Mentes tu, ou minto eu?

(In Blog Um Jeito Manso, 12/10/2024)


Sobre Montenegro, ele mesmo, e ministros e todos os comentadores virem para as televisões acusar André Ventura de estar a mentir, tenho a dizer que, neste caso em concreto, não estou certa de que o mentiroso seja o presidente do Chega e não o do PSD…


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Ventura refere pormenores, dá datas, horas, locais, diz quem é que pode testemunhar a veracidade do que diz, relata o que Montenegro disse, nomeadamente a forma desagradável como se referia a Pedro Nuno Santos ou a sugestão para que Ventura saísse de S. Bento pela porta das traseiras. 

Por muito questionável que seja o comportamento usual de Ventura, tenho muitas dúvidas que fosse capaz de inventar uma coisa destas, olhos nos olhos, de frente para as câmaras, com tanto pormenor e com informações que, se não forem verdadeiras, facilmente poderiam ser desmentidas (como Ventura refere, tem no seu telemóvel os telefonemas recebidos da parte de Montenegro ou do seu Chefe de Gabinete, e há todo o staff de S. Bento que pode confirmar a presença de Ventura nas datas que ele refere.

E depois há outra coisa: não é Montenegro também useiro e vezeiro a faltar à verdade? E a fazê-lo com o maior descaramento? Não foi ele que veio apregoar um colossal choque fiscal que, afinal, não era nada daquilo? E quantas vezes já o apanhámos a jogar com as palavras para parecer que não disse o que todos dissemos? E não se aproveitou, à socapa e pela calada, os bons resultados da governação socialista? E não permitiu ele que o seu Sarmento Pança viesse dizer mentiras a propósito das contas públicas? 

Poder-se-á dizer que Ventura é um populista compulsivo, que sabe cavalgar a onda do medo tão fácil de instilar nos menos informados, que é capaz de dar o dito por não dito para se manter sob a luz dos holofotes, que parece que tem por intuito rebentar com o regime. 

Mas a ser verdade o que agora diz, se de facto se provar que Montenegro se portou de forma pouco séria, que é um mentiroso descarado, não vem isso reforçar o que já se vem percebendo na conduta do Primeiro-Ministro? E pode ter-se um Primeiro-Ministro em que não se pode confiar? 

Pela parte que me toca, acho muito desagradável.

Talvez o mentiroso, seja ele qual for, esteja bem para o tal outro que tinha reuniões com um jornalista, relatava jantares, confidenciando o que um e outro tinham dito, chegava até ao pormenor de dizer o que se tinha comido, uma bela vichyssoise… e, afinal, era tudo mentira, aquele jantar nem sequer tinha acontecido.

Fonte aqui.


Ucrânia acumula perdas de território e está cercada pela Rússia no Donbass

(Juan Pablo Duch, In Diálogos do Sul, 11-10-2024)


Os avanços da Rússia são lentos, mas constantes, e é apenas uma questão de tempo para que a Ucrânia seja expulsa de mais áreas sob seu controle.


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No decorrer deste ano, exceto por sua incursão surpresa no início de agosto passado na região russa de Kursk, onde permanece até hoje, o exército da Ucrânia, em linhas gerais, conseguiu manter suas posições ao longo dos 1.200 km da linha da frente de combates, ao mesmo tempo em que, na parte de Donetsk sob seu controle – equivalente a dois terços de sua extensão quando começou o conflito há dois anos e meio –, vem, sobretudo nos dois últimos meses, perdendo território diante dos ataques das tropas russas, cujos avanços são lentos, mas constantes.

Nesse contexto, surge a pergunta inevitável: a Ucrânia está perdendo a guerra? Aqueles que respondem afirmativamente – em primeiro lugar os blogueiros-Z, como são chamados os promotores da campanha militar russa na Ucrânia, usando o distintivo do exército russo, a última letra do alfabeto latino – enumeram que, desde janeiro e levando em conta as localidades vistas como bastiões das tropas ucranianas, Kiev perdeu Marinka, depois Avdiivka e, mais recentemente, Vuhledar.

