Beirute, capital da resistência

(Bruno Amaral de Carvalho, in Resistir, 07/10/2024)

(Este é o testemunho de quem esteve lá, no terreno, arriscando a vida, um verdadeiro jornalista que relata o que vê e não aquilo que as agências de comunicação dos contendores da guerra escrevem como guião aos jornalistas e às televisões que controlam. Parabéns e coragem Bruno de Carvalho. E a prova é este mesmo artigo, isento, limpo e fundamentado.

Estátua de Sal, 17/10/2024)


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Uma cidade é feita de muitas contradições, das suas luzes e sombras, dos seus cheiros e sons e, sobretudo, das histórias de quem nela vive. Das costureiras aos artesãos, dos taxistas às cozinheiras. O Líbano é, hoje como no passado, um lugar assediado pelas bombas israelitas, onde mulheres e homens enfrentam a invasão com a dignidade de quem entende estar do lado certo da história. Beirute, uma vez mais, é a capital da resistência.

Esta mulher que está sentada no chão, de negro da cabeça aos pés, na marginal de Beirute, não tem praticamente nada. Não tem nome porque não se quer identificar nem que se lhe mostre o rosto. Um chapéu de sol, um colchão individual de espuma e a roupa que tem no corpo foi tudo o que conseguiu trazer na noite em que Israel começou a bombardear o seu bairro, nos subúrbios a sul de Beirute. Já passou uma semana desde que fugiu de casa com a família. A princípio, lavavam-se num dos muitos hoteis e condomínios de luxo com vista para o Mediterrâneo. Agora, nem isso podem fazer, diz, porque os proprietários se fartaram. Como esta família, há milhares de famílias por todas as partes. No areal da praia, no passeio marítimo, nos separadores e rotundas, em jardins, escolas, em varandas de casas sobrelotadas.

O governo libanês afirma que há, neste momento, um milhão de refugiados, números nunca vistos num país que já foi invadido por Israel quatro vezes, que viveu uma guerra civil e que tinha, até há bem pouco tempo, no seu território, cerca de dois milhões de refugiados palestinianos e sírios. Milhares de libaneses fogem agora para a Síria e para o Iraque. Os ricos fogem de iate para Chipre, numa prova irrefutável de que, como sempre, as tragédias são vividas de forma diferente consoante a classe social a que se pertence. Contudo, Beirute não esquece os seus e, por todo o lado, em cada esquina, é possível ver quem descarregue colchões, garrafões de água e outro tipo de víveres essenciais. E em vários pontos da cidade, organizações políticas recorrem à força para rebentar as portas fechadas de hotéis e edifícios desabitados para abrigar os refugiados, como aconteceu no bairro de Hamra, numa das primeiras madrugadas a seguir aos primeiros bombardeamentos. Num ato de revolta, gritando contra Israel, cerca de meia centena de jovens arrancaram o portão de um prédio vazio e a seguir conduziram várias famílias para o seu interior.

Dahieh, o coração da resistência

Esta mulher que está sentada no chão sem praticamente nada não é de um bairro qualquer. É de Dahieh, e Dahieh é uma espécie de nome maldito para Israel. Todas as noites, sem exceção, a população que vive no bastião do Hezbollah é castigada por apoiar a resistência. Foi aqui que no dia 27 de setembro a aviação israelita lançou 80 bombas com quase uma tonelada de explosivos sobre o quartel-general da organização xiita para matar Hassan Nasrallah e outras figuras importantes. De lágrimas nos olhos, diz ainda não acreditar que morreu. “Precisamos do Hezbollah para nos defender”. Durante quase um dia, o país parou em suspenso. Apoiantes e inimigos, todos esperavam saber da sorte de Nasrallah. Por volta das 14 horas do dia seguinte, gritos e lágrimas tomaram conta das ruas. E mulheres vestidas de negro como esta choraram a morte do seu herói.

O histórico secretário-geral do Hezbollah negociava uma trégua quando foi assassinado por Israel, o mesmo que acontecera ao líder do Hamas, Ismail Haniyeh, no Irão. Então, os Estados Unidos haviam prometido a Teerão que Telavive aceitaria o cessar-fogo se não respondesse ao atentado. Com a cumplicidade dos Estados Unidos, não só isso não aconteceu, como Israel estendeu a sua guerra ao Líbano e intensificou os ataques na Síria e no Iémen.

