, pois não passa de um pedante ignóbil e sem vergonha, pois só assim diz o que diz … quer fazer um frete ao ps, pois que faça, mas não deve mentir á descarada, pois não sou apoiante de nenhum partido e já votei de maneira diferente varias vezes, custa-me ouvir o “sorralho” de mentiras que ele diz e que nunca o ouvi dizer de outros presidentes socialistas, por acaso até se esqueceu de dizer que o ex presidente da Republica renunciou ao vencimento a que tinha direito… e que só o Sr. General Eanes também o fez. fico-me por aqui porque até tenho vergonha de questionar tal sujeito…

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      • joseribeiroperes, não demonstre tanto a sua ignorância. Àparte dos ataques e ofensas dirigidas, sem justificação, ao opinista autor da peça, no único facto que tenta apresentar enterra-se redondamente ! Cavaco Silva renunciou ao vencimento de PR, sim… mas porquê? Em que circunstâncias? Sabe? Eu sei ! Não foi por sentido estadista como Ramalho Eanes. Foi apenas pela ganância que sempre o moveu na política. Informe-se antes de papaguear.

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      • O que afirma MST sobre Cavaco, é mentira? Ainda faltam algumas ” mentiras ” bem graves , que vão ficar no curriculum a apodrecer com ele. Na minha modesta opinião, Cavaco foi um ” Castigo” para os Portugueses. O chamado de CAVAQUISMO , foi o grupo mais “negro” da democracia Portuguesa. Na QIINTA FEIRA passada, a cidade do Porto já lhe respondeu. …Boa viagem prof Cavaco, viva feliz, mas afastado fos Portugueses.

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      • O Cavaco renunciou ao vencimento de presidente , porque tinha de optar entre este e a grande pensão do Banco de Portugal, enquanto que o General Ramalho Eanes podia acumular e renunciou a um deles. É muito diferente.

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      • Ele renunciou ao vencimento porque não podia acumular o vencimento com a reforma de que já dispunha e optou pela reforma porque lhe era muito mais favorável. Para se ter opinião e reconhecer as canalhices que este presidente fez ao país, não temos, necessariamente ligados a um partido. Se o senhor concorda com a governação do cavaco, tenho que lhe conferir uma grande falta de conhecimento!!!

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      • O sr.e mentiroso.pelo seu comentário fico a saber quem apoia.Eu juro que votei Cavaco por 2 vezes.Hoje sinto – me arrependido. Preferia ter partido os dedos, hoje estava curado.MST tem toda a razão muito embora não concorde com ele.Mas tem melhor obra que Cavaco a favor de Portugal

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    • “Criticas vazias e não sustentadas”!! Explique (se conseguir) porque acha serem vazias e não sustentadas. Cheira-me a argumentação do “porque sim”

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      • Eu vi antes e depois e não gosto de mortos vivos que acordam quando lhes é favorável. Ele que se deixe ficar pelos Algarbios, mas calado porque, calado faz um figurão. E se publicou a quinta feira deixe a sexta feira santa no sepulcro sem ressurreição.

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  2. Excelente análise que cobre uma carreira completa neste inventário ordenado magistralmente. Concordo plenamente com todas as suas setas lançadas contra alguém que nem hesitou a recomendar um banco (BES) que ele sabia estar em muitos maus lençóis. Último registo das suas façanhas! Bem haja, Miguel S. Tavares.

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  3. Cavaco Silva não estava só. Ele representa a mentalidade de muitos portugueses. Todas as mudanças na economia portuguesa ditadas pela UE tiveram compensações financeiras e todos sabem que os portugueses preferem dinheiro gratuito. Lembro-me das transportadoras portuguesas terem sido vendidas aos espanhóis. Não lhes vamos agora dar as culpas de usarem as nossas estradas, porque isto também é uma coisa muito portuguesa: culpar terceiros das situações onde nos metemos.Se não tivéssemos dinheiro da UE para as estradas usadas para transportes de mercadorias tudo seria mais caro e o sector terciario teria desaparecido na mesma. E teria desaparecido porque pouco inovativo e competitivo.

