De como este blog foi citado por dizer que o fascismo anda por aí (de facto sempre andou mas não tinha partido)

(Por oxisdaquestão in blog oxisdaquestao, 24/03/2024)

O lawfair como arma política

Alguns textos deste blog têm sido acolhidos pela Estátua de Sal. As recentes eleições foram aqui comentadas e apresentadas como: 1. Uma operação ordenada pela NATO. 2. Pelos seus resultados teriam trazido o fascismo à área do poder e por isso a população trabalhadora iria ser massacrada (mais do que já foi, até esta data, pelos partidos do dito arco do poder).

O facto de tais textos terem uma divulgação alargada pela Estátua de Sal, fizeram-nos cair sob a lupa de gente diversa e interessada nos fenómenos políticos nacionais. E a queda do governo seguida de eleições antecipadas foi um deles.

Verdade é que Portugal não é uma ilha que flutue, etérea, longe dos interesses de outros países ou organizações económicas e/ou militares. O facto de o nosso país viver numa dependência quase colonial da CEE/EU, e agora da NATO, deixa-o numa posição de falta evidente de soberania que se vem agravando há 45 anos.

Os critérios mandam em nós; quem os estabelece é uma oligarquia vassala dos EUA que vive no BCE, tem representantes no Parlamento Europeu e executivos na Comissão, não eleita, escolhida pelos partidos com mais assentos no Parlamento, a dedo, e com a característica de irrevogável.

A democracia representativa supranacional é uma estrutura burocrática que governa para os interesses do grande capital transnacional e globalista. Portugal é pobre e o poder que tem internacionalmente está perto do nada. Podem falar em Barroso, em Centeno, dizer que Costa é isto e aquilo: somos um verbo-de-encher e só Ronaldo nos vai dando alguma visibilidade, mas poder nenhum, zero.

Contávamos para muito pouco, íamos com os outros, como a Maria, e qualquer comissário ditava o que devíamos fazer, o deficit que era admitido, as regulações do mercado laboral e do banco de Portugal/Bolsa de Valores e por aí fora. Até que o lítio passou a ser indispensável à indústria automóvel e o porto de Sines um local interessante para terminal do gás sujo que há de chegar à Europa, possibilitando a sua transformação e despacho para ela. Dois ativos valiosos, porque estratégicos!

Às ações políticas das nações chama-se geoestratégia. A geoestratégia comanda tudo e nela nada acontece por acaso. Analisar o comportamento dos países, ou grupos por eles formados, sem uma visão geoestratégica é um erro de palmatória e não permite análises consequentes. Há peritos que fazem análises geoestratégicas dos acontecimentos e só eles são capazes de levar à sua compreensão. Fora deste caso tudo se explica e não se explica nada.

Nos textos deste blogue, a compreensão do processo que levou à demissão do Primeiro-ministro António Costa foi feita tipificando-o como um GOLPE, pois tinha as características que se reconhecem nos casos recentes da destituição de Dilma Rousseff no Brasil (petróleo pré-sal), Evo Morales na Bolívia (lítio) e Pedro Castillo no Perú (renovação de contratos com mineradoras estrangeiras).

O GOLPE contra António Costa iniciou-se no segundo ano de governo maioritário e teve, como base, os sucessivos casos, passados a assuntos que deveriam levar a crises, os quais a comunicação social criou e tratou com uma regularidade esquisita. O mais evidente e próximo foi o da TAP com uma sua diretora (gratificações e indemnizações) e, por fim, com a CEO francesa, também envolvendo prestações monetárias e equívocos de vária ordem. A comunicação social sempre em alarme, sempre com mexericos, fotos, sugestões… Por fim apareceu o lítio e as autorizações para a sua exploração. A corrupção, ou sugestão da sua existência. O judicial a trabalhar segundo as normas do lawfare, tão utilizado pelo Departamento de Justiça dos EUA, e recorrendo às informações que a CIA controla sobre as pessoas.

Se pensarmos, que o verdadeiro Governo europeu está nas mãos da NATO; se reconhecermos que o lítio da Europa só se encontra no nosso território e é um ativo estratégico altamente valorizado; se soubermos que a China está interessada em Sines e que, nessa zona, tem projetada uma fábrica de baterias, então tudo se justifica: o ato de obrigar António Costa a demitir-se, face a um comunicado sem autoria pessoal e cuja veracidade AINDA HOJE não está provada; a passividade do PS face ao que viu acontecer; a aceitação de eleições antecipadas, que poderia quase de certeza perder para uma AD apoiada pelos meios de propaganda social e pelo próprio Presidente da República que nunca se mostrou isento; a escolha de um Secretário-Geral sem grande imagem e categoria, pronto a ser derrotado depois de uma campanha fraca, bem fraca…

Todos tiveram a noção de onde partiu a vontade de se executar o GOLPE e aceitaram-no, para benefício partidário da AD, para cumprimento de ordens de Marcelo Rebelo de Sousa e salvaguarda da carreira política do ex-secretário geral do PS, homem de Davos e dos bilderbergues. Tudo se encaixou na perfeição e a Nação portou-se bem. Alvíssaras, correu tudo bem, o rebanho não se tresmalhou!