Caminhar pelo bairro de Dahieh é percorrer ruas completamente destruídas, ver automóveis esmagados e crateras onde antes havia prédios. É um cenário desolador. Sobre uma montanha de destroços, alguém pôs o retrato de Hassan Nasrallah. “Fuck Israel, we will win!”, gritam vários jovens quando se apercebem de que há jornalistas na zona. À Voz do Operário, um militante do Hezbollah que aceita falar sob anonimato recorda o papel do até agora líder da organização. “Era enorme. Tiveram de usar uma tonelada de explosivos para o matar. Prevaleceremos e venceremos”, afirma.

Há, neste momento, por parte de Israel, uma campanha de assassinatos de dirigentes das principais organizações da resistência libanesa e palestiniana. No bairro de Kola, em Beirute, a aviação israelita destruiu três andares de um prédio para matar três destacados militantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina, a histórica organização comunista que combate ao lado do Hamas e outras forças da resistência contra as forças de Israel em Gaza e na Cisjordânia.

A violência do ataque atirou varandas de ferro para o outro lado da rua. Ali, num descampado debaixo de um viaduto, centenas de documentos, livros e cartazes jaziam inertes como prova de fogo. Um documento de saudação à libertação de Lula da Silva da prisão, um cartaz com Fidel Castro a discursar em Havana e o retrato de Lénine eram alguns dos objetos que se podiam encontrar no local. No dia seguinte ao ataque, milhares de palestinianos e libaneses acompanharam o funeral que percorreu os vários campos de refugiados.

Israel ataca hospitais e centros de saúde

O Hospital Rafik Hariri fica ao lado do campo de refugiados palestinianos Mar Elias e demasiado perto de Dahieh. É o maior centro hospitalar de Beirute, com espaço para 550 pacientes. Todos os dias chegam aqui mulheres e homens vítimas das bombas de Israel. Neste momento, 80% da capacidade ocupada corresponde a feridos de guerra. “Até ao momento, temos reduzido ao máximo casos que podem ser adiados. Queremos todas as camas para as vítimas da guerra”, explica Jihad Sade, o diretor hospitalar, no seu gabinete. Com a experiência de quem já viveu várias invasões israelitas, descreve os trabalhadores que dirige como muito preparados para tratar o tipo de feridas mais comuns neste cenário de conflito.

Com o número de mortes provocadas por Israel desde 8 de outubro de 2023 a chegar aos 2 mil, incluindo 127 crianças, Jihad Sade diz que é imprevisível o comportamento de Telavive em relação aos equipamentos de saúde. Em Bachoura, um bairro central de Beirute, Israel atacou um centro de saúde durante a noite e matou nove profissionais de saúde. Como em Gaza, as forças israelitas não têm linhas vermelhas e ao fecho desta edição tinham morto já 73 destes trabalhadores em diferentes partes do país.

De acordo com este médico, a guerra vai acabar quando houver respeito entre todos. “Dêem direitos [aos palestinianos]. A força é temporária e o conflito não vai acabar se não respeitarem os direitos [dos palestinianos].

Fonte aqui


O Hezbollah e a política Israelita de assassinatos seletivos

(Raphael Machado in Twitter 28/09/2024)


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Com o assassinato de Sayyed Hassan Nasrallah e de algumas outras figuras relevantes do Hezbollah nas últimas semanas, a propaganda israelita alega ter “destruído” o Hezbollah.

As pessoas que entendem os conflitos militares, nos termos de videogames, repetem a mesma coisa. Em muitos casos são pessoas jovens demais para entender o que é um conflito militar – ou mesmo para ter qualquer senso de história.

De imediato, já se pode dizer que o assassinato de Nasrallah não teve impacto imediato nas operações militares do Hezbollah porque poucas horas depois da confirmação o Hezbollah seguia fazendo os ataques aéreos que ele tem feito no mesmo patamar dos últimos dias.

