OS "INDECISOS"

(Amadeu Homem, in Facebook, 01/09/2015)

Amadeu Homem

Amadeu Homem

Tenho pouca consideração pelos votantes que, neste momento, se confessam indecisos entre votar por esta Coligação governamental ou contra ela. Admito que em circunstâncias especiais, quando um qualquer governo, no seu mandato, fez coisas boas, assim-assim e más, que um Cidadão, dotado de um quociente intelectual razoável, possa ter dúvidas. Neste caso, tais razões não existem, pura e simplesmente.

Este governo expulsou a juventude, sacrificou o ensino, abastardou e achincalhou a justiça, imolou e condenou à miséria os velhos, fez crescer inimaginavelmente o desemprego, aumentou em milhões a dívida, abastardou a negociação do trabalho, colocou os trabalhadores da Função Pública contra os trabalhadores da Função Privada, vendeu a particulares alguns dos activos mais significativos do Património Público, ignorou olimpicamente os agentes culturais, tentou vender obras de arte que integravam acervos nacionais e fez tábua rasa de TODAS as suas promessas eleitorais.
Que mais é necessário para demover os “indecisos” ?
Claro que haverá sempre numerosos Cidadãos a votarem na Coligação governamental : os que vivem dela ou à sua sombra ; os que imaginam , um dia, poder viver dela ou à sua sombra ; os que dependem de favores, de pressões, de empenhocas ; os “videirinhos” sem coluna vertebral e sem um pingo de dignidade ; os que se habituaram a receber do Poder instalado aquilo que são incapazes de conquistar por méritos próprios. E ainda os que , por debilidade de vontade e de capacidade analítica, estão , quais “patetas das luminárias” , absolutamente rendidos ao circo mediático da caverna do Ali-Babá, que promete para amanhã o Paraíso, depois de ter dado a todos no ontem o Inferno.

Os “indecisos” só podem ser , neste momento, débeis mentais.

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OS “INDECISOS”

(Amadeu Homem, in Facebook, 01/09/2015)

Amadeu Homem

Amadeu Homem

Tenho pouca consideração pelos votantes que, neste momento, se confessam indecisos entre votar por esta Coligação governamental ou contra ela. Admito que em circunstâncias especiais, quando um qualquer governo, no seu mandato, fez coisas boas, assim-assim e más, que um Cidadão, dotado de um quociente intelectual razoável, possa ter dúvidas. Neste caso, tais razões não existem, pura e simplesmente.

Este governo expulsou a juventude, sacrificou o ensino, abastardou e achincalhou a justiça, imolou e condenou à miséria os velhos, fez crescer inimaginavelmente o desemprego, aumentou em milhões a dívida, abastardou a negociação do trabalho, colocou os trabalhadores da Função Pública contra os trabalhadores da Função Privada, vendeu a particulares alguns dos activos mais significativos do Património Público, ignorou olimpicamente os agentes culturais, tentou vender obras de arte que integravam acervos nacionais e fez tábua rasa de TODAS as suas promessas eleitorais.
Que mais é necessário para demover os “indecisos” ?
Claro que haverá sempre numerosos Cidadãos a votarem na Coligação governamental : os que vivem dela ou à sua sombra ; os que imaginam , um dia, poder viver dela ou à sua sombra ; os que dependem de favores, de pressões, de empenhocas ; os “videirinhos” sem coluna vertebral e sem um pingo de dignidade ; os que se habituaram a receber do Poder instalado aquilo que são incapazes de conquistar por méritos próprios. E ainda os que , por debilidade de vontade e de capacidade analítica, estão , quais “patetas das luminárias” , absolutamente rendidos ao circo mediático da caverna do Ali-Babá, que promete para amanhã o Paraíso, depois de ter dado a todos no ontem o Inferno.

Os “indecisos” só podem ser , neste momento, débeis mentais.

LE MOT JUSTE

(Ana Cristina Leonardo, in Expresso, 29/08/2015)

Ana Cristina Leonardo

                Ana Cristina Leonardo

Uma coisa é saber uma coisa, outra coisa é saber o nome dessa coisa. A frase, no original, “I learned very early the difference between knowing the name of something and knowing something” é do Nobel da Física Richard Feynman, uma das personagens mais estimáveis do século XX. De facto — e o exemplo continua a ser do próprio —, podemos saber o nome de um determinado pássaro em todas as línguas do mundo e, ainda assim, não sabermos nada sobre ele. No contexto, Feynman referia-se a processos de aprendizagem. Em “1984”, de George Orwell, o contexto é político e a língua, ou a novilíngua em construção, atira-se aos significados, subvertendo-os, e ao léxico, reduzindo-o. O objetivo é moldar o pensamento (e a realidade) a uma grelha de sentido unívoco, libertando-o de escolhas polissémicas. Já muitos se referiram ao modo como hoje em dia o empobrecimento vocabular, a literalidade interpretativa ou os modismos redutores sugerem uma espécie de novilíngua insidiosa, e contagiosa, que vai tentando adequar o real a um modelo único e conformista. O desaparecimento de palavras como ‘patrão’ ou ‘trabalhador’, o novo significado, por exemplo, de ‘trabalho não remunerado’, que passou a ‘oportunidade’, o termo ‘mercados’, que é dito e escrito à exaustão sem que ninguém saiba com rigor o que significa, os ‘doentes’, que passaram a ‘utentes’, quando não a ‘clientes’, o ‘empobrecimento’, que passou a ‘ajustamento’… E, se quisermos continuar com Orwell e avançar até ao doublethink, que melhores vocábulos do que ‘parcerias público-privadas’, em que os riscos ficam por conta do público e os lucros são privados, ou ‘dívida soberana’, uma contradição óbvia nos termos? Estamos muito longe do mundo real a que se referia Feynman, antes atolados no delírio humano puro e duro. Um exemplo esclarecedor de manipulação da linguagem está a acontecer agora, neste preciso momento, na Europa, 2015. Pois eis senão quando aos que atravessam o Mediterrâneo para o lado de cá (aquele de onde escrevo) se deixou de chamar ‘refugiados’ e se passou a chamar ‘migrantes’.

Refugiado é uma palavra com conotação dramática evidente, por vezes trágica, que em migrante se dilui quase por completo. Refugiado lembra a responsabilidade ocidental no caos, migrante quase só parece da família de ‘piegas’. E de repente ocorre-me “A Trégua”, de Primo Levi, e pergunto-me: trégua é o intervalo entre guerras?