Querer explicar este processo pela vontade de Marcelo forçar um governo AD, sendo ele Presidente, é uma visão muito pobre e enganadora. E que não explica nada. Na realidade, chegou a vez de o nosso país ter de suportar as exigências dos poderes que mandam numa Europa, metida numa guerra que vai ter de pagar e sustentar com dinheiro e homens, que vive numa crise prolongada sem fim à vista e cujos governos passarão a ser policiais e repressores ao estilo nazi-fascista.

E não adianta querer negar que a Europa, ao apoiar nazis, está ela mesma a ser nazi e será fascista ao reprimir os agricultores como o faz já, ao tomar decisões que elevam os preços dos bens essenciais (comida, transportes, energia – eletricidade e gás), ao aceitar a desindustrialização e o desemprego que ela acarreta, ao cortar no financiamento do sector social dos Estados, ao restringir por sistema o investimento público, ao recorrer à censura e manipulação da informação, ao espiar as ações das pessoas e promulgar normas de conduta política de teor hitleriano, nazi-fascista.

Basta. Quem entender que isto não é ou será fascismo, que se fique com a sua ou se meta a estudar e conclua com um relatório de 100 páginas e 500 notas de rodapé! Estilo professor doutor, cheio de sabedoria mas zero em prática.


Apontamentos e resposta a comentários:

Quem mandou a procuradora ter esse procedimento estranho mas dirigido ? Sant’Antoninho, terá sido?


O resmungo do PS foi só cobardia ou algo mais? Digo: foram ordens e cumpriram-nas, senão…


Cada cidadão entende o que é para si fascismo; no tempo de Salazar/Caetano, uma saloiada; depois de 1976 com requintes neo-liberais, à altura, recompensando os empresários do fascismo anterior, perdendo a moeda, direitos laborais e sociais, endividando as famílias, destruindo a Lisnave, a Sorefame, a Siderurgia, …vulgarizando a cultura,… Em 2011 roubando os rendimentos do trabalho e as pensões.


Uma forma moderna de dominar um país é mantê-lo no caos político, cujas manifestações são os desacordos partidários, as quedas de governos e o circo que envolve tal mixórdia. O fascismo tem essa faceta também, não tem de ser monolítico (noção desactualizada e pouco científica).


Sou reformado há 15 anos. Em 2011 o meu rendimento foi diminuído em 15% e até hoje não foi reposto, sendo que, a uma taxa de inflação de 2% ao ano, nos 13 anos que decorreram, na realidade perdi perto de 35% de poder de compra. Se isto não é fascismo então digam-me o que é! E, com a AD e o Chega no governo, o que será?

Finalmente, este texto é dedicado a José Catarino Soares que me deu a honra de ser por ele citado (e lido e entendido, espero eu, pois claro!). No seu texto, referenciado na Estátua de Sal (aqui), a propósito dos resultados eleitorais de 10 de Março, gasta 50% do seu talento a falar nos fascistas do Chega, presumindo que eles o não são. Nem os seus financiadores… Não serão bons rapazes, mas… O tempo o dirá. Espere pelos fantasmas.


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    Conhecer-se a si próprio e conhecer o adversário (a propósito das eleições legislativas de 10 de Março de 2024 em Portugal)

    (José Catarino Soares, in Tertúlia Orwelliana, 23/03/2024)

    Palácio de São Bento em Lisboa. Sede da Assembleia da República
    1. Introdução

    Escrevi este artigo, tal como muitos outros no passado, para me esclarecer, à míngua de encontrar esse esclarecimento em seara alheia. Quando não me resta outra solução, para me esclarecer sobre um certo assunto de interesse geral, do que escrever eu próprio um artigo (ou um ensaio ou um livro) sobre ele, faço-o, porque essa tarefa implica pesquisa, estudo e reflexão q.b. Quando os resultados desse esforço me parecem minimamente satisfatórios, publico-o no pressuposto de que possa ser útil para o auto-esclarecimento de outras pessoas.

    Ler texto completo aqui.


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    Alguma água na fervura dos resultados eleitorais

    (Vicente Ferreira, in Blog Ladrões de Bicicletas, 18/03/2024)

    Uma semana depois das eleições legislativas, este título pode parecer estranho. Embora ainda faltem contar os votos dos emigrantes, com a derrota do PS e o aumento da votação da direita, tudo indica que teremos um governo liderado pelo PSD e apoiado pela IL e pelo CH…

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