Campanha para Lançar Fogo a Portugal

(Por Dieter Dillinger, in Facebook, 13/03/2018)

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A TSF parece estar numa tenebrosa e criminosa campanha contra a limpezas das matas e florestas. Só noticia as críticas dos autarcas e das pessoas que estão contra.

Os dirigentes da TSF dão a ideia que são insensíveis às consequências dos incêndios de um verão com mais incêndios que o passado porque estão a ver nos incêndios, e nos desastres, o único meio para deitar abaixo um governo que governa BEM, mas não tem ao seu dispor meios financeiros ilimitados. Podem dizer que não é verdade, mas a impressão que deixam nos ouvintes é que são psicopatas insensíveis.

Muitos autarcas estão contra a limpeza das florestas porque não querem fazer o esforço necessário para colocar algumas pessoas a fazer um trabalho indispensável para proteger a PÁTRIA.

Já sabemos que uma parte importante da magistratura é praticamente a favor de queimar a PÁTRIA porque aparentemente nada querem fazer contra os INCENDIÁRIOS.

Torna-se necessária uma campanha gigantesca das redes sociais contra os criminosos psicopatas que ocupam os mais diversos postos na justiça e administração, comunicação social, etc.

A ciência diz-nos que há uma média de dois psicopatas por cada mil habitanhtes e muitos são bons estudantes e alcançam lugares importantes, mas o psicopata atua, matando ou incendiando, quando tem um motivo para isso.

A característica principal do psicopata é não ter medo e ser insensível ao sofrimento dos outros quando está zangado ou tem uma motivação para atuar. Geralmente o psicopata não atua de qualquer maneira, precisa de ser contra alguèm, ter ciúmes, sentir-se mal pago ou mal tratado, etc. Daí que haja psicopatas de vários graus um pouco por toda a parte.

Sagrada Eurovisão da Canção

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 02/03/2018)

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Sempre pensei que o festival seria uma oportunidade para, por exemplo, as Testemunhas de Jeová concorrerem com uma canção. Seria uma hipótese para poderem passar a mensagem sem que alguém lhes feche a porta na cara.


Diogo Piçarra desistiu do Festival da Canção depois da suspeita de plágio de uma música da IURD (que, afinal, parece que não é bem da IURD). O que me faz confusão é que a IURD teve a oportunidade de pôr um cântico seu no Festival Eurovisão da Canção e ganhar milhares de seguidores e deitou tudo borda fora. Devem estar fartos de crianças.

Por acaso, sempre pensei que o festival seria uma boa oportunidade para, por exemplo, as Testemunhas de Jeová concorrerem com uma canção. Seria uma das poucas hipóteses para poderem passar a mensagem sem que alguém lhes feche a porta na cara.

Para mim, o Festival Eurovisão da Canção sempre foi uma coisa à qual eu teria vergonha de levar os meus filhos. É uma feira dos enchidos da música. O Festival da Eurovisão sempre foi uma bodega, mas oficialmente acabou quando inventaram as cotonetes.

Em minha casa, não se falava de Festival da Canção enquanto os miúdos estavam acordados. E nomes como Capitão Duarte Mendes, “Neste Barco à Vela”, dos Nevada, ou Tó Cruz e “Baunilha e Chocolate” eram ditos em código. Respectivamente, o – 28, 39 e o 3100 – a chave do código tinha por base a classificação obtida na Eurovisão.

Foram anos da habitual humilhação: Portugal ficava nos três últimos lugares e só o júri francês votava em nós, demonstrando que, afinal, os nossos emigrantes não estavam em França apenas a trabalhar nas obras e a lavar escadas. Alguns, com menos escolaridade, andavam lá fora como júris do Festival Eurovisão da Canção.

Durante muito tempo, a nossa participação resumia-se a enviar todos os anos um fado, ou semifado, sempre acompanhado de letras com caravelas e mar. Cheguei a pensar que um dia enviariam ao festival a Torre de Belém acompanhada à viola. Percebam uma coisa: ser Património Imaterial da Humanidade em termos musicais não significa muito e não dá votos. Lá porque o Douro Vinhateiro é Património Mundial da Unesco, ninguém se vai lembrar de inscrevê-lo nos ídolos.

De repente, os portugueses começaram a ligar ao Festival Eurovisão da Canção. A culpa é em grande parte, ou toda, do Salvador Sobral que, ao vencer no ano passado, deu cabo do saudável desprezo que tínhamos por aquilo.

No ano passado, aconteceu um milagre e vencemos a Eurovisão. Confesso que nunca imaginei. Até porque, desde a queda do Muro de Berlim, a competição passou a ser mais um jogo do risco do que um festival de música. É só estratégia e os votos são dados em função da letra da música e do equilíbrio geopolítico. Os votos variam entre a xenofobia e o bairrismo. Muitos países votam exactamente da mesma forma que votaram no ano anterior. Tanto faz, são países vizinhos ou alianças estratégicas, e eles votam nesses mesmo que, em vez de música, enviam um papa-formigas a bater chapa em calções.