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  4. O jornalista (ainda que sempre polémico e por vezes demasiado populista para o meu gosto) limitou-se a constatar um conjunto de factos indesmentíveis, doa a quem doer. Só peca por defeito, pois falta referir e apurar muitas outras “habilidades do “artista” que ainda não são públicas e devidamente provadas. Espero bem que o venham a ser, a bem da credibilidade nos nossos governantes.

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  5. Como sempre Miguel Sousa Tavares soube escrever tudo aquilo que o normal cidadão português pensa e sente sobre o Tarolo de Boliqueime e aquilo que ele representou na política económica deste país. Não sendo já jovem fui uma das portuguesas que teve de emigrar para ter uma vida digna e comigo veio toda a família. Se pensarmos voltar? Dificilmente, muito dificilmente! Bem haja pois por falar por nós.

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    • Na generalidade concordo com os textos e os comentários deste português da melhor água, que seria competente para idealizar uma melhor frase. Porém não entendo porque diz que não subscreve, nem deixa de subscrever a frase de Sottomayor Cardia, que considero faz um retrato muito razoável da triste figura que tivémos, (eu tive) de gramar por não ter meios para sair do país (2 X 10) anos. Não vi a história de Portugal toda com os meus olhos, como fui obrigado a ver a actuação deste infeliz, mas efectivamente deverá ser difícil que haja nela coisa semelhante. Infeliz porque não se conhece, nem ninguém o avisou de que não tinha a mais microscópica célula de talento para ficar todo o tempo exposto a pungente ridículo. Os últimos tempos foram dolorosos. Nem Carmona o teria sido tanto. A farda, mal ganha, emprestava-lhe talvez essa vantagenzita…
      Sem desprimor para o nosso Miguel, quero apenas trazer à colação Batista Bastos, cronista exímio, que em minha opinião, e creio de muito boa gente, foi o maior retratista da palavra que descreveu com seus pincéis a néscia personagem. Ainda no D. de Notícias e no C. da Manhã creio, e até antes possivelmente, assinou verdades como punhos, que pretendo, só ele sabe gravar a buril, talvez inspirado no que tem de repelente o personagem chato.
      Quando me convenci que ele jamais se veria no espelho, e, ou não tinha quem o demovesse, ou não queria ser demovido, tive dó da caricatura. Bem podia ter sido poupado a tanto, se após “1º. primeiro ministro” e a enterrar o país em alcatrão, tivesse desaparecido da ribalta até agora. Portugal teria ficado livre desse período negro da sua velha caminhada, que veio a sair-lhe na roleta da democracia, o inapto figurante. Um sujeitinho sem cultura e sem palavra. Não dizia uma, quanto mais duas para a caixa. E, de guarda livros, sabe-se, foi o que se viu, teria deixado rebentar a caixa registadora… Lamento ser obrigado a clamar estas palavras, já que o nosso ano é mesmo, ano do início da 2ª. guerra mundial. Ambos tinhamos vinte e muito poucos anos, quando a PIDE me prendeu. ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL?
      P.S. – Já se sabe, que quem lucrou ou era familiar de quem algo lucrasse com o figurão ou com as ondas projectadas, grita alto e bom som que foi o maior. Mas esses também não sabem quantos Cantos têm os Lusíadas. Nunca se enganam, e raramente têm dúvidas.
      A quem refira que ele ganhou o lugar com os votos, terei de dizer que é certo. Mas, meus amigos, saber o que fazer quando se tem o papelinho do voto na mão, requer algum conhecimento, e essa arma, desde aquele precioso dia de Abril até hoje, não foi nunca ministrado a este humilde povo, cuja sua maior grandeza é, justamente, perdoar a quem lhe faz o maior mal possível, que é mantê-lo numa ignóbil e antiga ignorâcial. Todos os partidos desta modestinha democracia, mas todos mesmo, os com responsabilidade governativa, e os sem ela, não levantaram o dedo mendinho para tal levar à prática. E, se calhar vai continuar até às calendas… Daí decorrem todas as misérias e chagas posteriores, como foi o exílio forçado da juventude portuguesa, cujo sol de Portugal, onde nasceram, não a voltará a aquecer . Se um povo não souber, para que serve o voto, podem daí nascer as mais medonhas bizarrias. Hitler, George W. Bush que incendiou para muitos anos o Médio Oriente, e Trump se fosse eleito? São exemplo do que o votos pode fazer acontecer.