Ademais, não é o primeiro secretário-geral do Hezbollah assassinado por Israel. O antecessor de Nasrallah, Abbas al-Musawi, também foi assassinado em 1992 junto com sua família. Na época, os jornais israelenses alegavam o “fim do Hezbollah” – 14 anos depois o Hezbollah derrotava militarmente Israel e expulsava as forças israelenses do sul do Líbano.

Poderíamos transferir o exemplo para o Hamas: teve seu primeiro líder Ahmed Yassin assassinado, e o seu sucessor, Abdel Al-Rantisi, também foi assassinado meses depois. Avançamos 19 anos e o Hamas impôs o maior custo militar da história israelense, e o conflito continua.

Diariamente há notícias e vídeos de ataques das Brigadas Al-Qassam contra alvos israelenses em Gaza, com baixas noticiadas todos os dias, apenas algumas sendo admitidas por Israel.

A realidade é que, historicamente, políticas de assassinatos seletivos em contextos de guerra assimétrica têm poucos resultados práticos. Para Israel trata-se mais de impor um “custo psicológico” ao inimigo, bem como ganhar na “guerra de propaganda”, especialmente no plano exterior.

Entendam: se nem com a destruição generalizada de Gaza e mais de 100 mil mortes por várias causas Israel conseguiu derrotar o Hamas, não será com esses ataques que o Hezbollah deixará de existir.

Entra aí, ademais, um elemento que é específico desse conflito e que é o fato de que, no caso do Hezbollah, se está diante de uma mentalidade que é basicamente o análogo islâmico à mentalidade viking.

Os membros do Hezbollah objetivamente buscam o martírio. O martírio, para eles, além de motivação é um objetivo. É um elemento mobilizador de recrutamento, bem como um elemento central de sua ética fundada na futuwah (a ética cavalheiresca islâmica).

A ideia de que martirizar membros do Hezbollah vai gerar algum abalo em sua disposição para lutar é um delírio desinformado. Nasrallah disse: “Nós venceremos porque eles amam a vida, enquanto nós amamos a morte”.

Enquanto os israelitas são materialistas e individualistas, vivendo para os sentidos e para a acumulação de bens materiais, os membros do Hezbollah vivem para a guerra e para a morte na guerra. Cada mártir é um triunfo, e outros correm para ocupar o seu lugar e, com isso, merecerem a glória do martírio.

Essa mentalidade não é exclusiva do Hezbollah, sendo típica do espírito xiita – que é a expressão mais pura não apenas do Islã, como também uma das máximas expressões do espírito guerreiro, à altura do bushido nipónico. Após a batalha de Karbala, por exemplo, quando o Imã Hussein, seus companheiros e seus familiares (inclusive crianças e bebês) foram mortos por Yazid, a sua irmã Zaynab, em discurso em Kufa, disse que não ter visto senão a Beleza em si, durante a Batalha de Karbala.

Naturalmente, agora, o Hezbollah e o resto do Eixo da Resistência precisarão recuperar a iniciativa por meio de um ataque coordenado. O Iron Dome já está todo esburacado e não tem a mesma eficiente que tinha antes do 7 de outubro, por causa do desgaste imposto gradualmente.

Nesse sentido, a política militar de desgaste foi uma faca de dois gumes, porque cedeu a iniciativa militar a Israel enquanto, por outro lado, desgastou os seus recursos e meios de defesa.

Depois dos ataques aos pagers, como se atreve o Ocidente em falar em Civilização?

(Por Yin Zhiguang, in Thechinaacademy.org, 27/09/2024, Trad. João-Mc Gomes in VK )

As atrocidades cometidas por Israel revelam que a civilização ocidental nunca teve um fundo moral.


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Desde que Israel iniciou o brutal massacre do povo palestiniano em Outubro de 2023, o regime de Netanyahu tem continuamente alargado os limites da nossa compreensão das profundezas da civilização ocidental perante as pessoas de todo o mundo.

