Reflexão sobre a Guerra na Ucrânia (2)

( José Manuel Neto Simões, in Diário de Notícias, 20/02/2025)

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(Tendo a primeira parte do ensaio suscitado aqui um debate intenso sob a forma de comentários, segue-se a a segunda parte. Serão 6 partes, e só no fim ficarão visíveis (ou não) as omissões do autor. E tenha-se em atenção a data em que os textos foram escritos e publicados.

Parte 1 aqui.

Estátua de Sal, 21/10/2025)


A encruzilhada e os dilemas

O mundo está numa grave encruzilhada com o confronto geopolítico entre a Rússia e o Ocidente, utilizando a Ucrânia como palco da disputa de interesses, geoestratégicos, geoeconómicos e energéticos. Uma longa guerra impossível de vencer, ligada à conflitualidade disruptiva do Médio Oriente, onde se projeta as novas dinâmicas de poder de múltiplos atores globais. 

Por sua vez, a Ucrânia também tem estado numa encruzilhada multicultural, dividida entre a Europa e os laços históricos, culturais, económicos e até políticos com a Rússia. Os ucranianos veem seu futuro na UE, apesar do país ainda não cumprir os critérios de adesão. O conflito é também visto como parte da rivalidade geopolítica das grandes potências em perigosa deriva de soluções condenadas pela história.

O maior país com território exclusivamente europeu e importantes recursos naturais é um dos “estados-tampão” do espaço de influência geopolítica da Rússia, que a doutrina Primakov considera vital na fronteira de interesses para a sua segurança nacional. E é um pivô geoestratégico para os EUA pela localização do Mar Negro entre a Europa e a Ásia, no âmbito da negação da frota russa ao Mediterrâneo. 

Brzezinskiincentivava os EUA a dominarem a Eurásia com base na teoria do Heartland de Mackinder, mantendo a Ucrânia longe da Rússia. E foi profético em relação à crise na Ucrânia. Na linguagem geopolítica esses estados, entre duas potências, devem manter a neutralidade para garantir o equilíbrio estratégico. 

Contudo, os conceitos de fronteiras de segurança e fronteiras de interesses foram desvalorizados numa depreciação cínica das preocupações securitárias russas. Preocupações seletivas como se constata em outras geografias. A este propósito, Angela Stent que é muito critica de Putin, sublinha serem tão legítimos os interesses da Rússia quanto os do Ocidente e tem direito a uma esfera de interesses privilegiados. Aliás, como os EUA, cuja doutrina Monroe ainda não foi revogada como se viu com as intensões expansionistas de Trump.

Convém sinalizar, que o cientista político Mearsheimer foi apoucado pelos falsos moralistas, quando analisou as causas que levaram Putin – subestimado pelos EUA e UE -a desencadear uma guerra preventiva para manter a Ucrânia afastada da esfera de influência do Ocidente, tendo em conta as preocupações securitárias. 

A sucessão de erros de avaliação estratégica, refletiu-se na rejeição da abordagem racional dos EUA/NATO na gestão do dilema de segurança relativo à deficiente percepção das ameaças, do risco e paradoxos de segurança com falência do instrumento político-diplomático. Houve, de facto, avanço contínuo da NATO, apesar de garantias em contrário, como revelam documentos desclassificados “cascata de garantias”. O insuspeitoKennan, alertava que o erro fatídico da expansão da NATO para Leste conduzia à agressão da Rússia.

A política hostil em relação à Rússia não só a tornou inimiga dos EUA e aliados, mas também a levou para os braços da China com novos alinhamentos geopolíticos a desafiar a atual ordem mundial. Henry Kissinger dizia que diabolizar Putin e a Rússia revelava o fracasso da estratégia ocidental, tendo também alertado que os EUA deviam evitar a aliança entre a Rússia e a China. E o mesmo Kennan, referia, que a Rússia devia ser contida, sem ser excluída, como acabou por acontecer em relação à segurança europeia.

