Democratas Nervosamente Colapsando

(António Gil, in Substack.com, 20/07/2024)

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Democratas Nervosamente Colapsando. É isso que DNC significa, certo?

Façamos agora uma pausa nos contactos frenéticos entre os que constituem a Nata do Partido Democrata – é um partido cheio de gente gordurosa – para em algumas pinceladas rápidas fazer o ponto da situação.

O tempo passa rapidamente para todos mas principalmente para os que estão a tentar assumir o comando de um veículo que parece ter perdido o rumo. A urgência de alguns porém, não é a urgência de outros, pelo contrário.

Há alguns que já não se importam com a corrida para o abismo: são os que já estão ferrados, de qualquer forma. Entre eles está toda a equipa Biden e, claro, sua família. A equipa Kamala ainda hesita: eles têm medo de assumir o comando porque temem ser responsabilizados pelo desastre anunciado.


Fora disto e conspirando contra uns e outros, estão os que tentam aproveitar-se da situação. Este grupo porém é tudo menos coeso. Seus objectivos só coincidem no que diz respeito às duas etapas iniciais, a saber: 1- afastar Biden 2- afastar Kamala.

Depois disso – e isto é, se acontecer – entra-se em águas desconhecidas. Não é que haja um lote muito grande de candidatos para substituir aqueles que se querem depor. Embora a clique dirigente esteja superpovoada por doidos varridos, também na loucura há graus e não há assim tantos que sejam loucos o suficiente para levar a cabo uma missão que a cada dia que passa parece mais impossível.

Assim, Obama, Pelosi, Hilary, Schumer, Gavin Newson e outros ainda menos conhecidos, podem ver-se de repente lutando uns contra os outros para no fim… não haver já ninguém interessado em assumir as rédeas.

Isto pode parecer muito exagerado mas é um risco real. Lembram-se como depois de tanta gritaria para afastar Biden, de repente ficaram todos a assobiar para os lados, na sequência do atentado a Trump? claro que depois reagiram, mas esse momento pode voltar e com mais força.

No actual estado de nervos daquele gang esgrouviado, tudo pode vir bem a assemelhar-se a uma luta feroz por uma caixa vazia, numa dos famosas sextas feiras negras, americanas, quando tudo está em saldo mas, por precaução, alguns artigos foram retirados das caixas onde estavam embalados.

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Uma ‘Super Terça-Feira’ feita à medida de Biden e Sanders

(Ricardo Lourenço, in Expresso Diário, 02/03/2020)

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Quem vem de fora, normalmente, acha curiosa a forma prática como os americanos lidam com a logística de umas eleições. Igrejas, pastelarias, celeiros, casas particulares, os locais de voto variam de acordo com as necessidades. “O que importa é que se participe”, diz-nos Ruth Farragher, uma voluntária do Partido Democrata, que amanhã ajudará a supervisionar as primárias no Massachusetts, um dos 14 estados (incluindo Texas e Califórnia) a ir a votos na Super Terça-Feira.

Esta etapa decisiva oferecerá um terço dos delegados que nomearão o candidato na Convenção Nacional de julho, varrendo o país de costa a costa. Da Virgínia à Califórnia, do Texas ao Tennessee, o eleitorado será bem mais diverso do que o do Iowa ou do New Hampshire (estados com mais de 90% de população branca), que iniciaram o processo a 3 e 10 de fevereiro, respetivamente.

Tamanha empreitada leva os responsáveis do Partido a lutar por cada sufrágio. De tal maneira que se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha, ou seja, as urnas irão ao encontro dos eleitores.

É o caso de quatro postos colocados em outros tantos campus universitários, no College of the Canyons (Califórnia), East Carolina University (Carolina do Norte) e Texas A&M University e Texas State University (ambas no Texas). Tudo para que os 72 mil estudantes alvo exerçam o direito cívico. Note-se, que a taxa de participação eleitoral dos sub-29 nas presidenciais de 2016 ficou abaixo dos 40%, metade dos eleitores com o dobro da idade.

