A Manuela fez bem os trabalhos de casa

(Por Estátua de Sal, 27/04/2017)

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Estive a ver a Manuela Ferreira Leite no seu comentário semanal na TVI24. Um dos temas era a atual bandeira da direita pafiosa, as nomeações para o Conselho de Finanças Públicas que o governo vetou, veto que António Costa se recusou a justificar no parlamento em resposta a Passos Coelho.

Ferreira Leite fez bem os trabalhos de casa. Ela trouxe à baila dados importantes sobre o tema, que arrasam totalmente a retórica da direita sobre o assunto e o empolamento que Coelho lhe tem dado. Vejamos.

Um dos elementos do Conselho de Finanças Públicas cujo mandato terminou e que está a ser substituído é um alemão, provavelmente amigo do ministro das Finanças Schauble, segundo adiantou Ferreira Leite. Ou seja, era uma espécie de polícia que a troika nos impôs para fiscalizar o país e o cumprimento das medidas de austeridade.

Mas melhor ainda. Vai-se o alemão e quem é que o Banco de Portugal propõe em substituição? Teresa Ter-Minassian, ex-funcionária do FMI que, inclusive, chefiou a missão do Fundo em Portugal aquando do resgate dos anos 80. Extraordinário!

Então a troika já não se foi embora? Então não há gente em Portugal com competência técnica para integrar o dito Conselho? Ferreira Leite esteve bem e deu razão a António Costa por ter recusado nomear tal personagem. Se fosse Passos já tinha assinado de cruz. Sim, porque Passos sempre foi um animal amestrado para vender o país ao FMI, à troika e ao sinistro Schauble, e agora anda muito aborrecido por Costa ter recusado continuar a colocar polícias do FMI entre portas. E diz Passos que o governo não tolera a independência do dito Conselho. Mas como pode ser independente um orgão para o qual se pretende impor a doutrina económica, neoliberal, do FMI, e cuja actuação não tem sido outra senão interferir na política económica do governo e mandar num país que, pelo menos em teoria, ainda é um país independente? Passos, preocupa-se imenso com a independência do Conselho de Finanças Públicas, mas está-se nas tintas para a independência do país.

Já o sabíamos. Só não entendo como ainda há portugueses que dão crédito a Passos e às suas tropelias, esse caixeiro viajante, vendilhão do templo e do país, um mesquinho traidor da Pátria.

E o senhor Subir Lall não diz nada?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 09/12/2016)

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Com regularidade trimestral, o senhor Subir Lall desembarca no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, à frente da comissão que vem avaliar o andamento das contas públicas e da economia portuguesa. Com a mesma regularidade, o senhor Subir Lall fala à comunicação social portuguesa, ditando sentenças sobre o que devemos fazer e quão longe estamos de chegar ao paraíso económico que ele imagina para nós. E assim em Maio deste ano, o senhor Subir Lall veio a Portugal e disse ao Expresso as palavras que fizeram a manchete do caderno de economia: “FMI dá como perdido o défice de 2016”. Acrescentava o senhor Subir Lall que o défice este ano ficaria nos 3% e que o melhor era começar a tomar decisões para 2017, porque quaisquer medidas em 2016 nada resolveriam.

Pois bem, a última avaliação a Portugal feita pelo FMI, conduzida como sempre pelo senhor Subir Lall, aponta para que o défice em 2016 fique em 2,6% e o de 2017 em 2,1% (quando a previsão do FMI em Setembro era de 3% para os dois anos). Aponta também para um crescimento da economia de 1,3% em 2016 (contra 1% em Setembro e acima da própria previsão do Governo que é de 1,2%) e para o mesmo valor em 2017 (quando antes apontava para 1,1%). A avaliação do FMI revê igualmente em baixa os valores para o desemprego: estimava 11,8% para este ano e 11,3% para o ano, agora prevê 11% em 2016 e 10,6% em 2017

Também nas exportações, o FMI está agora mais otimista: crescimento de 3,5% este ano (contra uma previsão em setembro de 2,9%) e de 3,6% em 2017, mais duas décimas que a previsão de há três meses. As estimativas para pior são as relativas ao investimento, que deve cair 1,4% em vez da queda de 1,2% prevista em Setembro, e à dívida pública (que deve estar pior este ano e no próximo (130,8% e 129,9% do PIB agora contra 128,5% do PIB e 128,2% do PIB em Setembro).

Mas será que o FMI se retrata e que o senhor Subir Lall vem admitir que estava errado? É o retratas! O que o FMI faz é arranjar justificações para a assinalável mudança nas suas previsões em apenas 90 dias. Ou é a aceleração das exportações entre Julho e Setembro (que, pelos vistos, os técnicos do Fundo não conseguiram prever), ou é o mercado de trabalho que evoluiu de uma forma não expectável, ou foi a contenção dos consumos intermédios e do investimento público por parte do Governo que mitigaram a evolução das receitas abaixo do previsto – tudo o que, pelos vistos, a folhinha de Excel e o modelo econométrico não conseguiram captar.

Quanto ao senhor Subir Lall, aguarda-se agora com expectativa a sua próxima entrevista a um jornal ou televisão portugueses para nos revelar, de forma pesadamente circunspecta, que não temos salvação se não aplicarmos a receita que ele trimestralmente nos recomenda. Desta vez as coisas correram melhor mas é seguro que vão correr pior. Subir Lall dixit – tão certo como dois e dois serem quatro.

Com efeito, apesar da revisão significativa das suas previsões para a economia portuguesa em apenas três meses – e quase todas em sentido positivo – o Fundo e o senhor Subir Lall o que vem sublinhar é a possibilidade de derrapagens futuras na economia e no orçamento, se o Governo não aplicar as medidas que recomenda desde 2011 (mais contenção orçamental, mais cortes estruturais na despesa pública, mais reformas). E o documento conclui com uma frase própria do senhor de La Palisse: “para concluir que estamos perante uma mudança sustentada para uma recuperação mais rápida, é preciso que se assista a uma continuação do crescimento forte”. As sentenças do FMI são verdadeiras pérolas de sabedoria.

Até tu Gaspar?

(In Blog O Jumento, 09/12/2016)

«O Fundo Monetário Internacional (FMI), que esteve em missão em Portugal entre 29 de novembro e 7 de dezembro, considera que “as metas orçamentais do Governo português para 2016 são alcançáveis”, contudo, as estimativas para o défice, apesar de mais favoráveis, ainda não convergem com as do Executivo. Mas apenas por uma pequena margem.

“O outlook de Portugal no curto prazo melhorou, principalmente devido à aceleração das exportações registadas no terceiro trimestre do ano” e por isso, “estimamos que o défice seja de cerca de 2,6% do PIB em 2016, ou seja, um crescimento de 0,4%. Os esforços das autoridades em conter o consumo intermérdio e o investimento público mitigou a possibilidade do défice ser maior”, pode ler-se no relatório da missão do FMI, divulgado esta quinta-feira à tarde.» Notícia em Expresso, aqui

teodora1

Esta posição do FMI deixa o Passos e a Teodora a falarem sozinhos…. 🙂