(Raquel Varela, in Blog raquelcardeiravarela.wordpress.com, 16/10/2025, Revisão da Estátua)

Esta minha carta é um convite à ação. É, também, o anúncio de um novo projeto editorial.
A minha dispensa da RTP coincidiu com a apresentação de um programa com comentadores da área da extrema-direita (já quase não há direita), um deles fascista não disfarçado. A nova direcção passou, aliás, pela vergonha pública de o apresentar e, depois, de ter recuar.
Não me surpreende. Como tenho escrito, há um poder de facto AD-IL-Chega cuja linha tem sido a defesa do genocídio da Palestina como “normal”. Isto enquanto na SIC/Expresso se prepara a entrada de capital vindo da extrema-direita italiana, do grupo criado por Sílvio Berlusconi, no grupo de Balsemão.
A democracia formal trouxe-nos a uma situação inédita: quando tinha um só deputado, o líder fascista dominava a comunicação social. Corremos agora o risco de, daqui a uns meses, estarmos a ver programas de TV em que três comentadores dizem para votar num almirante bonapartista contra um cacique fascista ou, então, no cacique fascista contra o almirante bonapartista. Ditadura mais violenta e menos discreta ou menos violenta e mais discreta – será essa a grande escolha?
A minha carta de saída da RTP foi vista três milhões de vezes nas minhas páginas. Recebi cerca de 15 mil mensagens. Tive apoio público de homens e mulheres de trabalho, da cultura, literatura, jornalismo. A todos, o meu muito obrigada.
Refiro estes números para que fique como registo da realidade. Porque quando olhamos para o panorama mediático e eleitoral não vemos a realidade, tudo parece esmagador, de tanta ausência de pensamento, e esse é o maior drama da falta de jornais e de esfera pública – é que cria uma imagem, um espelho distorcido, desolador.
Não, a RTP – muito menos agora -, nem os outros canais, reflectem o mosaico vivo de ideias, acções, trabalho e cultura deste país e do mundo.
Entre as muitas mensagens que consegui ler destaco esta, que me chegou de um editor de televisão:
“No dia em que o André Ventura anunciou a sua candidatura à Presidência da República, [os responsáveis pela informação] editaram uma pequena sequência de imagens com cerca de 60 segundos que foi reproduzida centenas de vezes ao longo daquele dia acompanhada de um grosso título que dizia ‘Fui obrigado a candidatar-me’. Ora, esta sequência de imagens não foi editada de ânimo leve, foram escolhidos, minuciosamente, planos daquele indivíduo em situações de verdadeiro poder, aqueles em que estava mais bonito, melhor enquadrado, cheio de força e confiança, aplaudido, rodeado de bandeiras de Portugal, de pessoas delirantes a rir e a aplaudir, numa ordem crescente de euforia e grandeza… Nem um plano com aquelas expressões idiotas que faz quando é confrontado com uma mentira ou quando simula um ataque durante uma campanha ou quando é repudiado numa arruada ou quando está rodeado de homens maus e cheios de ódio a saltearem-lhes dos olhos e de mulheres ocas embevecidas com um protagonismo que nem sequer entendem… (é uma) campanha para o tornar num salvador da Pátria. Lamento mesmo muito, mas prometo que não vou ficar de braços cruzados a assistir a este tombo da nossa democracia.”
Há anos que defendo a necessidade de uma esfera pública dos trabalhadores, autónoma do Estado e das grandes empresas. Portugal tem uma esfera pública pobre. Tudo depende do dinheiro do Estado e das câmaras ou das empresas. A maior esfera pública que tivemos foi no final do século XIX, quando os sindicatos e sócios financiavam jornais, os quais tinham suplementos de cultura, escolas, teatro. Esse é o princípio que, acho, nos pode tirar deste pântano.
Hoje mesmo nasce um jornal, o Maio (ver link no aqui), que toma partido pelo lado dos que vivem do trabalho, da cultura e da educação. Vou colaborar nele pro bono, pagando quota como os restantes sócios. Mas estamos decididos a pagar corretamente a quem se dedicar profissionalmente ao Maio e assegurar meios de investigação e técnicos.
O Maio tem, na casa de partida, o apoio de alguns sindicatos, trabalhadores e intelectuais de todas as áreas. Lá farei o meu programa de comentário semanal. Porém, o “Maio” não singrará sem apoio das massas.
