SÃO TODOS IGUAIS…

(Joaquim Vassalo Abreu, 04/07/2017)

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Ou “O Governo da Quadratura do Mal e da Sombra do Círculo do Eixo”, mais o Miguel de Sousa Tavares ainda

– Que São todos iguais”, diz a maior parte dos comentadores deste “governo da quadratura do mal e da sombra do círculo do eixo”, mais ainda o Miguel de Sousa Tavares, todos do alto da sua sobranceria e irrepreensível rigor.

A Clara, de cima da sua menelha oxigenada, às vezes acinzentada, outras preta às riscas, mas sempre rigorosamente penteada, lugar onde esconde o cérebro, sentencia dos Autarcas: “São todos iguais”. Iguais a quê, a quem e como? Não diz. Diz só que “são todos iguais” e fala então de um tal Hermínio, igual a um tal Valentim, igual por seu turno a um outro Isaltino, também igual a outros assim…TODOS, diz ela do alto da sua rigorosa e “queque” sabedoria de Campo Ouriquense…

– Que O Estado falhou” dizem aqui também quase todos em uníssono, repetindo a tese de Passos, ilibando-o e elevando-o, aqui e assim, à categoria de esclarecido.

Mas que Estado ou qual Estado? O Político? O Autárquico? O das Forças Armadas? O do MAI mais o estado da Protecção Civil e do SIRESP? O estado da Ministra dos Incêndios ou do Ministro dos paióis de Tancos?

Qual o “Estado” de que tanto falam, afinal? São unicamente os Políticos ou são também os responsáveis das organizações que tutelam? Nenhum explica.

Só dizem que o “Estado” falhou, e falhou em toda a linha, e querem cabeças e com urgência, pois o tempo passa, vai depois tudo de férias e as cabeças sem rolar e a comissão por deliberar. E pedem um “Robespierre” e já!

– Mas “Ninguém se demite? Ninguém é demitido?”. Pergunta o Passos e quase todos o seguem de imediato na pungente e angustiante pergunta. Mas, em resposta, o Chefe do Estado Maior do Exército demite cinco (cinco, ouviram?) comandantes. Mas não se demitiu a ele próprio e isso é do reino do vergonhoso, sentencia o Marques Lopes, logo acolitado pela Clara e mesmo pelo Daniel. Uma vergonha, deve ter ecoado também no “Sombra” e aqui sou eu a imaginar pois não vi! “Wanted”, proclamam quase todos. E na “quadratura” ressoaram ecos…

Mas que “Estado” é este em que Ministros não têm consciência do seu “estado” e não se demitem, nem são demitidos? Uma chora em vez de se demitir e o outro assume as suas responsabilidades “políticas” e manda demitir. Onde já se viu? Mas que “Estado” é este em que o “Estado” não demite ninguém do “Estado”? Perguntam-se perplexos…sem saberem ainda do “estado” de indignação daquela Tropa tão credenciada e medalhada…

 – Que “Se responsabilizam politicamente”. Não há governante que não o diga. Que quer isso dizer? Ninguém sabe e isso é mais uma vergonha. Uma vergonha do “Estado”, logo acrescentam…quase todos!

Essa figura já mítica, escondida ou perdida nos nevoeiros das notícias, o tal de Sebastião, anda por aí fazendo o seu trabalhinho de sapa, vestindo-se de figura anedótica mas, ao mesmo tempo, travestindo-se em muitas personagens…Quem será ele, todos se perguntam? Que quererá ele, todos, ou quase todos, se perguntam também?

E então o “Sebastião” Passos lá candidamente veio anunciar que Marcelo tem que se definir…Como Presidente ou como Comandante Em Chefe de Todas as Forças Armadas? Demite-se de uma ou da outra? Vamos lá Passos, toca a definir-se, caramba…

E é mais ou menos este o “estado” do “governo da quadratura do mal e do círculo da sombra do eixo”…Ah: Como se diz “Sebastião” em linguagem Cristas?

– Mas resta o “Tavares”, o Miguel sim, que não o João, mas o Sousa! O outro anda lá pelo “sombra”. Para o Tavares, o Sousa, que não tem casa em Paços de Sousa mas tem um “monte” no Alentejo, disseram-me que ali para os lados de Mora, a Reforma Agrária trouxe insegurança  às planícies Alentejanas em modo de estio e, não fosse a caça, temia pela segurança do seu monte, ao contrário do Lobo que se diz seguro em Paços de Sousa…

O Miguel, o de Sousa, que também é caçador e, assim sendo, dá a sua colaboração ao ordenamento territorial, é também um “franco atirador”, como já uma vez aqui o apelidei. Foi na Reforma Agrária, quando se ocuparam terras e se retiraram da posse e cuidado dos seus legítimos proprietários, que começou o desprezo pela limpeza dos montes, das montanhas , das matas, dos vales e dos regadios…foi aí que começaram os incêndios, ergue ele o dedo a esses comunas todos…

E, à semelhança de quase todos os membros do tal “governo da quadratura…e da sombra do eixo”, encurtando, também ele dispara a fatídica frase: “Os Autarcas são todos iguais, pois não há um sequer que proíba o lançamento de fogo de artifício nas festas do “querido mês de Agosto”. Li eu não no Expresso mas no Estátua de Sal, que o reproduziu na integra.

