A espontaneidade cuidadosamente calculada da divulgação “chocante” dos ficheiros de Epstein

(Edward Curtin, in Contercurrents.org, 19/02/2026, Trad. Estátua)


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Sempre que um “escândalo” com o impacto dos arquivos de Epstein domina as notícias, podemos ter certeza de que se trata de uma manobra para desviar a atenção de algo mais sinistro que está para vir.

Os arquivos de Epstein estão na posse do FBI há oito anos ou mais. Então, por que é que os arquivos, com trechos censurados, foram apenas divulgados recentemente?  Cui bono ?

E quem está por detrás da divulgação que não ocorreu durante o primeiro mandato de Trump e o primeiro mandato de Biden?  Cui bono ?

O genocídio em Gaza e a guerra por procuração dos EUA contra a Rússia, ambos apoiados por Biden e Trump, encaixam-se no cronograma e nas omissões, visto que podemos presumir que o Mossad, a CIA, a NSA e o MI6 também tiveram acesso aos arquivos por muito tempo? Um ataque dos EUA/Israel ao Irão?   Porque, como nos filmes, toda a propaganda e encobrimentos têm datas de divulgação cuidadosamente escolhidas.

Última pergunta: por que é que alguém ficaria chocado com o conteúdo dos ficheiros de Epstein, embora muitas pessoas pareçam estar? Sim, mais nomes foram adicionados à lista de elites degeneradas que, alegremente, faziam parte da organização criminosa de Epstein, mas a revelação de mais nomes apenas confirma o quanto ela era extensa.

Há muito tempo que sabemos das atividades criminosas do degenerado Epstein, dos financiadores, celebridades, políticos e figuras públicas que se juntaram a ele. Chantagem sexual, cooperação entre agências de serviços secretos e o submundo, acordos financeiros secretos, planeamento de guerras em nome da paz, etc., são formas de como, há muito, o capitalismo tem operado. Embora aqueles que investigam estas coisas já há muito soubessem da sua existência (ver, por exemplo, One Nation Under Blackmail, de Whitney Webb, em dois volumes), as pessoas comuns podem estar, finalmente, a compreender; mas chocante não é. E o “podem” deve ser enfatizado. Todos nós vivemos há muito tempo numa cultura de crescente «choque», onde as notícias e o entretenimento mais grotescos são elementos básicos dos meios de comunicação social, desde Washington D.C. a Hollywood e em toda a Internet, o macaco perseguiu a doninha. Os macacos pensaram que era tudo uma brincadeira, e então Pop! lá se foi a doninha.

Ficar chocado parece estar na moda; apimenta a vida, induz aquele calafrio que só o sexo, a morte e o tempo podem trazer às conversas diárias. “Dá para acreditar?” e “Inacreditável!” ouvem-se a toda a hora e brotam dos lábios, dos ecrãs e dos sites em toda a parte, convidando-nos a vir até àquele sítio para ficarmos estupefactos e com a cabeça a girar vertiginosamente. Pessoas comuns tornaram-se Regan MacNeil, a jovem possuída por um demónio em O Exorcista.

Se os meios de comunicação social mainstream alguma vez aprofundassem o assunto a fundo, teriam que expor-se como agentes das mesmas forças que se encontram por detrás da ascensão de Epstein ao poder. Com que frequência é que esses meios de comunicação ligam Epstein a Israel, ao Mossad, à CIA, etc.? Não são só indivíduos malvados que governam, mas uma estrutura do mal, um sistema, se quiserem, um sistema social profundamente enraizado, atualmente administrado publicamente pelo idiota malvado Trump que, numa entrevista recente ao The New York Times, quando questionado se achava que havia limites para o seu poder global, disse: “Sim, há uma coisa. A minha própria moralidade. A minha própria mente. É a única coisa que pode deter-me”.

Essa declaração revelou o segredo. É o credo do niilista, fundamental para o ethos atual. Sem honra, sem padrões éticos tradicionais, sem Deus, sem amor pela humanidade, apenas notícias falsas e enganosas destinadas a chocar e um presidente dos EUA falando como um punk adolescente. Sim. Inacreditável! «Eu conheço as palavras. Tenho as melhores palavras. Tenho as… – mas não há palavra melhor do que estúpido.» (Entra a banda sonora.)