Se, dos 3 milhões que leram a minha carta, 2% pagarem uma quota de 1 a 5 euros por mês; se alguns, que possam, derem 50 ou 100 euros por mês; se mais sindicatos se tornarem sócios, conseguiremos ter um jornal empenhado, sério, rigoroso, livre e culto. E auto-sustentado.
Estamos perante uma contra-reforma laboral que quer suprimir direitos essenciais à vida e ao trabalho. Precisamos de organização, da participação de milhares na vida pública, como aconteceu a seguir ao 25 de Abril de 1974. O fascismo não se derrota só, nem principalmente, nas urnas. Derrota-se com organização.
Se não quiserem organizar-se com o Maio, organizem-se noutro lado qualquer. Mas organizem-se! No trabalho ou no bairro, em torno de um grupo de reflexão sobre o trabalho, com um boletim ou um jornal caseiro: juntem-se, criem amizades, participem nas assembleias do vosso sindicato (e critiquem-no, se necessário), mas façam parte, tomem partido. Se necessário, usem de discrição: há cada vez mais gente a ser despedida ou perseguida por se organizar.
Pedem-me para deixar esta explicação. O trabalho no Maio é hoje voluntário. Se querem ser apoiantes, subscrevam a newsletter. Se vos interessa ser sócios ordinários, sócios um pouco mais generosos ou simplesmente prestar ajuda técnica, enviem por favor um e-mail para geral@jornalmaio.org
O meu avô César tinha uma mercearia em Garvão, onde se lia Tolstoi e o jornal A Batalha. Ele morreu com 93 anos. Contou-me o meu pai que nos anos 60, durante a ditadura, inaugurou-se a Casa do Povo da localidade. O criminoso que representava o ditador gritou: “Viva metade de Garvão!” – a metade da aldeia que tinha dado dinheiro para o grémio fascista que a Casa do Povo era. O meu avô César gritou: “Viva a outra metade!”
Há alternativa. Temos de a construir. Não sei se somos milhões. Mas sei que na “outra metade” somos muitos.
A Estátua de Sal precisa da sua ajuda. Click aqui.

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Não esquecer o Abril, Abril ( https://www.abrilabril.pt ), que tem sido o único a fazer a verdadeira travessia do deserto!
Pergunta que me parece legítima: se Raquel Varela tivesse visto renovada a sua colaboração na RTP, que já durava havia 11 anos, teria vindo, igualmente, com a proposta e respetivas motivações que agora apresenta? Ou só descobriu o «ovo de Colombo» depois de não ter visto essa renovação?🥸
Sei de comentadores da RTP, CNN, SIC, etc que são directores, editores ou trabalham nas redacções do Público, do DN, do Observador, etc… as motivações e propostas que apresentam já todos sabemos quais são, e em certos tópicos são unânimes e invariáveis. Então para quê tantos a dizerem a mesma coisa, quer nos jornais onde trabalham, quer nas televisões em que fazem biscates? Pergunta legítima…
O problema e que se o PCP dissesse com as letras todas que a Rússia tem as razões todas já não teria um único deputado na Assembleia da República e talvez já tivesse até sido ilegalizado por promover aquilo a que chamam o fascismo russo.
No meu caso concreto sei que a Rússia não tinha alternativa depois de Herr Zelensky ter prometido a reconquista militar da Crimeia e do que restava do Dombass, para além do acesso a armas nucleares, tufo isto devendo acontecer no Verão de 2022.
E depois de ter começado a bombardear as zonas controladas pelos separatistas a torto e a direito, sendo que os presstitutos garantiam que as explosões eram o resultado de os habitantes estarem a festejar com fogo de artifício Putin finalmente ter cedido ao Parlamento do seu país e ter reconhecido a sua independência da Ucrânia. A sério que o descaro chegou a isto.
Mas todos os militantes, ou pelo menos quase todos, sabem que se o Partido disser isso e o fim.
Quanto a essa guerra so acabara se a Rússia carregar a fundo no acelerador despejando em cima de Kiev tudo o que tem.
Porque enquanto despejarmos para lá tudo quanto e arma e enquanto houver um soldado ucraniano capaz de pegar numa arma e um mercenario russofobico e/ou desesperado pela sua miséria disposto a para lá ir isto não vai parar.
E enquanto isso o fascismo a ucraniana vai crescendo em todo o lado.