Errado, meu caro Miguel de Sousa! Erradíssimo. Tiro na água! Nem matou nem perdiz, nem galinhola e muito menos coelho bravo! Há pelo menos um e o Sr. de Sousa Tavares, como pessoa informada, que lê notícias, escreve no Expresso e até fala na SIC, devia sabê-lo e lembrar-se que, no ano passado, e este ano também, o Autarca de uma Vila do norte chamada PAREDES DE COURA (onde se faz aquele tal Festival…está a ver?), chamado VITOR PAULO PEREIRA, o proibiu e isso foi amplamente noticiado, tanto em jornais como nas rádios. E mais: por amplo consenso foi decretado que o produto desses materiais pirotécnicos revertesse para os Bombeiros!

Não se lembrava? Não sabe onde é PAREDES DE COURA? Não conhece o VITOR PAULO? Pois devia! Assim não repetiria mais esse chavão de que “são todos iguais”…

A não ser que esse “são todos iguais… ” tenha como destinatários todos os nomes desses painéis que formam o tal” governo da quadratura do mal e do círculo da sombra do eixo”, mais o Miguel de Sousa Tavares!

E já me esquecia: tenho um Irmão que é Autarca há já quase doze anos…!


Os Eucaliptos do Pinheiral…

(Joaquim Vassalo Abreu, 30/06/2017)

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Que é feito do Pinheiral? Ardeu? Desapareceu? Nada disso: foi para França e já há muitos anos que não o vejo. Emigrou, eu fui para outras vidas, e não mais o vi. Mas lembro-me bem dele e de quando em pequenos, eu e outros mais, o acompanhávamos para apanhar leitugas para os coelhos e lenha e ramos secos para os fornos e lareiras…Lembras-te Joaquim Antero?

O Pinheiral era um mestre na arte de subir ou trepar árvores, principalmente as das espécies que o seu nome levavam. É que aquelas cascas ajudavam e muito e os resíduos resinosos faziam o resto, para além de se fixarem aos seus calejados pés que não conheciam sapato.

E o Pinheiral nunca caiu de um pinheiro abaixo! Mas uma vez vimo-lo cair de um eucalipto. Pensávamos que tinha morrido e até fugimos de susto. Mas deve ter caído com a sua melhor parte e tal não passou de uns simples “ais”…

Nunca mais o Pinheiral subiu um eucalipto e, apesar das fragâncias mentoladas que as suas folhas exalavam e que nos faziam encher ainda mais os pulmões, ficamos a detestar os eucaliptos. Eucaliptos não subo mais, dizia o Pinheiral…

Mas ainda bem que depois apareceram os mentolíptos em forma de rebuçado e isso ajudou-nos a esquecer os filhos da mãe dos eucaliptos.

Se ardiam? Não me lembro! Eu acho que isso dos incêndios, tirando aquele de Roma e que não foi por culpa dos pinheiros nem sequer dos eucaliptos, mas sim daquele maluco do Nero (e ainda há quem ponha este nome a cães…), é uma coisa pós-moderna!

Das “queimadas” lembro-me, mas isso eram fogos controlados, com que se limpavam campos e matas…juntavam-se os resíduos dos matos secos e coisas assim, fazia-se uma espécie de pilha e queimavam-se…mas sempre com o pessoal por perto.

Nunca do eucalipto tive saudades, portanto, mas tenho-as do pinheiro manso! Principalmente da sua sombra! Haverá no mundo sombra melhor que a dum pinheiro manso? Quantos eucaliptos seriam precisos para fazer uma sombra de um pinheiro manso? Falo cá do norte, porque do sul…nem as azinheiras, apesar de também fazerem sombra e também não saberem a idade…

Mas lá está, é manso, cresce lentamente, ocupa muito espaço, nunca mais morre…não dá lucro nem mais valia imediata, é o que é…

As beiras das estradas deviam estar todas repletas de pinheiros mansos e devíamos poder voltar aos piqueniques, como antigamente fazíamos nas matas do Ofir, da Apúlia, de Moledo ou mesmo nas do Anjo, aqui na Póvoa. Aquilo é que eram tardes…e aquilo é que eram sombras!