A deriva da Ucrânia para o Ocidente remonta às “revoluções coloridas”. A UE atraiu a Ucrânia para a sua esfera de influência através de um acordo de associação, em 2007, depois do regime ucraniano ter considerado a adesão à União Económica Eurasiática, promovida pela Rússia. Além disso, a Ucrânia recebeu um convite para integrar a NATO na Cimeira de Bucareste em 2008, tendo sido iniciado muito antes um Plano de Acção (2002), sem à data a Ucrânia abdicar da neutralidade, prevista na Declaração de soberania (1990) e na Constituição. Esta situação provocou profundas divergências na UE com forte impacto das relações entre a Rússia e Ucrânia.

Aquela condição imposta à Ucrânia para aderir à NATO impunha denunciar o Acordo de Kharkiv, entre a Ucrânia e a Rússia (2010) ratificado pelos Parlamentos. Esse Acordo vinha no seguimento do Tratado da frota do Mar Negro assinado em 1997entre Rússia e Ucrânia. Afinal quem violou o Direito Internacional?

Na opinião pública por desconhecimento ou incúria não são debatidos os factos ocorridos antes da anexação da Crimeia e as motivações relacionadas com a guerra civil no Donbass, que também estão na origem do conflito. A liderança russa nunca aceitou a mudança de regime e um governo hostil em Kiev, que impusesse a retirada da sua frota de Sebastopol e, consequentemente, do acesso ao Mar Negro e ao Mediterrâneo. 

Nas manifestações do Euromaidan promovidas com o apoio dos EUA e UE, estiveram muito activos o senador John McCain, o embaixador Geoffrey Pyatt e a subsecretária de Estado Vitoria Nuland. Os protestos geraram manifestações violentas, cuja investigação Ivan Katchanovski prova o envolvimento directo da extrema-direita ucraniana, que conduziu a um golpe de estado derrubando o presidente Viktor Yanukovych por ser pró-russo. Porém, os observadores (OSCE) atestaram a eleição justa e sem fraude e demonstração de democracia.

Convém dar nota, que as diferentes narrativas do massacre de Maidan e da mudança de regime na Ucrânia alimentaram a “agenda própria dos EUA contra a Rússia”, assumida pelo ex-director da CIA Leon Panetta. E complicaram a resolução pacífica dos conflitos na Crimeia, da guerra civil no Donbas. 

Entre as diversas fases dos conflito importa destacar o período conturbado da presidência de Zelensky, entre 2019 e 2021, com aumento das tensões com Moscovo, provocado pelos seguintes factos: não cumpriu a promessa de renegociar os Acordos de Minsk por pressão da ala militar com ligações à extrema-direita; ilegalizou partidos de esquerda. E promulgou decretos polémicos: supressão da língua russa e drones para atacar o Donbass. A UE manteve o silêncio cúmplice perante os atropelos à democracia e as purgas em Kiev.

É, pois, legitimo concluir que a complexa combinação de factores e manifesta incapacidade das lideranças ocidentais em lidarem com a Rússia como é, e não como gostariam que fosse, conduziu à encruzilhada em que se encontra a Ucrânia e a Europa. Isto aconteceu, porque a Europa tem sido a extensão do domínio dos EUA assente na sua política externa com base na doutrina da primazia global do excepcionalismo, que influenciou o quadro mental dos presidentes americanos desde a Guerra Fria. 

Biden é acusado de transformar o conflito na Ucrânia numa guerra de procuração, que pode “escalar para um conflito nuclear” ou guerra mundial, usando os ucranianos para enfraquecer e derrotar a Rússia. A fantasia dos que têm alimentado falsas expectativas à Ucrânia, que foi enganada ao abdicar do seu arsenal nuclear, pelos mesmos que a incentivaram a continuar a guerra com “as long as it takes. Zelensky corre contra o tempo que o tempo não tem, favorável a Putin que continua a explorar as fragilidades e desafiar o Ocidente.

A situação para a Ucrânia é terrível ao nível político-diplomático, estratégico e operacional, tendo perdido seis vezes mais território que em 2023. As suas forças armadas estão exauridas com uma nítida fadiga de guerra e até indiferença e falta de coesão dos governos ocidentais. O actual impasse pode conduzir a negociações ou ainda evoluir para o dilema estratégico de uma guerra existencial impossível de vencer entre os EUA que querem o fim da guerra, a Ucrânia apoiada pela Europa não aceita a derrota e a Rússia que não pode perder. 