E o ódio a quem é do contra também. Noutro blog um comentadeiro teve a pouca vergonha de dizer a outro “o SBU (a Gestapo ucraniana) devia bater te a porta”.
Olha se algum partido fosse dizer oficialmente que a Rússia tem razão.
Haveria uma petição pública a pedir a entrega do Paulo Raimundo a Ucrânia e provavelmente de todos os que fossem achados como militantes do PCP.
Que posso garantir que teria umas 500 mil assinaturas em dois dias.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
E a maneira como poem a coisa da a entender que se não fosse esta lei as mulheres muçulmanas que já por cá andam e vestem vestes islamicas iam desatar a usar burcas.
Por isso ainda bem que temos este grande partido defensor dos direitos das mulheres dos outros para garantir que ninguém vai usar burca em terras lusas.
Podem e ter de parir na rua por falta de ambulância que chegue a horas mas isso essa gente até consegue parir no meio de escombros como agora se viu em Gaza.
Vão ver se o mar da megalodonte.
E sim, e mesmo preciso fazer tudo para que esse cancro nao se espalhe.
E para que o próximo presidente da República não seja o almirante que acha que impediu uma invasão russa e diz que nos mandara para onde tivermos de morrer, o quarto Pastorinho ou o admirador de Milei.
Porque fascismo nunca mais tem de começar a fazer sentido.
Porque a memória das milhares de pessoas que morreram e que foram presas e torturadas durante 48 longos anos, dos que viveram no medo, não pode ser viliipendiada.
Porque não quero conhecer o tempo de que me falavam os meus avós.
Porque ninguém, nem os pategos, merece conhece lo.
Estamos metidos numa grande patranha e num grande sarilho. Vamos a luta.
Mesmo que nos chamem os nomes todos. Ainda não nos podem mandar para a Rússia.
E esqueçam as burcas que ninguém por cá viu.
Já agora, alguém viu por aí uma mulher com burca? E que eu não.
Mas andam aí os pategos todos contentes por esse partido indispensáveis e sublime defensor das mulheres, de preferência em casa a tomar conta de uma penca de filhos, que e o Chega, ter feito aprovar um projecto lei de que precisamos tanto como da fome.
Porque na realidade não se aplica a nada nem a ninguém por cá. Malta bem coberta de roupa e de lenço já se tem visto mas roupa a mais pode ser o que quisermos mas nunca atentado aos bons costumes como se chegou a dizer na França de Hollande.
Os bons espíritos sempre se encontram.
Agora burca nunca vi nenhuma e o que não falta no sitio onde vivo e gente muçulmana, residente ou visitante.
Mas temos os presstitutos a elogiar a coisa ilustrando com a imagem de uma mulher com burka tirada sabe Deus onde.
E assim se enganam os tolos.
Já agora, que tal um projecto lei para proibir os símbolos nazis com que se passeiam os sicarios do Mario Machado?
Isso sim tinha a ver com a realidade dos portugueses de bem.
Vão ver se o mar da megalodonte.
Não só não proíbem os símbolos nazis, como pelo contrário até os promovem, desde o BE até ao Chega, passando por tudo pelo meio sem exceção. O BE e o PS vão a Kiev abraçar nazis, o PSD/CDS/IL colocam até um desses nazis nas listas à Câmara de Lisboa. A bandeira vermelha e preta da UPA/OUN já se fartou de esvoaçar nas ruas de Portugal, pelas mãos de Pavlo Sadokha.
A Raquel Varela fala de uma esperança, mas fala em vão. Um jornal de nicho não muda coisa nenhuma. Como ela bem disse, nos MainStreamMedia, ainda o fascista/salvador era só deputado único, e já as PRESStitutas o levavam ao colo. As PRESStitutas e as redes sociais do Tio Sam, tudo peças da mesmíssima máquina de propaganda.
O Português típico liga a TV e vê Trump, Rutte, Leyen, Zelensky, Netanyahu, Montenegro/Costa, Ventura, Marcelo, os comentadores do regime, e os bois da CIP e companhia. E toda esta estrumeira é apresentada como sendo “informação”, como sendo “liberdade”, ou “democracia”, ou “resultado da livre escolha dos eleitores”. Não. Isto é propaganda, manipulação, e uma forma de fraude eleitoral. As pessoas colocam o X, mas a decisão foi feita por elas sem elas sequer se aperceberem. Isto é um regime ilegítimo!