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      • Boa análise deste amigo,sobre esse hediondo ser, que governou o País durante vinte longos anos e o deixou como atrás foi largamente referido.FOI UM ALGARVIO MANHOSO E VINGATIVO.Afinal os portugueses não aprenderam nada nestes quarenta e três anos de democracia?.

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  6. Excelente artigo de Miguel Sousa Tavares. Subscrevo por completo. 20 anos perdidos, danosos a Portugal e de crescente vergonha alheia, sempre que víamos Cavaco a falar em Público. Metia dó o comportamento de Aníbal e Maria Cavaco Silva em situações culturais. Custa a acreditar como é que este país teve durante 10 anos na presidência um dos casais mais incultos de sempre em altos cargos públicos. Felizmente acabou e espero que não se volte ouvir falar deles.

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  7. A grande questão de fundo é vivermos num país que permite que alguém tenha a ousadia de viver à custa da política por longos períodos de tempo. A lei devia proibir esse tipo de abuso. É preciso saber estar, como é muito importante saber sair porque muitas outras pessoas tão válidas ou mais aguardam a oportunidade de dar um contributo válido ao seu país. De políticos carreiristas está Portugal cansado.

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  8. 5 estrelas! O único problema é que foi sempre uma maioria de Portugueses a garantir a sua eleição. É impressionante como um homem austero e desprovido de qualquer capacidade de comunicação, conseguiu convencer tantos e várias vezes em momentos tão diferentes. Fica para a história que não ficará. Lamento, e muito, o seu período como PM, pois foi de facto a oportunidade de ouro para recuperarmos e construirmos um Portugal melhor. Espero que não se repitam erros destes (eleitos deste nivel), mas temo que não…

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  9. Para mim a melhor definição deste cromo é pronunciada por ele próprio: “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”. Ora é dos livros e da cultura popular que só se engana quem trabalha, logo é um inútil; só os sábios têm dúvidas, logo é um ignorante. Demonstra também uma enorme falta de inteligência pois não se coíbe de fazer aquela afirmação para os órgãos de comunicação social para que todos fiquem a saber da sua inutilidade e ignorância.

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  10. Ao nosso mto amado autor- ‘Miguel Sousa Tavares’ – o nosso abraço de infinda gratidão.
    Pelo seu talento, como ‘ jornalista e escritor’ , absolutamente genial .
    Em qualquer dos seus trabalhos ( jornalismo ou na literatura), vemos sempre a excelência do rigor do seu ‘ espírito critico’ ; bem servido por uma cultura geral, global , bem estruturada e ‘ acutilante ‘ .
    Mais um Português – que , graças à sua imensurável dedicação ao saber, exigência quanto ao predomínio do Leal esclarecimento, uma consciência cívica, perante os seus concidadãos, mto apreciável, de uma elevada grandeza .
    Grato .
    José Martins.
    Artista plástico.

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  11. Subscrevo na totalidade as palavras do Miguel Sousa Tavares. Mas, é um homem de extremos este jornalista, pois entre outras barbaridades dizia ele não faz muito tempo “incomoda-me mais o choro de uma criança que o fumo de um cigarro”, bolas Miguel, pára de fumar, dizer asneiras e faz o que sabes muito bem: escrever, há que ter tento, a adolescência tardia, não existe! Chama-se a isso irresponsabilidade! Agora este texto está brilhante.