Isto é, a Europa tem de pagar um preço muito elevado à Rússia pela invasão, mas sem a encurralar num perigoso beco sem saída, que o leve Putin à escalada. Talvez, por isso, alguns líderes europeus refiram que o conflito está a assumir proporções dramáticas e que se aproxima o desconhecido. O imprevisto espreita!

Em síntese, a tragédia ucraniana é o resultado da intensa disputa geopolítica entre a Rússia e o Ocidente. E traduz a forma negligente e ostensiva como os beligerantes e as coligações que os apoiam encaram as dimensões política, doutrinária, estratégica, informacional, legal e ética. 

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O Zé derrotado que não quer a paz

(Maria Manuela, in Facebook, 21/10/2025, Revisão da Estátua)

A marioneta

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O Zé derrotado diz que “não troca território por paz”. O mesmo sacana que trocou o seu país por uma guerra a qual não pode ganhar.

Esta é a TRAGÉDIA que nenhum órgão de comunicação social ocidental terá a coragem de admitir.

Se o Zé corrupto REALMENTE se interessasse com a soberania da Ucrânia, teria honrado o ACORDO DE MINSK II, o qual em 2015, garantia a paz dentro das fronteiras de 1991.

Contudo, o Zé drogado, instigado pelo seu corruptor, a NATO dos EUA, fez tábua rasa do acordo e iniciou uma política de desrespeito e homicídio da população russófona da Ucrânia.

De novo, em Istambul, em 2022,  Federação Russa e a Ucrânia estiveram A MOMENTOS de assinar um Acordo, o qual teria mantido a Ucrânia intacta após a cedência de autonomia ao Donbass e de reconhecimento da integração da Crimeia na Federação Russa. Boris Johnson, o repugnante servente do ocidente, apareceu e relembrou ao Zé corrupto quem mandava, ordenando-lhe que “continuasse a guerra até ao último ucraniano”.

Sempre que se vislumbra uma hipótese de acordar a paz, Londres aparece para garantir que não chegue a bom porto.

Sempre que surge uma hipótese de negociações, o Zé corrupto cumpre o seu papel de lacaio pago, e afasta-a não fazendo as cedências a que as condições da guerra obrigam.

A “elite europeia” NÃO QUER PAZ. A sua sobrevivência política está a cima da derrocada das suas economias ou da degradação social das suas populações, ou do EXTERMÍNIO dos ucranianos.

O Zé drogado teve TODAS AS HIPÓTESES de dizer NÃO. De dizer aos seus patrões que NÃO SACRIFICAVA o povo ucraniano por uma GUERRA DE PROCURAÇÃO da NATO.

Mas NUNCA O FEZ.

Então, o mapa da Ucrânia continua a diminuir enquanto os cemitérios continuam a crescer, e o homem que foi eleito por “prometer paz” governa agora os DESTROÇOS de uma nação que ELE ESCOLHEU TRAIR.

Reflexão sobre a Guerra na Ucrânia (1)

( José Manuel Neto Simões, in Diário de Notícias, 13/02/2025)

Refletindo sobre a guerra – Imagem gerada por IA

(Este é o primeiro de 6 textos que constituem um ensaio sobre a Guerra na Ucrânia. Um trabalho sério que trancende ambos os consabidos maniqueísmos quanto à justeza dos contendores: de um lado diz-se que houve um invasor e um invadido; do outro lado que houve um provocador e um provocado. Na verdade, são duas simplificações adequadas para os coros das claques das ambas as partes.

Estátua de Sal, 20/10/2025)


Caracterização do conflito

Este é o primeiro texto de um ensaio sobre a guerra na Ucrânia com uma reflexão critica e análise integrada – ferramentas do Intelligence- que procura ultrapassar as simplificações maniqueístas e minimizar o efeito das percepções inerente à “guerra de informação” dos conflitos, que alimentam a infobesidade mediática. E que vai além do campo de batalha não sendo possível abraçar o pensamento imposto dos detentores das verdades.

