Os media focam-se nos laços de Epstein com Trump e ignoram os seus laços com Israel

(Caitlin Johnstone, 14/11/2025, Trad. Estátua de Sal)


A forma como a imprensa tem coberto os laços de Jeffrey Epstein com Trump, enquanto ignora completamente revelações muito mais significativas sobre as ligações de Epstein com a inteligência israelita, é um exemplo perfeito de como os media ocidentais ignoram tudo o que não se encaixa perfeitamente na visão bipartidária do mundo. Se não houver algum tipo de viés partidário que os democratas possam usar para atacar os republicanos, ou vice-versa, o assunto tende a ser flagrantemente ignorado.

O que por acaso coincide perfeitamente com os objetivos do império americano. O império não quer que as pessoas examinem de perto as coisas ruins que os EUA e Israel vêm fazendo juntos, independentemente de quem esteja no poder, então a imprensa ocidental tende a ignorar esses assuntos sempre que possível.

O império não quer que as pessoas acompanhem quais os países que a máquina de guerra dos EUA está bombardeando, de governo em governo, então a imprensa ocidental mantém essa informação em segredo a tal ponto que, a cada poucos meses, vejo um tweet viral de algum americano dizendo “Espere um segundo, estivemos bombardeando a Somália esse tempo todo?” ou “Temos tropas no Quénia??”

A esmagadora maioria dos abusos do império mantém-se, independentemente do partido político no poder ou da plataforma de campanha do atual presidente dos EUA. Guerra. Genocídio. Militarismo. Exploração imperialista. Capitalismo ecocida. Desigualdade crescente. Pobreza. Sem-tecto. Militarização da polícia. A rede de vigilância em constante expansão. Censura. Propaganda. Mentiras e opacidade do governo. Os crimes da aliança imperial de inteligência.

Todos os piores aspetos da nossa civilização distópica, aqui na estrutura de poder global que é vagamente centralizada nos Estados Unidos, continuam avançando sem interrupção de presidência para presidência, enquanto a mídia os ignora e mantém o público fixado em disputas irrelevantes entre as duas principais fações políticas da América.

Isso ocorre porque os meios de comunicação de massas do mundo ocidental não existem para noticiar os principais acontecimentos da atualidade. Eles existem para doutrinar, distrair e manipular. Não são serviços de notícias, são serviços de propaganda.

Adicionar mais alguns detalhes sobre os laços já bem documentados de Trump com Epstein ao ecossistema da informação certamente despertará muito interesse e atenção, monopolizando o discurso político por um ou dois dias, mas não mudará nada. No entanto, o desenvolvimento de uma repulsa universal dos cidadãos dos EUA por Israel e pela sua interferência nos assuntos internos do país, teria consequências de longo alcance, capazes de mudar a face do mundo. É por isso que os serviços de propaganda do império estão a concentrar-se no primeiro aspecto, e não no segundo.

Fonte aqui.

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Uma pedra com olhos

(Tiago Franco, in Facebook, 21/10/2025, Revisão da Estátua)

Coronel José Carmo: “Não há fome generalizada em Gaza, vimo-los todos gordinhos, bem-dispostos e cheios de energia. Até em Portugal há problemas de fome”

(Eu se não tivesse visto não acreditaria que alguém, no seu perfeito juízo, pudesse dizer tanta alarvidade. Mas foi dito como podem ver nos 2 vídeos que abaixo deixo.

Estátua de Sal, 23/10/25)


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Eu sei que vivemos tempos em que apenas analistas mais conotados com a direita ou extrema-direita sobram nos canais de televisão. Tanto no público como nos privados.

Mas temos que chegar a este ponto? A CNN não fica contente com o João Marques, o Relvas, o Frazão e a Helena Gouveia? É mesmo necessário vermos uma pessoa, com um aparente desequilíbrio, a negar aquilo que nem Israel nega?

Não há um gajo, lá dentro na regie, que sinta vergonha de cada vez que este Zé abre a boca e perceba que, discursos destes, deixam a CNN com a credibilidade dos programas de mexericos que a Cinha Jardim e mais uns desocupados fazem antes do almoço?

