O negócio que saiu caro

(In Contigo Venezuela, in Facebook, 16/03/2026, Trad. Estátua)


O amargo “presente” da Rússia que a Índia viu chegar, após seguir as ordens de Washington.


No grande tabuleiro do xadrez mundial, há jogadas que parecem de mestre e há outras que acabam por servir como lições extremamente caras. A Índia acaba de aprender uma das mais difíceis: na geopolítica, quem duvida paga.

O que aconteceu com o petróleo entre Nova Deli, Washington e Moscovo não é apenas uma transação comercial; é um manual de como se perde a vantagem estratégica num abrir e fechar de olhos.

A Índia desfrutou de uma posição invejável. Enquanto o mundo sofria com os altos preços do petróleo bruto, Modi conseguiu comprar petróleo russo com descontos históricos. Era o negócio do século. Índia, parceiro do BRICS, parecia ter o melhor dos dois mundos… até o telefone – uma chamada de Washington -, tocar.

Os EUA intervieram com instruções claras: “Parem de comprar petróleo à Rússia e procurem outros fornecedores (como a Venezuela)“. Num movimento que muitos críticos classificam como uma entrega da sua soberania, a Índia concordou. Reduziram as suas compras ao aliado do BRICS para agradar ao G7.

Após se ter desencadeado a atual crise energética global e o caos nos mercados, os EUA – os mesmos que proibiram as compra -, deram uma reviravolta de 180 graus: “Tudo bem, Índia, vocês podem comprar petróleo russo novamente, mas só por 30 dias“. Uma “autorização” que soa mais a uma piada do que a uma concessão.

E aqui é onde a intriga se torna numa chapada de realidade. Quando a Índia voltou a bater à porta da Rússia, a resposta foi gelada: “Venderemos, mas agora a preços de mercado e sem os descontos anteriores“. A Rússia não perdoa a falta de lealdade em momentos críticos. O “amigo” que saiu sob pressão agora volta como um cliente desesperado, e Moscovo sabe disso.

A Índia sacrificou a sua autonomia energética e os seus descontos privilegiados para seguir um roteiro ditado do exterior acabando, meses depois, por lhe ser dito que podia sempre comprar, mas já sem os benefícios de ser um “parceiro preferencial“.

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Sem Druzhba não há milhões – sem petróleo não há ilusões

(João Gomes, in Facebook, 16/03/2026)


Enquanto os ministros europeus discutem em Bruxelas sobre como salvar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, Zelensky enfrenta o dilema de um oleoduto soviético chamado Druzhba pipeline. Um tubo de ferro que, ironicamente, define o futuro de milhões de europeus muito mais do que qualquer debate em comissões ou cimeiras.

Zelensky, entre um sorriso diplomático e uma declaração aos jornalistas, recorda a todos que “está a ser forçado a reativar o Druzhba”, como se estivesse a negociar não petróleo, mas princípios morais no menu do café. A Hungria de Orbán observa do lado eleitoral, e a Eslo­váquia acena com inspeções externas, como se a burocracia pudesse tapar um buraco no fornecimento de energia.

Do outro lado, a União Europeia mantém a pose: sanções contra Rússia até 2028 e uma convicção inabalável de que, se não ceder, será moralmente superior. O problema é que, sem o Druzhba, o moral europeu sobe, mas os preços da energia também. E se a teimosia de Zelensky e de Bruxelas se mantiver, a economia do continente poderá começar a tremer antes de os tanques russos sequer respirarem na frente ucraniana.

O resultado, já visível: os cidadãos olham para os termómetros, as contas da luz e os preços do combustível, percebendo que sem petróleo não há ilusões; há apenas faturas a chegar e fábricas a reduzir produção. Enquanto isso, o drama político transforma-se numa espécie de teatro de marionetas, onde cada ator finge ter um plano e todos sabem que ninguém quer ceder.

Ironia: Zelenskyy quer manter a moral e as sanções intactas, Orbán quer votos e segurança energética imediata, e a UE? Bem, a União Europeia continua a produzir cimeiras, relatórios e declarações diplomáticas. E, nesse meio tempo, os milhões que dependem do fornecimento russo aguardam pacientemente, pagando em euros ou em ilusões.

No fim, fica claro que sem Druzhba não há milhões – sem petróleo, não há ilusões. E talvez seja isso o único consenso que Bruxelas e Kiev conseguem alcançar: uma lição amarga de geopolítica aplicada à vida real.

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Quando Portugal dominou o estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico

(In À Descoberta de Portugal, canal do YouTube, 13/03/2026)


(Este artigo é muito interessante. Parece que já fizemos aquilo que o Irão está hoje a fazer: controlar o estreito de Ormuz.

É ler, ver o vídeo e reflectir sobre as lições da História.

Estátua de Sal, 16/03/2026)


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Hoje, o mundo fala diariamente do Estreito de Ormuz. A instabilidade no Médio Oriente e o conflito envolvendo o Irão voltaram a colocar este estreito no centro da geopolítica internacional. Por aqui, passa uma parte significativa do petróleo transportado por via marítima no planeta, e qualquer ameaça à navegação nesta passagem estratégica tem impacto imediato na economia mundial.

Mas poucos sabem que, há cerca de cinco séculos, este mesmo estreito esteve sob o controlo de uma pequena potência europeia.

Durante mais de um século, entre 1515 e 1622, Portugal dominou Ormuz, controlando a entrada do Golfo Pérsico e uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.

Neste vídeo exploramos a história da presença portuguesa em Ormuz:

– a chegada de Afonso de Albuquerque ao Golfo Pérsico

– a construção da fortaleza portuguesa na ilha

– o papel de Ormuz no comércio do Oceano Índico

– a vida dos portugueses naquele ambiente extremamente árido

– e o dramático cerco que levou à queda da cidade em 1622.

Numa pequena ilha quase sem água e exposta a um calor extremo, soldados, mercadores e administradores portugueses viveram durante décadas guardando uma das portas do comércio mundial.

Uma história fascinante do Império Português no Oriente, que liga diretamente o passado da expansão marítima portuguesa à importância estratégica que o Estreito de Ormuz continua a ter hoje.

Consulte a bibliografia utilizada na preparação deste vídeo aqui