A lógica empregue pelas partes em conflito e a indústria da propaganda dos oráculos de sabedoria são uma perversão da “nobre mentira” como dizia Platão. Enquanto em Moscovo há omissão e desinformação, Washington procura, de forma subtil, influenciar as mentes, através de campanhas que impõem, por vezes, uma realidade apoiada por operações de informação e psicológicas clandestinas. Com efeito, há discursos que padronizam a opinião e disciplinam os alinhamentos sobre a guerra que está a destruir a Ucrânia.

A maior guerra, desde 1945, tem a sua génese no fim da Guerra Fria mal resolvido e resulta de uma longa crise de segurança na Europa, que envolve também a NATO, devido às péssimas opções de política externa dos EUA, à frágil política de defesa da UE e às imponderadas lideranças. Os EUA retiraram em fuga desordenada de Cabul, porque o aparelho militar do Afeganistão era necessário na Ucrânia.

As suas origens mais profundas, em rigor, são anteriores à chegada de Putin ao poder. Um conflito multidimensional com motivações existenciais e ondas de choque a nível internacional, tendo sido destruído um dos pilares do equilíbrio das potências nucleares ancorado no Tratado de Budapeste, violado com a inaceitável cumplicidade das potências que o subscreveram.

Esta guerra é uma aberração perigosa que podia ter sido evitada e representa um caso clássico de guerra por procuração, sendo crucial ter presente que o slogan “injustificada e não provocada” foi utilizado à exaustão como pilar da estratégia de comunicação dos EUA. Uma campanha sustentada em queixas -injustificadas na perspectiva do Ocidente-, que o Kremlin viu como provocação para iniciar a guerra contra a Ucrânia.

Há uma evidente ligação entre a invasão da Ucrânia e as condições do passado que ajudam a explicar a complexidade do conflito. E fazer um exercício racional para perceber as teses relativas às causas, com origem em múltiplas dimensões, que se interligam designadamente histórica, cultural, étnica, linguística, religiosa, geoestratégica, geoeconómica e energética. É inegável que há um invasor e nada justifica a violação do Direito Internacional. No entanto, não podemos ignorar a responsabilidade dos EUA/NATO e UE no conflito.

Para Moscovo a intervenção militar na Ucrânia é um desígnio identitário da defesa da comunidade Russkiy mir de milhões de russos deslocalizados com a implosão da União Soviética, cuja rutura cultural e etnolinguística não foi absorvida nos países do espaço pós-soviético. A complexidade da sociedade ucraniana, com divisões culturais e lealdades políticas fragmentadas, foram exploradas pelos projectos nacionalistas concorrentes.

reportagem revela a ampla parceria de Kiev com a CIA, que culminou com a instalação de um governo pró-ocidental na Ucrânia e mostra como Washington alimentou os receios de Moscovo. Complementando, a Newsweek detalha as operações clandestinas e abordagem incoerente dos EUA, que associado ao relatório de 2009 esclarecem o nível de manipulação na política interna ucraniana que viola a Carta da ONU.

A guerra evitável revela enormes desafios geopolíticos e fortes pressões sobre a segurança internacional e regional na Eurásia. E expõe a péssima gestão dos EUA/NATO do dilema de segurança relacionado com a instalação do sistema de mísseis balísticos (Aegis) no leste europeu e com a expansão da NATO até às fronteiras de segurança e fronteira de interesses da Rússia. Eisenhower alertou que, sem a retirada dos EUA da Europa, a NATO enfrentaria o risco de fracasso. Além disso, a democratização, vista pelo Ocidente como uma oportunidade geopolítica, é encarada pelo regime russo como uma ameaça direta.