E enquanto não houver um canal de TV, um grande jornal online, e uma rede social, a chegar à maioria do português típico, para reparar o mal feito pela propaganda do regime (império oligárquico neoliberal nazi-fascista terrorista genocida), as coisas só vão continuar a piorar.
Agora falam da saída da Raquel Varela, mas eu lembro a saída do Viriato Soromenho Marques, e o cancelamento do Bruno Amaral de Carvalho, o ÚNICO jornalista português que realmente fez algum jornalismo em relação à guerra proxy dos EUA/NATO contra a Rússia. E lembro um separador da RTP (que passava no início ou no final dos intervalos) onde era mostrada uma criança Ucraniana a fazer continência aos soldados, mas com um pormenor… os símbolos nazis na sua roupa: uma bandeira vermelha e preta da UPA com o focinho do Stepan Bandera no meio. E lembro ainda o Cláudio Calhau a colocar o microfone à frente de um destes nazis e a comentar que estava a entrevistar um “defensor da democracia e liberdade da Europa”. E lembro a celebração da chegada dos invasores USAmericanos a Bagdade. E lembro a celebração com a destruição da Líbia e do Iraque. E lembro as “notícias” sobre o desastre económico da Venezuela, que obviamente omitiam a causa: sanções e guerra económica dos EUA. Ou dizer-se que uma saída do Euro seria uma “catástrofe”, mas não se falar da catástrofe que é a nossa permanência na moeda estrangeira do banco central em Frakfurt. Etc.
Não é um jornalzito agora criado para um nicho de leitores que vai corrigir a lavagem cerebral que +95% do povito português sofre.
E não estou a ver ninguém chegar-se à frente para fazer o que é preciso.
Portanto, para os portugueses isto vai acabar em lágrimas. Em ditadura já nós estamos. Na ditadura do império dos EUA. Na ditadura da NATO. Na ditadura do Sionismo. Na ditadura da UE e do Euro. Na ditadura da oligarquia e dos bilionários especuladores das dívidas soberanas.
O que vem aí é pior que isso e as lágrimas ou vão chegar tal como no tempo do Estado Novo, com esta actual ditadura reforçada com esteróides via Ventura (o agente da facção Republicana dos EUA em Portugal), ou via participação em guerra a mando de um imperador qualquer (não interessa nada se é Trump ou Kamala ou o palhaço do McDonalds), ou de forma lenta via desaparecimento demográfico, seguido de desaparecimento de várias localidades, do fim da segurança social, etc.
E tal como agora, do Livre até à IL, ninguém dirá a causa do problema. A inflação e desindustrialização? A culpa não é das sanções russofóbicas (e em breve as sanções sinofóbicas) nem da estupidez geral dos neoliberais e eurocornos. Não. A culpa morre solteira. Ou então dizem que a culpa é do Putin e o assunto fica encerrado. Ou a esquerda woke diz que a culpa é de quem não gosta de gays e não usa bem os pronomes, enquanto a direita retrógrada diz que a culpa é de quem é transsexual ou muçulmano ou cigano… Depois debatem casas-de-banho, debatem altares-palco, a espuma dos dias, e passa-se um tempo bem passado sem falar do que interessa.
E quando finalmente aparece alguém com as ideias um pouco mais no lugar, como a Raquel Varela e outros anti-fascistas, ou como os candidatos do PCP e outros anti-imperialistas, há dois problemas graves:
1) ou a mensagem não passa, pois do outro lado está quem já foi vítima de lavagem cerebral, e olha agora para discursos normais como sendo “discursos extremistas” ou “tão diferentes do habitual, que com certeza só podem estar errados”;
2) ou o pouco que passa é um forma envergonhada da mensagem, como a Raquel dizer que o fascismo está aí mas em simultâneo continua a chamar a isto de “democracia” e a não saber identificar os problemas do regime que aqui nos trazem. Ou como o PCP que diz ser anti-guerra, mas depois condena os lados todos: a Rússia, a Ucrânia, e a UE/NATO/EUA. Um eleitor normal, mesmo que esteja imune à propaganda do regime, ouve isto e pensa: se fosse 1945, ESTE moderno PCP, ou enfraquecido ou covarde, condenaria também todos os lados: Aliados ocidentais, Soviéticos, e Nazis, só para tentar fazer passar uma imagem politicamente correcta de um suposto posicionamento “anti-guerra”.
