A sagacidade do analista ou a desfaçatez de um moço de recados?

(Carlos Esperança, 02/05/2018)

mmx

A deterioração da minha relação com os canais televisivos nacionais faz-me perder bons programas e informação útil, mas facilita a sanidade mental e o equilíbrio emocional que a idade aconselha.

Prefiro ler jornais e notícias online, certo de que saberei o que comentadores avençados debitam, em especial Marques Mendes, na síntese suculenta de encomendas e intrigas.

Na última homilia, além de esclarecer o discurso do 25 de Abril do PR, tarefa em que é o único com alvará de Belém, referiu o caso do ex-ministro que continuaria a receber, no Governo, o ordenado da empresa em que trabalhara, o BES. É tão grave a corrupção, que escusava explicações, e excedeu-se o propagandista, “porque o seu comportamento, a ser verdade, é um duro golpe na credibilidade de toda a classe política”, não se vendo em que medida a gravíssima conduta referida possa afetar a reputação do PR, PM e do próprio Mendes, por exemplo, ou de Rio, Jerónimo e Catarina, todos da classe política.

Não se indigna MM mais do que qualquer cidadão honrado com a gravidade política e ética da alegada conduta de Manuel Pinho, mas a afirmação, “O mais grave, porém, é o pacto de silêncio entre os partidos” é surpreendente, por servir apenas para atacar todos os partidos, incluindo o seu, talvez por ser Rui Rio a liderá-lo.

Marques Mendes, insinua, intriga e mente nas razões que inventa para cada partido com assento parlamentar. O ex-empregado do Sr. Coimbra, ex-vice-presidente do PSD, dono do Labesfal, onde se ignoram as funções que aí exerceu, despachou o CDS como “um exemplo de demagogia à solta”, e, como é hábito, atacou a esquerda, depois de amarrar o PS ao caso em apreço e ao de Sócrates.

A afirmação “Há um pacto de silêncio dos partidos sobre Manuel Pinho” é falsa. Sucede pior com o ministro dos vistos Gold, o vice-PM dos submarinos, Miguel Relvas com os 6 milhões de euros dados à Tecnoforma, de Passos Coelho, cuja devolução, por burla, a UE exigiu, e a quem a PGR, contra o que admitiu, perante as provas da UE, não reabriu o processo, quiçá por distração. E que dizer do manto de silêncio sobre os bancos?

Essa afirmação podia ser feita, e devia, em relação às ações da SLN/BPN, que um ex-PR comprou e vendeu com substanciais mais-valias, e, mais recentemente, aos casos de Agostinho Branquinho, L. Filipe Meneses, Hermínio Loureiro, Virgílio Macedo, Marco António e Valentim Loureiro, alegados autores do desvio de muitos milhões de euros, em municípios do PSD, revelados na revista Visão e ignorados pela PGR.

Marques Mendes só recebe o Correio da Manhã e o Observador, a PGR não necessita, e nenhum leu a Visão n.º 1278, de 31/8 a 6/9/2017, o primeiro para comentar e a segunda para mandar investigar.

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2 pensamentos sobre “A sagacidade do analista ou a desfaçatez de um moço de recados?

  1. E, não contente com a porcaria em que usualmente chafurda, deu-lhe agora para avançar com as suas suposições
    ácidas. Sobre Manuel Pinho, disse” ele deve ter feito, ele deve ter pensado, ele deve ter chegado à beira de Ricardo Salgado” ele deve ter feito tudo o que este especialista acha. E quem o ouve, embevecido, não tem qualquer dúvida.

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