O cineasta francês da Nouvelle Vague, Jean-Luc Godard, disse certa vez: “Para fazer um filme, tudo o que é preciso é uma garota e uma arma“. Bem, temos o filme sobre Epstein, no qual ele e os seus amigos venais e sórdidos tinham as garotas, mas quem detinha as armas, e não os pénis, por trás dos seus empreendimentos criminosos, é algo que permanece sem resposta.

Quando apanhados em flagrante, os meios de comunicação social adoram expor certos indivíduos que baixam as calças para fins de abuso sexual, mas consideram impossível derrubar aqueles vilões depravados que cometem atrocidades contra pessoas comuns, dia após dia, em todo o mundo. Vamos chamá-los os produtores. Eles moldam e pagam pelas notícias.

O presidente do reality show, Donald Trump — o rosto do imperialismo explícito e do regime ditatorial interno, um brutamontes grosseiro cuja máxima fundamental é “o poder faz a justiça” e cujo nome aparece várias vezes nos arquivos de Epstein —, sabe bem como o jogo é jogado. Após a sua briga televisionada com Zelensky no ano passado (ou foi antes do conflito?), disse: “Isto vai dar um excelente programa de televisão”. O mesmo se poderá dizer do filme sobre Epstein. Talvez até dê uma série.

E, como no passado, ninguém envolvido nessa atividade deplorável e criminosa – com exceção de Epstein e Ghislaine Maxwell – irá provavelmente cumprir qualquer pena de prisão. O que não é surpresa nenhuma.

Quanto a choques, é melhor assistir aos Jogos Olímpicos de Inverno e ficar «chocado» com os atletas favoritos a caírem no gelo e na neve. Pelo menos essas quedas são reais.

Há uma pintura numa casa de campo ainda visível na entrada da Casa dos Vettii, nas ruínas de Pompeia, que nos diz muito sobre os arquivos de Epstein, o poder e a riqueza. Ela simboliza perfeitamente um aspecto da diferença entre as classes dominantes internacionais – ou seja, os detalhes obscenos nos documentos de Epstein, sem a resposta de quem tem conduzido a operação de chantagem e porquê – e o resto de nós. Ela retrata o deus Príapo pesando o seu pénis numa balança de moedas de ouro, como se dissesse: ouro, Deus, riqueza e poder – nós governamos. Vão-se foder! É uma velha história contada por homens niilistas desesperados para provar a sua potência dominando meninas e mulheres vulneráveis e o mundo inteiro.

Muitos têm perguntado como é possível que Epstein e todos os outros, nomeados ou não, tenham feito coisas tão más e criminosas? O mal parece deixar os intelectuais modernos muito perplexos. Será que eles acham que El Diablo é uma marca de molho de salsa?

A explicação de Hannah Arendt para o comportamento de Adolf Eichmann – a banalidade do mal – é uma das explicações que agora estão a ser usadas para dissecar o comportamento de Epstein. Outros dizem que ele não tinha consciência ou não conseguia raciocinar como um adulto; que não era muito inteligente, mas que era um excelente vigarista. Que era narcisista. Todas elas são explicações superficiais. Nenhuma delas chega ao cerne da questão. Como de costume, e de forma completamente errada, alguns culpam Nietzsche e a ideia do ubermensch (o super-homem). Nietzsche (tal como a Rússia) é frequentemente culpado por todos os males modernos por aqueles que interiorizaram noções falsas acerca da sua obra. Na verdade, Nietzsche alertou que, visto que os homens mataram Deus, “algo extraordinariamente desagradável e maligno está prestes a ocorrer”. Ele não estava nada contente com isso.

O brilhante e subestimado escritor Edward Dahlberg, num ensaio sobre Nietzsche – “O Verdadeiro Nietzsche ” – diz o seguinte sobre o filósofo: “Ele denunciou a política racial, outro termo para antissemita, chamando-se a si mesmo de ‘bom europeu’, ‘anti-antissemita’… Nada adiantou; os anti-judeus do Partido Nacional-Socialista Alemão (NSDAP) apresentaram-no ao público como um político teutónico. E é assim ele que ele é apresentado até hoje, distorcido para fins ideológicos. É de se perguntar quem é que ainda lê hoje em dia.

