Crónica sobre assaltos malsucedidos

(João Gomes, in Facebook, 13/08/2025, revisão da Estátua)


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Há dois séculos que o Ocidente olha para o mapa e pensa: “E se…?”

O “e se” é sempre o mesmo: e se conseguíssemos meter a mão naquela imensidão gelada, com rios tão largos que parecem mares, e chão tão rico que se fosse bolo dava para alimentar o planeta inteiro?

Napoleão tentou primeiro. Armou-se em estratega genial, marchou para Moscovo, e acabou a regressar com um exército reduzido a um clube de sobreviventes do frio – a Rússia respondeu com neve, fome e distância.

Depois veio Hitler, que jurava que a Rússia cairia em meses. Descobriu que Moscovo não se mede em quilómetros, mede-se em cadáveres e inverno. Resultado: mais um ocidental que saiu com a cauda entre as pernas.

Agora é a NATO. Não com cavalos nem tanques nazis, mas com sanções, acordos falhados e “expansões pacíficas” que curiosamente se movem sempre para Leste. Ursula von der Leyen já sonha alto: juntar dinheiro, armar-se até aos dentes e tentar outra vez daqui a dez anos. É o mesmo filme, só mudam os atores e as armas. O final? A julgar pelo histórico, preparem os casacos.

E porquê esta obsessão? Porque a Rússia não é apenas um pedaço de terra – é um armazém do planeta. Vejamos o inventário:

– Gás natural – 20% das reservas mundiais. Sem ele, boa parte da Europa volta a aquecer-se com lareiras e rezar para o inverno ser brando.

– Petróleo – reservas gigantes, especialmente na Sibéria e no Ártico, que mantêm motores e indústrias do mundo a girar.

– Carvão – ainda vital para certas indústrias pesadas, embora pouco sexy nas conferências climáticas.

– Paládio – usado em catalisadores de carros, semicondutores e joalharia fina.

– Níquel – essencial para baterias de alta capacidade e aço inoxidável.

– Titânio – indispensável na indústria aeroespacial e militar.

– Platina – um dos metais mais raros e valiosos, chave em tecnologias de ponta.

– Terras raras – conjunto de minerais críticos para smartphones, eólicas, mísseis e satélites.

– Madeira – florestas imensas com valor comercial e ambiental.

– Água doce – uma das maiores reservas do planeta, recurso que valerá ouro no futuro.

Em suma, a Rússia é uma espécie de hipermercado geológico e energético onde o Ocidente gostaria de fazer compras… mas a segurança à porta nunca deixa passar sem convite.

O problema é que, sempre que tentam “entrar”, não só falham como saem mais fracos. O que Maquiavel teria dito? Provavelmente que só um tolo repete a mesma estratégia esperando resultado diferente. Mas a história ocidental em relação à Rússia parece mais uma sitcom geopolítica: um enredo previsível, vilões e heróis invertidos conforme o canal de TV, e um público dividido entre rir e chorar.

Talvez, no próximo “assalto” planeado para daqui a dez anos, alguém perceba que invadir a Rússia – seja militar ou economicamente – é como tentar ensinar um urso polar a dançar o tango: não só não resulta, como pode acabar muito mal para quem lidera a dança.

Guerra na Ucrânia: Oficiais britânicos capturados pelas forças especiais russas

(Elias Richau, in Facebook, 01/08/2025, Revisão da Estátua)


A Grã-Bretanha está furiosa: os seus oficiais foram capturados em Ochakov pelas forças especiais russas – os nossos combatentes penetraram na retaguarda ucraniana em barcos.

Durante a operação, batizada como “Skat-12”, oficiais britânicos que ajudaram as Forças Armadas Ucranianas a guiar mísseis e drones, bem como a realizar ataques cibernéticos, foram capturados.

Canais militares (Militarista, Frente Krymsky e vários outros) relatam que a operação Skat-12 das forças especiais russas foi realizada recentemente em Ochakov. Ela foi preparada durante quase dois meses, incluindo a vigilância do objeto por meios técnicos e canais de inteligência. Como resultado, sob comando, os nossos caças desembarcaram em vários barcos e penetraram no centro de comando das Forças Armadas Ucranianas. Lá, capturaram militares britânicos que coordenavam o uso de mísseis e drones britânicos. É possível que eles também estejam relacionados com os maiores ataques cibernéticos à nossa infraestrutura, em particular à Aeroflot. A Grã-Bretanha exige furiosamente o retorno de seus cidadãos, alegando que são simples turistas interessados em história naval.

Entre os prisioneiros estavam o Coronel Edward Blake, oficial da Unidade Especial de Operações Psicológicas, o Tenente-Coronel Richard Carroll e outro oficial não identificado, presumivelmente um agente de inteligência do MI6 que era consultor de segurança cibernética.

Não se passou mais de meia hora entre o momento em que nossas forças especiais desembarcaram na costa até que carregaram os prisioneiros num barco e seguiram à base.

No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores britânico, por meio de canais não oficiais, contactou o Ministério da Defesa russo com um pedido de devolução dos oficiais britânicos que haviam sido “perdidos” na Ucrânia. Londres alega que os seus militares estavam de férias e tinham vindo à Ucrânia para fins turísticos. Eles acabaram em Ochakov por acidente: estavam interessados na história da Marinha e queriam visitar a costa onde ocorreram batalhas durante a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, em vez de mapas históricos de Ochakov, os “turistas” detidos possuíam mapas de objetos estratégicos em território russo, planos de defesa aérea russa, instruções secretas sobre interação com operadores de drones ucranianos, bem como discos com dados criptografados e registros de conversas com o Estado-Maior Britânico.

