(Por Mounadil al Djazaïri, in Reseau International, 18/02/2026, Trad. Estátua)

A circuncisão é um ato que pode ser realizado por razões seculares, mas é realizado, na maioria das vezes, por razões religiosas, como no Islão e no Judaísmo.
A prática da circuncisão é atualmente objeto de um sério conflito entre Bill White, embaixador dos Estados Unidos em Bruxelas, e o governo belga.
Você, provavelmente, está a interrogar-se como é que um embaixador americano, ou de qualquer outra nacionalidade, pode preocupar-se com a questão da circuncisão no país onde está sediado.
Bem, a questão é que, se a circuncisão é permitida na Bélgica, ela deve ser realizada por um médico ou na presença de um médico.
Ora, as autoridades belgas suspeitaram que três “mohels” judeus, ou seja circuncisadores rituais, realizaram circuncisões sem a presença de um médico, o que levou a buscas nas suas casas, em Antuérpia em maio passado, e a processos judiciais.
As coisas poderiam ter permanecido assim, pelo menos até à decisão do tribunal, mas o embaixador dos EUA em Bruxelas decidiu interferir neste assunto puramente belga, acusando o governo belga, especificamente o Ministro da Saúde Federal, Frank Vandenbroucke, de “antissemitismo e perseguição”. O argumento irrefutável do embaixador é que os mohels realizam atos para os quais ” foram treinados durante milhares de anos“.
Bill White chegou ao ponto de pedir “o fim de qualquer possível processo contra esses três mohels, descrevendo ainda o Ministro Vandenbroucke como ‘muito grosseiro’ “.
A reação das autoridades belgas, por intermédio do seu ministro das Relações Exteriores, foi muito forte perante esta flagrante interferência num assunto interno que até está nas mãos do sistema judiciário.
Mas, como de costume, este ministro caiu na armadilha de defender o seu governo e o seu país contra qualquer cumplicidade com o antissemitismo, em vez de simplesmente rejeitar a interferência do diplomata americano que, assim como outros embaixadores nomeados por Donald Trump, não é um diplomata de carreira, mas sim um empresário.
O embaixador dos EUA foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores da Bélgica. Ao contrário de seu homólogo, o embaixador na França, ele respondeu à convocação do ministro belga, onde foi interpelado, entre outras coisas, com o seguinte:
“Ataques pessoais contra um membro do governo belga e qualquer interferência nos assuntos internos da Bélgica constituem uma violação das regras diplomáticas essenciais”.
Isso não terá mudado nada na forma como o embaixador vê as coisas, mas pelo menos o recado ter-lhe-á sido dado.
As acusações de antissemitismo contra a Bélgica, contra o seu governo ou os seus cidadãos (é difícil saber) foram prolongadas pelo ministro das Relações Exteriores da entidade sionista, Gideon Sa’ar, que se comporta como se seu Estado representasse uma autoridade moral judaica e como se os súbditos judeus do Reino da Bélgica fossem governados pelo seu governo. (Ver imagem abaixo).

Desejo boa sorte aos judeus belgas nos seus esforços para entender se estão sob a responsabilidade do governo belga, do governo dos Estados Unidos ou da entidade sionista.
Fonte aqui
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