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  12. Já passou tanto tempo que até se pode fazer História!
    Não foram 20 anos seguidos. Foram 10 anos como primeiro ministro, em que aplicou um modelo de desenvolvimento que apostou na construção civil. Pode ser contestado, mas na altura não havia uma auto-estrada Lisboa-Porto e Portugal ainda tinha muitas barracas e falta de habitação. Vejam as estatísticas do crescimento nesse tempo e comparem com os 20 anos seguintes.
    Terminou esses 10 anos de governação com uma dívida pública inferior a 57% do PIB (agora anda nos 130% do PIB) e o IVA era de 17% em que a subida dos 15% para os 17% foi uma medida inovadora de os 2% irem direitinhos para a segurança social (como fonte de diversificação das receitas da segurança social) e não para o Orçamento de Estado. Que saudades desses tempos!
    Depois veio “a paixão da educação” (época Guterres) e depois Barroso, Santana, Sócrates. De de que é que se gabavam esse governantes? Os tais que deviam ter mudado o modelo de desenvolvimento. De que tinham feito mais auto-estradas, mais estádios, mais construção civil do que a governação de Cavaco. Só que aí já não era tão necessário. Não mudaram o modelo de desenvolvimento e foram mais Cavaquistas que o Cavaco. Mas a culpa não é do Cavaco! Ele já lá não estava.
    Depois como Presidente, não foi brilhante. Foi mesmo muito limitado! Mas fez muitos alertas de que se ia por mau caminho a que os governantes não ligaram.
    Devia ter feito parar o Sócrates antes do descalabro a que chegámos? Devia e não o fez.
    Agora não nos iludamos! No nosso sistema constitucional quem governa é o governo e a situação a que chegámos não é culpa de quem deixou de governar há 20 anos (Cavaco Silva) é sim dos governantes que tivemos depois disso e muito em particular do período Sócrates.

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    • Para quem gosta de tempos passados,o feudalismo da idade média deve ser fascinante.Teias de aranha do analfabetismo tem alguma coisa a ver com quem usando tecnologias de informação vem aqui cair, demonstrando saudosismo ? Declaração dos direitos do homem,equidistância entre o ser humano e não exploração do homem pelo homem…Acesso á informação…Isso acaso é trabalho de (C)cavaco ou talvez dos últimos vinte anos de Salazar?…..Macaquinhos no sótão isso sim..Ferraris em Felgueiras no tempo em que começaram a chover ajudas comunitárias….Roubos e desvios,nenhuma transparência.Portugal era conhecido como uma província de Espanha Era um zero á esquerda. Foram os governos de esquerda no pós 25 de Abril que deram visibilidade a Portugal com educação,saúde,apoios sociais e tecnologias..A banca corrupta sempre foi o ex-libris dos governos de direita ou é mentira ?..Cavaco,durão,santana,portas,m.l.albuquerque,passos&Cº são os exemplos a não seguir…Foi o saque!..Sócrates relançou o país,deu-lhe visibilidade,simplificou e endividou? o país com a crise do Lemon brothers e essa crise foi mundial…Foi deposto com o apoio incondicional de cavaco e,quem o substituiu,aumentou a dívida de 93% do pib,para 130%…em apenas quatro anos…Álvaro de Campos…heterónimo de F. Pessoa ,não existiu mas é perfeitamente viável mas,não aqui…Aqui,.é apenas mais um sabujo enferrujado da direita…