A propósito do uso da linguagem e da degradação da compreensão, Dahlberg acrescenta: “Tornámos a linguagem tão comum que deixámos de ser leitores simbólicos. A menos que examinemos o intelecto total do poeta como o seu texto, interpretaremos mal Blake ou Shakespeare, da mesma forma tola em que Nietzsche tem sido distorcido”.

Compreender as palavras simbolicamente é entender como os bons escritores as usam nos seus múltiplos significados, não apenas literalmente, não como lascas de pedra desprendidas de uma encosta pedregosa que atravancam uma estrada que não leva a lugar nenhum; mas como eles as fazem vibrar e brilhar, mergulhar profundamente e voar alto como pássaros luminescentes, para que outros possam contemplar profundamente e pensar uma, duas ou talvez mais vezes.

Pense no uso grosseiro da linguagem por parte de Trump; pense no de Epstein; pense na cultura em geral. Mergulhámos numa época de ignorância grosseira e a nossa decadência cultural reflete-se na decadência da nossa linguagem. Trump e Epstein refletem a cultura em geral nesse aspecto. Claramente, uma das razões para isso é a internet e os média digitais, particularmente o telemóvel com a sua câmara e mensagens de texto. É também uma razão importante para a comunicação vasta e constante entre Epstein e os seus «amigos», bem como a facilidade com que a chantagem poderia ser efetuada. Isso não é por acaso.

Alguns de nós tivemos a sorte de vivenciar, ainda jovens, a corrupção no âmago do sistema. Penso no grande jornalista  Michael Parenti, falecido recentemente, que por causa de suas opiniões pacifistas, foi excluído da carreira académica, mas que usou essa experiência para se tornar um professor livre para o mundo.

Na minha ingenuidade dos vinte e poucos anos, eu trabalhava à noite na 42ª Delegacia do Bronx, entrevistando detidos nas celas de detenção. Lá, descobri que muitos eram incriminados por polícias à paisana que colocavam drogas neles; que a delegacia tinha um stock de drogas ilegais para esse fim. Pensando que eu era seu aliado, um polícia contou-me isso e disse que «temos que tirar esses malditos bastardos das ruas» (referindo-se aos homens negros e porto-riquenhos). Isso foi quatro ou cinco anos antes de o honesto e corajoso polícia à paisana do Departamento de Polícia de Nova York, Frank Serpico (que mais tarde se tornou meu amigo), ser incriminado por outros polícias e ser baleado no rosto. Alguns anos depois, foi feito sobre ele o filme Serpico, interpretado por Al Pacino.

Há sempre um filme.

Numa escola onde eu lecionava, um homem que ocupava um cargo importante e que eu respeitava, sabendo que eu estava envolvido em atividades contra a guerra, tentou – para meu grande choque – recrutar-me para a Inteligência do Exército. Esses e muitos outros exemplos fizeram-me adotar desde cedo uma postura cética em relação às figuras de autoridade. Estou grato por essas lições iniciais.

Como todas as histórias, o filme de Epstein passa-se dentro de um sistema simbólico cultural mais amplo, que é mítico nas suas dimensões. De que outra forma se pode explicar o ódio quase inerradicável dos americanos por tudo o que é russo? Nos EUA, o grande mito é chamado Sonho Americano, no qual, segundo o falecido George Carlin, é preciso estar adormecido para acreditar, mas que, mesmo assim, existe, embora possa estar a desmoronar-se. Todas as sociedades têm um sistema simbólico desse tipo. Através das suas histórias e símbolos, são transmitidos significados e valores. E as pessoas vivem de histórias, histórias dentro de histórias. Mito significa história.

Durante muitas décadas, temos passado por uma enorme transformação simbólica, na qual a ordem simbólica controladora (do grego: juntar) está a ser substituída pelo seu oposto, uma ordem diabólica (do grego: separar, o diabo, el diablo) com novas histórias para confundir as mentes das pessoas, dissociar as suas personalidades, colocá-las umas contra as outras e criar uma sensação geral de incerteza. Deus contra o diabo.

Todo o poder é, fundamentalmente, poder para negar a mortalidade. Isso é verdade quer se trate do poder do Estado ou da Igreja, quer de grupos secretos como o de Epstein. E é sempre um poder sagrado. Sagrado ou pervertido.

