(Tiago Franco, in Facebook, 18/10/2025, Revisão da Estátua)

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Cristina Rodrigues tem um enorme potencial para ser uma das próximas estrelas do Chega.
Fala de forma pausada e sorri, como o Frazão, mas sem ter aquela cara de quem lambe urinóis às escondidas.
É menos engraçada do que a Cid (quando as fotos não apanham o estrabismo) mas infinitamente mais preparada e inteligente. E por fim, tem ali um cheirinho de pastor, quando diz disparates fingindo que acredita neles.
Achei também, para a riqueza do debate sobre as burcas, que a Sic Notícias fez um brilharete ao meter uma senhora do Chega e uma investigadora islâmica, que não parece ter grande simpatia por muçulmanos, a conversarem sobre o tema. Esta nova modalidade de ouvirmos apenas coros afinados nos debates, julgo, tem pernas para andar neste projeto de criação de sociedades de ovelhas pouco pensantes.
Dizia a Cristina que esta lei era essencial para proteger a liberdade das mulheres e a sua segurança. Eu, que sou um básico, pensei que era apenas mais um ataque de um partido fascista a uma minoria. De modo que fiquei contente por saber que o objectivo é libertar mulheres. Poucas coisas são mais bonitas nesta vida do que mulheres soltas. Muito bem o governo de extrema-direita a aprovar esta lei, proposta pelo Chega, com a excelente abstenção do PAN e do JPP que, no calendário das convicções, estavam numa semana par, ou seja, calhava a serem de direita.
Não é que eu seja desconfiado, honestamente não sou, mas é estranho, que um partido que diariamente publica videos onde expõe muçulmanos em frente a uma horda de seguidores acéfalos (desculpem, especiais), venha agora legislar para os proteger.
Mas tudo bem. Posso ser eu que não estou a perceber. A Cristina insistiu, de forma suave e com aquele sorriso trabalhado, que esta lei iria permitir que as mulheres deixassem de ser subjugadas por tradições religiosas arcaicas. Brilhante. Absolutamente brilhante.
Eu ainda sou do tempo em que o Chega vinha para abanar o sistema e retirar o Estado das nossas vidas. Lembram-se dessa fase? Julgo que foi a versão 2.0, quando tentaram ir para o quintal da IL, mesmo antes da Parrachita e o Mário Machado terem dado outro colorido à coisa. Era SNS privatizado, escola com cheque ensino, menos taxas e taxinhas, apenas 100 deputados, correr com metade da administração pública e cortar o RSI. Eram tempos bons.
Daí passámos para um partido totalmente embrulhado no sistema que, entre roubar malas e fazer putos por 20 euros, legisla que roupa devemos vestir e usa a segurança das mulheres como desculpa. Terá pensado a Cristina Rodrigues, e demais companheiros da ganadaria, que para as mulheres cuja opção de vida é usar burca, esta lei acaba por as condenar à prisão domiciliária? É, no mínimo, uma forma estranha de defender a “liberdade das mulheres”.
Parece mesmo que é apenas uma lei racista, xenófoba e dirigida a uma minoria, apoiada por um governo que, desde que mentiu a toda a gente com um programa eleitoral que não segue, se tem limitado a perseguir imigrantes a reboque do partido fascista com quem se coligou.
Eu nunca vi uma burca em Portugal mas enfim, almoço sempre o meu caviar esquerdalha no Gambrinus, só saio de casa à noite para ir à ópera e estaciono longe do Martim Moniz, por isso, é normal que esteja desatualizado. Mas dizem-me que nas praias da Costa e no paredão de Cascais já não se aguentava com aquela malta a passear os lençóis.
Acho ainda assim que se libertou pouco com esta lei. Teria aplaudido ainda com mais força se tivessem libertado os putos que andam com as calças nos fundilhos, a malta da meia branca e os chapéus da NBA dentro de portas. Ainda as gordas que insistem nas leggings (libertem aquelas pernas), as velhas com joanetes e chinelos, os louros com o “pullover” nos ombros, o salto alto com fundo em bico. Tanto por libertar, tão pouco tempo.
Percebo, por isso, a gravidade e urgência do problema. Aqueles 40% de desempregados no limiar da pobreza (notícia de hoje) e as casas a serem vendidas 35% acima do preço real, são temas que podem esperar. Há que libertar mulheres das burcas, como em tempos libertámos o Kuwait da ditadura. Não é fácil esta vida de samaritano do Oeste.