Isso faz com que a discussão nas redes sociais, entre os partidários da operação militar especial lançada pelo Kremlin em fevereiro de 2022, se concentre em acertar qual será a próxima praça ucraniana a cair, considerando que esta é uma tendência irreversível, embora ninguém possa prever quando Pokrovsk, aparentemente o objetivo mais cobiçado nos últimos tempos, será acrescentada à lista de conquistas russas.

Exército ucraniano sob cerco no Donbass

Além de Pokrovsk, a lista de lugares de relativa importância estratégica para a Ucrânia é longa. O exército ucraniano está sob cerco no Donbass (Donetsk e Lugansk), embora o exército russo, com superioridade de efetivos e armamento de pelo menos 3 para 1, não esteja em condições de iniciar uma ofensiva simultânea. Em vez disso, ataca separadamente e de forma indistinta Konstiantinovka, Dobropolie, Selidovo, Kurakhovo, Velika Novosilka, Chasiv Yar e Toretsk, entre outros, segundo se depreende dos comunicados oficiais do comando militar russo.

As cidades e povoados mencionados – explicam especialistas como Yuri FiodorovRuslan LeviyevYan Matveyev e Valeri Shiriayev, com base no acompanhamento diário dos campos de batalha – são parte dos distintos níveis de defesa que a Rússia teria que superar, e depois expor suas tropas a percorrer dezenas de quilômetros em campo aberto, à mercê dos drones e da artilharia inimiga, antes de poder se aproximar da zona mais fortificada de Donetsk, que é a grande aglomeração urbana de Kramatorsk e Sloviansk, com sua ramificada periferia industrial.

Em outras palavras, para alcançar a meta fixada pelo presidente Vladimir Putin de libertar toda a área administrativa que Donetsk e Lugansk tinham como parte da Ucrânia em 1991, após o colapso soviético, o exército russo – que nos últimos dois meses ocupou 699 quilômetros quadrados nessa região – precisaria expulsar as tropas ucranianas de mais 10.359 km² segundo Pasi Paroinen, analista do Black Bird Group, da Finlândia, que se dedica a interpretar dados e imagens geolocalizadas de fontes abertas.

Estratégia de desgaste

Muitos observadores independentes se perguntam por que o governo de Volodymir Zelensky insiste em manter suas tropas em Kursk, o que não faz sentido militar, além de constranger o Kremlin enquanto não consegue expulsá-las. Ao mesmo tempo, Kiev se apega à defesa de bastiões até que sejam reduzidos a ruínas pelo fogo da artilharia e das bombas guiadas da aviação russa.

A resposta foi dada recentemente por Kiev em reportagem do The New York Times, diretamente da capital da Ucrânia, que cita militares do país envolvidos na defesa de Vuhledar. Segundo eles, faz parte de uma estratégia para desgastar o exército russo, causando-lhe o máximo possível de perdas em pessoal e equipamento. Por esse motivo, dizem, seguem até o limite e só abandonam um local quando o risco de serem cercados é iminente.

Um membro do Instituto de Estudos Estratégicos, vinculado ao governo ucraniano, Mykola Bielieskov, dá a entender que a estratégia é “trocar território por perdas russas”. Kiev confia que, mais adiante, poderá recuperar o território cedido e também que a temporada de chuvas do outono vai transformar o terreno em lama intransitável, retardando os ataques russos, enquanto chegam as novas remessas de armamento prometidas pelos Estados Unidos e seus aliados.

Fonte aqui.

O mistério (deslindado) do massacre da praça Maidan

(José Catarino Soares, in A Tertúlia Orwelliana, 09/10/2024) 

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Quando pensamos nos romances e contos policiais de Arthur Conan Doyle (1859-1930) é impossível não mencionar O Mistério do Silver Blaze.

Este conto [1] transporta o leitor para um mundo de intriga, onde a perspicácia do detective Sherlock Holmes (acompanhado pelo seu fiel amigo, o dr. Watson) brilha intensamente. A trama gira em torno do desaparecimento de Silver Blaze [Labareda Prateada], um cavalo de corridas famoso pelas suas vitórias, e o aparente assassinato do seu treinador, John Straker.

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