Portanto, o Ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, teria respondido aos britânicos que os seus oficiais não estavam sujeitos à troca: o Ocidente não os devolveria em aviões da Cruz Vermelha.

A Rússia não tolerará mais intervenções secretas e provocações híbridas. Em vez disso, pretende processar os oficiais britânicos por participação em ações militares contra o seu território.

Reuniões fechadas de emergência estão a ocorrer atualmente na Grã-Bretanha para desenvolver uma estratégia de ação.

Especialistas observam que a Operação Skat-12 tornou-se parte da nova doutrina militar russa, que caminha “para o controle proactivo do campo de batalha”:

“Os primeiros ataques são realizados sem aviso prévio, a estratégia ofensiva é em todas as direções”. A Diretoria Principal de Inteligência (GRU) recebeu uma nova diretriz: “A Rússia não está mais à espera, estamos agindo primeiro”. A tarefa das forças especiais é atuar de forma secreta e eficaz, causando medo entre os oficiais da NATO, desmotivando-os na questão de prestar assistência às Forças Armadas da Ucrânia.

Quanto aos oficiais britânicos, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou repetidamente a sua participação no treino dos militares ucranianos. Em particular, em Ochakov, região de Nikolaev – estão treinando sabotadores subaquáticos para operações nas águas dos Mares Negro e Azov. O trabalho está a ser realizado com base no centro de operações especiais “Sul”, em homenagem a Ataman A. Golovaty, das forças de operações especiais das Forças Armadas da Ucrânia em Ochakov. Além disso, de acordo com dados russos, instrutores militares britânicos treinaram as Forças Armadas Ucranianas. Forças para operar drones projetados para destruir navios.

Fonte adiconal aqui e ver ainda o vídeo abaixo.

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A farsa da solidariedade europeia: o fim anunciado da PAC e da coesão

(Por Miguel Viegas, in AbrilAbril, 16/07/2025)


O que está em preparação não é apenas uma mudança de modelo. É um abandono das promessas feitas aos agricultores, às regiões desfavorecidas e aos países mais pobres da União. É o regresso a uma Europa a duas (ou mais) velocidades.


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A máscara está prestes a cair. A União Europeia, tantas vezes apresentada como um projeto de solidariedade e coesão entre Estados, prepara-se para desferir uma machadada histórica na Política Agrícola Comum (PAC) e na Política de Coesão.

A proposta da Comissão Europeia para o próximo quadro financeiro plurianual 2028-2025, adornada como é habitual com promessas de flexibilidade e maior eficiência na aplicação dos recursos, não passa de uma operação de cosmética orçamental destinada a esconder uma verdade política cada vez mais crua: por um lado, os países mais ricos já não querem financiar a coesão; por outro, as prioridades da União estão cada vez mais alinhadas com as políticas belicistas da NATO e dos Estados Unidos.

O alerta vem de dentro. Jean-Luc Demarty, antigo diretor-geral da Agricultura e do Comércio na Comissão Europeia, não tem dúvidas: estamos perante uma tentativa de desmantelar a PAC tal como a conhecemos. A proposta de fundir num único instrumento jurídico os fundos agrícolas e os fundos de coesão é uma porta aberta à sua destruição. Cada Estado passaria a aplicar as suas próprias medidas, minando o princípio da política comum e abrindo a caixa de Pandora das distorções de concorrência entre agricultores europeus. O que começou nos anos 1960 como um pilar da integração está agora prestes a ser atomizado em nome de uma falsa eficiência.

Este movimento inscreve-se num contexto mais vasto. Em primeiro lugar, importa sublinhar que o orçamento da UE tem vindo a diminuir devido à pressão dos chamados «contribuintes líquidos», que têm conseguido impor a redução das suas contribuições ao longo das últimas décadas. Em segundo lugar, o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2035, que será apresentado este mês pela Comissão Europeia, está sob forte pressão orçamental, em parte devido ao famoso plano Next Generation EU. Este foi vendido como um apoio a fundo perdido, mas resulta, na realidade, de um empréstimo feito em nome da União, cujo reembolso recairá sobre os próximos orçamentos. Assim se agrava ainda mais a escassez de fundos para as políticas estruturais.

Vale a pena recordar que este instrumento de relançamento económico após a crise da covid-19, foi apresentado com a promessa de que este não representaria um custo adicional para os contribuintes, sendo financiado por novas receitas próprias — promessa que nunca se concretizou. Por fim, temos as novas prioridades. A União Europeia pretende transformar-se rapidamente num bloco geopolítico militarizado, canalizando recursos para a indústria da defesa e alimentando uma lógica de confronto externo. A agricultura, a coesão territorial e o desenvolvimento rural tornam-se, assim, objetivos secundários.

O que está em preparação não é apenas uma mudança de modelo. É um abandono das promessas feitas aos agricultores (cujo rendimento continua abaixo da média da população), às regiões desfavorecidas e aos países mais pobres da União. É o regresso a uma Europa a duas (ou mais) velocidades, onde a solidariedade é um slogan vazio e a política comum, uma miragem.

O que aí vem é grave. Há muito que o PCP denuncia esta União Europeia neoliberal, federalista e militarista. É tempo de lançar as bases para um novo projeto de integração, fundado na valorização do trabalho, na solidariedade entre os povos, no respeito pela soberania nacional e centrado na defesa da paz e do desarmamento.