A partir de 17 de setembro de 2024, uma série de incidentes de explosão de pagers e walkie-talkies em grande escala dentro das fronteiras do Líbano resultaram na morte de numerosos civis inocentes, incluindo crianças. Todos os sinais indicam que Israel é o cérebro por detrás dos primeiros assassínios seletivos, indiscriminados e em grande escala, de cidadãos comuns de outro país na história moderna da guerra humana. A ênfase no assassínio deve-se ao facto de, antes disso, os Estados Unidos terem “inventado” bombardeamentos massivos contra civis durante a guerra do Vietname, bem como ataques com armas químicas em áreas de produção de alimentos.

Neste caso, as ações de Israel no centro do Líbano, utilizando engenhos explosivos escondidos em engenhos eletrónicos civis, sem ter em conta a segurança de civis inocentes, através de assassinatos explosivos em grande escala, redefinem mais uma vez a nossa compreensão da palavra “bárbaro”.

Desde então, todos os produtos eletrónicos do dia-a-dia utilizados pelas pessoas tornaram-se perturbadores. Os assassinatos de Israel tornaram a palavra “segurança” perigosa nas nossas vidas quotidianas. Perante esta loucura extrema, todos correm perigo. O termo “segurança da cadeia de abastecimento”, que entrou recentemente na consciência das pessoas, está agora intimamente ligado à vida ou à morte de cada um de nós.

Na tarde do dia 18 de setembro, ocorreram mais incidentes de explosões de equipamentos de comunicação em vários locais do Líbano. Este acontecimento destrói por completo o último vestígio de cordiaidade na divisão internacional capitalista do trabalho nesta “era globalizada”.

Antes disso, alguns de nós poderíamos ter acreditado que a “segurança da cadeia de abastecimento” era apenas uma questão de rivalidade nacional. Para os indivíduos, os bens de consumo pessoais adquiridos no mercado global pareciam “amigáveis”. Ninguém questionaria a ameaça significativa que representa para a segurança pessoal, especialmente para a segurança da vida, produtos como smartphones, relógios, auscultadores, televisores, frigoríficos, automóveis e aviões produzidos na cadeia industrial global e que circulam no mercado global.

No entanto, à medida que Israel introduziu explosivos nestes produtos, cada indivíduo está agora exposto à violência pura de uma forma aterradora. Por detrás desta violência está um completo mal disfarçado de “nação”, servindo apenas muito poucos.

Um vídeo que circula nas redes sociais inglesas mostra uma menina a falar com sotaque americano, partilhando a sua história enquanto investigadora sobre a Palestina, silenciada pelas universidades e pelos media ocidentais. Ela pergunta: “Porque é que não podemos mencionar Israel?” É uma excelente questão.

Nos últimos anos, com a popularidade do discurso ocidental de “esquerda” sobre o pós-colonialismo e as políticas identitárias, desenvolvemos uma ilusão de que o colonialismo, o imperialismo, o genocídio, a opressão e similares pertencem ao passado.

Os antigos colonizadores, opressores e hegemonistas há muito que refletiram ativamente, admitiram erros, completaram uma autotransformação semelhante à “iluminação” e tornaram-se porta-vozes da civilização humana. Estes hegemonistas estão bem vestidos, cheios de retidão e moralidade; tecnologicamente avançado, transportando sonhos de levar a humanidade a Marte; educado, gentil com as pessoas e até elegeu um negro como presidente. O que há para não os adorar, respeitá-los e segui-los? Porque não havemos de “esquecer o passado e olhar para a frente”?

Os hegemonistas querem urgentemente que esqueçamos o passado, nos concentremos na sua imagem gloriosa atual e imaginemos o futuro à medida que nos guiam. “Não tens escolha”, dizem, “porque a história já terminou connosco”.

No entanto, o passado é como a sombra deles sob o sol. Esta sombra negra e assassina que lançaram, não a podemos esquecer.

Israel é o lugar onde os hegemonistas encontram a sua própria sombra. Traz o passado sangrento dos hegemonistas para o presente, diante de nós. Em Israel, colonizadores, assassinos e hegemonistas fundem-se vivamente mais uma vez.

O Secretário de Estado Blinken e Netanyahu apresentaram o The Times of Israel

A razão pela qual não podemos falar de Israel é porque isso mostra a todos que a colonização e o massacre não estão no passado, mas são sim componentes integrantes da face “civilizada” dos hegemonistas de hoje.