Foram proibidos! Todas as famílias tinham arsenais de mesas, cadeiras e fogões portáteis. Estendiam-se as mantas, erguiam-se as tendas e atavam-se as espreguiçadeiras. Levava-se de tudo, até assados e, lembro-me, até “pica no chão” o mulherame lá fazia…A canalha brincava naquele ar puro e ainda impregnado do iodo ali próximo e os adultos dormiam e ressonavam, de tão comidos e bebidos…Era o tempo em que todos nós, como diz uma sobrinha minha, eramos “pobretes, mas alegretes”!

Uma ASAE qualquer daqueles tempos proibiu-os pois dizia que podiam provocar incêndios e conspurcavam as matas…

Acabaram, começaram os incêndios e as matas viraram cinzeiros…!

Então aí chegou o progresso…e eu não falei de “política”…

PS – Quim: tu podes comentar e mesmo acrescentar, mas não podes renegar a história do Pinheiral…olha a minha credibilidade, pá! É que, de repente, não tenho a certeza se foi mesmo para França que emigrou…


Fonte aqui

Qual a cor do sangue da Judite?

(Joaquim Vassalo Abreu, 28/06/2017)

JUDITE

Eu sei, mas só o revelarei no fim do texto, e quem o antecipar estará a fazer batota e isso não vale!

A mim há duas coisas que sempre me fizeram confusão: uma a cor do meu sangue e outra a cor do cavalo branco de Napoleão! E coisas mais banais não haverá, não acham?

Confusos? Eu explico: em primeiro lugar porque sempre me convenci que o meu sangue era vermelho e assim o constatava quando, em pequeno, dava uma “topada” (batia com o dedo grande do pé numa pedra ou outro obstáculo) e dali jorrava um sangue vermelho que só a sulfamídica terra curava. Vermelho, sem dúvida! A outra era saber da cor do cavalo branco do Napoleão quando ele era branco!

Era branco o cavalo, tal como o sangue era vermelho. Duas verdades para mim absolutas! Isso pensava eu…

Pois: isso pensava eu! Mas, mais tarde, quando comecei a namorar com a Graciete, comecei a ouvir dizer que ela era de sangue azul! Azul, perguntei eu? Eu que pensava que ela era do Sporting e, sangue por sangue, o dela era vermelho? Mas depois soube que isso do “sangue azul” era treta, pois não era Portista e era apenas descendente dos Viscondes de Bacelar…Sangue deles, portanto!

Mas depois descobri que o seu sangue era mesmo vermelho, pois eu amiúde bem o via…

Só que agora, há uns dias atrás, deu-se-me de novo um nó no meu occipital quando li na Net aquela notícia da TVI que dizia que o Medina tinha “sangue comunista”, pois era filho de comunistas! “Sangue comunista”? Então, sendo o “azul” uma treta, para além do vermelho, ainda haveria mais espécies de sangue? Não deverá haver quem, não dominando estas coisas dos sangues, não ficasse confuso! E eu fiquei!

E fiquei porque quem estava a dar a notícia era uma tal Judite e, retrocedendo na máquina do tempo, lembrei-me que ela morava por baixo de uma cunhada minha em Gaia e toda a gente sabia que o pai era comunista!

Assim, a TVI, sem o saber(?), abriu uma caixa de pandora e classificou também a Judite com esse novo tipo de sangue…É que a TVI ao reclamar que o sangue do Medina era “comunista”, acabou por dizer, preto no branco, que o da Judite também o era! Achei bonito…

Eu essa expressão nunca tinha ouvido, mas há uma outra que conheço e talvez isso explique e que é a de “estar-lhe no sangue”!

Mas, pensando melhor, sendo essa expressão abrangente que chegue, ela não se poderá aplicar a este caso pois, partindo do princípio de que o sangue é mesmo vermelho, tal resultará numa redundância insanável e numa conclusão óbvia e cuja é: se o ser-se comunista é consanguíneo, eu e outros mais, não o sendo, mas sendo comunistas, que raio de tipo de sangue terei ou terão? Verde, por ser sportinguista? Azul para alguém que é Portista? Neto ou bisneto de Condes e Viscondes?

É que os meus Pais não eram comunistas, nem benfiquistas tão pouco, de modo que eu, não tendo esse privilégio, só poderei ter um sangue vermelho abastardado, por mais que vermelho me sinta, bem ao contrário do Medina que o tingiu de rosado!

De modos que a Judite, certamente bem avisada, tanto pela Prada, como pela Louis Vuitton ou pela Hermes ,e com o seu alto patrocínio, há muito o problema resolveu e fez uma transfusão.

Eu sei que isso lhe provocou algumas sequelas, principalmente na linguagem, na maneira de falar, enfim, mas o seu sangue ficou para sempre LOIRO!

O seu sangue é LOIRO e o Loiro está-lhe no sangue…Um sangue loiro varrido!


Fonte aqui