Patrocinada pela MTV, a iniciativa surge como resposta à decisão de vários estados de encerrarem mais de 1600 locais de voto desde o ciclo eleitoral de 2012. “Queremos tornar os locais acolhedores e memoráveis. Não pode haver razões para abstenção”, esclareceu em comunicado um responsável das Relações Públicas do canal que, nas décadas de 80 e 90, entretinha os quarentões de hoje com os “videoclips” do momento.

“Temos de nos mobilizar, pois a fasquia está colocada bem lá no alto”, afirma ao Expresso Kathleen Sullivan, ex-presidente do Partido Democrata no estado do New Hamphire.

“Se não nomearmos um candidato forte, corremos o risco de ter mais quatro anos de Donald Trump. O país não resistirá”.

BLOOMBERG. O DIA DO ADEUS?

Com 1357 delegados em jogo, de um total de 3979, os candidatos que ainda resistem apostam tudo, especialmente em primárias como a da Califórnia e do Texas, que distribuem 415 e 228 (por esta ordem).

O senador Bernie Sanders, o favorito, líder nas sondagens naqueles dois estados populosos, montou, por exemplo, uma rede de voluntários que no último ano multiplicou-se em recolhas de fundos e em ações de campanha porta a porta.

Por falar em dinheiro, amanhã o multimilionário Michael Bloomberg entrará em jogo, após ter trocado as quatro primeiras etapas por uma massiva campanha publicitária, que o introduziu à generalidade do povo americano por um preço de 500 milhões de dólares (449 milhões de euros).

Depois de dois debates televisivos “patéticos”, como nos disse Bakari Sellers, ex-congressista da Carolina do Sul, as expectativas sobre as chances do ex-mayor de Nova Iorque caíram a pique. “Amanhã temos de esperar pelas 21h (2h de quarta-feira, em Lisboa), altura em que ele falará à nação”, conta-nos Anthony Scaramucci, o antigo diretor de Comunicações da Administração Trump. “Confirmando-se as últimas sondagens, os resultados ficarão muito aquém do desejado e ele deverá a anunciar o fim da candidatura. Resta saber quem é que irá apoiar com o seu dinheiro a partir de agora”.

O antigo vice-presidente Joe Biden vive um momento oposto, após um ressurgimento na Carolina do Sul, onde no passado sábado venceu com quase 50% dos votos. Tal ofereceu-lhe o segundo lugar na corrida, prevendo-se ainda que venha a beneficiar da desistência do terceiro classificado, Pete Buttigieg.

Biden e Buttigieg ocupam o mesmo espaço político, a ala moderada do Partido, ao contrário de Sanders, um independente rotulado de progressista, isto é, mais à esquerda. Esta manhã, o canal televisivo MSNBC indicava que ambas as campanhas estarão a negociar sinergias futuras. Desconhece-se se Biden terá oferecido o lugar de vice-presidente a Buttigieg numa eventual candidatura presidencial.

Quanto aos três nomes restantes, as senadoras Elizabeth Warren e Amy Klobuchar e a congressista Tulsi Gabbard, “a Super Terça Feira poderá ditar o adeus em definitivo”, prevê Sullivan, uma apoiante de Warren. “O dinheiro começa a escassear para quem sucessivamente não consegue bons resultados. Caso a tendência continue, a inviabilidade destas candidaturas tornar-se-á evidente”.

Ao longo do fim de semana, o Expresso perguntou a vários membros do Partido qual o cenário previsível para o rescaldo da Super Terça Feira. Um deles, Lawrence Lessig, candidato presidencial em 2016 e professor em Harvard, apontou para um duelo entre Sanders e Biden. “Têm notoriedade, dinheiro e representam duas visões políticas distintas. A escolha será bem mais clara a partir de agora”.