Percebo que ter vencido a Eurovisão, de certa forma, nos obrigue a ser mais rigorosos nas escolhas das músicas que enviamos: queremos ficar bem vistos, mas não queremos vencer outra vez porque não temos dinheiro para organizar tudo de novo. Temos de escolher entre o sucesso no festival ou o regresso da troika. Pensem nisso.


TOP-5

Faz-me um plágio

1. Paula Teixeira da Cruz disse à Sábado que Passos Coelho também dará um bom candidato a Presidente da República – não disse de que país seria. Esperemos que não seja do nosso.

2. José Eduardo Martins quer ser candidato à CML nas próximas eleições – o problema de José Eduardo Martins é que sempre que começa a falar parece um “sketch” dos Gato Fedorento.

3. Polícia Judiciária deteve astrólogo suspeito de burla – vamos jogar ao “detecte o pleonasmo”.

4. Ontem comemorou-se o Dia Internacional da Protecção Civil – mas o SIRESP esqueceu-se de ligar a dar os parabéns.

5. Miguel Esteves Cardoso e Bruno Nogueira vão publicar livro baseado no programa “Fugiram de casa de seus pais” – espero que a Fernanda Câncio não proíba este livro.

Uma lição de política em Vila Velha de Ródão 

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 14/02/2018)  

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Daniel Oliveira

Para sermos justos temos dizer que todas as declarações do presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, Luís Miguel Pereira, têm sido exemplares, expressando o seu empenho, não sei se sincero ou não, na descoberta da verdade sobre a origem da poluição no rio Tejo. Mas é evidente, apesar disso, a sua tendência quase automática para afastar todas as suspeitas da Celtejo. É natural. Citando o autarca, “se a Celtejo encerrasse seria um cenário aterrador para Vila Velha de Ródão”.

Quando pensa em política a maioria das pessoas imagina escolhas fáceis, entre o bem e o mal, o certo e o errado, a competência e a incompetência, a honestidade e a corrupção. Raramente as escolhas são tão claras. A do presidente Luís Miguel Pereira é, em última análise, entre a nossa saúde e o emprego dos seus eleitores. É evidente onde está o bem maior, mas ninguém pode condená-lo por desejar que a principal empresa da terra seja ilibada. É humano.

Sei de quem, naquela região, há anos denuncie as fontes poluidoras. Houve até, no ano passado, uma manifestação entre o porto do Tejo (cais de Vila Velha) e a Celtejo. Segundo sei, a participação das gentes da Vila Velha foi muito reduzida. A maioria vinha de outras terras ou mesmo de Espanha. É mesmo entre elas que se encontra a maior resistência a qualquer denúncia. Apesar do povo de Vila Velha ser vítima da poluição, tem, ao contrário de nós, de pensar na sua própria sobrevivência económica. Sem uma justiça empenhada no combate aos crimes ambientais, ainda vistos em Portugal como contravenções menores, e com as populações economicamente dependentes dos poluidores, as denúncias dependem de heróis solitários, como Arlindo Marques, o homem da proTEJO que enfrenta uma ação judicial da Celtejo, que lhe exige 250 mil euros. Com o baixíssimo ativismo ambiental em Portugal, é uma forma da empresa isolar e calar qualquer denúncia. Não foi contra jornalistas e políticos que agiu, foi contra o elo mais fraco. Para que sirva de exemplo.

A posição solitária e de enorme vulnerabilidade de Arlindo Marques, que dificilmente contará com mais alguém na sua luta do que as associações ambientalistas, diz-nos o mesmo que a natural resistência do presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão em estar do lado dos que têm no combate aos poluidores a sua primeira prioridade: a enorme dificuldade em ter, num país pobre, desindustrializado e faminto de investimento produtivo, uma política ambiental exigente. Entre a sobrevivência imediata e a sustentabilidade, entre o salário ao fim do mês e a saúde pública, as pessoas escolhem sempre a primeira. Sejam portuguesas, suecas ou alemãs. E não hesitam em aliar-se, se preciso for, a quem destrói a sua saúde mas garante-lhe emprego.

É por isto que nunca aderi a movimentos políticos de uma só causa. Porque acredito que elas estão quase sempre ligadas e que a verdadeira política faz sínteses. A luta pela defesa do ambiente está perdida numa economia deprimida ou num interior sem possibilidade de escolher o pouco investimento que recebe. As pessoas não lutam pelo futuro onde não têm presente, não defendem a sua saúde onde não têm emprego.

Claro que o combate à poluição no Tejo não pode ficar à espera da prosperidade em Vila Velha de Ródão. Mas analisar uma coisa sem pensar na outra é esquecer aquilo que torna a política tão difícil e estimulante: nunca se trata apenas de escolher entre o certo e o errado, trata-se de escolher o que permite que o que está mais certo ou menos errado venha a prevalecer.