Na verdade, desde meados do século XX, os assassinatos políticos têm sido ferramentas importantes para os hegemonistas manterem a sua ordem global. Desde 1950, Israel tem perpetrado continuamente assassinatos contra povos árabes e indivíduos que apoiam o movimento de independência palestiniano em todo o mundo:

• Em 1956, as Forças de Defesa de Israel utilizaram um pacote-bomba para assassinar dois oficiais egípcios.

• A 11 de Setembro de 1962, a Mossad israelita assassinou o engenheiro alemão Heinz Krug na Alemanha Ocidental por ter ajudado o Egipto no desenvolvimento de tecnologia de mísseis.

• A 28 de Novembro do mesmo ano, a Mossad israelita utilizou uma carta-bomba para assassinar cinco trabalhadores numa fábrica de mísseis egípcia.

• A 8 de Julho de 1972, em Beirute, a Mossad israelita utilizou um carro armadilhado para assassinar o conceituado poeta, romancista e líder palestiniano da Frente Popular para a Libertação da Palestina, Ghassan Fayez Kanafani.

Esta lista manchada de sangue nunca cessou, até hoje.

A razão pela qual não podemos falar de Israel é porque antes disso, os hegemonistas ainda podiam usar termos como “intervenção humanitária”, “assassinatos seletivos” e “guerra contra o terror” para encobrir os seus assassinatos.

No “Anuário Internacional de Direito dos Direitos Humanos” de 2006, foi publicado um estudo sobre as decisões do Supremo Tribunal de Israel intitulado “Assassinato direcionado ou meio menos prejudicial? – A Função Limitativa do Supremo Tribunal Israelita em Matanças Selecionadas e Necessidades Militares.” O estudo observou que, desde o início da Guerra contra o Terror dos EUA, os países ocidentais têm vindo a inclinar-se cada vez mais para a utilização de “assassinatos seletivos” para alcançar os seus “objetivos militares”. Académicos, meios de comunicação social e políticos ocidentais descrevem esta violência de guerra como um ato de guerra “mais humano”, utilizando-a para justificar a “intervenção humanitária”, que é essencialmente uma agressão imperialista. Contudo, mesmo os tribunais ocidentais têm dificuldade em justificar tais argumentos.

Na realidade, para aém dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Suíça e da Alemanha, todas as antigas potências coloniais levaram a cabo estes assassinatos flagrantemente reacionários sob o pretexto de operações militares sob o nome de “assassinatos seletivos” contra antigas colónias. No entanto, operam principalmente em segredo e nunca são discutidos abertamente. Israel tornou-se o primeiro país a reconhecer oficialmente a legalidade de tais “assassinatos seletivos” em Novembro de 2000.

Os recentes incidentes de explosões de pagers no Líbano, no entanto, não são nem “direcionados” nem “limitados”, cruzando descaradamente as chamadas linhas legais utilizadas pelos imperialistas coloniais ocidentais para embelezar a sua fachada.

A razão pela qual não podemos falar de Israel é também porque todas as plataformas onde a sociedade ocidental, como os meios de comunicação social, os partidos políticos e outras vozes públicas, poderiam potencialmente falar, são estritamente controladas pelos capitalistas financeiros. São como um “império das sombras”, restringindo até um vislumbre de esperança de mudança no mundo ocidental.

Depois de Gaza e do Líbano, os hegemonistas já não podem usar a “civilização”, o “estado de direito”, a “democracia” e a “liberdade” para encobrir a sua hegemonia. Já não há globalização meiga, não há segurança absoluta para as pessoas comuns, não há vidas a salvo da matança hegemónica e não há liberdade sem Estado. A “segurança da cadeia de abastecimento” de agora em diante estará intimamente ligada à sobrevivência e à morte de cada um de nós.

Um mundo seguro, igualitário, livre e verdadeiramente multilateral surgirá a partir de um lugar onde possamos confrontar os hegemonistas, resistir aos seus assassinatos, agressões, interferências e enganos”.

Sim, como se atrevem os dirigentes ocidentais em dizer que defendem a “civilização”?

Fonte aqui.