Marques, mentes? Minto.

(Dieter Dellinger, 26/08/2018)

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(Hoje, no seu comentário semanal na SIC, o Mendes abriu o “dossier” da recondução da Procuradora Joana, talvez a pedido de Marcelo, que quer colocar o tema na agenda mediática e assim condicionar as opções do Governo. E foi dizendo que a Procuradora fez um mandato excelente. Claro, excelente para a direita, cujas patifarias nunca investigou, a começar pelas do próprio Marques Mendes, acusado pelo fisco em 2014 de lesar o Estado em 773 000 euros. (Ver aqui). Sobre esta história nunca mais se ouviu falar, logo, eu se fosse o Mendes, também queria a recondução da Joana! 🙂

Comentário da Estátua, 26/08/2018)


Estou a ouvir o Marques Mendes a MENTIR com todos os dentes e mais alguns que tem na boca.

O pequeno diz que Joana Marques Vidal acaba o seu mandato em Outubro mais prestigiada que quando começou. Mais prestigiada?

Por ter safado Paulo Portas do crime de corrupção ao receber 30 milhões da Ferrostaal, recusando ler e utilizar o processo alemão que condenou os dois administradores alemães a dois anos de cadeia por corromperem Portugal?

Joana Marques Vidal ao recusar investigar e até perguntar alguma coisa a Paulo Portas roubou 140 milhões de euros de indemnização a Portugal a serem pagos pela Ferrostaal se houvesse uma condenação aqui.

Também sai “prestigiada” por se saber que quando orientou os tribunais de família deixou a IURD roubar crianças em Portugal?

Também sai “prestigiada” por deixar a PÁTRIA a arder sem acusar os INCENDIÁRIOS?

Joana não conseguiu ainda averiguar nada de concreto por causa do BPN, cujos administradores saíram livres, nem sobre o BES e até as acusações contra o ex-PM Sócrates não têm qualquer consistência.

Pela PÁTRIA a Joana Marques Vidal nada fez e em termos de justiça deixou tudo PIOR do que estava. Seria uma AFRONTA a todos os portugueses, aquela senhora ser reconduzida para um novo mandato de SEIS ANOS´,

A direita e a sua omnipresença nas televisões

(Carlos Esperança, 10/07/2018)

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Que a direita não se resigna à oposição é uma evidência tautologicamente demonstrada. A organização em partidos foi a necessidade decorrente da restauração da democracia, e a sofreguidão do poder é o corolário lógico dos interesses que defende.

Contrariamente à direita europeia, a portuguesa não teve quem se opusesse ao fascismo e ao nazismo. Foi, aliás, a sua cúmplice, tal como a espanhola.

Após o 25 de Abril, vários democratas, com provas dadas na defesa da democracia, e na luta por um sistema pluripartidário, eram a garantia da adesão à democracia dos partidos da direita que integraram a Assembleia Constituinte.

Dos fundadores desses partidos, uns faleceram e outros afastaram-se ou viram-se afastados. Muitos democratas foram ostracizados e cedo tomaram as rédeas partidárias os salazaristas silenciosos e oportunistas de vários matizes.

Esta direita é mais herdeira de Cavaco Silva e Durão Barroso do que de Sá Carneiro e Magalhães Mota, de Adriano Moreira e Paulo Portas do que de Freitas do Amaral ou Amaro da Costa. São ténues os traços e raras as moléculas democráticas no seu ADN. Cada vez se acentua mais o salazarismo do seu genoma.

Marques Mendes, vuvuzela da direita, é um de muitos avençados pagos para a intriga e os ataques à esquerda, em equilíbrio difícil entre as divergências pessoais que corroem os partidos de direita e os recados de Belém.

Quando, há pouco, Rui Rio visitou Angola e foi, como era previsível, recebido ao mais alto nível, logo Marques Mendes se apressou a esclarecer que era uma bofetada no primeiro-ministro português.

Quando hoje li que António Costa recebeu de Manuel Domingos Augusto, ministro das Relações Exteriores de Angola, uma carta de João Lourenço, perante as câmaras da TV, e que o ministro fez questão de dizer publicamente que a carta do PR angolano traduz “um sinal das boas relações” entre os dois países, interroguei-me sobre a capacidade de persuasão e intriga de que os comentadores dispõem.

Passadas umas semanas, quem se lembra da «bofetada de luva branca» do PR angolano inventada por Marques Mendes contra António Costa?

A sagacidade do analista ou a desfaçatez de um moço de recados?

(Carlos Esperança, 02/05/2018)

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A deterioração da minha relação com os canais televisivos nacionais faz-me perder bons programas e informação útil, mas facilita a sanidade mental e o equilíbrio emocional que a idade aconselha.

Prefiro ler jornais e notícias online, certo de que saberei o que comentadores avençados debitam, em especial Marques Mendes, na síntese suculenta de encomendas e intrigas.

Na última homilia, além de esclarecer o discurso do 25 de Abril do PR, tarefa em que é o único com alvará de Belém, referiu o caso do ex-ministro que continuaria a receber, no Governo, o ordenado da empresa em que trabalhara, o BES. É tão grave a corrupção, que escusava explicações, e excedeu-se o propagandista, “porque o seu comportamento, a ser verdade, é um duro golpe na credibilidade de toda a classe política”, não se vendo em que medida a gravíssima conduta referida possa afetar a reputação do PR, PM e do próprio Mendes, por exemplo, ou de Rio, Jerónimo e Catarina, todos da classe política.

Não se indigna MM mais do que qualquer cidadão honrado com a gravidade política e ética da alegada conduta de Manuel Pinho, mas a afirmação, “O mais grave, porém, é o pacto de silêncio entre os partidos” é surpreendente, por servir apenas para atacar todos os partidos, incluindo o seu, talvez por ser Rui Rio a liderá-lo.

Marques Mendes, insinua, intriga e mente nas razões que inventa para cada partido com assento parlamentar. O ex-empregado do Sr. Coimbra, ex-vice-presidente do PSD, dono do Labesfal, onde se ignoram as funções que aí exerceu, despachou o CDS como “um exemplo de demagogia à solta”, e, como é hábito, atacou a esquerda, depois de amarrar o PS ao caso em apreço e ao de Sócrates.

A afirmação “Há um pacto de silêncio dos partidos sobre Manuel Pinho” é falsa. Sucede pior com o ministro dos vistos Gold, o vice-PM dos submarinos, Miguel Relvas com os 6 milhões de euros dados à Tecnoforma, de Passos Coelho, cuja devolução, por burla, a UE exigiu, e a quem a PGR, contra o que admitiu, perante as provas da UE, não reabriu o processo, quiçá por distração. E que dizer do manto de silêncio sobre os bancos?

Essa afirmação podia ser feita, e devia, em relação às ações da SLN/BPN, que um ex-PR comprou e vendeu com substanciais mais-valias, e, mais recentemente, aos casos de Agostinho Branquinho, L. Filipe Meneses, Hermínio Loureiro, Virgílio Macedo, Marco António e Valentim Loureiro, alegados autores do desvio de muitos milhões de euros, em municípios do PSD, revelados na revista Visão e ignorados pela PGR.

Marques Mendes só recebe o Correio da Manhã e o Observador, a PGR não necessita, e nenhum leu a Visão n.º 1278, de 31/8 a 6/9/2017, o primeiro para comentar e a segunda para mandar investigar.