Muitos perguntam por que os super-ricos e poderosos sempre querem mais. É simples. Eles desejam transcender a sua mortalidade humana e tornar-se deuses – imortais. Eles acreditam estupidamente que, se puderem dominar os outros, matar, dominar, violar, alcançar status, tornar-se bilionários, presidentes, magnatas, celebridades, etc., eles viverão de alguma forma numa estranha eternidade. Assim são Epstein e o seu círculo.

Num processo que se estendeu por, pelo menos, cento e cinquenta anos, os nossos sistemas simbólicos culturais/religiosos tradicionais foram radicalmente minados, principalmente pela criação faustiana de Lord Nuke (1). Todas as formas de imortalidade simbólica (teológica, biológica, criativa, natural e experiencial) que antes proporcionavam uma sensação de continuidade foram severamente ameaçadas. Este é o espectro assustador que paira sobre o pano de fundo da vida atual.

O que é a morte? Como derrotá-la ou transcendê-la? Qual é o número do telemóvel de Deus? Rápido. Improvise.

Homens pequenos como Epstein e aqueles que se deixaram capturar voluntariamente na sua teia, todos aqueles desesperados com as mãos nas calças, mentindo descaradamente enquanto iam com Pinóquio e o Cocheiro para a Ilha do Prazer…

Corte!

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Ainda não vimos nada.


    (1) «Lord Nuke» não é um título muito conhecido, mas o autor refere-se, provavelmente, a Nuke (Frank Simpson), um supervilão da Marvel Comics. Ele é um soldado altamente cibernético e aprimorado, com um segundo coração, frequentemente usado pelo governo, conhecido pelas suas elevadas aptidões de combate e que aparece nos quadrinhos do Demolidor.

    (2) Edward Curtin é um escritor — difícil de classificar. O seu novo livro é “At the Lost and Found: Personal & Political Dispatches of Resistance and Hope” (Clarity Press).

    Fonte aqui.

    O lento terremoto de Epstein: A ruptura entre o povo e as elites

    (Alastair Crooke, in S. C. F., 09/02/2026, Trad. Osbarbaros.net)


    Depois de Epstein, nada pode continuar como antes: nem os valores ‘nunca mais’, nem a economia bipolar das disparidades extremas, nem a confiança.


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    Depois de Epstein, nada pode continuar como antes: Nem o ‘do pós-guerra nunca mais’ valoriza – refletindo o sentimento no final de guerras sangrentas – e o anseio generalizado por uma sociedade ‘fairer’; nem a economia bipolar das disparidades extremas de riqueza; nem confiar em – após a venalidade exposta, instituições podres e perversões que os arquivos Epstein demonstraram serem endêmicas entre alguns dos élitas ocidentais.

    Como falar de ‘valores’ neste contexto?

    Em Davos, Mark Carney deixou claro que as regras ‘order’ eram apenas a tawdry Potemkin fachada isso era completamente conhecido como falso, mas a fachada foi mantida. Porquê? Simplesmente porque o engano foi útil. O ‘exigency’ foi a necessidade de esconder o colapso do sistema no niilismo radical e anti-valores. Para esconder a realidade de que os círculos élite – em torno de Epstein – operavam além das limitações morais, legais ou humanas, para decidir entre a paz e a guerra, com base em seus apetites básicos.

    Os élitas entenderam que uma vez que a amoralidade completa dos governantes era conhecida pelo hoi polloi, o Ocidente perderia a arquitetura das histórias morais que ancoram precisamente uma vida ordenada. Se se sabe que o Estabelecimento evita a moralidade, por que alguém deveria se comportar de maneira diferente? O cinismo cairia em cascata. O que então manteria uma nação unida?

    Bem, apenas totalitarismo, muito provavelmente.

    O pós-moderno ‘fall’ no niilismo caiu finalmente em seu inevitável ‘dead end’ (como previsto por Nietzsche em 1888). O paradigma ‘Enlightenment’ finalmente se metamorfoseou em seu oposto: Um mundo sem valores, significado ou propósito (além do autoenriquecimento avarento). Isto implica também o fim do próprio conceito de Verdade que costumava estar no cerne da civilização ocidental, desde Platão.