Dá a sensação que de um lado (Capitalismo, Direita em geral, Fascistas e NeoLiberais) está quem é pragmático e faz o que deve para atingir objectivos, nem que tenha de se deitar com o Diabo. Enquanto que do outro lado (Esquerdas de diversos sabores) está gente que não sabe o que é o pragmatismo, e se entretém a coleccionar anti-corpos e inimigos.
Olha, como por exemplo o Lula da Silva. Esse homem é em simultâneo um gigante da geopolítica Mundial, e um idiota de Brasília:
– o Lula gigante vai às cimeiras dos BRICS tratar de coisas sérias com os outros líderes Mundiais (Xi, Modi, Putin, e companhia) e não tem medo de resistir contra a interferência imperial dos EUA, e não tem medo de se opor ao Bolsonarismo e até de ser preso pelos brasileiros adeptos da ditadura militar e do fascismo e evangelismo made in USA;
– o Lula idiota chega ao final das cimeiras dos BRICS a dizer que recusa a Venezuela, e depois repete a propaganda do Tio Sam sobre a “ditadura” do Maduro, e não tem capacidade de perceber que o que o PSUV faz em Caracas é defender da Venezuela de vir a ter também um Bolsonaro (que em 2019 podia chamar-se Guaidó, mas em 2025 chama-se Corina Machado).
Estas Esquerdas de diversos sabores, que se odeiam tanto entre si como os Muçulmanos se odeiam entre cada tribo, etnia, emirado/sultanato, ou denominação islâmica, parecem assim ter uma característica que as liga a todas e as torna gémeas no falhanço: são gente de uma geração que nasceu já neste regime, e cresceu e viveu toda a vida sob a propaganda deste regime, pelo que mesmo quando são gente bem informada, doutorada, e bem intencionada, acabam sempre por cometer o mesmíssimo erro dos Lulas, Raquel Varelas, Mariana Mortáguas, João Ferreiras, Mélénchons, etc: estão elas próprias de tal forma iludidas com a própria propaganda do regime QUE LHES É DIRECIONADA (sim, a CIA/NED/USAID/CNN/etc têm propaganda direccionada a todos os grupos específicos), que acabam sempre a repeti-la:
– chamar “democracia” à ditadura de facto em que vivemos, onde aqueles que pensam como Wolfgang Schäuble (citação: “os eleitores não podem escolher a política económica do seu país”) nos dão ordens sem serem eleitos;
– chamar “liberdade” a algo que já não o é, muito menos com tanto controlo digital dentro das casas e bolsos das pessoas (Microsoft, Apple, Google, GPS, Whatsapp, Facebook, Intel, NVidia, etc);
– chamar “defesa” à agressão”, em particular da NATO, em geral da NED/ONGs na preparação/activação de protestos e golpes de Estado;
– chamar “direito de existir” ao colonialismo que é SEMPRE colonialismo mesmo quando não está a acelerar o genocídio em Gaza;
– chamar “jornalismo” e “liberdade de imprensa” àquilo que de facto já há muitos anos que não o é;
– chamar “Estado de Direito” aos sistemas judiciais ocidentais onde o dinheiro compra as sentenças, e onde o poder evita sequer a existência de julgamentos;
– chamar “terrorismo” a quem resiste contra a nossa agressão imperial e colonialismo;
– chamar “ditadura” ou “autoritarismo” aos países e governos que, ao contrário de nós, sabem em que realidade vivem, e com quem lidam (o maior grupo terrorista de todos: CIA+Mossad+Mi6), e apenas se limitam a fazer o necessário para defender os seus países, inclusive a JUSTA prisão dos “opositores” que nada mais são do que agentes do império ocidental;
Não sei quem foi que disse, mas lembro vagamente uma frase, um conceito, que é sempre válido, e é mais ou menos assim: quem fala a língua dos inimigos, acaba a pensar como os inimigos querem que pense, e é derrotado ainda antes de sequer chegar ao campo de batalha.
De forma muito concreta: quando a Raquel Varela identifica o problema da ascensão do fascismo no ocidente em geral e em Portugal em particular, ela identifica-o bem. Mas é apenas a identificação da CONSEQUÊNCIA do problema. Mas quando a Raquel Varela chega a este dia ainda a pensar que, só por ser comentadora residente, havia ainda jornalismo e liberdade e democracia em Portugal em geral e na RTP em particular, ela apenas mostra (e isto é óbvio para mi há anos) que não tem ainda a capacidade para começar sequer a perceber qual a CAUSA do problema.
