Estava-se mesmo a ver

(In Blog O Jumento, 19/09/2017)
vistos gold

Os vistos Gold de Paulo Portas

Era mais do que óbvio que o esquema dos vistos gold iria atrair a nata da criminalidade mundial, compravam uma casa em Portugal e tinham direito a residência e a circular livremente na Europa. O dinheiro fácil começou a aparecer, houve quem se dedicasse ao negócio da intermediação e o Paulo portas dizia cobras e lagarto de quem ousasse criticar o esquema.
O negócio atraiu os do costume e lambuzaram-se de tal forma que alguns, incluindo um ministro de Passos Coelho estão a contas com um processo judicial, tendo dado lugar aos primeiros casos de corrupção ao mais alto nível do Estado. As grandes imobiliárias ficaram excitadas e algumas boas famílias decadentes venderam os seus palacetes a bom preço.  Agora sabe-se que a Comissão Europeia está preocupada com a concessão de vistos gold a gente corrupta (Ver noticia aqui)
Paulo Portas desancava em quem ousava criticar o esquema e designava o esquema por investimento. Entretanto, Paulo Portas desapareceu, muito provavelmente anda a fazer negócio com “investidores” do género que os vistos atraíram, o esquema ainda existe, mas os resultados são mais do que escassos.
Que investidores queremos para Portugal? Chineses que enriqueceram à pressa, brasileiros em fuga ou generis angolanos? Isto é o lúmpen do capitalismo, figuras falhadas da corrupção que sentem a necessidade de assegurar uma fuga provável e de garantir um local onde possam viver tranquilos. Chamar a isto investidores é gozar com o país.
Não é destes investidores que Portugal precisa, esta gente não traz qualquer progresso e as suas empresas prosseguirão no país com os esquemas fáceis com que enriqueceram nos seus países de origem. Portugal precisa de bons investidores, gente que traga know how, competitividade, atividades de alto valor acrescentado, empresas que apostem na qualificação, na investigação. É nestes investidores que Portugal deve apostar e para isso é preciso muito mais do que vistos com mel para corruptos.
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O investimento estrangeiro

investimento

Estou farto de ouvir o Governo falar no investimento estrangeiro como o grande mantra para a solução dos problemas do País. Eu julgava que vivia num sistema económico capitalista, não havendo, obviamente,  capitalismo sem capitalistas.

Ora, os capitalistas nacionais que tínhamos, ou faliram, ou andam metidos em casos de polícia, ou venderam as empresas e emigraram para as Seychelles atrás dos dinheiros que colocaram numa qualquer offshore.

E muitos deles faliram empurrados pela política de esmagamento da procura interna que a troika impôs ao País e que este Governo executou com brios de capataz zeloso e subserviente.

Agora, depois de meio País destruído, o Governo quer trocar os capitalistas portugueses por capitalistas estrangeiros. Infelizmente, o investimento estrangeiro que cá tem chegado, só se tem dirigido para a compra das empresas mais valiosas e rentáveis que já existiam, não criando, portanto, nem emprego, nem know-how.

Quando o processo acabar, haverá economia, mas não será portuguesa. Haverá capitalismo, mas não será português. Haverá Estado, mas não será português. Haverá Governo para governar os portugueses, não em nome de Portugal, mas sim em nome dos novos donos de Portugal.

Eles abraçam o capitalismo e defendem as suas formas de expressão mais selvagem como sua bandeira. Agora, eu não sabia é que eram tão criativos ou tão néscios: querem um Estado-Nação capitalista sem capitalistas nacionais.

Todos temos o dever patriótico de os parar de vez. Antes que sejamos também todos obrigados a falar mandarim, depois deles terem vendido também a Língua Portuguesa.

Que por este andar será a última coisa que nos restará depois de tudo estar já vendido ou penhorado.

Estátua de Sal, 17/04/2015