A invasão da Ucrânia revela ainda o fracasso da estratégia de dissuasão ocidental. E a impotência do Ocidente para lidar com o conflito não é por ausência de capacidade militar ou económica. Reside em erros de avaliação estratégica e vários factores interligados: o envolvimento das maires potências nucleares; a fragilidade da defesa europeia; o deficiente diálogo estratégico; as dissensões nas lideranças políticas e a estratégia de comunicação incoerente. A questão difícil, nesta guerra insana, é como travar a escalada e encontrar o caminho da paz duradoura, que não seja a rendição da Ucrânia.

Importa sublinhar, que as regras da ordem liberal têm sido defendidas com hipocrisia e argumentação moral pervertida, consoante os interesses das grandes potências! Na verdade, já tinham sido violadas no ataque da NATO à Jugoslávia, sem mandato da ONU, que revelou não ser uma aliança defensiva assinalando o início do colapso da ordem internacional consumado em 2022. O Ocidente fragilizado deu argumentos à liderança russa.

Pela lente de Moscovo e da Igreja Ortodoxa, a Rússia não faz sentido sem a Ucrânia. Esta dimensão religiosa-ideológica é crucial para avaliarmos as motivações de Moscovo numa guerra que consideram existencial. E há ainda um carácter civilizacional na recuperação da esfera de influência, que visa recuperar o estatuto internacional. Os impérios nunca caem em silêncio e as potências derrotadas desenvolvem o revanchismo.

Na realidade, os documentos estratégicos e discursos de Putin enfatizam a necessidade do estatuto de grande potência, que na sua perspectiva foi humilhada pelo Ocidente. E a tentativa de recriar uma nova Rússia imperial reflecte o ressentimento russo à implosão soviética.

Assistimos, há duas décadas, ao confronto geopolítico pelo domínio da Eurásia por duas vias antagónicas – o atlantismo e o eurasianismo -, através de áreas de influência entre a Rússia e os EUA e pela reemergência da Rússia como potência eurasiática. A aproximação da NATO à Ucrânia e tentativa de negação ao Mar Negro, regiões estratégicas para a Rússia, agravaram os conflitos de interesses, ignorando alertas de reputados cientistas políticos, investigadores e historiadores.

Neste contexto, o confronto reflecte a disputa pelo reordenamento no antigo espaço soviético – a Rússia prossegue e o Ocidente contesta –, desafiando a ordem euro-atlântica estabelecida com o fim da hegemonia soviética sobre a Europa de Leste. O erro histórico residiu em ignorar a Rússia enquanto potência que se quer afirmar e a geografia lhe confere, mantendo a independência estratégica nuclear que limita o poder de Washington com a Europa resignada como palco preferencial das disputas entre as grandes potencias.

A guerra na Ucrânia é uma tragédia evitável que resultou de sucessivos erros de avaliação estratégica e dividiu lideranças dos EUA e europeias, com sério impacto na estabilidade europeia e global. E de sistemáticos bloqueios ao funcionamento da diplomacia. Os inúmeros avisos sobre os riscos da arrogância em relação à Rússia e da expansão da NATO, foram ignorados, tendo Fiona Hill alertado para acção militar russa preventiva.

A intervenção dos EUA e aliados na Ucrânia não pode ser dissociada das acções indirectas, que duram há duas décadas, desde a mudança de regime em Kiev à ajuda militar controlada com restrição gradual do uso do armamento. A forma como tem sido assegurado a ajuda pode ser considerada uma estratégia com táticas de salame. Isto é, um método de alcançar objectivos estratégicos com factos consumados, expandindo a influência através de acções calibradas para punir, mas evitar uma escalada maior.

As indecisões e debates com retórica incoerente, a falta de coesão entre aliados -em tempos tão apregoada- e a fragmentação política estão na origem da ausência de uma estratégia única da coligação internacional para a ajuda militar à Ucrânia, que enfraqueceu a eficácia. Isto acontece entre outros factores, porque há percepções divergentes sobre a ameaça em relação à Rússia e se a Ucrânia pode prevalecer.

Em síntese, o conflito é definidor das relações entre todos os actores do espaço euro-atlântico, numa nova (des) ordem mundial entre blocos assimétricos, constituindo o mais importante desafio estratégico das últimas décadas, cuja resposta só poderá ser político-diplomática.

Fonte aqui

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