E quem não conhece, ou não admite, a causa do problema, faz o quê? De certeza que não vai encontrar uma solução (que seria a eliminação da causa), mas apenas vai pensar (dentro da língua e da lógica dos nossos inimigos) num possível remendo pontual, quem nem é efectivo contra a consequência do problema, nem toca sequer na causa.
De forma concreta, isto é como diz o Brian Berletic: ou os países tomam medidas restritivas da “liberdade” dos agentes de interferências e manipulação e propaganda do império, ou esses países estão no campo da informação derrotados logo à partida, tal como um soldado estaria se fosse para um campo de batalha a pé, descalço e nu, desarmado, e sozinho.
E que medidas restritivas são essas?
1) num primeiro momento criar redes sociais em código aberto e sem algoritmos manipuladores, de forma a substituir gradualmente as redes sociais privadas (e com algoritmos de manipulação imperial) dos EUA. Promover essas alternativas, e fazer alertas de segurança aos funcionários do Estado. Num segundo momento, proibir completamente o uso do Facebook, X, Instagram, Whatsapp, etc;
2) a mesma coisa do ponto 1, mas em relação aos emails (Google), e sistemas operativos (Windows, Apple) e ferramentas na cloud. Neste caso as alternativas já existem (ex: email Proton, sistema operativo Linux) e apenas precisam de ser mais difundidas para o público geral;
3) primeiro criar ferramentas de detecção de mentiras e propaganda vindas da MainStreamMedia dos (ou alinhada com os) EUA, Reino Unido, UE, e israel. Educar os cidadãos sobre as mentiras diárias que la´passam, e sobre as ligações monetárias (ex: financiamento da USAID dado a órgãos “independentes” que repetem toda a cartilha da CIA). Num segundo momento, após os cidadãos terem percebido o que se passa, proibir a difusão de tais canais. Sim, censura! Censura da CNN, FOX, BBC, Euronews, i24, etc.
4) limitar o funcionamento ou mesmo fechar as embaixadas dos regimes mais terroristas do Mundo: EUA, Reino Unido, e israel. Basta um cônsul de cada um desses países no nosso território. Não é preciso prédios inteiros cheios de filhos da p*ta cujo trabalho passa por corromper e controlar os nossos jornalistas e políticos, juízes e miltares!
5) rasgar (sair de) todos os acordos de inteligência ou militares celebrados com os anglo-americanos, inclusive a NATO (herança do ditador fascista Salazar e do imperador genocida Churchill). No caso de Portugal isto é super simples: basta cumprir finalmente a Constituição em vigor desde 1976, e entrar no grupo de países decentes e neutrais, que recusam colaborar nas agressões imperiais. Este ponto é essencial. Dentro de uma geração (se é que já não aconteceu) teremos militares piores que no tempo do Salazar. Ou seja, teremos um grupo de animais treinados para servir Washington (como o tal do candidato Almirante), em vez de termos patriotas bem formados como os que nos deram o 25-Abril;
6) recuperar a soberania em todas as áreas: financeira, monetária, industrial, e política. Para tal é preciso educar os portugueses para perceberem o quão maléficos têm sido o €uro, a UE, os “subsídios” Europeus, as privatizações a especuladores e abutres estrangeiros, etc. Entre 2012 e 2015 quase deu a sensação que podíamos estar no bom caminho neste ponto, mas lá está, apenas se pensou numa solução passageira (Geringonça, aumento de votação nos partidos de Esquerda e Eurocéticos) para a CONSEQUÊNCIA do problema (austeridade, troika), em vez de se solucionar estruturalmente a CAUSA do problema (fim da soberania monetária, financeira, industrial, e política);
7) colocar na lista de organizações terroristas, com penas MÁXIMAS para os portugueses que com elas colaboram ou que delas recebem qualquer tipo de financiamento ou contra-partida, as organizações que, sabemos hoje, são instrumentos do império para a interferência nos outros países; NED (National Endowment for Democracy), USAID, Fundação George Soros, Fundação Bill Gates, Blackrock, Goldman Sachs e tudo o que venha de Wall Street e arredores, FMI, World Bank, Atlantic Council, e uma interminável lista de NGOs e think tanks e até mesmo certas denominações religiosas como os Evangélicos Pentecostais (com ligações à facção Trumpista nos EUA, à seita Bolsonarista no Brasil, e ao culto de Ventura em Portugal);
8) promover hábitos de consumo mais saudáveis, geopolitica e soberanamente falando, i.e. parar de importar m*rdas como a Coca-Cola (sabe-se que financiou a violência letal que recentemente se viu no Nepal e Indonésia e Bangladesh, 3 tentativas de golpe do império), mandar fechar os McDonalds, proibir a importação de iPhones, aplicar tarifas exorbitantes à Ford, Chevrolet, Tesla, etc.