    O colapso sublinha também as falhas da razão mecânica ocidental: “Este tipo de raciocínio a priori e de círculo fechado teve um efeito muito maior na cultura ocidental do que poderíamos imaginar… Levou à imposição de regras que se acredita serem irrefutáveis, não porque sejam reveladas, mas porque foram comprovado cientificamente e, portanto, não há recurso contra eles”, Aurélio notas.

    Esta forma mecânica de pensar desempenhou um papel importante no terceiro nível do ‘Davos Rupture’ (após o desaparecimento intelectual e o colapso da confiança na liderança). O pensamento mecânico baseado numa visão de mundo pseudocientífica determinista levou a contradições económicas que impediram os economistas ocidentais de verem o que estava debaixo do seu nariz: um sistema económico hiperfinanceiro colocado inteiramente ao serviço dos oligarcas e dos insiders.

    Nenhum fracasso da nossa modelização económica, por maior que seja, “enfraqueceu o domínio semelhante ao vício dos economistas matemáticos sobre as políticas dos governos. O problema tem sido que a Ciência, nesse modo binário de causa e efeito, não conseguia lidar nem com o caos nem com a complexidade do life” (Aurelien). Outras teorias – além da física newtoniana –, como as teorias quânticas ou do caos, foram em grande parte excluídas do nosso modo de pensar.

    O significado de ‘Davos’ – seguido pelas revelações de Epstein – é que o Humpty-Dumpty of Trust caiu da parede e não pode ser montado novamente.

    O que também é evidente é que os círculos de Epstein não se tratavam apenas de indivíduos distorcidos; “O que foi exposto aponta para práticas sistemáticas, organizadas e ritualizadas”. E isso muda tudo, como comentador Lucas Leiroz observa:

    “Redes deste tipo só existem quando são apoiadas por uma profunda protecção institucional. Não há pedofilia ritual, nem tráfico de seres humanos à escala transnacional, nem produção sistemática de material extremo – sem cobertura política, policial, judicial e mediática. Esta é a lógica do power”.

    Epstein emerge da miríade de e-mails como um pedófilo e certamente totalmente imoral, mas também como um ator geopolítico altamente inteligente e sério, cujas percepções políticas foram apreciadas por figuras de alto nível em todo o mundo. Ele foi um mestre-jogador por trás da geopolítica, como Michael Wolff descrito (já em 2018, bem como em correspondência de e-mail recentemente divulgada) na guerra entre o poder judaico e os gentios, também.

    Isto sugere que Epstein era menos uma ferramenta dos Serviços de Inteligência, mas mais seus ‘peer’. Não admira que os líderes tenham procurado a sua empresa (e também por razões extremamente imorais, não podemos deixar de ignorar). E claramente o Estado Profundo (unipartidário) manobrou através dele. E no final, Epstein sabia demais.

    David Rothkopf, ele próprio ex-conselheiro para assuntos políticos nos EUA. Campo democrata, especula sobre o que Epstein significa para a América:

    “[Jovens Americanos] percebem que suas instituições estão falhando com eles, e eles terão que [salvar-se] … você tem dezenas de milhares de pessoas em Minneapolis, dizendo que não se trata mais de questões constitucionais, ou o Estado de direito ou a democracia –, que pode parecer bom –, mas que está distante da pessoa média na cozinha média table”.

    “As pessoas dizem que o Supremo Tribunal não nos vai proteger; O Congresso não vai nos proteger; o Presidente é o inimigo; ele está mobilizando seu próprio exército em nossas cidades. As únicas pessoas que podem nos proteger – são: Nós mesmos”.

    “É ‘os bilionários estúpidos’” [uma referência ao velho amorfismo: ‘É a economia, stupid’] Rothkopf explica:

    “O que estou tentando enfatizar é que – se você não percebe que a igualdade e a impunidade élite são questões centrais para todos, que as pessoas pensam que o sistema está fraudado e não está funcionando para elas… não acredite no americano o sonho é mais real – e que o controle do país foi roubado por um punhado de super-ricos, que não são tributados e ficam cada vez mais ricos – enquanto o resto de nós fica cada vez mais atrás de – [então você não consegue entender o desespero de hoje entre os menores de 35 anos]”.