Percebo que a politica de cancelamento só se aplica a pessoas de esquerda, em especial se souberem o que estão a dizer. Mas mesmo para fazer papel de alucinado e de simpatizante de genocídio, não arranjam um coronel qualquer que valide o assassinato de crianças, recorrendo a argumentação mais elaborada?

É que este Zé, que começa cada frase com “o Hamas”, nem para fazer de odioso serve. Sabe pouco, é movido unicamente por extremismo e nem isso consegue justificar com alguma inteligência. É um embaraço e uma vergonha alheia, de cada vez que este pobre desgraçado abre a boca.

Por este andar, não tarda, a Helena “direito à defesa” Gouveia e o Rodrigo “mas quantos morreram?” de Deus, passam a figurar na galeria dos moderados.


“Não há fome generalizada em Gaza, vimo-los todos gordinhos, bem-dispostos e cheios de energia. Até em Portugal há problemas de fome”

Ou podem ver a intervenção completa do cavalheiro, em debate com o Tiago André Lopes, na CNN, aqui

Nobel da Paz a Maria Corina: O Apito de Cachorro do Capitalismo

(Por Camilo Júnior in Tribuna Multipolar, 10/10/2025)


É a paz dos vencedores, a paz do capital que dita quem deve ser canonizado e quem deve ser bombardeado.


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A atribuição do Prêmio Nobel da Paz a Maria Corina Machado não é, antes de tudo, um reconhecimento a feitos pacíficos.

É um gesto geopolítico de alta voltagem, um “apito de cachorro” audível para quem compreende as linguagens do poder global.

Longe de celebrar a paz, o prêmio a instrumentaliza, transformando-a num arsenal de guerra híbrida contra Estados soberanos que desafiam a hegemonia ocidental.

A farsa reside no próprio contraste.

Enquanto a Venezuela, sob o mesmo modelo de sanções econômicas que Maria Corina defende publicamente, vê seu povo passar fome e falta de medicamentos, premeia-se uma figura política cujo projeto está alinhado com os arquitetos desse cerco asfixiante.

O Comitê do Nobel, com essa escolha, não honra a memória de Martin Luther King ou Nelson Mandela; alinha-se à seletividade do Tribunal Penal Internacional, que só morde os “descalços”, como bem lembrou Eduardo Galeano.

É a paz dos vencedores, a paz do capital que dita quem deve ser canonizado e quem deve ser bombardeado.

Maria Corina não é uma ativista pelos direitos humanos em sentido universal. É uma peça no tabuleiro do Grande Jogo pela dominação dos recursos.

Sua luta não é pela paz na Venezuela, mas pela “paz” do capital: a pacificação de um território rico e estrategicamente vital, submetendo-o de volta à órbita de influência que o Chavismo rompeu.

Seu Nobel é o prêmio de consolação que o Ocidente concede a seus aliados nativos quando a vitória não vem pelas urnas ou por meios convencionais.

O “apito de cachorro” soa claro para seus destinatários: é uma mensagem de incentivo à oposição interna e um sinal para o mundo de que a campanha de desestabilização contra a Venezuela continua com o mais alto patrocínio.

É a cobertura “humanitária” para uma agenda de mudança de regime.

A linguagem da paz é usada para promover a guerra econômica e a ingerência, tal como fizeram no passado com figuras que, após receberem honrarias semelhantes, presidiram sobre nações arrasadas.

Este prêmio corrompe o significado da paz. Ele a reduz a um instrumento de soft power, uma arma para legitimar a desestabilização de governos não alinhados.

Ao celebrar Maria Corina, o Comitê do Nobel não está promovendo a concórdia entre os venezuelanos; está tomando partido em um conflito político complexo, alimentando a divisão e legitimando uma oposição que não conseguiu, até agora, derrotar o seu adversário no campo democrático.

A verdadeira paz, aquela que brota da soberania, da autodeterminação e da justiça social, não será encontrada em estrelas douradas concedidas em Oslo. É e será construída pelo povo venezuelano, longe dos holofotes internacionais e dos apitos de cachorro do capital.

Este Nobel não é um farol de esperança; é o reflexo dourado de uma nova cortina de ferro, que separa os eleitos do capital daqueles condenados a resistir sob o peso dos seus bloqueios e do seu moralismo seletivo.

Fonte aqui

(*) Texto em português do Brasil de acordo com o original