OS SALDOS

(Amadeu Homem, in Facebook, 02/09/2015)

Amadeu Homem

     Amadeu Homem

Os potentados financistas internacionais desenvolveram, com inteiro êxito, uma estratégia semelhante à que é desenvolvida pelas famílias pelintras : compram, em saldo, pelo preço mais barato.
Neste momento, a Grécia e Portugal estão em saldos permanentes ; a Espanha e a Itália devem decretá-los brevemente ; e a própria França já pediu conselho ao Descartes e ao Diderot para ver se e quando os haverá de lançar.
Os actuais compradores são os alemães, os chineses, os americanos e os sobas africanos que proclamaram as virtudes do comunismo nos idos de 60 do século passado.
Na Grécia, está tudo à venda por tuta-e-meia. Podem comprar-se ilhas ( há pouco , o Cristiano Ronaldo deu uma ilha a um amigo, como prenda de casamento), aeroportos ( a Alemanha abichou-se com dúzia e meia deles ), casarões de nobres e burgueses entretanto falidos e, muito brevemente, os frisos do Parténon. Isto porque, segundo dizem, os Gregos “viveram acima das suas possibilidades”. Para mulheres em estado de necessidade, também estão à venda Zorbas , muito baratos mas ainda funcionais, com vagas parecenças com o falecido Anthony Quinn e igualmente capazes de saltaricar ao som de uns harpejos amalucados. A Alemanha sugeriu também, por intermédio do Gauleiter Schauble, que fosse instituído como desporto europeu dos países ricos, o desporto do “tiro ao Varufakis”, garantindo que as reclamações seriam muito menos vigorosas, caso o mesmo fosse abatido, do que aquelas que se fizeram sentir quando o dentista americano abateu com setas o leão do Zimbabué.


Os saldos portugueses são menos polpudos: uma companhia aérea – não se sabe bem se com aeroporto incluído ou excluído, umas electricidades e fornecimentos de gás , com um Catroga como brinde, uns bancos anémicos e divididos em categorias de bancos bons e bancos maus , e até, para mulheres em estado de necessidade, um Camarinha algarvio, já durázio, e para mais impedido por doença venérea, de saltaricar com os arpejos do fado.

Os investidores alemães, chineses e pretos-ex-comunistas, hoje promovidos à sublime condição de torcionários dos pretos actuais, esses sim, comunistas à força porque partilham equitativamente os baldes dos lixos das senzalas, estão a guardar-se para a almoeda pública do que eles consideram a “carne do lombo” . A saber : a Torre dos Clérigos, com inclusão do túmulo do Nasoni, a Universidade de Coimbra, com inclusão de todos os seus lentes, os Jerónimos, com inclusão do túmulo de Camões, e o Palácio de Belém, talvez ainda com inclusão do Cavaco. Por enquanto, o Gauleiter Schauble ainda não decretou o desporto do ” tiro ao Jerónimo” ou da “caça ao Zé Manel Pureza” . Estamos com sorte !

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