A re-industrialização em geral, e em particular o desenvolvimento da nossa própria indústria de chips, seria essencial.
9) promover a cultura Portuguesa, e uma abertura à cultura vinda de vários pontos do planeta, e limitar As MTV, Hollywood, Netflix, etc. Como aqui a pirataria é simples e generalizada, uma forma mais eficaz do que a proibição, seria uma obrigatoriedade de aprovação e exibição de avisos. Ex: séries de glorificação das forças policiais (de opressão), ou filmes onde a Casa Branca é o “lado bom” (“the good guys”), ou para dar um exemplo concreto, os filmes dos Avengers onde os “super heróis” andam ao lado de soldados da NATO e vestem as cores da bandeira dos EUA, devem só poder ser exibidos que, ao lado do símbolo do canal, estiver PERMANENTEMENTE uma aviso: este conteúdo é propaganda do império dos EUA. E ainda um acrescento no final de cada exibição com um apontar de dedo e explicação sobre as cenas específicas em que isso acontece e que as pessoas comuns não se dão conta.
10a) uma reforma estrutural da RTP e da Lusa, que garanta o despedimento (e quiçá processos crime) a todas as PRESStitutas que têm andado a repetir a propaganda e as mentiras do império, do nazi-fascismo, do sionismo, e do regime oligárquico. E a sua substituição por verdadeiros jornalistas, patriotas, que percebam e amem a missão de informar.
A forma de governança e de financiamento da RTP e da Lusa deve ser totalmente independente de quem está no governo a cada momento.
10b) Os jornalistas de TODOS os Media (e não apenas os canais públicos) devem ter vínculos de trabalho dignos, sem qualquer precariedade, que lhes dêem a motivação e a segurança para poderem investigar quem quer que seja, e falar contra quem muito bem entenderem. Devem ser exclusivamente avaliados pelos seus pares, e por um júri plural de jornalistas anti-imperialistas e anti-fascistas (como manda a nossa Constituição) vindos de diversos pontos do planeta. Nenhum “dono” ou accionista pode ter qualquer tipo de influência na redacção, a não ser a definição do própria Media logo à partida: qual o nome do canal/jornal, e qual a temática que vai abordar. Nada mais!
Escusado será dizer, mas digo na mesma, que não pode haver NENHUM tipo de financiamento vindo do estrangeiro, nem directa, nem indirectamente.
Se e só se tudo isto (e não só) fosse implementado o quanto antes, talvez Portugal tivesse uma chance de se salvar. De ter paz, desenvolvimento, independência, liberdade, democracia, privacidade, igualdade, dignidade, pluralismo, verdade, e um futuro. De salvar o pouco que resta do 25-Abril que ainda não foi destruído.
PS: e quiçá, se se comprarem menos brinquedos de guerra aos EUA, e menos popós aos Alemães, e menos instrumentos de dívida à City em Londres ou ao ditador em Frankfurt, talvez um dia destes sobre dinheiro no orçamento nacional para completar a rede de saneamento básico (esgotos!) que, segundo o último Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal, AINDA não chega a 15% das casas! Ou seja, 15% de Portugal ainda tem a merda guardada em fossas, tem de pagar a quem as esvazie (e não se paga menos IMI nem IRS por causa disso), e corre o risco de ter a merda a boiar nas valetas e a dar aquele odor a “desenvolvimento” se as fossas transbordarem. É NESTE país que vivemos! Quantos milhares de milhões foram para o Euro do futebol, para a cimeira da Web, para o Altar Palco, para a guerra no outro lado do planeta, para os subsídios dados às grandes e ricas empresas do PSI-20 e à banca, ou para a RTP pagar salários milionários a vedetas que “trabalham” 1 dia por semana, ou para a CEO francesa que veio preparar a privatização da TAP, etc? Pois…
Isabel Carvalho
O comentário de Carlos Marques devia/deve ir para artigo
Pela esperança, vou apoiar esta ideia.
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