    Rothkopf está dizendo que o episódio de Davos/Epstein marca a ruptura entre o povo e os estratos dominantes.

    “As sociedades ocidentais enfrentam agora um dilema que não pode ser resolvido através de eleições, comissões parlamentares ou discursos. Como continuar a aceitar a autoridade das instituições que protegeram este nível de horror? Como manter o respeito pelas leis aplicadas seletivamente pelas pessoas que vivem acima delas?”, diz Leiroz.

    A perda de respeito, porém, não vai ao cerne do impasse. Nenhum partido político convencional tem uma resposta ao fracasso da economia ‘kitchen-table’ – a falta de empregos razoavelmente bem remunerados, acesso a serviços médicos, educação e habitação dispendiosas.

    Nenhum partido dominante pode fornecer uma resposta credível a estas questões existenciais porque, durante décadas, a economia foi exactamente ‘rigged’ — estruturalmente reorientada para uma economia financeirizada baseada na dívida, à custa da economia real.

    Exigiria que a actual estrutura de mercado liberal anglo o fosse totalmente desenraizado e substituído por outro. Isso exigiria uma década de reformas – e os oligarcas lutariam abertamente contra isso.

    Idealmente, novos partidos políticos poderiam surgir. Na Europa, contudo, as ‘bridges’ que potencialmente poderiam tirar-nos das nossas profundas contradições estruturais foram deliberadamente destruídas em nome do cordão sanitário projetado para evitar o surgimento de qualquer pensamento político não ‘centrist’.

    Se o protesto não tiver efeito na mudança do status quo, e as eleições permanecerem entre os partidos Tweedle Dee e Dum da ordem existente, os jovens concluirão que ‘ninguém virá para salvar us’ – e poderão concluir no seu desespero que o futuro só pode ser decidido nas ruas.

    Fonte aqui.

    Por favor, entendam que nada será feito em relação aos arquivos de Epstein

    (Caitlin Johnstone, 03/02/2026, Trad. Estátua de Sal)


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    É preciso que você entenda que nada será feito em relação a alguma coisa que vem nos arquivos de Epstein. Nada.

    As pessoas mencionadas nos documentos não sofrerão nenhuma consequência. As instituições responsáveis ​​pelos abusos que você descobriu não mudarão em nada o seu modo de operar. O seu governo não mudará absolutamente nada nas suas políticas e condutas.

    Nada será feito se você votar no partido político adversário. Nada será feito se você eleger novos políticos. Nada será feito se você escrever cartas para os seus senadores e representantes. Nada será feito se você realizar protestos em frente a edifícios do governo.

    Nenhuma lei significativa será aprovada. Nenhuma condenação de qualquer consequência significativa ocorrerá.

    Não acredita em mim? Basta assistir e prestar atenção.

    A estrutura de poder que deu origem aos abusos de Epstein não fará nada a respeito desses abusos. A única coisa que talvez mude é que algumas pessoas podem radicalizar-se contra essa estrutura de poder.

    O único benefício real que pode advir destas divulgações de Epstein, que o público vem exigindo há anos.é que mais algumas pessoas percebam o quão assustadoras e perversas são as pessoas que estão no comando da sociedade.

    Quão assustadores e malignos são o capitalismo e o império ocidental. Quão assustadores e malignos são Israel e o sionismo. Que a sociedade possa conscientizar-se um pouco mais de que vivemos numa distopia que eleva os piores dentre nós a posições de liderança e controle.

    É isso. Essa é a única mudança positiva que pode surgir de tudo isto. Os nossos governantes não farão nada para corrigir os erros, mas o povo pode tornar-se um pouco mais disposto a derrubá-los.

    Essa é a única maneira de a sanidade e a humanidade vencerem essa batalha. Acordando para a realidade, um par de pálpebras de cada vez, e percebendo que a razão pela qual tudo está uma merda é porque vivemos sob um sistema corrupto que eleva pessoas corruptas ao poder, e que não teremos um mundo saudável até abolirmos o sistema corrupto que colocou pessoas corruptas no poder.

    As divulgações dos arquivos de Epstein não mudarão o caráter abusivo do sistema. Mas podem incentivar as pessoas a desmantelá-lo.

    Fonte aqui.