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  13. Não sou particularmente fã do MST, que acho frequentemente arrogante e narcisista, no entanto, este é um dos textos mais assertivos que já li.
    Muitos dirão que Cavaco não teve a culpa de tudo o que aconteceu de mal nestes anos, é verdade, todos os politicos do pós-25 de Abril têm a sua cota parte de responsabilidade, no entanto Cavaco é, de longe, aquele que sozinho teve mais responsabilidade no estado calamitoso a que a nossa economia e a nossa sociedade chegaram.
    Estive a ler os comentários anteriores e vi um que diz que MST fáz criticas vazias. A sério? Então ele não explica/justifica cada uma das criticas que faz? Vi outro onde se acusa MST de fazer frete ao PS e dizer um “sorrilho” de mentiras. Quanto ao frete ao PS, não faço ideia se tem ou não essa intenção, já quanto ás mentiras…Tudo o que MST diz e tudo o que é imputado a Cavaco é factual e fácilmente comprovável numa curta exploração da internet ou do arquivo de um jornal.
    Cavaco foi o PM da sorte grande, nenhum outro teve, nem de perto os meios que ele teve ao dispor, ainda por cima sem ter que fazer nada por isso. Podia ter sido, de longe o melhor PM de sempre, bastava não mexer muito para não estragar, no entanto foi de longe o pior, tendo conseguido destruir todo o tecido produtivo do país e colocando os milhares de milhões que choviam da Europa (conseguidos com o esforço de outros de quem ele desdenha, para depois ele sair do buraco em que se escondia armado em homem providencial) nas mãos de meia duzia de chico-espertos e patos bravos, nunca os fundos europeus compraram tantos porches e casas com piscina, só que na altura chamavam-se explorações agro-pecuarias e empresas de formação.
    Quanto á sua tão proclamada seriedade e retidão basta ver a lista de personalidades que ele foi agraciando enquanto PR ou os homens de que se rodeou e que defendeu, alguns até ao limite do possivel.
    A sua relação com a Democracia define-se pela pensão que negou ao Salgueiro Maia para dar a um PIDE e…podia continuara escrever até de manhã.

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  14. Aceitamos o outro quarenta anos, aclamamos este vinte, se trocassem as épocas em que viveram, acredito que não fariam muito diferente, nem eles nem nós.
    E eu que fico maravilhado com a clareza da análise do nosso grande escritor, ou menos este é um valor incontestável. Acredito em quem? Quando ainda há poucos anos pensava que o Eng. Sócrates era o líder que iria salvar Portugal do atraso, o Bes era o banco onde se podia guardar as poupanças e a caixa uma segurança económica, o governo anterior parecia-me incapaz mas honesto, agora já não sei.
    Por de trás de tudo isto há um grupo de ladrões e assistentes, tão bem escondidos que mesmo depois de descobertos continuam ocultos.
    Será que este governo que a mi me parece limpinho e competente, daqui a uns anos ainda o será.
    Quem tem estas duvidas como eu deveria encontrar respostas na comunicação social, mas o que encontra é confusão.

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  15. Miguel Sousa Tavares, fez a meu ver o retrato perfeito do tempo em que Cavaco Silva teve responsabilidades na gestão da cousa Pública. Aquele Sr. Aníbal deixou muito a dever ao que deve ser a postura do mais alto dignitário do Estado. Tirou proveito do B P N, tirou proveito da mansão da Quinta da Coelha, criou inventonas que ao tempo se provaram ser mentira, usou sempre de sobranceria sobre tudo é sobre todos, até de quem lhe encheu os cofres para ele poder gastar à fartazana, nunca é de mais lembrar da Adesão à CEE cujo padrinho foi Mário Soares coadjuvado por Hernâni Lopes. O fluxo de dinheiro era quase indescritível , e a bagunçada acompanhada da destruição de sectores básicos da nossa economia foi o que se viu. As queixas nunca mais parariam , mas se estivesse no seu lugar, calava-me.

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  16. Acho que está tudo dito, nunca consegui entender como esteve lá tanto tempo, sem ofender não entendo o que as pessoas pensam, muita gente sofreu e continua a passar fome, será que não sentem o estômago a doer de noite por falta de alimentação? Isto é um exemplo dos mais fáceis de sentir!!!

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  17. O maior bandido que Portugal já possuiu,enquanto esteve no poder, esse famigerado fascista Portugal rebeu
    9 milhões de euros diários durante 25 anos,para onde foi canalisado esses milhões.Ladrões que destruiram Portugal!!!

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